É isso aí, finalmente consegui instalar o Xfce 4.4 no meu Slackware 11. Ao iniciar ele tive uma grata surpresa, e também senti um pingo de nostalgia, já que o Xfce foi meu desktop principal por dois anos até dois anos atras, quando comecei a usar o Fvwm. Bom, já que achei que ele trouxe novidades interessantes resolvi escrever um review sobre essa nova versão do Xfce. Então, como diria a bruxa do Pica-Pau... "E la vamos nós!"
A instalaçãoResolvi baixar os instaladores binários do Xfce para ver como eles funcionavam, e se traziam alguma facilidade em relação aos sistemas de pacotes ou aos sources. A principio, espera-se que um instalador gráfico facilite tudo para o lado do usuário, e realmente ele faz isso, mas não da maneira que esperamos. Ao iniciar o instalador você recebe algumas instruções, e logo após pressionar next você vai para uma tela com a checagem das dependências, que funciona supreendentemente bem. Caso alguma dependencia nao seja encontrada, você simplesmente não pode prosseguir a instalação.
Para mim faltou apenas três pacotes: VTE, HAL e Perl-URI, os quais baxei no Linux Packages e foram encontrados de primeira pelo instalador. O mais interessante é que cada item possui uma descrição, e nessa descrição também são indicados os pacotes a serem instalados no Ubuntu, um instalador n00b-friendly. 8)
Como eu disse antes, ele facilita mas nem tanto, e isso percebe-se nos próximos passos. Após determinar o prefixo de instalação, você tem algumas opções a serem marcadas ou desmarcadas, sendo que há uma que ativa a optimizaçãopara o seu tipo de processador. Após ver isso que eu percebi um detalhe desagradavel no no processo: o instalador compila todo Xfce durante a instalação, ou seja, ele é apenas um "
frontend" para uma compilação no terminal. Isso não é necessáriamente ruim, mas é muito chato esperar tudo ser compilado... Aqui demorou cerca de 25 minutos até o Xfce ser todo compilado e instalado, eu esperava pacotes binários e não sources em um instalador... Mas parece que agora essa moda de instaladores que compilam está pegando, nessas horas que um autopackage ia bem.
...and everything runs faster!Além do Xfce, eu instalei também o Xfce Goodies e o Thunar Bundle, com isso ele já estava pronto para ser usado. As entradas no KDM foram adicionadas automaticamente então iniciar os testes foi simples.
A primeira coisa que sempre faço é abrir as configurações, e desta vez não foi diferente. Mas, ao contrário do Gnome ou do KDE, quando eu cliquei para abrir as configurações elas abriram quase que simultâneamente, sem nenhum processamento quase. E ao abrir as outras configurações foi mais rapido ainda. Clicou, apareceu, simples assim. Realmente, ele está muito leve, e funcionando mais rápido que o própio Xfce 4.2 que vem no Slackware 11.
Ao abrir o painel de configurações logo se percebe que há várias novidades, e só não digo que pode demorar algum tempo para ver tudo, porque está tudo realmente rápido!
Muitas novidadesElas não estão aparentes apenas nas configurações, mas em tudo se vê alguma coisa nova. Logo de cara se percebe que agora o desktop tem ícones. Pessoalmente não gosto muito, mas isso é bom por dois motivos: primeiro, as pessoas que antes improvisavam com iDesk, Rox e etc para colocar os icones agora não precisam mais de gambiarras. E segundo, porque os icones podem ser desabilitados. 8)
Ainda há a opção para que ao invés dos icones "comuns", os ícones da área de trabalho sejam apenas das aplicações minimizadas. Com isso habilitado, quando você minimiza uma janela, é criado um icone para ela no desktop, estilo a configuração padrão do Fvwm.
A segunda e talvez a melhor surpresa apareça quando se clica no ícone de arquivo no painel principal: o novo gerenciador de arquivos Thunar. Leve como o XFFM, fácil como o Nautilus e funcional como o Konqueror. Ele ainda tem a opção de daemon, que em conjunto com o Hal detecta o hardware na hora que é plugado e executa uma ação pré-configurada. Até agora essa é a unica função que eu não testei para ver se funciona mesmo, já que o Hal dá um erro aqui (o meu padrão é o udev...) relacionado a um arquivo ausente.
Outra novidade é um editor de textos estilo bloco de notas, o mousepad. Bem pratico, inclusive estou editando este texto nele.

Tenho a impressão que ele é o antigo Leafpad, que eu costumava usar antigamente quando o Xfce ainda não tinha um editor de textos, porém melhorado.
Visualmente agradável...A impressão inicial é a de um ambiente limpo e minimalista, mais ainda do que na versão 4.2. Agora a barra de tarefas superior tem os botões com a opção "Flat", que tira a aparência de botão e deixa apenas o nome dos programas direto na barra, muito mais estiloso. O painel inferior também está mais simples, com menos aplicações por padrão, apenas com o necessário: Terminal, Editor de Textos, Gerenciador de Arquivos, Navegador e um botão para sair. Como tudo é customizável isso não importa muito, já que fica tudo diferente, mas ainda assim ajuda positivamente na "primeira impressão" que se tem sobre o Xfce.
Os temas que acompanham o pacote padrão continuam sendo os mesmos das versões anteriores, com a adição de um novo tema padrão.
Além dos temas para a GTK, ainda tem as decorações para o gerenciador de janelas XFFM. A nova decoração padrão é muito boa, e todas as decorações presentes nas versões anteriores estão disponíveis também.
... e o Xorg não morre!
Pois é, um problema que muita gente enfrenta quando usa o XGL, AIXGL ou Composite é do nada o Xorg morrer, além de tudo ficar lerdo quando se tem pouca memória. Felizmente eu sou muito exigente em relação ao desempenho, e o máximo que habilito é o Composite (que está bem mais leve usando o Xorg 7.2), que no KDE fazia o Xorg morrer do nada. Além de fazer o Xorg morrer, ainda deixava algumas coisas lerdas, como redimencionamento de janelas, trocas de área de trabalho e etc, e isso encomodava tanto que eu desabilitava logo o Composite.
A primeira surpres que tive ao ativar o composite no Xfce, foi que ao contrário do KDE, eu não precisei fazer login denovo para que as coisas fizessem, efeito. Os efeitos são ativados e modificados on-the-fly, ou seja, nada de apertar botões "aplicar" e etc, isso é Windows demais.

É só alterar os valores que instantâneamente as modificações já são visíveis.
Para ativar o Composite se usa a opção "Window Manager Tweaks" no painel de controle. Infelizmente senti falta de algumas coisas, como alterar a opacidade das sombras, largura, offset e opção para ativar o fade. Pelo menos o que está presente alí funciona perfeitamente, e mesmo com o Composite ativado o sistema continua rápido e leve (é obvio que é necessário uma placa de video com aceleração 3d).
Xfce GoodiesComo disse anteriormente, também instalei o pacote Xfce Goodies. Este pacote acrescenta vários applets para os paineis. Alguns inúteis, outros muito úteis e alguns indispensáveis.
Um costume que peguei no KDE foi o de montar tudo com dois cliques usando o KwikDisk, e iria ser dificil me adaptar novamente ao velho terminal. Mas felizmente, agora há um applet muito semelhante ao KwikDisk porém para o Xfce. Além de várias outras coisas interessantes, como umn gerenciador de clipboard igual ao Klipper, três tipos diferentes de relógios, controle para o XMMS ou MPD e etc. O Xfce Goodies se mostrou algo indispensável para mim, e acrescenta muita funcionalidade ao Xfce.
As aplicaçõesAparentemente, o Xfce está tentando se firmar como um gerenciador de desktop completo, ao nível de Gnome e KDE. Isto realmente é bom, pois dá uma opção mais leve e tão completa quanto eles, e aparentemente o Xfce está seguindo o caminho certo criando seu conjunto próprio de aplicações leves. Agora também conta um terminal próprio (que não é novidade, mas antes ele não vinha incluso na instalação padrão) que abre quase que instantâneamente após o clicar no ícone. O mais interessante é que apesar de abrir na mesma velocidade que o Xterm, ele consegue ter a mesma aparencia do Gnome Terminal ou do Konsole, porém muito mais leve e até com algumas opções de personalização interessantes. Também há abas, uma barra de ferramentas, modo de tela cheia e etc, além do clássico fundo semitransparente.
Agora o calendário não é mais integrado ao relógio padrão como era nas versões anteriores, e também não é mais o xfcalendar. Agora o nome da aplicação de calendário é Orage, que aparentemente parece um calendário normal, mas é mais interessante que parece. Fuçando um pouco, você encontra funções de alarme, de lembretes de tarefas e etc, da mesma maneira que o daemon do korganizer trabalha no KDE, porém muito mais leve e fácil.
O editor de textos como eu disse anteriormente é bem simples, lembrando bastante o bloco de notas do Windows. Não tem highlight nem outras funções especiais, apenas texto, word warp (quebra de linha) e uma função básica de identação para facilitar a edição de textos. Infelizmente ele não é prático para programar, então fica apenas na edição de texto sem formatação.
Ainda tem duas aplicações que não vem na instação padrão: Xfmedia e Xfburn. O Xfmedia é um player de música leve que usa a engine Xine através de uma interface bem leve. Não testei ele, apenas vi screenshots no site, ent]ao não posso falar mais muita coisa. Já o Xfburn é a nova aplicação do Xfce para gravação de cds e dvds. Não encontrei muita informação a respeito, muito menos link para download ou screenshots.
O Thunar é a aplicação mais interessante, então não vou falar dele aqui, já que pretendo criar um post para falar só sobre ele.
Ok, nem tudo é essas maravilhasOk, apesar de tudo que essa nova versão do Xfce traz de bom, ainda existem alguns pequenos problemas que podem encomodar principalmente os usuarios menos experientes.
O primeiro é em relação à internacionalização. Não existe uma opção para usar um idioma alternativo ao das locales do sistema, ou seja, o idioma só muda caso as locales estejam diferentes também, o que geralmente é feito na mão alterando arquivos não muito amigaveis ao usuário iniciante.
As vezes existem algumas dificuldades relacionadas à configuração do HAL, que através de alguma configuração do thunar poderiam se facilitadas. Isso não é tão grave, mas ainda assim seria interessante. Se usa o HAL, espera-se que tenha algo para configurar o mesmo.
Agora a pior parte, é que instalação é extremamente intrusiva em relação ao KDE. Quando digo extremamente é muito mesmo, ao ponto do meu painel de controle do KDE não exibir mais nenhuma opção de configuração, apenas uma pasta "Network" quer está vazia. Não entendi muito bem porque isso aconteceu, já que os prefixos deles são completamente diferentes (Xfce no /usr e KDE no /opt). Ainda há o velho problema do menu, que é totalmente modificado pelo ultimo gerenciador de desktop instalado. Infelizmente isso acontece com KDE, Gnome, Xfce e etc, e poderia ser evitado com uma medida simples: na instalação, o arquivo universal de menus é copiado para a pasta do programa e só após isso é modificado, tendo alguma ferramenta de sincronismo com o universal. Não deve ser muito complicado fazer isso, e seria muito mais prático.
Conclusões FinaisO Xfce progrediu assustadoramente da versão 4.2 para a 4.4, e realmente esse foi um dos mais importantes releases deste ambiente grafico. A leveza e praticidade se destaca, junto ao acrécimo de muitas facilidades.
A criação de um set de aplicações do Xfce é uma iniciativa ótima, e aos poucos vão aparecendo novos programas que vão deixando-o cada vez mais independente dos outros desktops.
A minha experiência com a volta para este amboente foi ótima, mesmo já estando completamente acostumado com as aplicações KDE. As aplicações GTK estão surgindo e se desenvolvendo em uma velocidade incrível (parte disso se deve ao fenômeno do Ubuntu), e com isso a migração de um abiente completamente KDE para um GTK se faz de maneira simples, sem sentir falta de nenhuma aplicação ou funcionalidade. Sobre isso eu pretendo falar nos próximos posts, pricipalmente sobre as aplicações que "substituiram" as minhas favoritas do KDE.
Bom gente, agora fiquem com algumas screenshots do meu Xfce, mostrando algumas coisas interessantes.

Meu desktop, sem icones nem nada, apenas paineis...

O Applet para montagem rápida de dispositivos, estilão KwikDisk...
Mouse pad, e editor de textos do Xfce...
Thunar, velocidade até com thumbnails...
Dialogo de configuração do Composite, tudo funcionando sem o Xorg morrendo...
Adicionar applets ocorre da mesma maneira do KDE e Gnome...
O calendário Orage e o agendador de tarefas...Então é isso, espero que tenham gostado desse review e que dêem uma chance para esta versão do Xfce que está fantástica. Falowz!