Wednesday, December 22, 2010 1:53:14 AM
O Brasil segue um caminho do qual não pode desviar-se: remover a miséria, injustiça e corrupção. A ascensão social é para todos, para sempre. O desafio é concentrar esforços para transformar reação em ação contínua – projetos educacionais bem sucedidos não podem ser privilégio de poucos. Estamos chegando ao final do ano. Festejos, gastos, planos, viagens, emoções de encontro e reencontro são a tônica desse período na vida não só dos brasileiros. Estamos acostumados a passear e gastar um pouco mais do que deveríamos. O receituário é repetido ano após ano: “ninguém é de ferro”, mesmo sabendo que o índices de arrecadações alcançam novos patamares.
E ninguém é de ferro mesmo. Às vezes, o peso é retirado da consciência, atenuado, sublimado, pelos gestos de bondade que fazemos. Ora um panetone para um desconhecido no semáforo, uma cesta básica para alguém reconhecidamente carente ou a doação daquelas roupas ou calçados que... já não servem mais – fora de moda, desbotadas: já compramos outras mesmo!
Bem, comprar ou não comprar não é a questão. Vivemos, internamente, um momento de prosperidade financeira, emprego em qualquer região do país, o Rio de Janeiro conquistando emancipação do tráfico, da violência urbana e do crime organizado. Após a eleição de uma mulher para presidente da república, os ares que respiramos são de comodidade, alívio e projetos. Para todos os lados o que se ouve ou que se vê são planos: a viagem de férias via aérea, trocar o carro popular por um modelo que tenha mais conforto, viagem à Europa – bens de consumo ou não, são planos. Contudo, não é o bem de consumo que devemos planejar, mas sim a construção de mecanismos para o combate à endêmica corrupção que perpassa as diversas esferas de poder e instituições. Já não é mais tempo de olhar para o garoto de rua, os altos salários dos mandatários políticos, o desvio de função de policiais, invasão de mananciais, insuficiência do atendimento na saúde pública e o péssimo salário e qualificação dos professores como um problema do outro. O outro “Disse o Senhor a Caim: onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: não sei; acaso sou eu tutor de meu irmão? (Gênesis 4:9)
Ah, o outro! Para que preocupar-me com ele? “Quando só a gente morava aqui era ótimo!” exclamou a moradora de um condomínio de “quase” médio padrão, referindo-se aos moradores dos prédios recém construídos naquele condomínio. Aliás, os novos moradores são obra do atual momento econômico. Esse desassossego cristaliza a vontade de “subir na vida” desde que o outro não suba ou, em melhor hipótese, que o outro seja a escada e, eu, lá de cima, possa atirar uma moedinha para a empregada doméstica, para o filho do porteiro, do lavador de carros e fique com os olhos marejados pelos enfeites de natal nas alamedas dos shoppings e prédios da Avenida Paulista, minha doce Manhattan dos trópicos!
O resultado do último PISA dá pistas de quais são os caminhos a serem trilhados para que tenhamos um país mais justo e menos excludente. As TICs não são um fenômeno da última geração, “uma onda” na qual todos devem surfar sob pena de morte, hecatombe. A apropriação dos recursos das novas tecnologias de informação permite que o professor, a escola e a sociedade apropriem-se do que existe como resultado do conhecimento humano a fim de que o homem torne sujeito e não coisa dentro do processo que ele mesmo Homem criou.
Acesso e permanência dentro da escola, quer dizer lançar mãos de projetos temáticos que permitam o formação de leitores, homens e mulheres, críticos. Não é o ensinar a “mexer” no computador, deífica-lo: a tecnologia está a serviço da libertação do Homem não sua escrava. É o professor encontrar numa ferramenta o caminho para desalienação sua e do aluno.
No dizer do poema “Um galo sozinho não tece uma manhã / ele precisará sempre de outros galos. (…) para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos.” (João Cabral de Melo Neto) Assim, no emprego das TICs, o conceito de coautoria torna-se mais evidente, elas não são representante de um modismo. Ao contrário, trás para o campo da educação, bem como para toda a sociedade, o sentido do trabalho, o sentido da atividade partilhada, o sentido da vida em sociedade. Nas “relações humanas autênticas” o saber é partilhado, não existe um que seja, sempre, escada para o outro; que enxergue na miséria humana sua possibilidade de sucesso.
Nós, brasileiros, felizmente estamos trilhando um caminho construído em colaboração – D. Pedro I, Anísio Teixeira, Paulo Freire... – resultado do entendimento de que não são donos do saber. Já passou sonho: o tempo é de internet banda larga para todos, casa com água encanada, esgoto tratado e garantia de acesso e permanência da creche à pós-graduação. Estamos evoluindo na compreensão de o país não é para um pouco, pequeno grupo, mas todos, sem distinção.
Monday, June 21, 2010 2:59:30 AM
As transmissões dos jogos da Copa do Mundo de Futebol entrará para o livro dos Records. Aficionados por futebol, sonâmbulos e até aqueles que detestam futebol são vítimas (?) ou deixam-se engalfinhar pelos exuberantes comentários. Se o time do narrador sofrer um revés, vale o pito do “Galvão Birds Foundation”?
Os mais velhos, gente de 50, 60 anos de idade, moradores de cidades não metropolitanas como São Paulo, tem registros mais fortes dos jogos de futebol transmitidos pelo rádio. FM e principalmente a frequência em AM disputavam cada ouvinte com o jingle de um locutor tão reconhecido quanto o jogador que estava entre as quatro linhas. “Fiori Gigliote, Pedro Luiz, Osmar Santos, Haroldo Fernandes, José Silvério, Valdir Amaral, Jorge Cury” entre tantos outros. O status social era tão relevante que o comentarista de futebol João Saldanha tornou-se técnico da seleção brasileira de futebol. Mas... coitada da África do Sul. O futebol lá apresentado pelas seleções são narrados, comentados, esquadrinhados de maneira tão sofrível que leva o ouvinte a pensar que o futebol está chegando ao seu fim. Ah, Jabulani!
São todos muito redundantes para não dizer que estão abaixo do senso comum no mundo do futebol. Recortam e colam bordões de limitada flexibilidade intelectual. O que salva os veículos não escritos são as reportagens – não todas – apresentadas nos telejornais ou no intervalo das transmissões dos jogos. Nesse terreno, ótimos textos são emoldurados por imagens de paisagens, pessoas ou elementos culturais nos quais os protagonistas estão inseridos. Verdade seja dita, algumas agências de notícias teimam em ecoar o conteúdo dos livros didáticos: clima seco, temperaturas elevadas, chuvas com intervalos entre dois e três anos. Uai! O que é que se diz da produção de vinho na África do Sul, embora o clima frio não seja requisito essencial para o cultivo da uva? Tem que haver uma gotícula de água para a videira. Felizmente, via Copa do Mundo, a África não nos é apresentada tão somente como lugar exótico ou terra de homens nus com armas semi-artesanais empunhadas.
A Copa da África do Sul forçará a revisão do conteúdo sobre o continente africano nos livros didáticos, ainda que o país não seja representante de todas as dimensões do continente. Como tem sido divulgado ao mundo inteiro, estamos, africanos principalmente, tendo a chance de caminhar para fora do lugar comum, diuturnamente rotulado pelos meios de comunicação, os quais deveriam informar, ao grosso da população, quem é quem independente de preferências geográficas. Nesse sentido, reconhece-se que nós, brasileiros, cultivamos uma predileção obstinada pelos Estados Unidos da América e Europa – qualquer que seja o país, embora a África com todas as estações climáticas idênticas aos demais lugares do planeta terra, esteja a apenas oito horas de um simples voo.
Contudo e não obstante às preferencias dos narradores e comentaristas, os africanos não se derretem tanto pelo estrangeiro – branco de olhos azuis ou não. Ao que tudo indica, eles são pragmáticos: recebem-nos porque despejam fortunas nos “resorts”, “bangalôs” e outras quinquilharias. Entre umas e outras o sujeito arruma um emprego, sustenta a família e toca em frente. Pode-se dizer que o mundial da Fifa foi um bom negócio para todo o continente. Mesmo havendo imensas fissuras sociais e econômicas a serem reconstruídas ou mesmo muito bem atadas porque são seculares, o conjunto das operações desenvolvidas para a concretização do evento ficou patenteado no mega-show que antecedeu a abertura oficial dos jogos.
A presença de figuras carimbadas no campo dos protestos sociais expôs para o mundo uma África do Sul para além de suas fronteiras. Espetáculo musical recheado de notas: o combativo desejo de melhores dias para homens e mulheres ecou mais forte e uníssono do que a vontade de representar, para a maciça mídia presente, uma África high-tech, com prédios imponentes, gente movida pelo suave desejo de acúmulo de riquezas e prosperidade efêmera.
Ficou assim registrado na fala do bispo Desmond-Tutu, no canto do casal cego de Mali, na vibrante voz feminina de Angelique Kidjo, através do grupo de música tuaregue Tinariwen, da região norte do deserto do Saara; do colombiano Juanes - um dos nomes mais importantes da música latina atual- ; por meio da descendente de italianos, irlandeses, escoceses e jamaicanos Alicia Keys e, para não deixar de situar-se no mundo contemporâneo, a presença de astros hollywoodianos, como Shakira – paradoxalmente não norte-americana, mas representante da cultura pop, globalizada dos últimos dias. Felizmente os locutores e comentaristas, engolidos pela própria empáfia, e porque desconhecessem a maioria daqueles Astros, não estragaram a apresentação. Foi uma festa de arromba! Os próximos dias dirão quem é quem num evento múltiplo como este empreendido pela Fifa.
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Tuesday, June 15, 2010 10:05:28 PM
Ao que tudo indica está a caminho uma revolução silenciosa, consistente e persistente. 53,5% dos negros brasileiros já estão na classe média é o título da reportagem de Fernando Dantas no caderno de Economia do Estadão de hoje, 28 de março de 2010. No corpo da reportagem sobre estudo do pesquisador da FGV, Marcelo Neri, há pistas de que a inclusão social do homem/mulher negro/a está em processo irreversível. O pesquisador não consegue definir se o conjunto de ações afirmativas – lei de cotas, presença de pessoas negras em cargos de destaque no governo Lula [ min. Joaquim Barbosa, ex-ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro, ministro de Esportes Orlando Silva Junior]entre outros, acentuou ou não o aumento da proporção de chefes de família negros e mestiços entre 1998 e 2008. Apesar das conquistas os chefes de família negros na zona de perigo (pobres e indigentes) ainda somam 70% da população brasileira. É possível crer em uma sociedade menos desigual, com oportunidades para todos, sobretudo para aqueles cujos pais foram sequestrados do convívio de seus ente queridos para uma terra distante da sua, para o distanciamento e a negação de sua identidade social, cultural, religiosa e condenados ao trabalho escravo durante séculos.Read more...
Monday, May 31, 2010 6:44:36 PM
Eu sou o seu mais novo amigo. Ops! Pode ser amiga. Sabe como são as palavras: algumas pertencem ao gênero masculino outras feminino. Se você disser amigo está me chamando de computador, mas se disser máquina eu sou amiga. Deixa isso pra lá. O mais importante é que agora você tem um montão de novidades para descobrir. Vamos juntos, juntas.
Eu sou ciumenta, quer dizer, exigo um tantão assim de cuidados para ficar sempre em forma – boa forma. Nada de passar um creminho nas mãos e depois tocar em mim. Isto pode soar como delicadeza, mas já disseram pra você que qualquer tipo de óleo sobre mim pode ser prejudicial. É, sou alérgica.
Ah, não posso esquecer de dizer: mesmo com todas essas precauções, cuide de você. Afinal eu sou apenas uma máquina. Estou aqui para facilitar a vida das pessoas não para substituí-las. Portanto, conecte-se em pessoas físicas e você terá um milhão de razões para me usar de verdade. Beijos recheados de cereja.
Wednesday, May 19, 2010 4:10:59 AM
A divisão da renda não é igual, nem proporcional: lembra-se de Zaqueu, o personagem bíblico? Parece que faz muito tempo o que aconteceu com ele. Vamos invadir o Iraque porque Sadam Husein é um tirano, crápula da pior espécie que ameaça o mundo. Se ele ameaçasse apenas os cidadãos iraquianos, tudo bem. Deixe como está, eles que se matem. Ops! Ameaça a todos nós. Vamos exterminar o eixo do mal. Bum! Aliás, "clashp", guilhotina já. Ufa, que alívio.
O quê? Agora tem um novo tirano, maluco - e só pode ser tirano, maluco porque é de um país localizado na mesma região do Iraque. Aliás, vizinho deste.
Vamos montar uma estratégia. Naquele lugar tem muito petróleo. Se nós deixarmos do jeito que está não fica bem aumentar/tripudiar sobre a contabilidade de nossas empresas. É preciso um fato, externo, de preferência, porque se for interno dirão que somos atrasados, incompetentes. Esse título de incompetentes nós temos que atribuí-lo aos países do continente africano, à América Latina. À Asia não, afinal lá existe o Japão, nosso amigo. Tem a China. Xi... é melhor não mexer com os piratas.
Parece uma fábula, mas é o que está em jogo quando ouvimos no noticiário as sanções do Ocidente ao Irã. Não é ao fato de serem eles possuidores da bomba, ou possível bomba atômica, mas à sua religião - são fanáticos -; tem autonomia política e financeira - não vivem às portas do FMI ou buscando integrar-se ao bloco da UE. Pouco se importam com esses blocos e organismos financeiros. Tem capacidade de gerir seus próprios recursos, embora reconheçam que sua grande commoditie é o petróleo e esse exportado.
A quem interessa a tensão bélica na região do Golfo Pérsico? Bem pouco provável que os americanos e europeus fariam isto se fosse uma republiqueta da Europa. Não é bom os regimes se rebelarem contra as potências. Americanos e europeus precisam fechar sua conta em azul. Para tanto não exitarão usar as mesmas estratégias que Zaqueu empregou antes daquele fatídico encontro com Jesus de Nazaré.[/FONT][/SIZE][/FONT][/SIZE][/COLOR]