Maldade, maldades...
Sunday, August 31, 2008 11:43:35 AM
O que expus resumidamente acima, a partir das colocações de Little Girl e de Rousseau, serve para pensarmos na tal maldade como um construto social, algo que nasce e cresce na sociedade, com isso, podemos também supor que nenhum de nós, considerando-se sujeito de uma sociedade - pode ser que alguns não se achem membros dela, mesmo o sendo -, estaria livre da maldade, ou de cometê-la ou de senti-la; isso mesmo, não creio - aqui firmo minha opnião sobre a problemática discutida - que exista um ser humano isento de qualquer espécie de maldade ou de qualquer categoria dela, para tornar mais claro. Abaixo farei o que já deveria ter feito: definir algumas subdivisões ou categorias de maldade, pois assim levaremos melhor nossa discussão. Por hora pensem que nem toda maldade possui a mesma proporção de efeitos, existiriam níveis que a tornasse mais intensa, mais grave ou menos em termos de efeito.
Vamos à maldade com vcs hehehehe ou melhor, vamos às maldades propriamente ditas.
Teríamos na base a maldade como termo genérico dado à forma como o ser humano comete atos, dirige palavras de modo a provocar danos, dor, sofrimento, injúria etc. em outros. Em suas ramificações, existiriam as maldades divididas em: maldades intencionais, geralmente associadas às pessoas que as cometem com total "dedicação" a elas, ou seja, que praticam a maldade de forma premeditada; houve uma intenção inicial de agir daquela forma, de causar aquele dano ou algo parecido; é a maldade do tirano, do assassino, mas seu os efeitos pós podem não ser os mesmos na mente de um psicopata (deixo os maiores detalhes acerca dessa classe de indivíduos para os estudiosos do assunto, apenas apresento aqui minhas considerações), que pode planejar a maldade, verificar os efeitos e não se comover ou perceber que tenha sido ele mesmo que produziu tal mal, que aquilo tenha sido algo que surgiu de seu íntimo - pode ter sido algo que cometeu por causa "do mundo", por causa de uma força externa que guiou seus atos, uma sociedade brutal pode ser o motivo de o levar a atos brutais; "o mundo me criou assim", seria um subterfúgio para alguém assim.
A maldade vista como componente da vida humana, pode ser compreendida como uma maldade "simples", uma maldade que surge e ocorre de forma sutil, principalmente em pessoas vistas como "sem maldade", uma ação pouco pensada, uma ação motivada por um sentimento de mágoa (por ter recebido maldade de outros) pode desencadear uma maldade sutil. A maldade do dia a dia, é aquela que parece desconsiderável, mas não para nós aqui nessa discussão, logo seria aquela que despercebidamente se realiza e não por isso tenha efeitos além dessa proporção. Uma maldade sutil é capaz de causar danos tão devastadores como uma maldade intencional. As maldades sutis surgem no cotidiano entre amigos, familiares, amantes, pessoas que se relacionam com freqüência e geralmente em momentos de confusão, de pequenos atritos ou mesmo naquelas famosas "brincadeirinhas" - que quase sempre deixam gosto diferente em que as recebe -; isso mesmo, uma "brincadeirinha de mal-gosto" pode causar grandes desastres. Imaginem - para ilustrarmos melhor - a situação em que vc se encontra num momento de aborrecimento, de tristeza por algo que lhe tenha ocorrido há alguns dias atrás, chega alguém com quem se relaciona conforma especifiquei acima e lança mal de um descaso para com sua situação, mesmo sabendo que vc não passa bem? quanto a sua primeira reação é algo que não posso dizer aqui, mas arrisco dizer que uma delas pode ser o questionamento "poxa, não era isso que queria ouvir ou que precisava ouvir, não teve graça alguma, pensei que fulano estaria do meu lado nesse momento". isso se torna maldade, uma maldade sutil, saída de lugar que acreditávamos não sair, mas não deixa de ser maldade, mas por isso julgamso essa pessoa má? muitas vezes temos muitos motivos para afirmar que essa pessoa não é má, mas que foi infeliz em suas colocações; logo, essa pessoa, mesmo sendo um símbolo de bondade para nós escapou da maldade? é justamente aí que entra o argumento de que nós, seres humanos, não estamos livre de todo o tipo de maldade, isso aplico tb aos que se dizem eternamente devotos de algum credo ou religião que prea a não-violência, não à maldade, uma regra de ouro (de não fazer ao outro o que não desejas que seja feito contigo) não obtem efeito sobre todos os seres humanos e todos os momentos de sua vida. A maldade tb precisa ser vista como algo contextual e tb situado em ânimos, em momentos de espirito, em outras palavras, não basta realmente estar em um meio social, em um determinado tempo para ser mal, mas um estado de espírito pode trazer-lhe a maldade como conduta, ainda que por instantes e seguida de arrependimento.
O arrependimento tb merece nossa consideração, mas deixarei isso para um próximo post, quando discutirei mais as possíveis causas e efeitos das maldades, por hora mantenham na mente que ele será muito importante para compreendermos essa problemática que me propus aqui a discutir. Perceberam por hora o que quis dizer com a existência de maldades? é exatamente propor divisões para não parecer que joguei tudo num saco só. Temos a priori duas categorias de maldade: a intencional e a sutil. Com certeza, muitos podem estar nesse momento dizendo que não possuem maldade alguma, principalmente os mais "devotos" (tb não discutirei isso aqui, mas já tive muitos embates com pessoas que por se acharem religiosas pensam estar além das coisas humanas, "além do mundo"), mas volto a dizer não escapamos dela, no entanto tb não creio que sejamos mãos em nosssa essência, creio que seriam almas humanas demais para investigar e garantir que realmente todas nascem num padrão e buscam outro, admito minha falta de conhecimento sobre tal assunto. Poderíamos tb, como Rousseau, dizer o contrário, que nascemos bonzinhos e a sociedade - que é produto e meio nosso - nos corrompe (para isso teríamos de dizer "como os 'bonzinhos' criam algo que os tornam mãos pelas suas próprias atitudes e palavras?"). Logo, para mim, não haveria um padrão para o nascimento das almas humanas: não nasceríamos nem puros nem completamente corrompidos; quanto a buscar padrões, concordo nesse ponto, pois se percebemos que nossa sociedade está voltada para o mal, pretendemos que ela se incline toda para o lado do bem.
Os padrões humanos, os quais encontramos em vários cantos de nossas vidas, também merecerá consideração aqui, mais adiante, pois não quero cansar os que mme lêem com textos tão longos, vamos pescando as idéias pelos comentários e juntando à discussão. Então, Little Girl, a partir de seu comentário teci esse post e espero que continue nos presenteando com suas reflexões.
Ficarei por aqui, voltarei em breve, pois gostei desse assunto para prosseguir. Não imaginam o quanto me faz bem voltar a escrever aqui e o quanto o que aqui se produz se torna material de estudos para mim. Forte abraço e até breve. Comentem, Comentem e Comentem! hehehehe













