Manny Calavera

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A viagem do elefante

Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam

No século XVI, o rei D. João III vê-se atordoado com a difícil tarefa de escolher um presente para o arquiduque da Áustria Maximiliano II. Sugerido pela sua esposa, decide então oferecer o elefante indiano Salomão juntamente com o seu conarca Subhro, ambos residentes em Belém há já dois anos. Esta escolha não é feita sem artimanha, pois os dois estrangeiros não geram mais nada para além de prejuízo. Assim, acompanhados de uma escolta digna, Salomão e Subhro partem rumo a novo destino, a uma nova casa.

Desprovido de metáforas muito elaborados, A viagem do elefante foi escrita (ou devo dizer, imaginada) em condições de saúde muito débeis pelo escritor e com muitos elementos ficcionais devido à pobreza de factos históricos. Neste cenário, vaticinei este conto como uma alusão à morte, um eufemismo à paragem comum de todos os seres vivos. E de facto, no seu culminar, assim o é, mas Saramago recorda-nos que não é o último poiso que é importante, mas sim o voo até ele.

Não é sem alguma ironia e humor, expressões inusitadas e, como não podia deixar de ser, críticas à Monarquia e religião que somos testemunhas da viagem de Salomão, mas são os personagens e as suas idiossincrasias engendradas por Saramago que constituem a maior atracção do conto. Pode não ser a obra mais trabalhada e profunda do autor, mas é a simplicidade e o ritmo da viagem do elefante que nos leva a acompanha-lo sem sentir exaustão.

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