Guerra dos Elementos Capítulo Especial 01
Saturday, July 7, 2012 5:21:27 PM
Capítulo Especial 01: O Ser Intocável
O terror de Yoshihiro havia passado. Laís, Gohu, Júlia e Renato ainda se falavam constantemente e estavam sempre treinando. O reino do ar vivia em paz, assim como o da terra, que agora estava longe das garras de Yoshihiro.
O lugar onde os quatro usuários mais se encontravam era na casa de Laís. Liam, conversavam e se divertiam muito por lá. Renato sempre se deitava no sofá e lia algo, enquanto os outros viam televisão,
conversavam ou liam também. Júlia adorava brincar com o pardal de Laís, Tsubasa.
Naquele dia, em especial, Renato lia uma revista que falava algo como “Torneio Heikin Heishi em 30 dias!” enquanto Júlia e Laís conversavam sobre técnicas novas e coisas do tipo sentadas no sofá.
A campanhinha tocou. Laís abriu a porta e viu Gohu, que já não aparecia há dois dias.
- Ei, Gohu! Pode entrar.
- Erhm... Não vai ser necessário. Você pode chamar o Renato e a Júlia aqui por favor?
- Ta bem...
E assim fez, Renato e Júlia ficaram ao lado de Laís.
- O rei está nos chamando.
- A nós? – Indagou Júlia. – E por quê?
- Não sei.
Os quatro se dirigiram ao escritório do Rei do ar o mais rápido o possível. Matt aguardava pacientemente em seu escritório, e após algum tempo Mario abriu a porta.
- Senhor, os garotos estão aqui.
- Mande-os entrar, por favor.
Laís, Renato, Gohu e Júlia entraram no escritório.
- Ah, que bom ver vocês! Como vai a vida?
- B-Bem...
- Vai bem...
- Tudo legal comigo...
- Cof cof.
- Ah, claro! O motivo pelo qual eu os trouxe aqui. Podemos dizer que vocês são um time, né?
- Pode, sim... – Laís fechou um pouco os olhos, sem entender nada.
- Ah, que bom! Perdoem-me, mesmo depois do que fiz vocês passarem acho que vou ter que pedir-lhes mais um favor. Pode ser?
- C-Claro que sim. – Gohu fez uma cara determinada.
- Acho que vou colocá-los numa missão perigosa mais uma vez... Ah, bom, dessa vez vocês vão viajar para a Ilha Utsukushii, mais conhecida como Land Of Artists.
Utsukushii era a maior ilha do mundo, e pertencia ao reino do ar. Tinha praias incríveis, nunca chovia e era repleta de pintores, escultores e outros artistas. Pessoas de todo o mundo se reuniam naquele verdadeiro paraíso tropical.
- Utsukushii? É um belo lugar. – Comentou Renato.
- É pra lá que o Taco foi depois do que aconteceu no reino da terra!
- Acho que todo mundo concorda – Laís deu um sorriso – Missão aceita!
Após isso, os usuários arrumaram suas malas e foram uma vez mais ao cais. Como já esperavam a demora de Matt e Mario saíram vinte minutos depois. Após esperarem cinco minutos o rei e seu assistente chegaram.
- Espero não ter feito vocês esperarem muito. – Matt olhou para o céu azul daquele dia.
- Ah, não senhor! Também acabamos de chegar!
- Isso é mau, vocês se atrasaram! – O rei se indignou.
- [...] Bom – Gohu pôs a mão na cabeça. – E o barco?
- É aquele ali – Ele apontou para o mesmo barco da última vez, que estava preso por uma corrente ao cais.
- Ai, ele não...
- E aí vamos nós.
Foi tudo como na última vez. Gohu, Renato e Laís enjoados, enquanto Júlia se divertia bastante. Essa viajem fora bem mais curta que a anterior, mas algo estava para atrapalhar a conclusão da mesma.
Já era noite e Renato estava com suas Fire Wings, acompanhando o barco. Júlia nadava sem se cansar, enquanto Laís observava o céu e Gohu dormia. A usuária de ar apenas subiu. Parou no ar, fechou os olhos e as rajadas de ar começaram a cercá-la.
- Air Pressure.
Laís ficou um tempo usando seu novo poder, nem se importava se estava ou não longe do barco. Quando já estava um pouco longe de seus amigos, Calligher voou rapidamente na direção do barco e o alcançou sem dificuldade.
Pousou numa parte não coberta, onde Júlia e Renato se encontravam. Desfez o Ar Pressure e se sentou no chão, com um pequeno sorriso.
- Está cada vez melhor, Laís. – Renato disse e voltou a olhar o céu.
- Obrigada... Não é muito fácil, sabe...
De repente, o barco se agitou. Era possível perceber que havia perdido toda a direção, assim como alguns barulhos eram escutados. Renato foi acordar Gohu enquanto Júlia e Laís foram até o marinheiro saber o que havia acontecido.
Chegando lá, viram o homem caído no chão, enquanto uma mulher e um homem desconhecidos estavam de pé.
A mulher tinha cabelos loiros presos num rabo de cavalo. Seus olhos eram castanhos claros e lábios finos, media aproximadamente um metro e sessenta. Estava vestida com uma saia curta, meia calça preta e uma blusa vermelha com manga comprida.
O homem tinha cabelos negros arrepiados, olhos também negros e um nariz enorme. Não tinha a sobrancelha esquerda e sua barba era mal feita. Media aproximadamente um metro e noventa e vestia uma camiseta cinza, duas munhequeiras pretas, uma luva branca de dedos cortados, calça apertada branca e uma bota preta. Ele sorriu de uma forma irritante.
- Ora, ora, ora. Parece que esse é o barco certo.
- Só precisamos detê-las, não é isso? – Perguntou a baixinha.
- Foi o que o mestre ordenou.
- Então ta.
Os dois avançaram na direção de Laís e Júlia, que foram andando para trás. O homem tentava bolas de fogo, mas Júlia apagava todas elas. A mulher, por sua vez, mandava esferas de água, que também não tinham efeito nenhum.
Depois de andarem, chegaram ao quarto onde dormiam. Renato estava brigando com Gohu, que se complicava ao tentar achar sua faca. Pararam e olharam para os quatro que acabaram de chegar.
- Esquece a faca Gohu. – Renato deu uma risada. – São apenas dois idiotas.
A garota deu um salto e veio na direção de Renato, que ficou parado. Faltando pouco para atingir o usuário de fogo, Gohu acertou uma canelada na coluna da baixinha, que voou para fora.
- Ei, Renato. Existem fortes e maldosas mulheres pelo mundo inteiro. Se continuar com isso de não atacá-
las pode se complicar no futuro.
- Eu acho que posso pensar sobre isso...
Gohu e Renato foram para fora, na parte não coberta em que se podia ver o céu. A loira se recompunha, quase tinha sido jogada para o mar.
- Tenta ai. – Gohu incentivou.
Renato correu e chutou a garota com dois pés, jogando-a para fora do barco. Enquanto isso, Laís e Júlia atacavam o homem alto. Com um soco Júlia derrubou um oponente.
- To ficando boa mesmo em bater!
As garotas foram ao encontro de Gohu e Renato, e tudo parecia estar sobe controle lá também. Antes que pudessem dizer algo, subiu ao ar algo como um tornado de água. Era alto e havia sido formado com a água do oceano. Bem no centro estava a garota que fora derrubada para fora do barco.
- Niahahaha! Como são burros, empurraram uma usuária de água no oceano!
- Ei Gohu... Eu não sou bom mesmo nesse negócio de bater em mulher...
- Não diga como se fosse uma covardia!
- Tomem isso, seus malditos, a ira do ocean... – Uma forte onda desfez o tornado e jogou a garota longe.
Enquanto isso, atrás dos usuários, um estranho homem acabara de se recompor.
- Está acabado... – Ele formou uma grande bola de fogo nas mãos, mas a mesma foi desfeita quando o homem caiu no chão.
Atrás dele estava Dark, um garoto de treze anos, um metro e sessenta, cabelos negros e olhos azuis escuros segurando uma faca. Deu um sorriso e balançou sua franja. Vestia uma bermuda marrom e uma camiseta preta.
- Olá, olá, olá, olá!
Após algum tempo estava tudo ajeitado novamente. O marinheiro estava acordado, os dois inimigos amarrados e inconscientes e os usuários não tinham ferimento algum. Só faltava algo a ser resolvido...
- Dark, Dark... Não pode nos seguir em todas as missões! – Gohu pôs a mão na cabeça.
- Mas vocês podem me levar em todas! Diz ai, eu fui muito útil da última vez!
- Não vai ser sempre que você vai dar essa sorte... E, Dark, você ainda tem treze anos! O que espera? É ilegal te levar numa missão. Quando chegarmos à ilha, você vai pegar o primeiro barco de volta para o reino do ar.
- Não, tudo menos isso! Eu ajudei bastante vocês, isso é forma de agradecimento? Ah, vamos! Deixe-me participar da missão! Olha, meu notebook tem tudo sobre a ilha! O mapa inteiro e os dados dos lugares! Vocês podem precisar invadir algum lugar como na última vez, e é ai que eu entro! Quem não precisa de um hacker na equipe! Por favooooooor!
Não demorou mais duas horas para o barco se aproximar do destino. Assim como o céu clareou, foi possível ver a praia da Ilha Utsukushii. Os usuários chegaram naquele paraíso, mas Dark voltou no mesmo barco, que saiu meia hora depois.
Segundo Matt, a missão iria começar depois de muito tempo, logo os usuários se deram ao luxo de curtir a ilha. A praia estava vazia, Renato vestia apenas sua bermuda, enquanto tomava sol. Júlia e Laís se divertiam, boiando na água enquanto Gohu nadava para se refrescar.
Após uns minutos Renato entrou na água em um só pulo – o que não fora muito inteligente, já que o mesmo batera de bunda no chão – e começou uma guerra de água, que Júlia obviamente ganhara – roubando -. Secaram-se, puseram suas roupas e foram curtir o resto do tempo que lhes restavam vendo todas as belezas que aquela ilha oferecia.
Fazia um calor enorme, todos naquele lugar usavam bermuda, saia, camiseta, ou mesmo, no caso dos homens não vestiam camisa alguma. Algumas mulheres inclusive andavam com uma saia e a parte de cima do biquíni, por exemplo.
A ilha era repleta de artistas, ou seja, fazia jus à alcunha. De todas as belas artes que viram, a que mais chamou atenção foi a de um garoto pintor que fizera cerca de vinte lindos retratos, dos mais bonitos cantos daquele mundo. Entre eles a maior praia da Ilha Utsukushii e o castelo do rei Matt.
- Garoto, você tem mesmo talento! – Exclamou Renato.
- O-Obrigado... – Ele tinha cerca de um metro e quarenta e cinco, cabelos ruivos bem curtos. Vestia uma bermuda velha e suja e uma camiseta rasgada. – O-O senhor poderia me ajudar... É que eu tenho meus irmãos pra cuidar, e esse é o único jeito de eu conseguir dinheiro pra eles comerem...
- Claro... – Renato pegou de sua carteira algumas notas e entregou na mão do garoto. – Isso ai deve dar dois quadros... Eu quero aquele ali – Ele apontou para uma bela praia ao pôr do Sol.
- E o outro, senhor?
- Fique com o troco, mas eu quero saber seu nome.
- K-Kei, senhor! Muito obrigado!
- Tudo bem, Kei.
Eles continuaram andando pela ilha, vendo tudo o que tinham direito. Surgiu a dúvida de por que Renato havia comprado aquele quadro, e o mesmo respondeu que era a vista que tinha quando criança quando abria a janela de sua casa.
Andaram, andaram, andaram. Andaram tanto que ficaram cansados e sentaram na calçada para descansar. Enquanto comiam um churrasco, comida típica daquele lugar viram passar na rua um antigo conhecido.
O garoto tinha cabelos loiros grandes que iam até os ombros. Seus olhos eram cinzentos e ele media cerca de um metro e setenta. Andava pela rua sem camisa, com a camiseta pendurada no ombro e uma bermuda branca. Calçava um chinelo e andava despreocupado por ai.
- Heeey Taco! – Exclamou Júlia.
Taco parou, com o susto que levara ao ouvir chamarem seu nome. Olhou para os lados e avistou os sorridentes amigos que havia conhecido na última vez que estava no reino da terra. Dirigiu-se até eles.
- Oi gente! O que fazem aqui?!
- Estamos em missão – Respondeu Laís. – Aqui é mesmo um bom lugar, entendo por que veio pra cá. E você, o que está fazendo andando por aqui?
- Eu? Nada, é claro! Esse lugar é muito bom, eu fico por ai o dia inteiro, passeando, comendo, fazendo de tudo e de nada! Tem como ser melhor que isso?!
- Deve ser uma maravilha. – Renato se preocupava em comer seu churrasco.
- Se importam se eu ficar com vocês?
- É claro que pode!
O resto do dia foi apenas diversão. Nadaram, correram, conversaram, fizeram o que sempre quiseram e nem perceberam que o tempo havia passado. Anoiteceu e praia esvaziou. Estavam só os cinco. Fora da água, descansavam depois de fazer tantas coisas.
Laís estava comendo um pão, Gohu estava dormindo sobre uma toalha e Júlia andava na beira da praia. Taco e Renato estavam sentados numa pequena elevação da areia, apenas um pouco distante de Laís e Gohu.
- Ei Taco, eu tava pensando... Você tem a mesma idade que eu e a Laís, certo?
- Sim, dezesseis...
- Então... Já que você é do reino da terra, vai participar do Torneio Heikin Heishi?
- Ah, esse torneio... Bom, talvez sim, talvez não. A vida aqui é muito boa sabe...
- Sei. De qualquer forma, espero que participe, lutar com você vai ser bem interessante.
Por um momento, o silêncio prevaleceu no lugar. Renato pensou se de fato algo estava acontecendo naquela ilha, já que era tudo tão calmo lá. Achou que finalmente teria paz...
Fechou seus olhos, que se abriram rapidamente num estrondo gigantesco. Procurou ver o que havia acontecido, mas antes que pudesse fazê-lo não pôde mais enxergar nada. Não estava dormindo, mas algo estava tampando seus olhos, assim como sentia estar em movimento.
Renato perdeu todas as suas forças e determinação por um instante, mas tudo isso voltara quando ele
teve noção da realidade. Formou chamas em volta de si mesmo e se livrou de quem o levara.
Já com as Fire Wings olhou em volta, já nem via a praia, tampouco seus companheiros. Ao olhar para quem estava o raptando enxergou uma mulher extremamente magra, com cabelos lisos e negros. Media um metro e setenta, tinha olhos cinzentos e lábios finos. Usava um vestido longo e preto e uma sapatilha branca.
Entreolharam-se, até a mulher dizer algo.
- É admirável conseguir se livrar de mim mesmo drogado.
- Aaaaaahn... Eu não sou drogado...
- Tsc. Assim que o segurei lhe injetei uma droga que o deixa lento, então, mesmo que tenha conseguido se soltar é melhor desistir. Você não tem condições de lutar comigo nesse estado.
Renato avançou na mulher, que simplesmente desviou e o socou na barriga. O usuário de fogo se distanciou da adversária após levar o golpe. Tentou novamente, porém dessa vez o alvo saiu de seu campo de visão.
Antes que pudesse raciocinar foi atingido nas costas e caiu entre algumas árvores. Com dificuldade se levantou, e após cambalear olhou pra cima, e a adversária estava vindo.
- É, Gohu... – Falou sozinho, com a voz tremula. – Parece sou mesmo péssimo em lutar com mulheres.
Então... Acho que já sei o que fazer... – Renato andou lentamente até uma árvore e pegou uma lasca do tronco da mesma.
Assim que a adversária chegou até ele, Renato pôs fogo na ponta do tronco, e acertou-o na mulher, que caiu no chão de dor.
O usuário de fogo largou a madeira no chão e andou até um rio próximo. Agachou-se e molhou bastante seu rosto, até de fato estar acordado e enxergar bem novamente. Levantou-se e olhou para o céu. Não sabia o que fazer, onde estava ou onde estavam seus amigos.
Renato escutou uns passos que vinha um pouco atrás dele.
- Me poupou o trabalho de ir atrás de você. – Renato nem se virou.
- D-Desgraçado... – A mulher que antes lutara com Renato estava com o rosto cortado e sua carne fervendo, era um machucado feio.
- Diz ai, por que estão nos raptando?
- Por que eu diria? – A mulher perguntou e Renato não respondeu. – Tsc. O que está acontecendo é que nosso mestre vai conquistar essa ilha, e isso não vai...
- Espera ai, espera ai. Essa merda de novo? Isso é um reino livre, pra que querer conquistá-lo?
- Nosso mestre... Não é um cara normal... – A mulher mal se aguentava em pé. – Mas do que adianta te contar? Você vai morrer mesmo! Pra sua informação, seus amigos agora estão em diferentes cantos da ilha, e o nosso mestre bem no centro dela! Antes mesmo que você possa ir até ele, a ilha já estará conquistada!
- Droga...
A morena pegou de sua roupa um wallk talk de sua roupa, ligou-o e disse:
- Jessie falando. Parece que eu tive um problema aqui, fui derrotada, mas não faz mal. O garoto aqui já está bem longe.
- Você falou tarde demais, sua tonta! – Disse a voz de um garoto, que suspirava como se estivesse agitado. – Todo mundo foi vencido! Só sobrei eu!
- O-O que...
- E tem mais uma coisa, um garoto está entrando na nossa conexa... Xxxxxxxxxxxx
- Passa pro Renato, tia! – Disse a voz de um garoto no wallk talk.
- Que diabos...
Renato pegou o aparelho da mão da mulher.
- Não me diga que...
- Hehehe!
- Você é muito persistente...
- Ok, ok. Renato, voe para norte, norte! O máximo que puder, até chegar num lugar com casas, lojas e muitas pessoas! Se tudo der certo, você ainda pode chegar lá antes daquele homem!
- Daquele...
- Rápido, Renato! Não há tempo!
- Tsc. Fire Wings!
Com suas asas de fogo Renato voou rapidamente ao norte, passando por diversos locais. O que o jovem não sabia era que enquanto o mesmo se dirigia a um lugar, um de seus amigos já havia chegado.
Taco chegou à pequena cidade cansado, pois, embora estivesse próximo do local, tivera que ir até lá a pé. Segundo Dark, o homem chegaria pelo céu, mas ninguém de fato sabia quem era o homem.
Depois de um pouco mais de cinco minutos Gohu também chegou, e depois disso quase não levou tempo para mais um convidado chegar.
- O que... É isso... – Taco tinha a voz trêmula.
- É um poder gigantesco... E mesmo assim, ele ainda está longe...
Taco e Gohu estavam falando de energia Elemental. É o mesmo que Laís sentira ao lutar com Jin e Jiro, mas pelo visto aquela era muito mais devastadora. Ao olharem para trás perceberam que os habitantes estavam correndo para longe, provavelmente porque os usuários haviam alertado.
Em pouco tempo foi possível avistar o homem vindo do céu. Vinha como um míssil, tão rápido que era possível ver uma rajada de ar atrás dele. Gohu deu dois passos para trás.
- Taco, fica um pouco atrás. Vai ser uma chance pequena, mas é bom que não saiamos machucados.
Foram poucos segundos até Gohu perceber que o homem já ia aterrissar. O usuário de terra fez muita força e criou uma gigantesca estaca de pedra, e foi bem nela que o estranho caiu. Depois de alguns segundos de silêncio, a estaca se partiu em duas, e alguém estava bem no final dela.
Estava de pé um homem de longos e ondulados cabelos negros – bem azulados - que iam até as costas. Sobrancelhas, lábios e nariz finos, olhos azuis. Não eram monstruosos, mas seus músculos eram definidos. Vestia uma calça preta um pouco apertada e uma camisa regata branca e luvas de dedos cortados. Estalou o pescoço e disse:
- Ai, essas crianças... Lutando sem saber quem é seu inimigo. [...] Vão me deixar passar?
- O que você acha?
- Humm, o que eu acho? Ah, me esqueci. Tenho que parar de pedir permissão pra passar.
O homem andou lentamente até Gohu, e sem nem se importar com sua presença continuou caminhando. O usuário de terra, sem se amedrontar atingiu o inimigo com um chute nas costas, mas era como se não tivesse feito nada.
Gohu avançou e começou a socar as costas do homem com toda a força, mas o golpe não fazia efeito nenhum. Depois de algum tempo, pôde perceber que seu adversário não sentia o golpe porque nenhum dos socos realmente chegara a acertá-lo.
- O que é isso?
- Vocês não estudam? Está tentando me socar sem ter por que. Meu corpo é protegido por uma camada de ar indestrutível. E a propósito, meu nome é Clark Bromberg, lembre-se disso. – Ele atingiu Gohu com um forte soco no rosto que o arremessou longe.
Taco formou fragmentos de gelo, mas todos se quebraram ao entrar em contato com Clark, que continuou andando. Mesmo uma grande parede de gelo cercada com energia elementar foi quebrada.
De repente a água no chão começou a flutuar e foi jogada contra o homem, mesmo não o molhando. Júlia estava em cima de um telhado, tentando atacá-lo.
– Como são persistentes. Eu estava pensando em fazer isso depois, mas parece que vocês querem mesmo morrer agora. – Clark estendeu a mão e um pouco a frente da mesma se formou uma bola de ar.
A esfera rapidamente foi na direção de Júlia, que foi atingida na costela e caiu longe. Taco e Gohu avançaram, mas estava comprovado que nenhum soco ou chute iria fazer efeito contra aquele homem.
Clark estendeu os dois braços, na direção de Gohu e Taco e formou duas fortes rajadas de ar que jogaram ambos longe. Era óbvio que daquele jeito seria impossível detê-lo. A única forma foi entrar em contato com Dark e ver se o mesmo tinha alguma idéia.
- Droga Dark, esse cara é invencível. – Gohu estava sentado no chão com o wallk talk, avistando Clark.
- Ai, ai. Vocês bem que poderiam ter me deixado ir com vocês. Dessa vez eu não sei o que fazer, a não ser... Talvez a Laís possa...
- Erhm... Seja claro...
- Acho que se a Laís se concentrar muito ela pode desfazer a barreira dele por um tempo, e aí vocês atacam.
- Isso é ótimo... Mas ela vai demorar muito pra chegar?
- Um pouco. – Laís respondeu por si mesma.
- Ah, oi Laís.
- Eu preciso ir ai primeiro pra saber se consigo ou não consigo retirar essa camada, enquanto isso o distraiam.
- É fácil falar.
Gohu se levantou, e ao mesmo tempo Clark destruiu uma casa com a pressão do ar.
- Você é mesmo forte, Clark.
- Oh, obrigado. Eu compreendo sua resistência.
- Antes de lutarmos, eu gostaria de fazer uma pergunta.
- Eu responderei.
- O que te levou a querer destruir essa ilha?
- Destruir? Eu não quero destruí-la. Pelo contrário, quero refazê-la. [...] Olha só essa cidade. Nossa ilha, embora a maior do mundo é pobre. O reino não se importa e nosso dinheiro, querendo ou não, vai parar na mão dele. É hora de darmos a volta por cima, transformar nossa ilha em um reino! Vamos superar tudo e todos, começando por...
- Hã... Como você daria a volta por cima se está destruindo tudo?
- Começando do zero... Fazendo tudo do nosso jeito!
- “Nosso”?
- Esse não é só o meu desejo... Há anos atrás, minha irmã me disse isso. Achei uma idéia fascinante, algo que completaríamos juntos! Juntos! Mas isso não aconteceu. [...] Minha irmã ficou doente, e o hospital da nossa ilha não foi capaz de tratá-la. – Clark tinha raiva em seus olhos, e se forçou a dizer cada palavra – [...] Depois de três meses ela não resistiu. Eu... Eu vou matar o rei... E conquistar a ilha!
Clark formou fortes rajadas de ar em volta de si e as expandiu, destruindo as casas mais próximas e jogando os três ali presentes longe. Ainda com o ar devastador, o homem foi na direção de Gohu, que
fora arrastado e estava caído no chão.
Correu até o usuário de terra, que não teve tempo de se levantar. Fechou a mão e tentou um soco, mas uma mão o segurara. A mão, branca e delicada, era de Laís.
O usuário de ar deu passos para trás e encarou Laís.
- Tudo bem contigo, Gohu?
- Sim, sim. – Ele se levantou.
- Pois então... Eu vi a camada de ar dele. Não mais que dois centímetros.
- Pode retirá-la?
- Será mais fácil se eu retirar só uma parte do corpo, aí poderei manter por bastante tempo.
- Nós vamos te dar cobertura. – Disse Taco, enquanto levantava Júlia.
- Pode contar comigo. – Júlia deu um sorriso.
- Air Pressure.
As fortes rajadas de ar cercaram Laís, e todo o lugar foi tomado por uma grande ventania.
- Toda a frente do corpo dele está desprotegida, não ataquem nas costas.
Júlia, Gohu e Taco foram na direção de Clark. Os usuários de água deram pulos e tentaram um chute no ar, mas o homem interceptou com a mão. Enquanto segurava os pés, o usuário de ar foi atingido no peito por uma joelhada e voou longe.
- Ele não é tão bonzão assim. – Gohu pôs as mãos na cintura.
- Não vamos perder tempo. – Taco correu na direção do oponente, furioso.
O Jovem deu dois socos no adversário, que defendeu com o punho. Tentou uma rasteira, mas Clark pulou e acertou a cabeça de Taco enquanto estava no ar. Uma inclinada estaca de pedra surgiu do chão e bateu no rosto do usuário de ar, que limpou seu nariz de sangue.
- Alguém já lhes disse que são como insetos?
- Que tipo de insetos? – Gohu não se interessou, apenas andou na direção de Clark.
- Os mais frágeis.
Numa fração de segundo Clark apareceu em cima de Gohu, pegando sua cabeça e jogando contra o chão, que se rachou. Júlia correu para ajudar, mas uma pressão de ar levou-a para longe, bem atrás de Laís.
- Ok crianças, chega de brincar! Agora está na hora do show acabar.
O usuário de ar rapidamente voou na direção de Laís, mas antes de atacá-la foi interrompido por um grito. Olhou para trás e viu Gohu de pé, com pequenos ralados, a roupa suja e o nariz sangrando bastante.
- Ei, volta aqui seu lixo. Ainda não acabei contigo. – Gohu deu um sorriso.
Clark voou até Gohu, deu uma joelhada em seu nariz e diversos socos no seu rosto. Com um chute, o usuário de fogo foi parar no segundo andar de uma casa. O homem de cabelos longos o seguiu, pegou pelo cabelo e ergueu.
O homem formou uma grande rajada de ar e destruiu a casa, deixando o jovem à vista para os outros. Gohu foi solto no ar e caiu, e por fim, Clark pisou com os dois pés em seu peito, quebrando o chão embaixo dele.
- G-Gohu! – Laís se preocupou e quase desfez o ar envolta dela.
- Laís, acalme-se. Espere e preocupe-se em manter a barreira dele desfeita.
Júlia atacou o homem com diversos socos e chutes, mas fora tudo em vão. Clark atingiu a jovem com golpes que mal podiam ser vistos, jogando-a no chão.
Taco chutou o adversário na cabeça, seguido por uma série de socos no peito que o derrubaram. Por último, atacou com diversas esferas de gelo.
Por um momento não se ouvia som algum. Clark estava imóvel no chão, enquanto Taco bufava cansado. O homem se levantou do chão num só pulo e acertou a cabeça do adversário num chute rodante.
- Brincadeira de mau gosto. [...] Bom, com isso... Só falta você, certo? – Clark andou na direção de Laís, mas uma roda de fogo a cercou.
- Ah... Cheguei a tempo. – Renato passou a mão na testa. – Então... Eu estive pensando na melhor frase pra dizer quando chegar aqui, mas nada me veio à cabeça.
- Quem é você?
- Renato Durward. E quem é o homem que bateu nos meus amigos?
- Clark Bromberg. E a propósito, sou homem que irá lhe bater também.
- Wow, durão. Laís... Consegue aguentar por quanto tempo?
- Não tenho um tempo exato, de qualquer forma, vai logo...
Renato não pronunciou nenhuma palavra, e asas surgiram de suas costas. Rapidamente ele foi à direção do inimigo, acertando-o com diversos socos, tendo um deles feito Clark cair, levantar suas pernas e batê-las no rosto do oponente.
O usuário de fogo deu um pulo para trás, mas foi rapidamente acertado com um soco no rosto que o levou ao céu. Renato parou, voando, mas Clark juntou suas mãos e as bateu nas costas do adversário.
Clark foi novamente até o solo, onde Renato estava caído, já com as asas desfeitas.
- Você luta bem, garoto. Mas achou que iria me vencer sozinho se seus amigos não conseguiram fazer isso juntos?
Duas pernas se chocaram com o rosto do homem, que foi arremessado para dentro de uma casa.
- Ele não está sozinho... – Laís demonstrou o cansaço em seus olhos.
- Tem certeza que pode lutar? – Renato se levantou.
- Olha... Não é que eu possa, mas você não irá derrotá-lo assim.
- O que sugere?
- Vamos lutar todos juntos. – Disse Gohu, levantando junto com Júlia e Taco.
- Pessoal!
- Escutem... Não temos muito tempo até ele se recompor.
Uma bola de fogo atingiu o segundo andar da casa onde estava Clark, desmoronando-a.
- Ops, agora temos mais tempo.
- Enfim... Não temos muito tempo, e acho que vencê-lo na mão é quase impossível. – Taco tinha um olhar sério. – Temos que vencê-lo num só ataque.
A casa onde o homem estava era repleta de escombros. O andar de baixo foi pouco danificado, mas o andar de cima estava sobre ele. Tirou alguns móveis e pedaços da parede de cima de si e se levantou.
- AAAAAAARGH! – Toda a casa foi pelos ares numa explosão de ar. Ele estava de frente para os inimigos novamente. – Vocês me deixaram nervoso.
A barreira de ar em volta de Clark foi feita novamente, logo o mesmo percebeu que Laís não tinha mais poder nenhum. Aproveitando-se disso, foi primeiramente na usuária de ar.
No meio do caminho uma grande barreira de pedra surgiu na frente de Laís, mas o homem não se amedrontou, afinal estava protegido por sua técnica. Assim que se aproximou da pedra acelerou ainda mais, batendo de cabeça.
A pedra continuou lá, mas Clark estava no chão, com a cabeça sangrando.
- Como isso aconteceu?! – Perguntou o homem.
As pedras começaram a se partir e se formarem novamente em volta de Clark, que se levantou depois de um tempo. Viu que Laís ainda tinha forças e continha sua energia, mas perdeu o foco e foi completamente molhado por Júlia.
A água em seu corpo se tornou gelo graças a Taco, e o homem ficou imóvel. Por último, Renato surgiu aos céus com uma grande bola de fogo nas duas mãos dizendo:
- Gooolpe Finaaaal!
O gelo se partiu e Clark fugiu a tempo. Renato pousou calmamente no chão com um sorriso, enquanto olhava para o céu. O homem voou e olhou para todos eles, com ódio.
- Acharam que esse plano barato ia funcionar?
- Na verdade, Clark Bromberg... – Gohu deu um sorriso – Você caiu direitinho.
Clark percebeu que seus pés estavam cheios de pedra, e que as mesmas se ligaram rapidamente às pedras no chão. Seus dois pés formaram duas estacas de pedra e o mesmo estava preso. Tentou se soltar, mas estava difícil. Olhou para o lado e viu Laís, preparando uma grande bola de ar no telhado de uma casa.
- Não! Não!
Laís atirou a bola de ar para cima do inimigo, que a segurou com um pouco de dificuldade.
- EU SOU UM USUÁRIO DE AR! HAHAHAHAHA!
Por um momento, Clark desviou seu olhar para baixo e viu uma rajada de água e inúmeros fragmentos de gelo na sua direção. Perdeu suas forças e olhou para cima, onde viu Renato segurando a mesma bola de fogo, só que dessa vez sem pronunciar nada.
Ao ver que seria atingido de qualquer forma, ele se lembrou de sua irmã. Infelizmente não conseguira cumprir seu sonho, e a única coisa que se arrependia era não ter matado os oponentes quando tinha tempo.
A bola de fogo foi lançada no ar, e os outros três golpes entraram em contato com Clark, formando uma explosão com água, terra, fogo e ar. O homem só queria realizar o sonho de sua irmã, mas isso não aconteceu. De qualquer forma, ele morreu com os sentimentos que queria.
A explosão cessou, e os guerreiros caíram no chão, todos muito cansados.
- Isso gastou bastante energia...
- Do que você ta falando, Gohu? Eu fui o que mais gastei energia por aqui! – Renato se levantou.
- Ah, seu filho da mãe!
Gohu correu atrás de Renato, que não ficou para trás. Taco tentava parar a briga – que era na verdade uma brincadeira – mas não conseguia. Júlia estava inconsciente e Laís observava tudo com um sorriso.
Com felicidade, pensou:
- Ele queria ter seu desejo realizado... Eu não sei quem ou o que realizou o meu, mas eu estou muito grata. O grande problema de tudo aquilo era que o sonho dele iria prejudicar milhares de pessoas. Eu só queria amigos... E ganhei. Seja lá quem for, obrigada. Eles são os melhores que eu poderia ter.
Fim do Capítulo Especial.
Special Ending: Shaka Beach – UVERworld
O terror de Yoshihiro havia passado. Laís, Gohu, Júlia e Renato ainda se falavam constantemente e estavam sempre treinando. O reino do ar vivia em paz, assim como o da terra, que agora estava longe das garras de Yoshihiro.
O lugar onde os quatro usuários mais se encontravam era na casa de Laís. Liam, conversavam e se divertiam muito por lá. Renato sempre se deitava no sofá e lia algo, enquanto os outros viam televisão,
conversavam ou liam também. Júlia adorava brincar com o pardal de Laís, Tsubasa.
Naquele dia, em especial, Renato lia uma revista que falava algo como “Torneio Heikin Heishi em 30 dias!” enquanto Júlia e Laís conversavam sobre técnicas novas e coisas do tipo sentadas no sofá.
A campanhinha tocou. Laís abriu a porta e viu Gohu, que já não aparecia há dois dias.
- Ei, Gohu! Pode entrar.
- Erhm... Não vai ser necessário. Você pode chamar o Renato e a Júlia aqui por favor?
- Ta bem...
E assim fez, Renato e Júlia ficaram ao lado de Laís.
- O rei está nos chamando.
- A nós? – Indagou Júlia. – E por quê?
- Não sei.
Os quatro se dirigiram ao escritório do Rei do ar o mais rápido o possível. Matt aguardava pacientemente em seu escritório, e após algum tempo Mario abriu a porta.
- Senhor, os garotos estão aqui.
- Mande-os entrar, por favor.
Laís, Renato, Gohu e Júlia entraram no escritório.
- Ah, que bom ver vocês! Como vai a vida?
- B-Bem...
- Vai bem...
- Tudo legal comigo...
- Cof cof.
- Ah, claro! O motivo pelo qual eu os trouxe aqui. Podemos dizer que vocês são um time, né?
- Pode, sim... – Laís fechou um pouco os olhos, sem entender nada.
- Ah, que bom! Perdoem-me, mesmo depois do que fiz vocês passarem acho que vou ter que pedir-lhes mais um favor. Pode ser?
- C-Claro que sim. – Gohu fez uma cara determinada.
- Acho que vou colocá-los numa missão perigosa mais uma vez... Ah, bom, dessa vez vocês vão viajar para a Ilha Utsukushii, mais conhecida como Land Of Artists.
Utsukushii era a maior ilha do mundo, e pertencia ao reino do ar. Tinha praias incríveis, nunca chovia e era repleta de pintores, escultores e outros artistas. Pessoas de todo o mundo se reuniam naquele verdadeiro paraíso tropical.
- Utsukushii? É um belo lugar. – Comentou Renato.
- É pra lá que o Taco foi depois do que aconteceu no reino da terra!
- Acho que todo mundo concorda – Laís deu um sorriso – Missão aceita!
Após isso, os usuários arrumaram suas malas e foram uma vez mais ao cais. Como já esperavam a demora de Matt e Mario saíram vinte minutos depois. Após esperarem cinco minutos o rei e seu assistente chegaram.
- Espero não ter feito vocês esperarem muito. – Matt olhou para o céu azul daquele dia.
- Ah, não senhor! Também acabamos de chegar!
- Isso é mau, vocês se atrasaram! – O rei se indignou.
- [...] Bom – Gohu pôs a mão na cabeça. – E o barco?
- É aquele ali – Ele apontou para o mesmo barco da última vez, que estava preso por uma corrente ao cais.
- Ai, ele não...
- E aí vamos nós.
Foi tudo como na última vez. Gohu, Renato e Laís enjoados, enquanto Júlia se divertia bastante. Essa viajem fora bem mais curta que a anterior, mas algo estava para atrapalhar a conclusão da mesma.
Já era noite e Renato estava com suas Fire Wings, acompanhando o barco. Júlia nadava sem se cansar, enquanto Laís observava o céu e Gohu dormia. A usuária de ar apenas subiu. Parou no ar, fechou os olhos e as rajadas de ar começaram a cercá-la.
- Air Pressure.
Laís ficou um tempo usando seu novo poder, nem se importava se estava ou não longe do barco. Quando já estava um pouco longe de seus amigos, Calligher voou rapidamente na direção do barco e o alcançou sem dificuldade.
Pousou numa parte não coberta, onde Júlia e Renato se encontravam. Desfez o Ar Pressure e se sentou no chão, com um pequeno sorriso.
- Está cada vez melhor, Laís. – Renato disse e voltou a olhar o céu.
- Obrigada... Não é muito fácil, sabe...
De repente, o barco se agitou. Era possível perceber que havia perdido toda a direção, assim como alguns barulhos eram escutados. Renato foi acordar Gohu enquanto Júlia e Laís foram até o marinheiro saber o que havia acontecido.
Chegando lá, viram o homem caído no chão, enquanto uma mulher e um homem desconhecidos estavam de pé.
A mulher tinha cabelos loiros presos num rabo de cavalo. Seus olhos eram castanhos claros e lábios finos, media aproximadamente um metro e sessenta. Estava vestida com uma saia curta, meia calça preta e uma blusa vermelha com manga comprida.
O homem tinha cabelos negros arrepiados, olhos também negros e um nariz enorme. Não tinha a sobrancelha esquerda e sua barba era mal feita. Media aproximadamente um metro e noventa e vestia uma camiseta cinza, duas munhequeiras pretas, uma luva branca de dedos cortados, calça apertada branca e uma bota preta. Ele sorriu de uma forma irritante.
- Ora, ora, ora. Parece que esse é o barco certo.
- Só precisamos detê-las, não é isso? – Perguntou a baixinha.
- Foi o que o mestre ordenou.
- Então ta.
Os dois avançaram na direção de Laís e Júlia, que foram andando para trás. O homem tentava bolas de fogo, mas Júlia apagava todas elas. A mulher, por sua vez, mandava esferas de água, que também não tinham efeito nenhum.
Depois de andarem, chegaram ao quarto onde dormiam. Renato estava brigando com Gohu, que se complicava ao tentar achar sua faca. Pararam e olharam para os quatro que acabaram de chegar.
- Esquece a faca Gohu. – Renato deu uma risada. – São apenas dois idiotas.
A garota deu um salto e veio na direção de Renato, que ficou parado. Faltando pouco para atingir o usuário de fogo, Gohu acertou uma canelada na coluna da baixinha, que voou para fora.
- Ei, Renato. Existem fortes e maldosas mulheres pelo mundo inteiro. Se continuar com isso de não atacá-
las pode se complicar no futuro.
- Eu acho que posso pensar sobre isso...
Gohu e Renato foram para fora, na parte não coberta em que se podia ver o céu. A loira se recompunha, quase tinha sido jogada para o mar.
- Tenta ai. – Gohu incentivou.
Renato correu e chutou a garota com dois pés, jogando-a para fora do barco. Enquanto isso, Laís e Júlia atacavam o homem alto. Com um soco Júlia derrubou um oponente.
- To ficando boa mesmo em bater!
As garotas foram ao encontro de Gohu e Renato, e tudo parecia estar sobe controle lá também. Antes que pudessem dizer algo, subiu ao ar algo como um tornado de água. Era alto e havia sido formado com a água do oceano. Bem no centro estava a garota que fora derrubada para fora do barco.
- Niahahaha! Como são burros, empurraram uma usuária de água no oceano!
- Ei Gohu... Eu não sou bom mesmo nesse negócio de bater em mulher...
- Não diga como se fosse uma covardia!
- Tomem isso, seus malditos, a ira do ocean... – Uma forte onda desfez o tornado e jogou a garota longe.
Enquanto isso, atrás dos usuários, um estranho homem acabara de se recompor.
- Está acabado... – Ele formou uma grande bola de fogo nas mãos, mas a mesma foi desfeita quando o homem caiu no chão.
Atrás dele estava Dark, um garoto de treze anos, um metro e sessenta, cabelos negros e olhos azuis escuros segurando uma faca. Deu um sorriso e balançou sua franja. Vestia uma bermuda marrom e uma camiseta preta.
- Olá, olá, olá, olá!
Após algum tempo estava tudo ajeitado novamente. O marinheiro estava acordado, os dois inimigos amarrados e inconscientes e os usuários não tinham ferimento algum. Só faltava algo a ser resolvido...
- Dark, Dark... Não pode nos seguir em todas as missões! – Gohu pôs a mão na cabeça.
- Mas vocês podem me levar em todas! Diz ai, eu fui muito útil da última vez!
- Não vai ser sempre que você vai dar essa sorte... E, Dark, você ainda tem treze anos! O que espera? É ilegal te levar numa missão. Quando chegarmos à ilha, você vai pegar o primeiro barco de volta para o reino do ar.
- Não, tudo menos isso! Eu ajudei bastante vocês, isso é forma de agradecimento? Ah, vamos! Deixe-me participar da missão! Olha, meu notebook tem tudo sobre a ilha! O mapa inteiro e os dados dos lugares! Vocês podem precisar invadir algum lugar como na última vez, e é ai que eu entro! Quem não precisa de um hacker na equipe! Por favooooooor!
Não demorou mais duas horas para o barco se aproximar do destino. Assim como o céu clareou, foi possível ver a praia da Ilha Utsukushii. Os usuários chegaram naquele paraíso, mas Dark voltou no mesmo barco, que saiu meia hora depois.
Segundo Matt, a missão iria começar depois de muito tempo, logo os usuários se deram ao luxo de curtir a ilha. A praia estava vazia, Renato vestia apenas sua bermuda, enquanto tomava sol. Júlia e Laís se divertiam, boiando na água enquanto Gohu nadava para se refrescar.
Após uns minutos Renato entrou na água em um só pulo – o que não fora muito inteligente, já que o mesmo batera de bunda no chão – e começou uma guerra de água, que Júlia obviamente ganhara – roubando -. Secaram-se, puseram suas roupas e foram curtir o resto do tempo que lhes restavam vendo todas as belezas que aquela ilha oferecia.
Fazia um calor enorme, todos naquele lugar usavam bermuda, saia, camiseta, ou mesmo, no caso dos homens não vestiam camisa alguma. Algumas mulheres inclusive andavam com uma saia e a parte de cima do biquíni, por exemplo.
A ilha era repleta de artistas, ou seja, fazia jus à alcunha. De todas as belas artes que viram, a que mais chamou atenção foi a de um garoto pintor que fizera cerca de vinte lindos retratos, dos mais bonitos cantos daquele mundo. Entre eles a maior praia da Ilha Utsukushii e o castelo do rei Matt.
- Garoto, você tem mesmo talento! – Exclamou Renato.
- O-Obrigado... – Ele tinha cerca de um metro e quarenta e cinco, cabelos ruivos bem curtos. Vestia uma bermuda velha e suja e uma camiseta rasgada. – O-O senhor poderia me ajudar... É que eu tenho meus irmãos pra cuidar, e esse é o único jeito de eu conseguir dinheiro pra eles comerem...
- Claro... – Renato pegou de sua carteira algumas notas e entregou na mão do garoto. – Isso ai deve dar dois quadros... Eu quero aquele ali – Ele apontou para uma bela praia ao pôr do Sol.
- E o outro, senhor?
- Fique com o troco, mas eu quero saber seu nome.
- K-Kei, senhor! Muito obrigado!
- Tudo bem, Kei.
Eles continuaram andando pela ilha, vendo tudo o que tinham direito. Surgiu a dúvida de por que Renato havia comprado aquele quadro, e o mesmo respondeu que era a vista que tinha quando criança quando abria a janela de sua casa.
Andaram, andaram, andaram. Andaram tanto que ficaram cansados e sentaram na calçada para descansar. Enquanto comiam um churrasco, comida típica daquele lugar viram passar na rua um antigo conhecido.
O garoto tinha cabelos loiros grandes que iam até os ombros. Seus olhos eram cinzentos e ele media cerca de um metro e setenta. Andava pela rua sem camisa, com a camiseta pendurada no ombro e uma bermuda branca. Calçava um chinelo e andava despreocupado por ai.
- Heeey Taco! – Exclamou Júlia.
Taco parou, com o susto que levara ao ouvir chamarem seu nome. Olhou para os lados e avistou os sorridentes amigos que havia conhecido na última vez que estava no reino da terra. Dirigiu-se até eles.
- Oi gente! O que fazem aqui?!
- Estamos em missão – Respondeu Laís. – Aqui é mesmo um bom lugar, entendo por que veio pra cá. E você, o que está fazendo andando por aqui?
- Eu? Nada, é claro! Esse lugar é muito bom, eu fico por ai o dia inteiro, passeando, comendo, fazendo de tudo e de nada! Tem como ser melhor que isso?!
- Deve ser uma maravilha. – Renato se preocupava em comer seu churrasco.
- Se importam se eu ficar com vocês?
- É claro que pode!
O resto do dia foi apenas diversão. Nadaram, correram, conversaram, fizeram o que sempre quiseram e nem perceberam que o tempo havia passado. Anoiteceu e praia esvaziou. Estavam só os cinco. Fora da água, descansavam depois de fazer tantas coisas.
Laís estava comendo um pão, Gohu estava dormindo sobre uma toalha e Júlia andava na beira da praia. Taco e Renato estavam sentados numa pequena elevação da areia, apenas um pouco distante de Laís e Gohu.
- Ei Taco, eu tava pensando... Você tem a mesma idade que eu e a Laís, certo?
- Sim, dezesseis...
- Então... Já que você é do reino da terra, vai participar do Torneio Heikin Heishi?
- Ah, esse torneio... Bom, talvez sim, talvez não. A vida aqui é muito boa sabe...
- Sei. De qualquer forma, espero que participe, lutar com você vai ser bem interessante.
Por um momento, o silêncio prevaleceu no lugar. Renato pensou se de fato algo estava acontecendo naquela ilha, já que era tudo tão calmo lá. Achou que finalmente teria paz...
Fechou seus olhos, que se abriram rapidamente num estrondo gigantesco. Procurou ver o que havia acontecido, mas antes que pudesse fazê-lo não pôde mais enxergar nada. Não estava dormindo, mas algo estava tampando seus olhos, assim como sentia estar em movimento.
Renato perdeu todas as suas forças e determinação por um instante, mas tudo isso voltara quando ele
teve noção da realidade. Formou chamas em volta de si mesmo e se livrou de quem o levara.
Já com as Fire Wings olhou em volta, já nem via a praia, tampouco seus companheiros. Ao olhar para quem estava o raptando enxergou uma mulher extremamente magra, com cabelos lisos e negros. Media um metro e setenta, tinha olhos cinzentos e lábios finos. Usava um vestido longo e preto e uma sapatilha branca.
Entreolharam-se, até a mulher dizer algo.
- É admirável conseguir se livrar de mim mesmo drogado.
- Aaaaaahn... Eu não sou drogado...
- Tsc. Assim que o segurei lhe injetei uma droga que o deixa lento, então, mesmo que tenha conseguido se soltar é melhor desistir. Você não tem condições de lutar comigo nesse estado.
Renato avançou na mulher, que simplesmente desviou e o socou na barriga. O usuário de fogo se distanciou da adversária após levar o golpe. Tentou novamente, porém dessa vez o alvo saiu de seu campo de visão.
Antes que pudesse raciocinar foi atingido nas costas e caiu entre algumas árvores. Com dificuldade se levantou, e após cambalear olhou pra cima, e a adversária estava vindo.
- É, Gohu... – Falou sozinho, com a voz tremula. – Parece sou mesmo péssimo em lutar com mulheres.
Então... Acho que já sei o que fazer... – Renato andou lentamente até uma árvore e pegou uma lasca do tronco da mesma.
Assim que a adversária chegou até ele, Renato pôs fogo na ponta do tronco, e acertou-o na mulher, que caiu no chão de dor.
O usuário de fogo largou a madeira no chão e andou até um rio próximo. Agachou-se e molhou bastante seu rosto, até de fato estar acordado e enxergar bem novamente. Levantou-se e olhou para o céu. Não sabia o que fazer, onde estava ou onde estavam seus amigos.
Renato escutou uns passos que vinha um pouco atrás dele.
- Me poupou o trabalho de ir atrás de você. – Renato nem se virou.
- D-Desgraçado... – A mulher que antes lutara com Renato estava com o rosto cortado e sua carne fervendo, era um machucado feio.
- Diz ai, por que estão nos raptando?
- Por que eu diria? – A mulher perguntou e Renato não respondeu. – Tsc. O que está acontecendo é que nosso mestre vai conquistar essa ilha, e isso não vai...
- Espera ai, espera ai. Essa merda de novo? Isso é um reino livre, pra que querer conquistá-lo?
- Nosso mestre... Não é um cara normal... – A mulher mal se aguentava em pé. – Mas do que adianta te contar? Você vai morrer mesmo! Pra sua informação, seus amigos agora estão em diferentes cantos da ilha, e o nosso mestre bem no centro dela! Antes mesmo que você possa ir até ele, a ilha já estará conquistada!
- Droga...
A morena pegou de sua roupa um wallk talk de sua roupa, ligou-o e disse:
- Jessie falando. Parece que eu tive um problema aqui, fui derrotada, mas não faz mal. O garoto aqui já está bem longe.
- Você falou tarde demais, sua tonta! – Disse a voz de um garoto, que suspirava como se estivesse agitado. – Todo mundo foi vencido! Só sobrei eu!
- O-O que...
- E tem mais uma coisa, um garoto está entrando na nossa conexa... Xxxxxxxxxxxx
- Passa pro Renato, tia! – Disse a voz de um garoto no wallk talk.
- Que diabos...
Renato pegou o aparelho da mão da mulher.
- Não me diga que...
- Hehehe!
- Você é muito persistente...
- Ok, ok. Renato, voe para norte, norte! O máximo que puder, até chegar num lugar com casas, lojas e muitas pessoas! Se tudo der certo, você ainda pode chegar lá antes daquele homem!
- Daquele...
- Rápido, Renato! Não há tempo!
- Tsc. Fire Wings!
Com suas asas de fogo Renato voou rapidamente ao norte, passando por diversos locais. O que o jovem não sabia era que enquanto o mesmo se dirigia a um lugar, um de seus amigos já havia chegado.
Taco chegou à pequena cidade cansado, pois, embora estivesse próximo do local, tivera que ir até lá a pé. Segundo Dark, o homem chegaria pelo céu, mas ninguém de fato sabia quem era o homem.
Depois de um pouco mais de cinco minutos Gohu também chegou, e depois disso quase não levou tempo para mais um convidado chegar.
- O que... É isso... – Taco tinha a voz trêmula.
- É um poder gigantesco... E mesmo assim, ele ainda está longe...
Taco e Gohu estavam falando de energia Elemental. É o mesmo que Laís sentira ao lutar com Jin e Jiro, mas pelo visto aquela era muito mais devastadora. Ao olharem para trás perceberam que os habitantes estavam correndo para longe, provavelmente porque os usuários haviam alertado.
Em pouco tempo foi possível avistar o homem vindo do céu. Vinha como um míssil, tão rápido que era possível ver uma rajada de ar atrás dele. Gohu deu dois passos para trás.
- Taco, fica um pouco atrás. Vai ser uma chance pequena, mas é bom que não saiamos machucados.
Foram poucos segundos até Gohu perceber que o homem já ia aterrissar. O usuário de terra fez muita força e criou uma gigantesca estaca de pedra, e foi bem nela que o estranho caiu. Depois de alguns segundos de silêncio, a estaca se partiu em duas, e alguém estava bem no final dela.
Estava de pé um homem de longos e ondulados cabelos negros – bem azulados - que iam até as costas. Sobrancelhas, lábios e nariz finos, olhos azuis. Não eram monstruosos, mas seus músculos eram definidos. Vestia uma calça preta um pouco apertada e uma camisa regata branca e luvas de dedos cortados. Estalou o pescoço e disse:
- Ai, essas crianças... Lutando sem saber quem é seu inimigo. [...] Vão me deixar passar?
- O que você acha?
- Humm, o que eu acho? Ah, me esqueci. Tenho que parar de pedir permissão pra passar.
O homem andou lentamente até Gohu, e sem nem se importar com sua presença continuou caminhando. O usuário de terra, sem se amedrontar atingiu o inimigo com um chute nas costas, mas era como se não tivesse feito nada.
Gohu avançou e começou a socar as costas do homem com toda a força, mas o golpe não fazia efeito nenhum. Depois de algum tempo, pôde perceber que seu adversário não sentia o golpe porque nenhum dos socos realmente chegara a acertá-lo.
- O que é isso?
- Vocês não estudam? Está tentando me socar sem ter por que. Meu corpo é protegido por uma camada de ar indestrutível. E a propósito, meu nome é Clark Bromberg, lembre-se disso. – Ele atingiu Gohu com um forte soco no rosto que o arremessou longe.
Taco formou fragmentos de gelo, mas todos se quebraram ao entrar em contato com Clark, que continuou andando. Mesmo uma grande parede de gelo cercada com energia elementar foi quebrada.
De repente a água no chão começou a flutuar e foi jogada contra o homem, mesmo não o molhando. Júlia estava em cima de um telhado, tentando atacá-lo.
– Como são persistentes. Eu estava pensando em fazer isso depois, mas parece que vocês querem mesmo morrer agora. – Clark estendeu a mão e um pouco a frente da mesma se formou uma bola de ar.
A esfera rapidamente foi na direção de Júlia, que foi atingida na costela e caiu longe. Taco e Gohu avançaram, mas estava comprovado que nenhum soco ou chute iria fazer efeito contra aquele homem.
Clark estendeu os dois braços, na direção de Gohu e Taco e formou duas fortes rajadas de ar que jogaram ambos longe. Era óbvio que daquele jeito seria impossível detê-lo. A única forma foi entrar em contato com Dark e ver se o mesmo tinha alguma idéia.
- Droga Dark, esse cara é invencível. – Gohu estava sentado no chão com o wallk talk, avistando Clark.
- Ai, ai. Vocês bem que poderiam ter me deixado ir com vocês. Dessa vez eu não sei o que fazer, a não ser... Talvez a Laís possa...
- Erhm... Seja claro...
- Acho que se a Laís se concentrar muito ela pode desfazer a barreira dele por um tempo, e aí vocês atacam.
- Isso é ótimo... Mas ela vai demorar muito pra chegar?
- Um pouco. – Laís respondeu por si mesma.
- Ah, oi Laís.
- Eu preciso ir ai primeiro pra saber se consigo ou não consigo retirar essa camada, enquanto isso o distraiam.
- É fácil falar.
Gohu se levantou, e ao mesmo tempo Clark destruiu uma casa com a pressão do ar.
- Você é mesmo forte, Clark.
- Oh, obrigado. Eu compreendo sua resistência.
- Antes de lutarmos, eu gostaria de fazer uma pergunta.
- Eu responderei.
- O que te levou a querer destruir essa ilha?
- Destruir? Eu não quero destruí-la. Pelo contrário, quero refazê-la. [...] Olha só essa cidade. Nossa ilha, embora a maior do mundo é pobre. O reino não se importa e nosso dinheiro, querendo ou não, vai parar na mão dele. É hora de darmos a volta por cima, transformar nossa ilha em um reino! Vamos superar tudo e todos, começando por...
- Hã... Como você daria a volta por cima se está destruindo tudo?
- Começando do zero... Fazendo tudo do nosso jeito!
- “Nosso”?
- Esse não é só o meu desejo... Há anos atrás, minha irmã me disse isso. Achei uma idéia fascinante, algo que completaríamos juntos! Juntos! Mas isso não aconteceu. [...] Minha irmã ficou doente, e o hospital da nossa ilha não foi capaz de tratá-la. – Clark tinha raiva em seus olhos, e se forçou a dizer cada palavra – [...] Depois de três meses ela não resistiu. Eu... Eu vou matar o rei... E conquistar a ilha!
Clark formou fortes rajadas de ar em volta de si e as expandiu, destruindo as casas mais próximas e jogando os três ali presentes longe. Ainda com o ar devastador, o homem foi na direção de Gohu, que
fora arrastado e estava caído no chão.
Correu até o usuário de terra, que não teve tempo de se levantar. Fechou a mão e tentou um soco, mas uma mão o segurara. A mão, branca e delicada, era de Laís.
O usuário de ar deu passos para trás e encarou Laís.
- Tudo bem contigo, Gohu?
- Sim, sim. – Ele se levantou.
- Pois então... Eu vi a camada de ar dele. Não mais que dois centímetros.
- Pode retirá-la?
- Será mais fácil se eu retirar só uma parte do corpo, aí poderei manter por bastante tempo.
- Nós vamos te dar cobertura. – Disse Taco, enquanto levantava Júlia.
- Pode contar comigo. – Júlia deu um sorriso.
- Air Pressure.
As fortes rajadas de ar cercaram Laís, e todo o lugar foi tomado por uma grande ventania.
- Toda a frente do corpo dele está desprotegida, não ataquem nas costas.
Júlia, Gohu e Taco foram na direção de Clark. Os usuários de água deram pulos e tentaram um chute no ar, mas o homem interceptou com a mão. Enquanto segurava os pés, o usuário de ar foi atingido no peito por uma joelhada e voou longe.
- Ele não é tão bonzão assim. – Gohu pôs as mãos na cintura.
- Não vamos perder tempo. – Taco correu na direção do oponente, furioso.
O Jovem deu dois socos no adversário, que defendeu com o punho. Tentou uma rasteira, mas Clark pulou e acertou a cabeça de Taco enquanto estava no ar. Uma inclinada estaca de pedra surgiu do chão e bateu no rosto do usuário de ar, que limpou seu nariz de sangue.
- Alguém já lhes disse que são como insetos?
- Que tipo de insetos? – Gohu não se interessou, apenas andou na direção de Clark.
- Os mais frágeis.
Numa fração de segundo Clark apareceu em cima de Gohu, pegando sua cabeça e jogando contra o chão, que se rachou. Júlia correu para ajudar, mas uma pressão de ar levou-a para longe, bem atrás de Laís.
- Ok crianças, chega de brincar! Agora está na hora do show acabar.
O usuário de ar rapidamente voou na direção de Laís, mas antes de atacá-la foi interrompido por um grito. Olhou para trás e viu Gohu de pé, com pequenos ralados, a roupa suja e o nariz sangrando bastante.
- Ei, volta aqui seu lixo. Ainda não acabei contigo. – Gohu deu um sorriso.
Clark voou até Gohu, deu uma joelhada em seu nariz e diversos socos no seu rosto. Com um chute, o usuário de fogo foi parar no segundo andar de uma casa. O homem de cabelos longos o seguiu, pegou pelo cabelo e ergueu.
O homem formou uma grande rajada de ar e destruiu a casa, deixando o jovem à vista para os outros. Gohu foi solto no ar e caiu, e por fim, Clark pisou com os dois pés em seu peito, quebrando o chão embaixo dele.
- G-Gohu! – Laís se preocupou e quase desfez o ar envolta dela.
- Laís, acalme-se. Espere e preocupe-se em manter a barreira dele desfeita.
Júlia atacou o homem com diversos socos e chutes, mas fora tudo em vão. Clark atingiu a jovem com golpes que mal podiam ser vistos, jogando-a no chão.
Taco chutou o adversário na cabeça, seguido por uma série de socos no peito que o derrubaram. Por último, atacou com diversas esferas de gelo.
Por um momento não se ouvia som algum. Clark estava imóvel no chão, enquanto Taco bufava cansado. O homem se levantou do chão num só pulo e acertou a cabeça do adversário num chute rodante.
- Brincadeira de mau gosto. [...] Bom, com isso... Só falta você, certo? – Clark andou na direção de Laís, mas uma roda de fogo a cercou.
- Ah... Cheguei a tempo. – Renato passou a mão na testa. – Então... Eu estive pensando na melhor frase pra dizer quando chegar aqui, mas nada me veio à cabeça.
- Quem é você?
- Renato Durward. E quem é o homem que bateu nos meus amigos?
- Clark Bromberg. E a propósito, sou homem que irá lhe bater também.
- Wow, durão. Laís... Consegue aguentar por quanto tempo?
- Não tenho um tempo exato, de qualquer forma, vai logo...
Renato não pronunciou nenhuma palavra, e asas surgiram de suas costas. Rapidamente ele foi à direção do inimigo, acertando-o com diversos socos, tendo um deles feito Clark cair, levantar suas pernas e batê-las no rosto do oponente.
O usuário de fogo deu um pulo para trás, mas foi rapidamente acertado com um soco no rosto que o levou ao céu. Renato parou, voando, mas Clark juntou suas mãos e as bateu nas costas do adversário.
Clark foi novamente até o solo, onde Renato estava caído, já com as asas desfeitas.
- Você luta bem, garoto. Mas achou que iria me vencer sozinho se seus amigos não conseguiram fazer isso juntos?
Duas pernas se chocaram com o rosto do homem, que foi arremessado para dentro de uma casa.
- Ele não está sozinho... – Laís demonstrou o cansaço em seus olhos.
- Tem certeza que pode lutar? – Renato se levantou.
- Olha... Não é que eu possa, mas você não irá derrotá-lo assim.
- O que sugere?
- Vamos lutar todos juntos. – Disse Gohu, levantando junto com Júlia e Taco.
- Pessoal!
- Escutem... Não temos muito tempo até ele se recompor.
Uma bola de fogo atingiu o segundo andar da casa onde estava Clark, desmoronando-a.
- Ops, agora temos mais tempo.
- Enfim... Não temos muito tempo, e acho que vencê-lo na mão é quase impossível. – Taco tinha um olhar sério. – Temos que vencê-lo num só ataque.
A casa onde o homem estava era repleta de escombros. O andar de baixo foi pouco danificado, mas o andar de cima estava sobre ele. Tirou alguns móveis e pedaços da parede de cima de si e se levantou.
- AAAAAAARGH! – Toda a casa foi pelos ares numa explosão de ar. Ele estava de frente para os inimigos novamente. – Vocês me deixaram nervoso.
A barreira de ar em volta de Clark foi feita novamente, logo o mesmo percebeu que Laís não tinha mais poder nenhum. Aproveitando-se disso, foi primeiramente na usuária de ar.
No meio do caminho uma grande barreira de pedra surgiu na frente de Laís, mas o homem não se amedrontou, afinal estava protegido por sua técnica. Assim que se aproximou da pedra acelerou ainda mais, batendo de cabeça.
A pedra continuou lá, mas Clark estava no chão, com a cabeça sangrando.
- Como isso aconteceu?! – Perguntou o homem.
As pedras começaram a se partir e se formarem novamente em volta de Clark, que se levantou depois de um tempo. Viu que Laís ainda tinha forças e continha sua energia, mas perdeu o foco e foi completamente molhado por Júlia.
A água em seu corpo se tornou gelo graças a Taco, e o homem ficou imóvel. Por último, Renato surgiu aos céus com uma grande bola de fogo nas duas mãos dizendo:
- Gooolpe Finaaaal!
O gelo se partiu e Clark fugiu a tempo. Renato pousou calmamente no chão com um sorriso, enquanto olhava para o céu. O homem voou e olhou para todos eles, com ódio.
- Acharam que esse plano barato ia funcionar?
- Na verdade, Clark Bromberg... – Gohu deu um sorriso – Você caiu direitinho.
Clark percebeu que seus pés estavam cheios de pedra, e que as mesmas se ligaram rapidamente às pedras no chão. Seus dois pés formaram duas estacas de pedra e o mesmo estava preso. Tentou se soltar, mas estava difícil. Olhou para o lado e viu Laís, preparando uma grande bola de ar no telhado de uma casa.
- Não! Não!
Laís atirou a bola de ar para cima do inimigo, que a segurou com um pouco de dificuldade.
- EU SOU UM USUÁRIO DE AR! HAHAHAHAHA!
Por um momento, Clark desviou seu olhar para baixo e viu uma rajada de água e inúmeros fragmentos de gelo na sua direção. Perdeu suas forças e olhou para cima, onde viu Renato segurando a mesma bola de fogo, só que dessa vez sem pronunciar nada.
Ao ver que seria atingido de qualquer forma, ele se lembrou de sua irmã. Infelizmente não conseguira cumprir seu sonho, e a única coisa que se arrependia era não ter matado os oponentes quando tinha tempo.
A bola de fogo foi lançada no ar, e os outros três golpes entraram em contato com Clark, formando uma explosão com água, terra, fogo e ar. O homem só queria realizar o sonho de sua irmã, mas isso não aconteceu. De qualquer forma, ele morreu com os sentimentos que queria.
A explosão cessou, e os guerreiros caíram no chão, todos muito cansados.
- Isso gastou bastante energia...
- Do que você ta falando, Gohu? Eu fui o que mais gastei energia por aqui! – Renato se levantou.
- Ah, seu filho da mãe!
Gohu correu atrás de Renato, que não ficou para trás. Taco tentava parar a briga – que era na verdade uma brincadeira – mas não conseguia. Júlia estava inconsciente e Laís observava tudo com um sorriso.
Com felicidade, pensou:
- Ele queria ter seu desejo realizado... Eu não sei quem ou o que realizou o meu, mas eu estou muito grata. O grande problema de tudo aquilo era que o sonho dele iria prejudicar milhares de pessoas. Eu só queria amigos... E ganhei. Seja lá quem for, obrigada. Eles são os melhores que eu poderia ter.
Fim do Capítulo Especial.
Special Ending: Shaka Beach – UVERworld












