
"Tenho-me referido constantemente a uma arquitetura mais "humana", portanto tentarei explicar o que isto significa para mim, como arquiteto. Tal como a arquitetura orgânica, a qualidade da humanidade é inerente ao homem. Como o sistema é calculado em anos-luz, assim podemos ser a luz interior aquilo a que chamamos humanidade. Esse elemento, o Homem enquanto luz, está para la de qualquer cálculo. A luz do Sol pertence à natureza tal como a luz interior pertence ao espírito humano: a luz humana.
A luz do homem paira acima do instinto. A imaginação humana nasce, concebe e cria por meio dessa luz interior: morre, mas continua a ser a luz da existência que vivia no homem. O espírito é iluminado por ela com tanta força que a sua própria vida é essa luz, procede dela e, por seu turno ilumina o seu gênero, As afirmações na vida e no trabalho humano são a verdadeira felicidade do homem.
Nada há de mais elevado na consciência humana do que os raios dessa luz interior. nós chamamo-lhe beleza. a beleza não é mais do que o brilho da luz do homem - o seu esplendor é o romantismo elevado da humanidade, tal como entendemos que a Arquitetura, as Artes, a Filosofia e a Religião são românticas. Na alma humana, tudo vem alimentar essa luz inextinguível, ou é alimentado por ela. Ele não pode contribuir com nada de intelectual que esteja a cima ou para além dessa inspiração. Do berço a tumba o seu verdadeiro ser suspira por essa realidade para assegurar a continuação da sua vida como luz do além.
Tal como a luz do Sol banha um objeto indefeso, revelando a a sua forma e a sua expressão, assim uma luz correspondente, de que o Sol é um simbolo, figura a partir do trabalho inspirado da humanidade. A luz interior é a certeza de que a Arquitetura, a Arte e a Religião do homem são uma só coisa - o seus emblemas simbólicos. Então podemos chamar à própria humanidade a luz que jamais se extingue. Os lados mais vis do homem estão sujeitos a esse milagre da sua própria luz. Nascente e poente constituem símbolos apropriados da experiência do homem na terra.
Não existe elementos de imortalidade mais preciso do que uma humanidade tão humana. O céu pode ser o simbolo dessa luz das luzes apena na medida em que o céu se converte num porto de abrigo. (Frank Lloyd Wright)