O "espetáculo do crescimento" da era Lula será igual ao do primeiro mandato de FHC. Só que bem pior...
Wednesday, 8. November 2006, 17:42:30
por Reinaldo Azevedo
Abaixo, em azul, reproduzo uma nota que publiquei aqui no dia 30 de agosto: há três meses e 11 dias. Guido Mantega, ministro da Fazenda, e Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, diziam que a economia cresceria 4%, depois de terem prometido 5% — os mesmos 5% que ambos prometem para o ano que vem. Eu informava: “há quem fale em 3%”. Pois bem. Num post sobre a queda da produção industrial (abaixo), informa-se: “A economista Cristiane Quartaroli, do banco Santander, também revisará as projeções para 2006. Atualmente, a previsão do banco aponta uma expansão de 3,1% para o PIB. 'Devemos mudar o número para um nível abaixo de 3%', afirmou. Mauricio Oreng, economista da Itaú Corretora, deve revisar sua atual projeção de 3,4%, para algo próximo de 3,2%. O ABN Amro Asset Management reduziu a estimativa de crescimento de 3% para 2,9%.”
No dia 30 de agosto, fiz a conta do crescimento médio do governo Lula considerando o índice otimista de 3,6%. E cheguei ao espantoso índice de 2,8%. FHC, no primeiro mandato, fez 2,57%. Só que enfrentou várias crises. Lula, em contraste, vive os melhores quatro anos do pós-guerra da economia mundial. Ocorre que não vai fazer nem aqueles 2,8%. Estando certo o ABN, os números do espetáculo do crescimento petista serão os seguintes:
2003 – 0,5%
2004 – 4,9%
2005 – 2,3%
2006 – 2,9%
Média: 2,65%
Aquilo que Lula vendeu nos debates como o “mais extraordinário ciclo vivido pela economia brasileira em 50 anos” — ai, ai! — terá produzido um crescimento 0,1% superior à média do primeiro mandato de FHC. Com uma diferença: aquele tinha tudo contra, incluindo o PT. Este teve tudo a favor, incluindo o PSDB.
Lula é mesmo um milagre. Caso se esforçasse para ser tão ruim, não alcançaria as dimensões que alcança tentando ser o melhor. No segundo mandato, sugiro que trabalhe apenas a metade para ver se rende o dobro.
A NOTA DE 30 DE AGOSTO
Além da questão eleitoreira, há uma outra razão para o corte de 0,5 ponto percentual na Selic. O PIB do segundo trimestre vem uma porcaria em relação ao trimestre anterior. E será divulgado nesta quinta-feira. Os mais otimistas falam em 1,1% de crescimento; mas há sólidas apostas em apenas 0,6%. Ainda que dê o limite superior da banda, o crescimento de 2006 será de modestos 3,6% — Lula havia falado até em 5%, depois de um crescimento de 2,3% em 2005. O próprio IPEA já reviu sua estimativa: para 3,8%. Nos primeiros quatro anos (1995-1998), a média de crescimento do governo FHC foi de 2,57% (4,22%, 2,66%, 3,27% e 0,13%); no segundo (1999-2002), de 2,09% (0,79%, 4,36%, 1,31% e 1,93%). Houve apagão em 2001 e Lulão em 2002. O petista vive os melhores quatro anos da economia mundial do pós-guerra. As exportações, no período, dobraram de tamanho; o risco país, de fato, despencou — as taxas reais de juros, no entanto, continuam estratosféricas. Se o país crescer mesmo só aqueles 3,6% (e há quem fale em 3%), o Apedeuta, numa circunstância histórica única, com países emergentes se expandindo acima de 7%, vai produzir um crescimento médio, em 4 anos, de 2,8%, a saber: 0,50%, 4,90%, 2,30% e 3,6%. Sem enfrentar uma miserável crise. Em tempo: o desempenho pífio de setores da indústria que hoje sofrem com o real valorizado e com os juros é que empurram para baixo o crescimento do país.








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