Diferença entre "profissional" e "Profissional"
Wednesday, 21. January 2004, 21:02:49
Atualmente, segundo um levantamento que fiz, há um roll de browsers utilizados, a saber: Opera 7, Mozilla, Safari, Netscape4, Explorer 5 for Mac, Explorer 5 for Windows e Explorer 6 for Windows.
Então, desta maneira temos um grupo “dominante” composto por 7 browsers. Me estranha o fato do Netscape 4 ainda ser levado em conta, mas ao que parece ele ainda possui uma pequena, mas relativamente importante parcela de usuários.

Por que, neste artigo nos referimos aos profissionais e aos Profissionais. Bem... Neste caso, como sou eu que estou a expressar minhas opiniões, penso da seguinte maneira: se você pega um desses softwares que gera quase que automaticamente conteúdo para ser publicado online, sem se preocupar em saber o que está sendo colocado pela aplicação como componente da estrutura do que se está montando, ou seja, se você está pouco se lixando se o que você vai disponibilizar online para si mesmo ou prestando serviço para algum cliente, então você é um profissional. Isto mesmo, com a letra “p” em minúsculo.
Infelizmente, uma boa parte dos “profissionais”, têm uma certa dificuldade em realizar aqueles exercícios mentais que nos levam a viajar um pouco pelo que estamos fazendo no sentido de ter uma noção do alcance, da dimensão daquilo que estamos produzindo. Para quem se destina, qual o público-alvo e como este público alvo acessará o conteúdo que estou a disponibilizar, são algumas das perguntas que todo “Profissional” deve procurar fazer.
O “Profissional se preocupa tanto com a qualidade do seu trabalho, assim como em se colocar na pele dos usuários da Internet. Sendo assim ele tem consciência de que vivemos em um mundo online diversificado(o qual é uma extensão de toda uma sociedade também diversificada), onde cada um pode escolher a maneira como quer entrar e atuar neste mundo online. Tendo isto claro em sua mente, aí então o “Profissional” se preocupa em procurar cercar todas as possibilidades para que seu trabalho seja acessado online de maneira discreta. Discreta no sentido de que o usuário, independentemente de sua plataforma computacional, possa ter aquele conteúdo de maneira transparente. Não importa se usando o Opera ou outro navegador qualquer. Claro que estou falando aqui em relação ao aspecto técnico que está no “backend” em cada página online publicada. Isto se aplica também, por outro lado, àqueles que se voltam mais para a área responsável pela apresentação do conteúdo visual, ou o que podemos chamar aqui de “frontend”. No fundo, são elementros intrínsicos, isto é, codificação e resultado visual. Seria mais ou menos como em Biologia, onde temos o conteúdo genérico e “invisível” expresso pelo genótipo e aquilo que somos, o nosso visual, expresso pelo fenótipo. Vamos assim chamar toda a codificação que, em geral, é invisível ao usuário, como sendo o genótipo do conteúdo online e sua aparência, seu desenho, como sendo o fenótipo deste mesmo conteúdo online.
Recentemente em nosso fórum, chequei o relato de um de nossos colegas a respeito de um site de uma grande empresa da área de comunicações, jornalismo, entretenimento, e sei lá mais o quê. Este nosso colega é assinante do portal desta empresa e também é um usuário do Opera. Ele abriu um tópico no fórum perguntando se haveria algum problema do Opera com aquele site, porque conteúdo multimídia online não estava (não está ainda) sendo exibido. Eu, que não sou nenhum expert mas estou me aprofundando no assunto, fui dar uma olhada, mesmo que superficial, e fiquei meio zonzo com o backend de algumas páginas deste portal (das que eu vi, pelo menos). Fiquei pensando cá com os meus botões: “uma grande empresa como esta tem, com certeza, condição de ter pessoal de altíssimo nível em seu quadro de colaboradores, cuidando para que o conteúdo online seja o mais perfeito tanto no nível do código como na estética do site”. Esteticamente falando, até que o portal tem seus atrativos (apesar de que sou a favor do minimalismo na internet atual, sendo que nem todo s, aliás a maioria, não têm condições de bancar conexões em banda larga), agora no nível do código o que se nota superficialmente é uma total despreocupação em verificar se aquilo que está ali presente é algo que permita a qualquer usuário, utilizando-se de qualquer sistema operacional, e também de qualquer browser de Internet, possa desfrutar do conteúdo oferecido. Em suma, o que está ali presente não é condizente, teoricamente, com o porte e a penetração de uma empresa como esta. Alusões a ActiveX, por exemplo, estão ali presentes. Bem... ActiveX é uma tecnologia da Microsoft e que não se difundiu tanto quanto esta empresa pretendia. Além do que, como estamos sempre martelando no fórum e aqui no Jornal, vários furos de segurança do MS-Internet Explorer estão associados ao uso desta tecnologia. O “Profissional de verdade”, deveria saber disto porque ele, como “Profissional” deve estar antenado em seu ramo de atividade. Vi também trechos chamando scripts em “Vbscript”. Este também é uma tecnologia da Microsoft, qual também não consegui atingir a visibilidade que a Softwarehouse desejava e que também, apesar da menor escala, pode levantar questionamentos em relação a segurança, na medida que o navegador tenha que estar com o interpretador ativado. O mais comum, e que vem sendo padronizado pelo W3C é o “Javascript” (linguagem desenvolvida pela Netscape e que não tem nada a ver com o Java, este último uma tecnologia da empresa Sun Microsystems). Chamadas para plugins são também um componente importante, principalmente no caso de um portal que forneça conteúdo multimídia online. Em geral temos conteúdo em formatos de aúdio e vídeo utilizando-se de tecnologia da RealNetworks cujo cliente, isto é, o software que é instalado na máquina do usuário, é o RealPlayer, e temos o conteúdo de áudio e vídeo baseado em tecnologia da Microsoft, sendo o cliente chamado Windows Media Player. É comum, e creio que correto, ter no mínimo suporte para estas duas tecnologias. Como a tecnologia Windows Media é da Microsoft, temos também que levar em conta que esta não privilegia plataformas “não-Windows” e sendo assim, em geral, a maioria daqueles que se utiliza de outros sistemas como o Linux, Solaris, MacOSX (apesar de que esta plataforma tem suporte pela Microsoft), etc, se voltam mais para a utilização da tecnologia da RealNetworks, embora bons avanços estejam sendo obtidos em portar a tecnologia da Microsoft para plataformas “não-Windows”. Nem todos os browsers fazem uso dos mesmos esquemas para tratarem os plugins (componentes que fazem a interação entre o browser e uma outra aplicação). Sendo assim, os desenvolvedores de conteúdo online deveriam (isto se quiserem ser “Profissionais, obviamente) produzir módulos exclusivos para testar qual browser o cliente está utilizando e oferecer uma interação compatível com aquele browser, para que o usuário posso assim assistir a um vídeo, por exemplo. Mas, no caso do portal analisado, não é nada disto que acontece. O que acontece é produção de código que privilegia, em geral, apenas uma plataforma (Windows) e apenas uma empresa (Microsoft).
Sendo a Internet um campo vasto e, teoricamente, livre, trata-se de uma aberração uma empresa de porte não ter gente que se preocupe em auditar o conteúdo online, em abrir canais de comunicação para usuários (assinantes ou não), para assim receber feedback das mais diferentes origens. Mesmo que se, em cada 100 contatos, apenas 1 for realmente válido, a empresa ainda sairá ganhando, pois terá a oportunidade de estar tornando seu serviço mais amplo, mais refinado, mais acessível e mais próximo do usuário.
Uma empresa da qual sou assinante e que faço justiça citando aqui é o Portal Terra. O canal com o usuário é aberto e a empresa disponibiliza vários meios para permitir este contato: e-mail, telefone, e atendimento online. Quando entramos em contato temos a impressão clara, nas respostas enviadas, de que levam a sério nossos comentários. Agora, em contra-partida, empresas como UOL (esta tem um canal de comunicação especializado em respostas padrão, o usuário tem a impressão que sua comunicação foi para a lata do lixo), Globo.com (esta aqui tem um dos canais de comunicação com os usuários mais fechado entre todas: não ouve, não vê, não dá oportunidade), outra empresa também, que respeito muito mas cujo canal de comunicação é falho (nunca há uma resposta ou atitude concreta) é o grupo “O Estado de São Paulo”. Tenho registrado problemas crônicos com certos serviços destas empresas citadas, que são fruto de falha ou mesmo inoperância nos canais de comunicação entre usuários e antendimento e entre atendimento e áreas técnicas. Parecem existir dentro de redomas, e não levam muito a sério as sugestões e reclamações dos usuários.
Estas questões dos canais de comunicação, da falta de atitude, de não levar a sério as sugestões e reclamações dos usuários (independe se assinantes ou não, porque aquilo que acontece com quem não é assinante sem dúvida acontecerá com quem é assinante), também caracterizam a diferença entre “profissinal” e “Profissional”. Eu considero o Terra uma organização “Profissional” e, por enquanto, classifico “UOL”, “Globo.com” e o “Estadão de São Paulo” como empresas “profissionais”, isto mesmo, com “p” em minúsculo.
Falei aqui de assuntos como abordagem do lado “Profissional” na desenvolvimento de conteúdo e também no relacionamento de “provedores de conteúdo” e usuários. São componentes fundamentais para a construção de uma Internet de qualidade.
Se os responsáveis pelos “provedores de conteúdo” não se preocuparem em abrir os canais de comunicação e promover a atualização de seus profissionais de desenvolvimento para disponibilizar um conteúdo acessível e operante independente de plataformas computacionais, então estes responsáveis também vão para a categoria de “profissionais”, ou seja, a turma do “p” minúsculo.
Estou apenas tocando em dois pontos: um técnico e outro de política empresarial. Não sei necessariamente se a ordem é esta, minha visão crê que tudo, neste caso, é de cima para baixo e, talvez, por isto mesmo estas empresas que citei tenham atitudes tão discrepantes.
Isto ainda dará muito pano para a manga, mas ficarei por aqui pois, caso contrário, acho que todo espaço do servidor da Opera Software seria sugado por mim tratando disto.
Até mais...
RedPingüim


























