Alckmin venceu o debate
Monday, 9. October 2006, 21:46:40
Blog do Reinaldo Azevedo: "Alckmin venceu o debate"
09 de Outubro de 2006
A reação ao debate continua divertidíssima. A coleção de tolices ou de malandragens que se lê é pantagruélica. Vamos ver:
a) O debate foi ruim porque não se debateram propostas – É mesmo? E desde quando um debate é para ficar recitando itens de programa de governo? “Não, veja bem, candidato, o superávit primário, considerando as variáveis...” Ora, vão plantar batatas. Debate é um confronto de estilos, de personalidades, de questões gerais mesmo. É assim em qualquer lugar do mundo. Alguém cobrou de John Kerry como ele faria para organizar a retirada dos EUA do Iraque? No máximo, ele disse que sua proposta era diferente da de Bush e censurou a guerra — a favor da qual votou, diga-se. Se Lula tivesse massacrado Alckmin, a questão não estaria sendo colocada. Como foi o contrário, então há esse clima de consternação geral.
b) Os petistas estão decepcionados com a agressividade de Alckmin – Oh, Deus do céu! Decepcionados, é? Quer dizer que o candidato tucano deveria ter ido ao debate cordato e ledo com as flores, demonstrando para os brasileiros o bem que fez em reduzir o ICMS da farinha de trigo e do biscoito? Como Alckmin não fez o que dele esperavam os petistas, então houve certa deslealdade. Tanto os petistas como certos setores à direita botaram na cabeça que este era um jogo combinado, de cartas marcadas. Como a realidade desautoriza a interpretação, então se buscam teorias fantasiosas que expliquem, ex post, a realidade.
c) Alckmin fugiu ao seu natural – O máximo que se pode dizer é que seguiu uma linha de intervenção distinta daquele que vinha seguindo até então. Ora, no debate da Globo, sem a presença de Lula, o natural é que se comportasse mesmo de outra maneira. Lula não estava presente para ser confrontado. Aliás, se o petista tomou ontem uma surra de um, imaginem como seria uma surra de três.
d) Alckmin pode perder votos com sua agressividade – O argumento merece uma gargalhada. A chance de Alckmin está em colar Lula à sua obra. E foi o que o tucano fez ontem.
A verdade é que o establishment político não estava preparado para uma confrontação muito dura e, ao mesmo tempo, muito serena, como fez Alckmin. Se a sua intervenção mimetizasse aquela glossolalia heloíso-helunática, é claro que Lula nadaria de braçada. O petista só se atrapalhou todo porque não está acostumado a prestar contas dos seus atos. Como o candidato do PSDB não é jornalista, não precisa pegar leve com o presidente. E pode, enfim, fazer o que raramente se faz quando Lula solta uma das suas: chamar a “mentira” de “mentira”. O que deixou boa parte dos “analistas” chocados é que nem a isso Lula conseguiu reagir. Alckmin afirmou que ele mentiu ao dizer que o PSDB, se governo, pretende privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil. E o candidato do PT não só teve de engolir a pecha de “mentiroso” como de admitir que, de fato, houvera mentido.
fonte: Veja Online









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