Quando éramos reis, bispos, cavalos...
Sunday, 21. October 2007, 19:31:04
"Excêntrico, arrogante, insano, incomparável e genial, era Bobby Fischer. Para aqueles que o admiram esta é das personalidades mais intrigantes e surpreendentes. Para aqueles que o desconhecem era arrogante, para aqueles que ouviram falar dele, um gênio, para os que o conhecem um Deus." Autor Desconhecido, falando sobre Fischer."Não sou um computador como os outros querem pensar. Botvinnik disse uma vez que calculo melhor que os demais, que sou uma máquina, um homem prodígio e tambem fui uma criança prodígio. Aqui não há prodígio algum.
Sou meramente um homem, mas um homem extraordinário. Estudo e aprendo cada dia mais e mais, um dia hão de ser meus o carro mais caro e a casa mais bonita.
Na América não há ninguém que possa comparar-se comigo.
Fui campeão nacional 7 vezes o que começa a ser fatigante.
Aos 14 anos fui campeão nacional, com 16 "grande mestre", com 27 anos sou o melhor do mundo e com 28 serei declarado oficialmente campeão mundial. Meu objetivo é que ninguém no planeta saiba "mexer as peças" melhor do que eu!" Robert James (Bobby) Fischer, 1971.
No fim da tarde de 8 de julho de 1987, a aposentada Nancy Etheridge ficou particularmente aborrecida com a má educação daquele sujeito alto, barbado e com entradas de calvície que não desgrudava das prateleiras de magazines esportivos da biblioteca pública de Pasadena, Califórnia. Mal sabia ela que o homem em quem tinha esbarrado repetidas vezes era o mesmo que assinara Robert D. James na ficha de filiação, um velho pseudônimo para Robert James Fischer. Ou Bobby Fischer, como ficou mais conhecido o gênio que ganhou o campeonato mundial de xadrez, em Reikjavic, capital da Islândia, 15 anos antes.

Fischer era o que os dicionários costumam definir como prodígio: aprendera a jogar xadrez ensinado por sua irmã, aos 6 anos, para passar o tempo; começara a freqüentar o clube de xadrez de Manhattan (morava no Brooklin) com 10, e com 13 ganhara o Aberto Junior dos E.U.A. Aos 14 anos, vencera pela primeira vez o campeonato norte-americano, que venceria outras 5 vezes depois. Aos 15, se qualificara para o Interzonal, torneio regional eliminatório – pense, em termos de xadrez, numa Libertadores da América, ou numa Eurocopa - organizado pela FIDE (Federação Internacional de Xadrez, a FIFA do xadrez) para determinar o desafiante ao título mundial, e se tornara o mais jovem mestre da história do xadrez. Tudo isso seria muito notório, mas até aqui Boris Spassky, o russo campeão do mundo, também poderia reclamar para si o título de prodígio - afinal, aos 18 anos fora o mais jovem mestre soviético. Só que Bobby Fischer tinha um algo mais, ou antes, vários, a lhe dirigir a atenção.
Em 1960, abandonou os torneios classificatórios sob a acusação de que os soviéticos jogavam em conluio - naquela época, as eliminatórias eram jogadas na base de todo mundo contra todo mundo, classificando-se os que fizessem mais pontos (um empate corresponde a meio ponto, uma vitória, a um). A acusação de Fischer, que os soviéticos combinavam os resultados das partidas entre si, para mantê-lo fora da disputa do título mundial, foi sustentada em vários momentos ao de sua vida. Prometeu, por conta disso, ficar longe do Interzonal, retornando apenas em 1967, na Tunísia, quando abandonou misteriosamente o torneio: "Deixem-me em paz. Eu não tenho nada a dizer." Nessa época, meados dos anos 60, ela já era tido como gênio, e o único jogador de xadrez a ter sido capa das revistas Life, Time, Newsweek e Sports Illustrated, arrematando uma certa reputação pelas suas declarações:

Tudo o que eu quero fazer, sempre, é jogar xadrez.
Eu não aprendi nada na escola. É uma perda de tempo. (...) Não deveria haver dever de casa. Ninguém está interessado. Os professores são estúpidos. (...) Desperdicei dois anos e meio na High School (...)
[Fischer largara a escola ao 16 anos, após concluir a High School]
Mulheres não deveriam jogar xadrez. Elas jogam como principiantes. Elas perdem todos os jogos para homens. Não há uma enxadrista no mundo a quem eu não dê um cavalo de vantagem e não ganhe.
Eu não tenho amigos íntimos. Eu não tenho segredos.
E as duas mais famosas, sobre seus adversários:
Eu gosto de vê-los se contorcendo.
Eu gosto do momento em que eu esmago seu ego
Desde que as eliminatórias começaram, em 1969, para decidir quem teria o direito de enfrentar Spassky 3 anos depois, conforme as regras da FIDE, o sentimento geral no meio enxadrístico norte-americano era de que sem Fischer os E.U.A. não estariam realmente representados.
Reshevsky, Addison e Benko eram jogadores de primeiríssima linha, mas Fischer talvez fosse a única pessoa capaz do feito inédito de levar o título mundial para os ianques, algo que Tenente Coronel Edmund B. Edmondson nunca ocorrera naquele século. Percebendo isso, o tenente coronel da reserva Edmund B. Edmondson, próximo de Fischer e diretor executivo da Federação Norte-Americana de Xadrez, mexeu seus pauzinhos e deu tratos na bola na tarefa de convencê-lo a voltar, e arrumar uma maneira legal de encaixá-lo. Essa maneira seria a desistência de um dos 3 representantes, além da concordância dos outros 8 finalistas. Paul Benko cedeu sua vaga a Fischer, "a única pessoa por quem faria isso", assim como os 8 concorrentes. O que poderia soar como exagero ou manobra política logo mostraria o seu porque.Espírito quebrado
Nas rodadas eliminatórias em Palma de Mallorca, que selecionariam 6 dos 24 participantes - as tais em que Fischer acusava os soviéticos de fazerem esquema - Bob fez 17 pontos e meio contra 5 e meio, concluindo a campanha com uma série de 7 vitórias seguidas, o que o classificou para as finais. As quartas de final seriam contra o russo Taimanov, e assim como nas demais partidas daí para frente, o vencedor seria quem completasse pelo menos 6 pontos antes do adversário. Após perder as 3 primeiras partidas, Taimanov adoeceu, pedindo adiamento em alguns dias da próxima, para recuperação (como permitiam as regras da FIDE para esses torneios internacionais). Melhorou, voltou, e perdeu as 3 partidas seguintes, totalizando para Fischer a notável marca de 13 vitórias em seqüência. Fischer seguiu para a semi-final contra o dinamarquês Larsen, tido como o único enxadrista no Ocidente do nível de Fischer. Ao contrário de Taimanov, o confronto com Larsen começou com uma enfiada não de 3, mas de 4 vitórias consecutivas do norte-americano - que só não foram 5 porque... Larsen também adoeceu, pedindo adiamento. Os mais atentos sentiam algo de estranho no ar: o que era aquele estranho mal que acometia todos que enfrentavam Fischer no tabuleiro?
Embora sempre tido pelo vulgo como um jogo cerebral, é moeda corrente entre os grandes jogadores de xadrez que o bom condicionamento físico ao entrar nas partidas. Todos os campeões dos últimos 40 anos praticavam algum tipo de esporte, mesmo que recreativamente - tênis, esqui, boliche. O envolvimento emocional em uma partida é tão forte, repercutindo somaticamente de maneira tão intensa que esse exercício era indispensável para a fortalecer o jogador. Sabe-se, por exemplo, que Gary Kasparov chegou a perder 10 quilos quando da disputa do título com Karpov. É uma máxima entre os mestres de xadrez que é impossível derrotar alguém com boa saúde. E a impassividade, o absoluto equilíbrio que Fischer demonstrava frente ao tabuleiro, era um fator nem um pouco irrelevante. Fischer parecia contaminar seus oponentes com uma febre, a Febre de Fischer (Fischer Fever), como veio a ser conhecida - embora alguns preferissem chamá-la de Fischer Fear (Medo de Fischer), mesmo... No retorno, não houve reação de Larsen, e Bobby venceu mais 2 vezes, completando a inacreditável marca de 19 vitórias, nenhum empate, nenhuma derrota, todas em partidas com os melhores praticantes daquela área no mundo. É muito difícil pensar num símile para um registro como esse, em qualquer esporte, no século passado.
A partida que decidiria o desafiante ao título seria disputada em Buenos Aires contra Tigran Petrosian, um armênio de 42 anos, ex-limpador de ruas, meio surdo e ex-campeão mundial entre 66 e 69. Petrosian era um jogador defensivo, estratégico, poderia ser classificado como a antítese de Fischer, que sempre, sempre jogava para ganhar – e, segundo os russos, era exatamente essa a característica que poderia dobrar o norte-americano. Em finais decisivas como essa, o comum são placares com magras vantagens de pontos, porque jogadas à maneira de uma partida de tênis decidida no tie-break: nenhum dos adversários quer arriscar, preferindo manter a bola em curso enquanto aguarda o erro do outro. Por isso, foi curioso quando Petrosian assumiu um postura ofensiva na primeiro partida, obrigando Fischer à uma estratégia mais cautelosa, ainda que aquilo tenha lhe levado a abandonar. Era a vigésima vitória seguida de Fischer.
Quando Fischer abandonou - mestres não deixam o jogo terminar; abandonam quando se percebem em situação que conduzirá a um xeque-mate inevitável - a segunda partida, a torcida argentina irrompeu num coro glorioso, "Tigre! Tigre! Tigre!", exaltando o homem que fora capaz de interromper a inacreditável sucessão de vitórias de Fischer. Petrosian pode ter conseguido abortar o mito em gestação da invencibilidade de Fischer, mas isso não foi suficiente para impedir o jovem enxadrista de chegar a Spassky: o fim de 5 partidas, o placar era empate: 2 ½ a 2 ½, e com o abandono de Petrosian na sétima, 4 ½ a 2 ½ para Fischer. Foi quando Petrosian adoeceu. Yuri Averbach, auxiliar russo, comentou: "O espírito de Petrosian foi quebrado na derrota anterior", e ao que indica, tinha sido mesmo, porque ele voltou para abandonar mais duas partidas, somando outras 4 vitórias em série. Nessa altura, não havia russo nenhum que não enxergasse em Bobby Fischer uma ameaça ao menos potencial à hegemonia que detinham no xadrez desde 1948, quando a FIDE passou a regulamentar o campeonato mundial. Mas ainda havia o grande campeão, Boris Spassky.
Maracutaias financeiras
Decidido o desafiante, cabia à FIDE organizar a disputa do título, numa melhor de 12 pontos e meio (com o empate prevalecendo o campeão), em 24 jogos. A primeira metade seria organizada pelo país do desafiante, a segunda, pelo do campeão. Iniciou-se um leilão entre os países candidatos a sediar os jogos, com os seguintes lances:
1o. Belgrado (Iugoslávia) U$ 152.000
2o. Argentina U$ 150.000
3o. Islândia U$ 125.000
e uma curiosidade: em 8o. lugar, Brasil, com U$ 80.000 de lance. Para que acha esse número alto, é necessário lembrar que exatamente no começo dos anos 70 uma pequena mania de xadrez foi desencadeada pelo belo desempenho de Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, jovem jogador de 18 anos, a caminho de se tornar mestre em 1971, com o apoio do ministro Jarbas Passarinho e do presidente Médici, a quem agradecia a cada vitória. Mequinho ficou tão em evidência naquele tempo que, incensado num programa do Chacrinha.... chegou a desafiar Bob Fischer! Outro motivo seria a carona que dirigentes políticos costumam pegar em sucessos esportivos ocorridos durante seus mandatos, norma até mesmo em regimes democráticos, da seleção de 70 ao convite de FHC para Guga visitar o Palácio da Alvorada. Fim da curiosidade.
Para se ter uma noção do que esses valores representam, em 1969, quando Spassky bateu Petrosian, ganhou reles U$ 1.400 (lembrando aqui que todos esses valores são de 1972, não atualizados). Assim que os primeiros movimentos da FIDE se deram, a Argentina saiu da disputa, e Dr. Ewe, presidente da FIDE, estabeleceu um arranjo em que os 12 primeiros jogos seriam em Belgrado, e os seguintes, em Reikjavic, à bolsa no valor médio de U$ 138.500, aproveitando a preferência de Fischer pelo primeiro e Spassky, pelo segundo local. De cara, a Federação Soviética criou objeções, afirmando que seria inaceitável a realização do torneio em qualquer lugar diferente de Islândia, Holanda, França e Alemanha, mas em reunião do lado de dentro da Cortina de Ferro, acabou capitulando ao acordo inicial. Foi a vez de Bobby Fischer criar caso, pedindo, além da bolsa, parte dos lucros com ingressos e transmissão televisiva dos jogos. Foi ameaçado de expulsão pela FIDE, e acabou cedendo em cima do prazo final - mas esse artifício não passou desapercebido. Amedrontados, os organizadores iugoslavos passaram a pedir uma garantia de U$ 35.000 para a realização dos jogos, escaldados que estavam com as artimanhas e o histórico de faltas em torneios de Fischer. O problema é que a Federação de Xadrez Norte-americana era uma associação amadora, não tinha receita, muito menos como levantar fundos dessa quantia, e se viu em maus lençóis diante dessa garantia. Para aumentar o mau estar americano, os soviéticos não demonstraram ser nenhum problema, porque o governo da U.S.S.R. apoiava o xadrez, remunerando seus principais jogadores, e assentiu ao pedido iugoslavo. Foi a vez de Edmondson criar resistências, afirmando que "a garantia é ilegal", o que em última análise levou os iugoslavos acabarem retirando sua candidatura e comprometerem definitivamente a organização: como poderia haver uma segunda parte se não haveria a primeira?
Sem tempo para estudar novos lances, Dr. Ewe declarou que "qualquer país que seja capaz de sediar o confronto, nas condições do arranjo inicial, será a sede". Nem assim: a maracutaia financeira promovida por Fischer assustara candidatos potenciais. Provavelmente por isso a FIDE não trocou duas propostas voando pela proposta na mão da Islândia em sediar os 24 jogos, ao valor da bolsa inicial. A decisão se mostrou correta quando Fischer concordou, dizendo que jogaria em Reikjavic ou "qualquer lugar do mundo livre", apesar de reclamar das dificuldades técnicas que poderiam surgir da transmissão televisiva do evento para seu país, que queria ver pela primeira vez um representante seu jogando pelo título.
Boris Spassky com vários dias de antecedência, desembarcou na Islândia, trazendo a comitiva habitual de acompanhantes e treinadores. Na coletiva para a imprensa, mostrou-se diplomático ao esquivar-se diante de provocações e subtons políticos: "enquanto estou sentado no tabuleiro de xadrez, sou um jogador, e não um político". Belas palavras, sobretudo quando a gente lembra o peso simbólico que o governo da U.R.S.S. depositava nessas disputas sobre os representantes do capitalismo. Os grandes enxadristas recebiam benefícios estatais em bens de consumo aos quais a população raramente tinha acesso. Uma reportagem da Life nesse período legendava assim uma foto de Spassky: “defenda aquele Volvo”, referindo-se ao seu carro importado. Em tempos de Guerra Fria, quisessem ou não, oficialmente ou não, os representantes dos sistemas econômicos que antagonicamente dividiam o mundo, carregariam esse fardo. Fischer não tinha carro e nem deu declaração nenhuma na coletiva porque... sumira, escafedera-se, sem dar sinal de vida. Provocação? Uma hipótese levantada de cara era a de estar criando uma guerra de nervos, para desestabilizar Boris Spassky. O histórico de seus enfrentamentos, com 3 vitórias para Spassky e 2 empates, fortalecia essa teoria. Fischer queria minar seu adversário antes do confronto.A gota d'água foi seu não comparecimento à cerimônia de abertura, provocando a ira dos soviéticos, que fizeram carga sobre Dr. Ewe, clamando que o jogo já havia começado. Ele concedeu um adiamento de 2 dias e mais nada, sob pena de desclassificação, para Fischer aparecer. Um inesperado acontecimento viria a tirá-lo de seu esconderijo: a oferta do milionário inglês James D. Slater de U$ 125.000 extras para ele jogar. Posto em xeque, Fischer não recuou (aliás, ficou bem contente com a oferta) e se mandou para a Islândia, apesar de ainda resmungar que "os ingleses estavam assumindo uma responsabilidade islandesa". Mais uma vez, Edmondson veio em sua defesa: "Ele é um profissional num país que não provê apoio estatal para enxadristas, e não deveria ser condenado por buscar o máximo retorno particular pelas suas atividades.", uma alfinetada a mais na já curta paciência dos soviéticos...
Tass, a agência de notícias soviética, divulgou então uma nota relativa ao nome de Spassky, onde declarava, entre muitos desaforos, que "(...) Fischer me insultou, pessoalmente, e à Federação de Xadrez da U.S.S.R., a qual represento. A opinião pública na U.S.S.R. e eu estamos indignados com a sua conduta. Sob todas as condições humanas, ele desacreditou-se completamente (...)", exigindo um pedido formal de desculpas. Mesmo assim, Spassky reafirmava, "eu ainda quero jogar o jogo, se houver uma solução". Pedido formal, realmente não houve; o que houve foi um pequeno texto, ignorado pelos soviéticos, por chegar em suas mãos mimeografado e não assinado. Fischer não gostava de assinar nada muito diferente das fichas de jogo... Dr. Ewe recuava, justificando-se que "se não tivesse violado as regras, não haveria jogo", enquanto passava o bastão de comando para o alemão Lothar Schmid, o árbitro da partida. Uma nova data foi agendada para o início do jogo. Como se a confusão fosse pouca, nesse meio tempo veio uma notícia de Moscou de que um computador estaria sendo usado em Nova Iorque para ajudar Fischer, recebendo as jogadas, calculando-as e respondendo. O que foi tido como ridículo, afinal, em 1972, os computadores ainda tinha pouca capacidade de processamento e jogavam muito pior do que qualquer mestre. Ainda seria preciso aguardar 25 anos até que o Deep Blue da IBM vencesse Gary Kasparov numa partida, levando o campeão a se levantar desnorteado da mesa. O interlúdio absurdo foi só o tempo suficiente para Fischer redigir suas desculpas formais:"Caro Boris, Por favor, aceite minhas mais sinceras desculpas pelo meu comportamento desrespeitoso em não comparecer à cerimônia de abertura. Eu simplesmente fui levado pela minha ridícula disputa por dinheiro com os organizadores islandeses. Eu ofendi você e seu país, a União Soviética, onde xadrez tem posição de prestígio. (...)"
Finalmente, após ajustes menores como a confecção de um tabuleiro com casas menores em relação às peças, o sorteio das peças foi possível, da maneira clássica e típica do xadrez, com Spassky escondendo uma peça de cada cor em suas mãos e oferecendo a Fischer para um sorteio. O americano ficou com as pretas, um fator a se considerar, porque quem joga com as brancas tem a iniciativa do jogo – algo decisivo para um enxadrista ofensivo como Bobby Fischer. As apostas do Lloyd de Londres davam-lhe uma pequena vantagem, quando ele chegou 7 minutos atrasado para o primeiro jogo e abriu com o cavalo do rei.
Ar do palco, ou o xadrez nos tempos da Guerra Fria
No 29º movimento do primeiro jogo, Spassky ofereceu o que se chama no jargão de um peão envenenado: uma peça de valor menor que é sacrificada em função de uma vantagem posicional posterior, e houve comoção no auditório quando, aparentemente fisgando a isca, Fischer comeu o peão. Este acabou sendo o movimento do jogo, e também seria o mais comentado, não fosse Bob Fischer ter levantado em seu 43º movimento e ficar fora do placo, discutindo e reclamando que a equipe de televisão estava o distraindo, por meia hora, com seu relógio contando o tempo. No 56º movimento, Fischer abandonou. Um a zero para Spassky.
As exigências de camuflagem e silenciamento dos aparelhos de transmissão aparentemente não tinham sido suficientes. O aparato em que foram montadas – andaimes dos lados do placo cobertos com papel de cor neutra, com buracos apenas para as lentes da câmera – estaria gerando muito barulho ao ouvidos do ultra concentrado Bob Fischer, que simplesmente avisou que se as câmeras não fossem removidas, ele não jogaria mais, e que não havia assinado nenhum contrato o obrigando a jogar em condições desagradáveis. Schmid, treinado em Direito, retrucou que desde que começara a partida sem objeções, havia sido considerado legalmente de acordo com as regras, que previam as instalações exatamente como elas se encontravam. Mas Fischer manteve-se inflexível, ameaçando um boicote na próxima partida.
Dois dias depois, nem sinal seu até a hora do jogo: Fischer trancara-se em seu quarto de hotel e parecia mais interessado no seriado Missão: Impossível do que no título mundial. Spassky chegou pontualmente, sentou-se, e aguardou Lothar Schmid disparar o relógio de seu adversário no horário programado. Às 5 e meia da tarde, com meia hora de jogo corrido – bem, corrido não é a melhor palavra: depois de cinco minutos cansado de encarar o vazio, Spassky também se levantou e foi para os bastidores, deixando uma aparvalhada malta de espectadores observando a incomum cena do ponteiro girando sobre um tabuleiro de xadrez, ocupado por dois fantasmas – o advogado de Bobby Fischer conseguiu convencer o advogado da companhia responsável por televisionar o jogo a remover as câmeras apenas por aquele jogo. Deu-se então uma corrida para tirar Fischer do hotel e leva-lo até o auditório, mas nesse ínterim passou-se um hora, exatamente o tempo suficiente para que Schimd declarasse Spassky vencedor daquela partida, por falta.
O resultado deixou Fischer muito agitado, pois não conseguira o que reivindicara na hora do jogo (que seu relógio fosse zerado quando de sua chegada lá) nem antes (que as câmeras fossem removidas). Torna-se particularmente irritante o comportamento de Bobby com relação à retirada incondicional das câmeras ao se lembrar que desde o começo ele havia reclamado, além da bolsa, o pagamento de uma fração dos lucros com a transmissão para a Tv, e bem antes, que houvera colocado como restrição à realização do jogo na Islândia a baixa qualidade das transmissões televisivas daquele país. De qualquer forma, ao correr o risco de ver seu programa ir por água abaixo, os produtores providenciaram alguns ajustes para agradar Fischer; por exemplo, apenas um operador seria alocado por câmera, o qual não usaria sapatos ou carregaria moedas ou objetos chacoalhantes nos bolsos. Na noite do segundo jogo, Fischer fez chegar às mãos dos organizadores uma queixa formal relativa às condições “grosseiramente inferiores aos mínimos padrões” de um jogo pela disputa do título mundial.
A resistência de Fischer incomodava muita gente, dos organizadores que não sabiam o que fazer se ele insistisse em faltar os jogos – como dividir a bolsa? – passando pelos freqüentemente insultados operadores de câmera, pelo dono dos direitos de transmissão, que sentia lesado, até Boris Spassky, à essas alturas chateado com atrasos e adiamentos, sem mostrar o bom humor dos primeiros dias – o que fortalecia a teoria da guerra de nervos. Mas o padre William Lombardy, segundo de Fischer (uma espécie de sparring de enxadristas, responsável por incentivar o desafiante, treiná-lo, e passar a noite analisando as possibilidades de jogos interrompidos por motivos de tempo), bolou uma solução hábil: iniciar uma campanha de telegramas a partir dos Estados Unidos, pedindo para Fischer ir jogar e representar seu país. O resultado foi volumosos o suficiente para alterar o humor do jogador, em particular, um telefonema especial: de Henry Kissinger. Preocupado em tocar o campeonato, Lothar Schimd também buscou atalhar uma solução ao alterar o local da próxima partida para uma salinha de ping pong, sem auditório e sem equipamentos além das com câmeras de circuito interno, contra as quais Fischer não tinha objeções. No que foi posteriormente analisado como um erro, Boris Spassky aceitou a transferência, e a terceira partida acabou sendo realizada na salinha de ping pong, com o mesmo tabuleiro de mármore italiano cinza e ardósia verde islandesa. Fischer apareceu com seu atraso habitual – sempre atrasava, ou porque estava escolhendo um paletó, ou porque esquecera uma caneta para escrever suas jogadas na ficha, ou porque tinha que levar comida – passou um tempo fiscalizando as câmeras de circuito interno, e finalmente sentou-se para jogar.No movimento mais incomum, o 11º, Fischer tirou da cartola mais uma de seu repertório de jogadas inusitadas, ilógicas e inesperadas, ao colar seu cavalo na lateral do tabuleiro. Nada coloca um mestre em maior desconforto do que ver seu oponente admitir uma variação aos movimentos de uma abertura ou uma defesa clássicas, por exigir dele maior tempo de análise das possibilidades e busca na memória de alguma situação similar. Como freqüentemente inovava em seus movimentos, Fischer ainda levava a vantagem do tempo a pressionar Spassky, que ao esquentar os miolos imaginando porque Fischer fizera aquilo, fazia seu relógio correr. O posicionamento do cavalo na lateral do tabuleiro é especialmente inesperado porque, na ausência de impedimentos, um cavalo pode se mover para 8 posições diferentes, e, na lateral, apenas 4, limitando deliberadamente seu raio de ação.
A partida acabou com o abandono de Spassky, na primeira vitória de Fischer do torneio. Até quando o fato de estar dois pontos atrás abalaria a disposição de Fischer? Até quando a confiança de Spassky havia sido traída por aquela derrota? Com o retorno das partidas ao auditório original, no quarto jogo, questionamentos como esses passaram a ser o foco das atenções, demonstrando que, finalmente, o centro da disputa voltara para o tabuleiro de xadrez, mais do que qualquer injunção política ou financeira. Novos ajustes foram feitos para deixar o equipamento de transmissão praticamente imperceptível, com sucesso, afinal Fischer ficaria furioso ao saber que o 8º jogo havia sido filmado apesar de suas restrições... Os advogados que representavam a rede de televisão, demonstrando a completa exasperação de seus contratados, prometiam processar Fischer, arrancando-lhe “cada centavo possível”.
Na quinta partida, o placar já era um empate em 2 ½ a 2 ½. Na sexta, Bobby forçaria o abandono, ao invés do empate buscado por Spassky, causando um estrago psicológico no campeão. Tinha virado um jogo que começara 2 pontos atrás. Spassky, geralmente um sujeito afável e sociável, estava se tornando um homem estranho, evitando contatos, conversando com poucos. Segurar a bandeira da U.S.S.R. era um peso a mais numa hora dessas, porque os representantes soviéticos eram praticamente as únicas pessoas com quem ele conversava. No 8º jogo, o tal televisionado à revelia de Fischer, o placar estava em 5 a 3 para o americano, que em determinado momento pôde ser visto tranqüilamente girando em sua cadeira, enquanto Spassky encarava firmemente o tabuleiro e passava repetidamente a mão no cabelo – uma ato de desespero. No dia seguinte à sua conclusão, uma notícia comum chegou aos espectadores: Spassky pedira adiamento do próximo jogo. Como Taimanov. Como Larsen. Como Petrosian.

Ar do palco
Mas o urso das estepes não se daria por vencido tão cedo, e no 11º jogo conseguiria que Fischer abandonasse o jogo, reduzindo a vantagem de 3 para 2 pontos, num placar de 6 ½ a 4 ½. Eram apenas 2 pontos, ou seja, duas vitórias, e daí para a frente poderia jogar pelo empate até fechar os 12 pontos que lhe garantiriam a permanência do cinturão. Só que no 12º jogo, Fischer estendeu por várias jogadas uma situação de igualdade que poderia ter sido declarada por Schimd como empate bem antes, talvez... cansando Spassky, valendo-se da diferença de 6 anos de idade entre eles. Enquanto isso, continuava com suas intermináveis declarações contra as condições de jogo inadequadas, contra o ruído que o público fazia no auditório, com a ineficiência do árbitro alemão, que se limitava a iluminar o aviso de SILÊNCIO, sem maiores medidas disciplinadoras e assim por diante. Nada que abalasse a disputa, em pleno curso naquele momento.
Durante a 17º partida, um empate que levou o placar para 10 a 7 (aproximando perigosamente Fischer dos 12 ½ pontos) os russos acusaram os americanos de estarem usando “dispositivos eletrônicos e uma substância química” para enfraquecer Boris Spassky. A cadeira de Fischer, a mesma cadeira giratória em cromo e couro que Fischer usara contra Petrosian, na Argentina, e a iluminação especialmente instalada e verificada pelos contestantes foram mencionados, e o jogador norte-americano foi acusado de usar meios psicológicos para “desbalancear o Sr. B. Spassky e fazê-lo perder seu espírito de lutador”. Era um daqueles momentos nem tão raros da Guerra Fria em que qualquer, mas qualquer coisa mesmo!, era válida para provar que o nosso lado é melhor do que o deles, e o senso de ridículo é o primeiro a ir para a sarjeta. Schmid não quis saber de dar mole para malandro e mandou investigar timtim por timtim: revirou de cima para baixo as cadeiras no Raio X, e nada. Submeteu amostras à análise química, sem detectar nenhuma anomalia. Procurou no equipamento luminoso – e enfim encontrou uma prova: duas moscas mortas. O ponto alto do show foi quando um químico adentrou o local, sacudiu um saco plástico na sala de jogo, e em seguida selou-o, escrevendo numa etiqueta: “Ar do palco”.
Para não perder o hábito, enquanto isso, Fischer exigia a remoção das sete primeiras fileiras de cadeiras, pedido imediatamente recusado pelos soviéticos, que procuravam qualquer meio para enfraquecer o que já assumia ares de inevitável. Inevitável nessa altura, porque todas as chances anteriores de bloquear o andamento ou recusar-se a jogar haviam sido desperdiçadas; tivesse Spassky se recusado a colocar o título em disputa quando Fischer não apareceu para a cerimônia de abertura, feito as malas e voltado para a Rússia, poucos se atreveriam a acusá-lo de fujão, mau perdedor ou seja o que fosse, e assim inúmeras outras concessões que agora soavam como prejuízo. Fischer escapava das armadilhas de Spassky a cada jogo, conduzindo-o habilmente para empates a lhe somar meios pontos, que no final de uma série amealhariam inexoravelmente a vitória definitiva. Foi assim no 18º, 19º e 20º jogos, apesar do duro ataque do russo no último. A um ponto ou 4 partidas do encerramento, muitos islandeses já tinham recolhido o dinheiro das apostas e fechado uma explicação convincente para a mágica dos movimentos de Fischer, que punha em parafusos os soviéticos. Elfos.
Spassky teria insultado ou ofendido os elfos em algum momento de sua estadia islandesa, ou durante o jogo. Mais ou menos como com o Saci Pererê em algumas cidades do interior do Brasil, os islandeses também acreditavam na capacidade de retaliação dessas criaturinhas quando importunadas, ou quando não tem seus desejos satisfeitos, sob pena de má sorte, dor de cabeça, ou mesmo... desastre. O aeroporto de Akureyri, por exemplo, teve inúmeros problemas durante sua construção, problemas que pareciam não cessar em surgir, e dizia-se que, por ter sido construído próximo das moradias dos elfos, importunando-lhes, sofria suas retaliações continuamente. Teria sido feito então, um acordo com o elfo-chefe, interrompendo as obras por um ano, até que os elfos encontrassem um novo lar. O aeroporto, pôde, enfim, ser concluído. Do mesmo modo, Spassky devia fazer alguma reparação aos elfos que houvera ofendido, provavelmente os mesmos elfos com quem Fischer deve ter cruzado numa madrugada voltando da Base Militar Norte-americana (onde ia jogar boliche), e feito um acordo várias semanas antes...
Epílogo: 30 anos ontem à noite
Fischer acabou ganhando a 21º partida, a que lhe garantiu os pontos e o título mundial. Spassky retornou para a Rússia, onde ficou por mais alguns anos, até se mudar para a França, onde ainda mora, com sua família, agora cidadão francês.
De acordo com as regras da FIDE, três anos depois, em 1975, o campeão era obrigado a colocar o título em jogo. Na verdade, Fischer já dera inúmeras declarações muito antes de ganhá-lo afirmando que quando o título fosse dele não esperaria os 3 anos regulamentares; colocaria o título em jogo uma vez por ano, sempre em algum lugar especial cobrando bolsas caras. De certa maneira, ele queria fazer com o xadrez o mesmo que Mohamad Ali fizera com o boxe: popularizá-lo, divulgá-lo pelo mundo, elevando os lucros dos esportistas. Mentalidade de empresário ou não, o impacto de Fischer foi, dentro das proporções, como o impacto de Michael Jordan no basquete: houve um bum na venda de livros, revistas e tabuleiros de xadrez nas lojas de departamento norte-americanas em meados dos anos 70, além do crescimento do número de jogadores de xadrez em seu país.
Mas Fischer acabou não capitalizando seu sucesso, não jogou xadrez num estádio em Las Vegas uma vez por ano, e continuou na sua vida de nômade fugitivo, nos anos que se seguiram ao confronto. Não disputou o título em 1975 porque a FIDE recusou-se a cumprir todas as exigências de sua infindável lista, tomando-lhe a faixa (como Mohamad Ali) e entregando-a ao desafiante, o russo Victor Korchnoi.
Em 1981, foi preso por engano, confundido com um meliante, por vagabundagem, na prisão de Pasadena, onde passou 2 dias e recontou o episódio num folhetim que acabou se tornando uma raridade entre seus fãs, "I Was Tortured in the Pasadena Jailhouse!", com passagens que não devem nada à certas delegacias terceiro mundistas. Entre 1980 e 1990, foi visto em vários lugares do mundo, tendo sido localizado em lugares tão diferentes como Japão, Filipinas, Praga, Hungria, Pasadena (Califórnia) e até no Brasil, sempre fugindo de jornalistas, sempre morando na casa de amigos enxadristas cada vez mais raros, porque bania de suas relações qualquer um que repassasse mínimas informações acerca dele. Mandou retirar todas as obturações de seus dentes por receio dos russos transmitirem raios que interfeririam em seu cérebro de através das peças de metal em sua boca, e continuou fazendo declarações anti-judaicas, como em toda sua vida.
Em 1992, foi convidado por um milionário iugoslavo chamado Vasiljevic que oferecera a bolsa de U$ 5 milhões para reprisar o jogo de 20 anos antes (a ser dividida entre vencedor e perdedor), numa melhor de 10 contra Boris Spassky, na ilha de Sveti Stefan, de sua propriedade, comprada do governo montenegrino por U$ 570 milhões. Como nessa época desenrolava-se o conflito na Bósnia, qualquer americano havia sido proibido de realizar negócios com a Bósnia e Montenegro, e Fischer recebeu ordem de prisão do governo norte-americano por ter ido para a Iugoslávia. Sua reação foi uma cusparada sobre a ordem de prisão, em coletiva para a imprensa antes do jogo: "Essa é a minha resposta". Boris Spassky ficou muito contente de ter saído do esquecimento e ganhar alguns milhões de dólares para perder para Fischer, pois reconhecia-se fora de forma há muito tempo. Fischer acabou vencendo um jogo que não se notabilizou pela técnica nem pela solenidade, já que ambos os enxadristas podiam ser vistos rindo e falando ao longo das partidas.
Em 1998, Fischer foi acusado de falta de pagamento pela empresa contratada por tomar conta de seus bens nos E.U.A., desfazendo sua coleção enorme de quinquilharias juntadas ao longo da vida. Bob Ellswoth, a pessoa responsável por depositar a quantia anual referente à guarda dos bens, subitamente parou de fazer o depósito, dizia-se porque Fischer não tinha mais dinheiro, ou porque o tal milionário iugoslavo não lhe havia pago a bolsa, ou ainda porque o prêmio recebido havia sido depositado no Yugoskandic Bank, que foi à bancarrota logo depois, perdendo tudo. Os bens – entre os quais alinhavam-se uma coleção de gibis antigos mexicanos, pôsteres de filmes japoneses dos anos 60, um saco de dólares de prata, estatuetas, presentes do ditador filipino Ferdinand Marcos – foram a leilão, deixando Fischer inconsolável com a perda e proibido de entrar nos E.U.A.Em 2001, fez declarações em uma rádio filipina apoiando o atentado de 11 de setembro sobre as torres do World Trade Center: “... todos os crimes que os E.U.A. cometeram no mundo. Isso só mostra que o que vai, volta, mesmo em relação aos E.U.A. Eu aplaudo o ato...” Na mesma época, surgiu um rumor na Internet de que Fischer havia voltado a jogar xadrez anonimamente, com pseudônimo via Internet Chess Club. O rumor partiu da entrevista de um jogador inglês que disse ter sido apresentado a um exímio enxadrista anônimo, por quem foi rapidamente derrotado, e com quem trocou algumas palavras. Segundo ele, o enxadrista revelara informações que só poderiam ser do conhecimento de Bobby Fischer (ou, pelo menos, de algum fã seu).
Seu paradeiro atual é ignorado.
:::: Para ir além
>> A melhor reportagem sobre a disputa do século está no livro Fischer/Spassky: The New York Times report of the chess match of the century, de Richard Roberts, Harold C. Shonberg, Al Horowitz e Samuel Reshevsky, editado pela Bantam Books em 1972.
>> Fischer inspirou um filme no qual aparece como referência, Searching for Bob Fischer.
>> BobbyFischer.Net é o melhor repositório de informações sobre ele na Internet.
>> Internet Chess Club, para quem quer se arriscar a esbarrar (virtualmente) no ex-campeão.
>> Regras do Xadrez - Ensina, de forma simplificada, as regras do jogo de xadrez.
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