Portugal "O País Que Não Devia Ser Desenvolvido"
Friday, October 20, 2006 8:24:00 PM
PORTUGAL FEZ TUDO ERRADO, MAS CORREU TUDO BEM.
Esta é a conclusão de um relatório internacional recente sobre o
desenvolvimento português .
Havia até agora no mundo países desenvolvidos, subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Mas, acabou de ser criada, uma nova categoria: os
países quenão deveriam ser desenvolvidos. Trata-se de regiões que fizeram tudo o
que podiam para estragar o seu processo de desenvolvimento e... falharam.
Hoje são países industrializados e modernos, mas por engano. Segundo a
fundação europeia que criou esta nova classificação, no estudo a que o DN
teve acesso, este grupo de países especiais é muito pequeno. .Alias, tem
mesmo um só elemento: Portugal
A Fundação Richard Zwentzerg (FRZ), iniciou há uns meses um grande
trabalho sobre a estratégia económica de longo prazo. Tomando a evolução global
da segunda metade do século XX, os cientistas da FRZ procuraram isolar as
razões que motivavam os grandes falhanços no progresso. O estudo,
naturalmente, pensava centrar-se nos países em decadência. Mas, para grande
surpresa dos investigadores, os mais altos índices de azelhice económica
foram detectados em Portugal, um dos países que tinha também uma das
mais elevadas dinâmicas de progresso.
Desconcertados, acabam de publicar, à margem da cimeira de Lisboa, os
seus resultados num pequeno relatório bem eloquente, intitulado:
"O País Que Não Devia Ser Desenvolvido"
O Sucesso Inesperado dos Incríveis Erros Económicos Portugueses.
Num primeiro capítulo, o relatório documenta o notável comportamento da
economia portuguesa no último meio século. De 1950 a 2000, o nosso produto
aumentou quase nove vezes, com uma taxa de crescimento anual sustentada de
4,5 por cento durante os longos 50 anos. Esse crescimento aproximou-nos
decisivamente do nível dos países ricos. Em 1950, o produto de Portugal
tinha uma posição a cerca de 35 por cento do valor médio das regiões
desenvolvidas. Hoje ultrapassa o dobro desse nível, estando acima dos 70 por
cento, apesar do forte crescimento que essas economias também registaram no
período.
Na generalidade dos outros indicadores de bem-estar, a evolução
portuguesa foi também notável.
Temos mais médicos por habitante que muitos países ricos. A mortalidade
infantil caiu de quase 90 por mil, em 1960, para menos de sete por mil
agora. A taxa de analfabetismo reduziu-se de 40 por cento em 1950 para dez
por cento.
Actualmente a esperança de vida ao nascer dos portugueses aumentou 18
anos no mesmo período. O relatório refere que esta evolução é uma das mais
impressionantes, sustentadas e sólidas do século XX. Ela só foi ultrapassada
por um punhado de países que, para mais, estão agora alguns deles em graves
dificuldades no Extremo Oriente. Portugal, pelo contrário, é membro activo e
empenhado da União Europeia, com grande estabilidade democrática e solidez
institucional. Segundo a FRZ, o nosso país tem um dos processos de
desenvolvimento mais bem sucedidos no mundo actual.
Mas, quando se olha para a estratégia económica portuguesa, tudo parec
ser ao contrário do que deveria ser. Segundo a Fundação, Portugal, com as
políticas e orientações que seguiu nas últimas décadas, deveria agora estar
na miséria. O nosso país não pode ser desenvolvido. Quais são os factores
que, segundo os especialistas, criam um desenvolvimento equilibrado e
saudável? Um dos mais importantes é, sem dúvida, a educação.
Ora Portugal tem, segundo o relatório, um sistema educativo horrível e
que tem piorado com o tempo. O nível de formação dos portugueses é ridículo
quando comparado com qualquer outro país sério. As crianças portuguesas
revelam níveis de conhecimentos semelhantes às de países miseráveis. Há
falta gritante de quadros qualificados. É evidente que, com educação como
esta, Portugal não pode ter tido o desenvolvimento que teve. Um outro
elemento muito referido nas análises é a liberdade económica e a
estabilidade institucional. Portugal tem, tradicionalmente, um dos sectores
públicos mais paternalista, interventor e instável do mundo, segundo a FRZ .
Desde o "condicionamento industrial" salazarista às negociações com
grupos económicos actuais, as empresas portuguesas vivem num clima de
intensa discricionariedade, manipulação, burocracia e clientelismo. O
sistema fiscal português é injusto, paralisante e está em crescimento
explosivo. A regulamentação económica é arbitrária, omnipresente e
bloqueante.
É óbvio que, com autoridades económicas deste calibre, diz o relatório,
o crescimento português tinha de estar irremediavelmente condenado desde o
início. O estudo da Fundação continua o rol de azelhices, deficiências e
incapacidades da nossa economia. Da falta de sentido de mercado dos
empresários e gestores à reduzida integração externa das empresas; da
paralisia do sistema judicial à inoperância financeira; do sistema arcaico
de distribuição à ausência de investigação em tecnologias. Em todos estes
casos, e em muitos outros, a conclusão óbvia é sempre a mesma : - Portugal
não pode ser um país em forte desenvolvimento.
Os cientistas da Fundação não escondem a sua perplexidade.
Citando as próprias palavras do texto:
"Como conseguiu Portugal, no meio de tanta asneira, tolice e
desperdício, um tal nível de desenvolvimento?"
A resposta, simples, é que ninguém sabe.
Há anos que os intelectuais portugueses têm dito que o País está a ir
por mau caminho. E estão carregados de razão. Só que, todos os anos, o País
cresce mais um bocadinho. A única explicação adiantada pelo texto, mas que
não é satisfatória, é a incrível capacidade de improvisação, engenho e
"desenrascanço" do povo português. No meio de condições que, para qualquer
outra sociedade, criariam o desastre, os portugueses conseguem
desembrulhar-se de forma incrível e inexplicável.
O texto termina dizendo:
"O que este povo não faria se tivesse uma estratégia certa?".
Roubado» wickedlizard








C.Felipecafesote # Friday, October 20, 2006 8:38:53 PM
Ricardo FerreiraRichardCooper # Friday, October 20, 2006 8:45:56 PM