Skip navigation.

Log in | Sign up

photo of Ricardo Ferreira

Web inside.pt.vu (",)

Amores, perdições e outras anotações (",) If you like it... Spotligh

Posts tagged with "Cronicas"

É a Universidade,estúpido

, , , ...


Os membros do Departamento de Sociologia da Educação da Universidade do Minho são pessoas graves. Aposto até que, como no poema de Fernando Lemos, vão para a Universidade de ambulância para que ninguém duvide da sua gravidade. Por isso, com eles não se brinca. Nem com eles nem com os "nossos governantes e a Igreja". Daí que, segundo os jornais, tenham obrigado um professor a fechar os seus blogues, onde (coisa "desprestigiante" para a imagem, ou lá o que é, do prussiano Departamento) se publicavam sátiras e críticas. O professor terá ainda sido "aconselhado" a não aparecer em "iniciativas ligadas ao humor", o que teve que acatar pois é contratado a prazo e tem, como diz, que "pensar na família".

No tal Departamento desconhece-se que o humor é uma forma de lucidez e lê-se, pelos vistos, pouco. Pelo menos não se lê Jankelevich ("le humour est la chose la plus sérieuse du monde"). Censura? Não, explica o venerável director do venerável Departamento, já que o visado fechou os blogues "de livre vontade". Eu, que sou do tempo das Comissões de Censura, posso testemunhar que também nesse venerável tempo os "conselhos" dos censores eram aceites de livre vontade, quanto mais não fosse porque jornalistas e escritores (e humoristas) tinham igualmente família.


Fonte» Manuel Antonio Pina, escritor e cronista no JN

O "resto do tempo"

, ,

Originally posted by Manuel António Pina, Escritor e cronista do Jornal de Noticias:

Estando eu casado vai para 40 anos, estarei a dever, pelas contas de monsenhor Luciano Guerra, reitor do Santuário de Fátima, 13 socos à minha mulher. Em bom rigor talvez não seja bem uma dívida, pois parece que, teologicamente, não serei obrigado a bater-lhe; é antes aquilo que em Direito se chama de "obrigação natural".

As contas vêm numa entrevista que monsenhor dá à última NS "Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos". O problema da mulher que leva todas as semanas fica a aguardar melhor prova. Já quanto a saber se socos de três em três anos, ou "agressões pontuais", justificarão o divórcio, o piedoso sacerdote não tem dúvidas: "Eu, pelo menos, se estivesse na parte da mulher que tivesse um marido que a amava verdadeiramente no resto do tempo, achava que não". O problema não está, pois, em o marido dar uns socos ou uns pontapés à mulher (ou a mulher ao marido), está "no resto do tempo". E o mesmo se poderá provavelmente dizer de outras violações dos deveres conjugais.

Uma escapadela de três em três anos ficará assim ressalvada se o marido (ou a mulher) "amar verdadeiramente" o cônjuge no "resto do tempo", ou, pelo menos, quando não está no motel com a (ou com o) amante.



Fonte» JN.pt

Meu tipo inesquecível

,

Quando eu era criança, costumava ler uma revista que meus pais assinavam; tinha uma sessão chamada “Meu tipo inesquecível” – onde pessoas comuns falavam de outras pessoas comuns que haviam influenciado suas vidas. Claro que àquela altura, com nove ou dez anos, eu também havia criado o meu personagem marcante. Por outro lado, tinha certeza que no decorrer dos meus anos este modelo iria mudar, portanto resolvi não escrever à tal revista submetendo minha opinião (fico imaginando hoje como eles teriam recebido a colaboração de uma pessoa com a minha idade na época).

Os tempos passaram. Conheci muita gente interessante, que me ajudou em momentos difíceis, que me inspirou, que me mostrou caminhos que eram necessários trilhar. Entretanto, os grandes mitos da infância sempre provaram ser mais poderosos; passam por períodos de desvalorização, de contestação, de esquecimento – mas permanecem, surgindo nas ocasiões necessárias com seus valores, seus exemplos, suas atitudes.

Meu tipo inesquecível chamava-se José, irmão mais jovem do meu avô. Jamais se casou, foi engenheiro durante muitos anos, e quando se aposentou, resolveu viver em Araruama, cidade vizinha ao Rio de Janeiro. Era ali que toda a família ia passar as férias com as crianças; tio José era solteiro, não devia ter muita paciência para aquela invasão, mas este era o único momento em que podia dividir um pouco de sua própria solidão com os sobrinhos-netos. Era também inventor, e para acomodar-nos, resolveu construir uma casa onde os quartos só apareciam durante o verão! Apertava-se um botão e do teto desciam as paredes, dos muros saiam as camas e as penteadeiras, e pronto; quatro dormitórios para acomodar os recém-chegados. Quando terminava o carnaval, as paredes subiam, os moveis tornavam a entrar nos muros, e a c! asa voltava a ser um grande galpão vazio, onde costumava guardar material de sua oficina.

Construía carros. Não apenas isso, mas fez um veículo especial para levar a família à Lagoa de Araruama – uma mistura de jipe com trem sobre pneus. Íamos ao banho de mar, convivíamos com a natureza, brincávamos o dia inteiro, e eu sempre me perguntava: “mas por que ele vive aqui sozinho? Tem dinheiro, podia viver no Rio!” Contava histórias de suas viagens aos Estados Unidos, onde trabalhara em minas de carvão e se aventurara a lugares nunca antes visitados. A família costumava dizer: “é tudo mentira”. Vivia vestido de mecânico, e os parentes comentavam: “precisava de roupas melhores”. Assim que a televisão entrou no Brasil, comprou um aparelho que colocava na calçada, de modo que a rua inteira pudesse assistir aos programas.

Ensinou-me a amar as escolhas feitas com o coração. Mostrou-me a importância de fazer o que se deseja, independente do que os outros comentem. Acolheu-me quando, adolescente rebelde, tive problemas com meus pais. Um dia ele disse-me:

- Inventei o hidramático (câmbio automático de mudança de marchas em um carro). Fui a Detroit, entrei em contato com a General Motors, me ofereceram 10.000 dólares na hora ou 1 dólar por carro vendido com este novo sistema. Peguei os dez mil dólares e vivi os anos mais fantásticos de minha vida.

A família dizia: tio José vive inventando coisas, não acreditem. E, embora tendo uma grande admiração por suas aventuras, por seu estilo de vida, por sua generosidade, não acreditei nesta história. Contei para o jornalista Fernando Morais apenas porque tio José era e é meu tipo inesquecível.

Fernando resolveu conferir, e eis o que achou (o texto está editado, pois é parte de um grande artigo):

“O primeiro câmbio automático foi inventado pelos irmãos Sturtevant de Boston em 1904. O sistema não funcionava a contento porque os pesos freqüentemente se afastavam muito. Mas foi a invenção dos brasileiros Fernando Iehly de Lemos e José Braz Araripe, vendida à GM em 1932, que contribuiu para o desenvolvimento do sistema hidramático lançado pela GM em 1939.”

Com milhões de carros hidramáticos sendo produzidos todos os anos, a família – que nunca acreditava em nada, e achava que tio José se vestia mal – teria ficado com uma fortuna incalculável. Que bom que ele gastou os seus dez mil dólares em anos felizes!

FONTE» www.warriorofthelight.com


Eleiçoes no Brazil vistas pelo exterior

, , ,

A reeleiçãomais difícil

Francisco José Viegas, Escritor

Lula diz que o próximo domingo é dia de "onça beber água". O presidente brasileiro acha que vai ganhar no próximo domingo e está cheio de razão, mas não se sabe se haverá segunda volta. As sondagens dão-lhe um avanço considerável contra um adversário fraco ou, pelo menos, enfraquecido. Geraldo Alckmin não é José Serra nem Fernando Henrique - mas é o candidato.

Há uma razão para que haja segunda volta o Brasil não merece, apesar de tudo, ter Lula eleito sem passar por essa prova. Seria humilhante para o país que Lula pudesse reentrar no Planalto sem ser acusado, de frente, do maior espectáculo de corrupção promovido pelo poder político, desde há muitos anos, no Brasil. Por menos do que isto - os últimos dois anos do governo de Lula - Fernando Collor foi deposto em Brasília. Mas Collor não tinha a rua; e Lula tem a rua, como um pequeno Maquiavel populista, acobertado por organizações do "petismo" ou subvencionadas pelo PT, o seu partido, que quis ser o equivalente brasileiro do PRI mexicano.

O espectáculo do "mensalão", o escândalo dos "sanguessugas", a tentativa totalitária de o PT se apoderar de toda a máquina do Estado (banco central incluído), o encobrimento de casos de homicídio, corrupção e nepotismo (que incluiu os próprios filhos de Lula, que receberam fundos públicos para os seus negócios), a política externa indigente, o falhanço total de políticas desastrosas (que eram apenas marketing, como se provou) como o programa "fome zero" ou o "primeiro emprego" ou ainda a mediocratização da universidade e do sistema de ensino - são apenas alguns aspectos do consulado de Lula. Eles não bastam para confirmar o que estava previsto desde o primeiro dia da sua eleição, ou até antes. É preciso também enumerar os membros de um vasto comité que se apoderou do aparelho de estado à boa maneira estalinista, confundindo partido e Estado, interesses do partido e interesses do país José Dirceu, José Genoíno, Sílvio Pereira, Delúbio Soares, Antonio Palocci, Luiz Gushiken e muitos outros participaram desse espectáculo deprimente, cada um à sua maneira, ou enriquecendo as suas empresas, ou canalizando dinheiros perigosos para a máquina do partido e seus interesses, ou aceitando a inevitabilidade da corrupção.

Lula, que evita ser conotado com o seu partido, mas que recebe o apoio de Collor, de Sarney, de Delfim Netto, dos evangélicos e das oligarquias do PMDB, é a face de uma das últimas derrotas da esquerda. Falharam as suas bandeiras acerca da superioridade moral da esquerda e dos seus valores; foi nítida a sua falta de preparação política para exercer um cargo a que foi catapultado pelo messianismo político, sempre vivo no Brasil. Em todo o mundo, Lula serviu para mostrar que o antigo torneiro mecânico de São Bernardo do Campo, o retirante do Nordeste, podia chegar à presidência e vingar os pobres e os humilhados. Essa imagem era perfeita e belíssima - mas transportava consigo, nos acompanhantes do "palanque presidencial", o gérmen da sua própria destruição.

A base política e operacional de Lula, a que fabrica dossiês falsos para incriminar os adversários, a que se apodera dos dinheiros do estado, a que tenta dominar o aparelho da justiça e dos média (através de declaradíssimos instrumentos de censura à imprensa que culminaram, inclusive, na tentativa de expulsar jornalistas estrangeiros), vão dizer-me, não é a esquerda. Pode não ser. Mas não é a esquerda que está em causa. É um país varrido pela corrupção e pelas práticas políticas mais indecorosas. Lula devia ser obrigado a ir à segunda volta. E aí nunca se sabe.

Francisco José Viegas escreve no JN, semanalmente, às segundas-feiras

Fonte» Jornal de Noticias

How the human being answers to the changes?

, ,

Como o ser humano responde às mudanças?

Mal. Sempre muito mal. Um dos mitos mais difundidos no mundo inteiro – o mito do vampiro – reflete essa idéia.

O que é um vampiro? É alguém que, em determinado momento de sua existência, tornou-se imortal. Ou seja, a partir daquele momento seu corpo não mais irá seguir o curso normal da natureza; será jovem para sempre, pode viver o tempo que quiser, sem ter que lidar com os problemas relacionados à idade.

Seu único regime é um pouco de sangue todos os dias, e seu único cuidado com a pele é evitar a luz do sol – mas afinal, isso é um preço muito pequeno diante de todas as possibilidades de uma vida eterna.

Exceto por uma coisa: ele parou no tempo, mas o mundo continua a se transformar ao seu lado. Tudo aquilo com que estava acostumado começa a mudar, e mesmo tendo todo o tempo do mundo para adaptar-se a essas mudanças, o vampiro desejou a imortalidade justamente porque estava contente com o mundo em que vivia; ele não tem nenhum interesse em acompanhar estas mudanças.

Imaginemos um ser humano que tenha se tornado vampiro logo no final da Copa do Mundo de 1986. Podia fumar sem problemas nos aviões, não precisava quebrar a cabeça para escolher o canal de televisão para assistir – afinal as escolhas não eram muitas. Tinha uma atriz como seu símbolo sexual, entendia de carburadores, lutava por seu ideal socialista, convencido que em breve a União Soviética iria ter governantes mais capazes, e os sonhos do povo (chamado de proletariado) seriam finalmente respeitados.

Um belo dia se apaixona por uma estudante de sociologia de 22 anos. Admira sua beleza, seu entusiasmo, seu idealismo. Sugere transformá-la em vampira, mas ela recusa – viu muitos filmes de horror. Também está apaixonada, não deseja perdê-lo, mas impõe uma única condição para seguir adiante com o relacionamento: que ele jamais chupe seu sangue. O vampiro não tem outra escolha além de cumprir sua palavra. Casa-se no civil, para evitar crucifixos mortais.

Vinte anos se passam – voando, pois aconteceram apenas quatro outras Copas do Mundo. A antiga universitária agora tem 42 anos, trabalha em um banco (problemas de desemprego), ou está escrevendo inúteis teses de mestrado, doutorado, apenas para justificar sua vida de estudante profissional. Os carburadores desaparecem da face da terra. Horrorizado, folheia uma revista e vê atriz que era seu símbolo sexual transformada em um produto híbrido, composto de plástica, botox, silicone, revestidos por toneladas de maquiagem no rosto. Sente-se culpado de ter 200 canais de TV, e assistir apenas aos mesmos de sempre.

A União Soviética desmoronou-se. Foi obrigado a abandonar seu amado cigarro (embora não afetasse sua saúde, é bom lembrar que o vampiro é imortal), porque se tornou impossível fumar, seja por causa de leis, seja por causa dos olhares dos vizinhos nos restaurantes. E o que é pior: todo mundo fala em chat, internet, iPod, rave, etc. O vampiro tenta se atualizar, mas tudo parece absolutamente complicado, irritante, fora de propósito. Olha para o computador como se olhasse para um dente de alho – com horror e impotência, jamais irá conseguir manejar aquilo, embora tenha tentado algumas vezes.

Seus amigos estão aposentados, passam os dias jogando baralho – eles tampouco sabem lidar com computador, mas não se incomodam, o grupo envelheceu junto, tem os mesmos interesses, podem dividir experiências.

O vampiro continua jovem. Imortal. Agora tem diante de si a depressão eterna. Tenta suicídio, saindo em pleno sol ou olhando crucifixos, só para descobrir que eram mitos criados pela igreja, e não lhe causam nenhum mal.

Resta-lhe apenas um consolo: ainda tem uma figura política sobre a qual sabe tudo (porque todos os outros governantes do mundo inteiro mudaram).

Mas Fidel Castro também passará. E nada, absolutamente nada, restará do mundo que o vampiro tanto amou um dia.

Paulo Coelho
Download Opera, the fastest and most secure browser
December 2009
S M T W T F S
November 2009January 2010
1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31