Lula gigante fotografada pela primeira vez
Thursday, 29. September 2005, 19:53:21
Uma lula gigante foi fotografada em actividade por cientistas japoneses, em pleno Oceano Pacífico. As imagens revelam que esta é muito mais activa do que se supunha. Tsunemi Kubodera, do Museu Nacional de Ciência, e Kyoichi Mori, da Associação para a Observação de Baleias das Ilhas Ogasawara, de Tóquio, conseguiram captar as primeiras imagens de uma lula gigante em plena actividade de caça, no Oceano Pacífico.
Esta é uma espécie de águas profundas sobre a qual se desconhece quase tudo. Até hoje, as informações sobre o seu comportamento eram escassas e tinham por base a observação de lulas capturadas em redes de pesca ou que davam à costa, já mortas ou em más condições.
As imagens agora divulgadas revelam que o mamífero, com mais de 18 metros de comprimento, é muito mais activo do que se pensava, afirmou um dos investigadores. «Pensava-se que as lulas gigantes eram lentas e que permaneciam em águas profundas sem se mexerem muito... Mas nós descobrimos que elas se deslocam de uma forma bastante activa», disse Kubodera à Reuters.
Nesta bem-sucedida caça à lula gigante, os cientistas nipónicos optaram por perseguir os seus predadores: os cachalotes. Habitualmente, estes mamíferos reúnem-se nas águas do Pacífico norte para se deliciarem com lulas, num período que vai do final do Verão até Dezembro.
Depois de lançado o isco, os cientistas conseguiram algo que parecia impossível: atrair um exemplar de oito metros. Munidos de uma câmara remota, que disparava de 30 em 30 segundos, documentaram o comportamento de caça da lula.
As fotos mostram a lula gigante a lançar os seus tentáculos, no momento em que um deles ficou preso num anzol colocado no isco. O animal conseguiu libertar-se, mas parte do tentáculo ficou preso.«Quando lhe tocámos com o dedo, [o tentáculo] cravou-se firmemente. Ficou preso ao casco do barco, e não saiu facilmente. Ainda estava vivo», explicou um dos investigadores.
Num artigo, agora publicado na revista britânica «Proceedings of the Royal Society (Series B)», os cientistas afirmam que o comprimento de dois dos tentáculos da lula equivale a dois terços da dimensão dos espécimes até agora encontrados.
Nas fotografias é possível ver que estes não servem só para enfeitar. É graças a eles que conseguem enrolar-se na presa e puxá-la até aos tentáculos mais curtos.
As imagens foram captadas a 900 metros de profundidade e como tal não fazem justiça ao tamanho do animal. Para se ter uma perspectiva mais real, convém dizer que cada olho tem cerca de 25 centímetros de diâmetro.
Há muito que as lulas gigantes povoam o imaginário ligado aos monstros marinhos. Os escassos relatos de marinheiros e os raros exemplares que deram à costa aguçaram ainda mais a curiosidade dos cientistas.
Fonte Ciberia








