Eremitério Urbano
Thursday, 30. August 2007, 18:08:43
Nos tempos que correm, em que as distâncias deixaram de ser um problema para a sociedade contemporânea que tem ao seu dispor um leque de meios capazes de nos fazer rir das histórias que os nossos avós nos contam sobre as viagens até à província que duravam horas e até mesmo dias e dos meios de comunicação que dispunham na altura em que não era toda a gente que possuía a engenhoca de Bell e a carta era o meio de comunicação mais usual.
Ora esse dias já lá vão e quem é que hoje não é proprietário de um telefone e de um telemóvel? Raras são também as pessoas que ainda não adquiriram um computador e sucessiva ligação ao mundo da ‘net’. Mas é também esta mesma geração possuidora destes magníficos “encurtatores” de distância que mais se deixa ficar na sombra da solidão.
Como o tempo também a moda de falar à janela com os vizinhos se passou, e hoje em dia que a sociedade está cada vez mais virada para si mesma e cada um se fecha no seu mundo, é impensável imaginar se quer aquelas cenas pitorescas que fazem parte dos filmes a preto e branco portugueses passados às janelas das ruas da nossa Lisboa.
Devido a múltiplos factores as pessoas residentes nas grandes cidades são portadoras da ideia, talvez derivado ao comodismo característico das novas gerações, que não precisam das outras e que dispensam bem as conversas com os outros habitantes do mesmo prédio, levando assim a uma relação de puro -“Bom dia”, -“Boa Tarde” e -“Boa Noite”. Enquanto se é novo até que se passa bem sem a vizinhança, mas vejamos o tema de maneira diferente, imaginem-se já velhos, a viverem sozinhos e com as maleitas que naturalmente acompanham o juntar das múltiplas primaveras já passadas. E estando nós sós acompanhados somente por uma solidão crónica que fomos construindo ao longo dos tempos derivado ao ermitério urbano que toda uma sociedade foi desenvolvendo, aí sim sentiremos falta de alguém, quem quer que seja, um pouco de companhia que nos ajude a passar o tempo sem estar parado o dia todo a recordar aqueles que pela nossa vida passaram e com memórias nos marcaram e que pela sua ausência não nos podem valer. É nessa altura que nos elucidaremos que, mesmo estando rodeados por pessoas e pelos tais meios atrás referidos, estamos sós, vivendo desposados de relações interpessoais necessárias a todo o cere-humano.
Com isto não quero de modo nenhum afirmar que devemos passar os dias em casa dos vizinhos e eles em nossa casa, nem fomentar aquele velho e terrível hábito de bisbilhotar a vida do próximo. Nada disso!
O conceito de eremita está a metamorfizar-se e a moldar a um novo conceito. Eremita já não é aquele que vive sozinho e (geograficamente) longe de tudo no seu eremitério no topo da montanha onde ninguém passa. O eremita contemporâneo vive no mundo urbano de uma grande cidade em que ninguém se conhece, onde todos são anónimos e “invisíveis”.
Agora pergunto: É nesta sociedade fria, individualista e indiferente que queremos viver? E é neste meio que queremos que os nossos filhos nasçam?
Para tal facto contribuem também certas agressões de que a nossa sociedade é alvo. Tais como as políticas individualistas e consumistas que os governos emanam para as sociedades, o forte fluxo de imigração e consequentes riscos e prejuízos que fustigam os nossos territórios. Sendo este último factor o mais fácil de identificar, sendo para isso menos necessário um olho clínico mas que mesmo assim muitos se recusam a ver por não serem capazes de se libertarem das correntes do ‘politicamente correcto’ fabricadas pelos governos dizentes e protectores da ‘hipocrisia’, perdão Democracia. Voltando ao factor imigração, só não vê quem não quer ver, quem é que ainda não reparou na invasão extra europeia de que a Europa é alvo? E com isso a subida vertiginosa da criminalidade por parte dos mesmo para quem é de cá. Isso também contribui para eremitismo, porque as pessoas ganham pavor de andar na rua devido ao clima de medo que reside nas nossas ruas. Assim em vez de as pessoas saírem afim de passearem livremente, como é do seu direito, ficam retidas em casa abrigadas dos males da sociedade.
Procurem, pensem, mudem….
José Miguel de Vasconcelos






