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Vidas a prazo

Recibos verdes
Vidas a prazo
de Katia Delimbeuf


Quase um milhão de pessoas no nosso país trabalha a recibos verdes. Retrato de um universo onde só há «flexi» e nenhuma «segurança».




O homem, de meia idade, era bem-parecido. Ar distinto, fato e gravata, professor universitário, respeitado por todos. Dava aulas numa faculdade privada há doze anos, quando um dia foi «dispensado». Havia, no entanto, um 'se'. Apesar de cumprir as funções de docente de forma continuada, o professor tinha um contrato de prestação de serviços, não era trabalhador por conta de outrem. Estava a recibos verdes, e isso significa não ter direito a subsídio de desemprego, doença ou reforma.
Quando este homem bem parecido entrou no gabinete do advogado Garcia Pereira, especialista em Direito do Trabalho, a causa apresentava-se clara como água. Havia ali um contrato de trabalho dissimulado e nenhum tribunal iria dizer o contrário.
O caso deu entrada na justiça – e de facto deu razão ao professor universitário. Mas 10 anos depois. Nesses 10 anos, Joaquim Silva Pereira tinha-se transformado noutra pessoa, profundamente triste, profundamente desamparada. Sem fonte de rendimento nem rede social de qualquer espécie, este homem só não morreu de fome porque o Banco Alimentar lhe garantia as refeições.
O professor universitário, com mestrado, passou da capital do país para um casebre emprestado, sem electricidade, num descampado nos arredores de Coimbra.
Isto aconteceu em 1991. Poderia crer-se que, 16 anos mais tarde, o estado de coisas teria melhorado em Portugal, que conheceu o crescimento económico e um sem número de fundos estruturais (mal ou bem aplicados) da UE. Mas a averiguar pela avalanche de e-mails e telefonemas recebidos no decurso deste trabalho, não é essa, infelizmente, a conclusão.
Trabalhadores de câmaras municipais avençados há dez anos, despedidos com a nova transição de mandato político, biólogos e engenheiros ambientais do Instituto de Conservação da Natureza, telefonistas de 50 anos dispensadas de um dia para o outro depois de 10 anos de casa, sem direito a nada, grávidas despedidas, arquitectos, professores, 'designers', jornalistas, tradutores, contabilistas, a área da cultura e do espectáculo em bloco – é todo um mundo em Portugal que está a recibos verdes.
Mais difícil foi conseguir que estas pessoas dessem a cara. A resposta mais ouvida era que gostariam muito de denunciar a situação, que sentiam imensa revolta, mas que testemunhar era assinar uma sentença de despedimento, e precisavam daquele emprego para viver.
As histórias que lhe contamos são, portanto, uma ínfima selecção dos casos que nos surgiram. Mas são representativas de milhares de pessoas impedidas de se autonomizarem dos pais, de constituir família, de comprar casa, de ter auxílio na doença, de poder respirar fundo ao fim de um dia de trabalho por saberem que os descontos obrigatórios que todos os meses lhes saem do bolso lhes servirão para alguma coisa, mesmo não falando numa longínqua reforma.
A esta camada assustadoramente crescente da população, encostada à parede, quase forçada a imigrar, que não ajudará na renovação das gerações, o que diz o Estado? É preciso fazer uma nova revolução?
Garcia Pereira nunca mais esqueceu o olhar «aterradoramente triste» daquele homem de ar respeitável, a quem o país desamparou por completo. «Hoje, este homem é uma sombra do que foi. Parece vinte anos mais velho, sofreu dois ataques cardíacos. Nada pode compensar aquilo por que passou». O Expresso tentou, ao longo de mês e meio, fotografar Joaquim, mas os problemas cardíacos que o mantiveram nos Cuidados Intensivos do Hospital de Coimbra impossibilitaram-nos de o fazer.
Quase um milhão a recibos
Foi no início dos anos 90 que os primeiros casos de «falsos recibos verdes» (um trabalhador que cumpre as mesmas funções dum empregado por conta de outrem, com horário, hierarquia, posto de trabalho, ordens de superiores) entraram pelo gabinete de Garcia Pereira. Hoje, continua a não haver dados exactos, pois «como é uma prática ilegal, não há números fidedignos». E assiste-se a novas tentativas de dissimulação do fenómeno, como a constituição de empresas sub-contratadas para prestar serviços.
O jornal 'Público' de 30 de Maio assegurava que há 883,6 mil trabalhadores a recibo verde no nosso país – o que representa mais do que a função pública (que tinha 580.291 funcionários em 2006). O INE não tem um método directo de apuramento de trabalhadores a recibos, mas adianta dados que permitem fazer contas: no 1.º trimestre de 2007, 646,7 mil pessoas tinham contrato de trabalho a termo, 188,7 mil contratos de prestação de serviços, e 66,1 mil pessoas estavam em subemprego visível. O que dá um total de 901 mil trabalhadores a recibo verde.
No século XXI, em Portugal, «continua a praticar-se 'dumping social'», denuncia Garcia Pereira. «Os trabalhadores a recibo verde são mão-de-obra dócil e barata. Não têm quaisquer custos para o trabalhador e não têm qualquer direito. Além disso, têm uma dupla tragédia em cima: se são despedidos ficam sem o seu salário e sem direitos sociais.»
As empresas ainda obedecem à lógica de que «só podem existir empresas estáveis com pessoas instáveis». Quanto à Inspecção-Geral de Trabalho, que tem por papel fiscalizar casos de fraude, a sua actuação é manifestamente insuficiente, segundo o advogado: «A OIT (Organização Internacional de Trabalho) recomendou que Portugal tivesse 750 inspectores no quadro. Neste momento, temos 252 inspectores para todo o país. Há uma total incapacidade de resposta. E também uma clara vontade de não 'apertar' com as empresas que têm estas práticas fraudulentas», diz. «A prosseguirmos por este caminho, o desastre é total. A lógica de que trabalhadores desmotivados e receosos são melhores é um disparate pegado.»
Fonte da noticia

Versão integral da reportagem publicada na edição do Expresso de 28 de Julho de 2007, Única, páginas 34-43.


Os professores nunca têm razão...

Se é jovem, não tem experiência;
Se é velho, está ultrapassado.
Se não tem carro, é um coitado;
Se tem carro, chora de barriga cheia.
Se fala em voz alta, grita;
Se fala em tom normal, ninguém o ouve.
Se nunca falta às aulas, é parvo;
Se falta, é um "turista".
Se conversa com outros professores, está a dizer mal do Sistema;
Se não conversa, é um desligado.
Se dá a matéria toda, não tem dó dos alunos;
Se não dá, não prepara os alunos.
Se brinca com a turma, é palhaço;
Se não brinca, é um chato.
Se chama a atenção, é um autoritário;
Se não chama, não se sabe impor.
Se o teste é longo, não dá tempo nenhum;
Se o teste é curto, tira a oportunidade aos alunos bons.
Se escreve muito, não explica;
Se explica muito, o caderno não tem nada.
Se fala correctamente, ninguém entende patavina;
Se usa a linguagem do aluno, não tem vocabulário.
Se o aluno reprova, é perseguição;
Se o aluno passa, o professor facilitou.
É verdade, os profs. nunca têm razão...
Mas se você conseguiu ler tudo até aqui, agradeça-lhes a eles.:yes:

As diferentes perspectivas da cidade de Lisboa

Lindo o amanhecer nos braços erguidos de S. Joao de Deus.




Obrigada Leo!

Chico Anysio- Velhinha P...


Mais uma pausa...
:lol:

E a saga continua...

Momentos


Fonte da imagem
O Inverno permanece, teima em deixar esta parte da terra e interiorizo-o de tal maneira que deixei transparecer para o meu post o cinzento/ negro em que me encontro. Espero que, a curto prazo, o Verão se imponha e empurre este já longo inverno para outras bandas.

O silêncio

O silêncio

Dos corpos esgotados que silêncio
tão apaziguador se levantava!

(Tinha uma rosa triste nos cabelos,
uma sombra na túnica de luz...)

Para o fundo das almas caminhava,
devagar, o sonâmbulo silêncio.

(Que apertados anéis nos braços nus!)

Mas o silêncio vinha desprendê-los.


David Mourão-Ferreira

Falta de cadáveres põe em risco dissecção de cadáveres na FMUP

As aulas de Anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), como os estudantes as conhecem, estão seriamente comprometidas. A falta de cadáveres doados ao Instituto J. A. Pires de Lima ameaça pôr termo à dissecção cadavérica para fins pedagógicos – uma mais valia do currículo desta instituição. A dissecção de cadáveres é também uma das características diferenciadoras do curso desta unidade de ensino, já que a FMUP é a única Faculdade do país que dá aos seus estudantes a possibilidade de dissecar um corpo humano.

De acordo com Manuel Paula Barbosa, director do Instituto de Anatomia J. A. Pires de Lima, o problema não é tanto a falta de intenções de doação (a FMUP tem em sua posse mais de 1.500 declarações, garante), mas o facto de os familiares não cumprirem a vontade dos dadores, não disponibilizando o cadáver à Faculdade. Segundo o avançado pelo professor catedrático, há valores relacionados com a “sacralização do corpo” e o “culto do corpo após a morte” que, associados ao receio de que as cerimónias fúnebres não se concretizem, comprometem a doação.

Entidades de referência como o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida deram já o seu parecer, considerando que, “do ponto de vista ético, é inaceitável que a vontade de outrem, quem quer que seja, se possa sobrepor à vontade do próprio”. No entanto, a problema arrasta-se.

O Instituto de Anatomia da FMUP tem tentado sensibilizar a comunidade para esta questão, lembrando que, ao doar o cadáver ao Ensino e à Investigação, os cidadãos estão a contribuir para formar melhores médicos, com conhecimentos mais sólidos, e maior humanismo, logo, mais aptos a tratar dos vivos.

A existência de corpos doados possibilita ainda o desenvolvimento de vários estudos técnicos e científicos que têm como metodologia a observação e manipulação anatómica. OM/FMUP

Mais informações em www.med.up.pt.

Geólogos da FCUP mostram as “Fraquezas do Granito”

Fernando Noronha e Isabel Fernandes falam sobre o projecto “ Estudo do Granito como material de construção numa perspectiva de recuperação do património histórico e urbano - GRANMAT”.

Depois de várias horas dedicadas ao estudo do granito e das componentes que o constituem, estes dois investigadores e docentes do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto concluem que esta rocha possui algumas fragilidades que deveriam ser tidas em conta nas construções que são feitas actualmente.

Esta temática vai ao encontro da tese de doutoramento de Isabel Fernandes, donde ressaltam várias conclusões, tais como o facto de o “granito poder alterar-se quando integrado na composição do betão”. Contudo, isso não tira qualidades ao granito, uma vez que a fissuração só acontece 15/20 anos após a construção do edifício, enquanto que no caso de outros materiais, as fissuras podem surgir num espaço de tempo muito mais curto, de 2 a 3 anos.

A investigação levada a cabo pelo Departamento de Geologia da FCUP, liderado pelo Professor Doutor Fernando Noronha, que abraça projectos como este, vê agora o seu esforço valorizado com a realização do “11º Seminário Europeu de Microscopia Aplicada aos Materiais de Construção” nas instalações da FCUP.

ER/FCUP

http://www.fc.up.pt/pessoas/esrodrig/Fraquezas%20no%20Granito.pdf

Norte e Sul de Portugal Continental e a centralidade Lisboeta (segundo Mário Lino)