Monday, 27. November 2006, 21:11:22
Segunda- feira à tarde, chego a casa dos meus pais e encontro uma carta da Escola Sebastião da Gama.
Antes de a abrir penso que será um possível convite para um jantar de Natal (Lol). A minha mãe, ingenuamente, diz que deve ser uma convocatória para ir lá assinar qualquer coisa…
Resolvemos abrir! A minha mãe estava mais ansiosa do que eu. Acho que pensava que podia ser “recambiada” novamente para o Alentejo… Passo a vida a dizer-lhe que estou farta de cá estar, que estou farta deste ambiente, que ela já se assusta com pouco.
Assunto: Documento de Reflexão CríticaA mamã lê a notícia e emudece, sabe que não gostei da noticia… Eu sigo-lhe o caminho. Pego no envelope, na folha de papel e enfio-me no escritório.
Depois disto, resolvi tecer alguns comentários tendo em conta o Artigo 11º do Decreto- Regulamentar n.º 11/ 98 de 15 de Maio do Estatuto da Carreira Docente.
Artigo 42.o
Processo de avaliação
1 — O processo de avaliação do desempenho inicia-se com a apresentação, pelo docente, ao órgão de gestão do estabelecimento de educação ou de ensino onde exerce funções de um documento de reflexão crítica sobre a actividade por si desenvolvida no período de tempo de serviço a que se reporta.
2 — O documento de reflexão crítica referido no número anterior é objecto de apreciação pelo órgão de gestão do estabelecimento de educação ou de ensino em que o docente exerce funções, o qual, ouvido o órgão pedagógico, procede à avaliação do desempenho do docente, expressa na menção qualitativa de Satisfaz, ou propõe a atribuição da menção qualitativa de Não satisfaz a uma comissão de avaliação.Portanto a avaliação de um professor só possui, para as escolas, duas escalas de avaliação: Não satisfaz ou Satisfaz.
De facto, os professores são todos metidos no mesmo “saco”.
E depois ainda exigem motivação!!!
Artigo 45.o
Menção qualitativa de Bom
1 — O docente a quem tenha sido atribuída uma menção qualitativa de Satisfaz pode requerer a apreciação por uma comissão de avaliação, constituída nos termos do artigo seguinte do presente Estatuto, de um documento de reflexão crítica sobre o seu desempenho para os efeitos de atribuição da menção qualitativa de Bom.
2 — A menção qualitativa de Bom é atribuída na sequência da apreciação do documento de reflexão crítica sobre a actividade desenvolvida pelo docente no período de tempo de serviço a que se reporta a avaliação do desempenho, o qual constará sempre do respectivo processo individual.Artigo 46.o
Comissão de avaliação
1 — A comissão de avaliação é constituída no estabelecimento de educação ou de ensino em que o docente presta serviço e tem a seguinte composição:
a) O presidente do órgão pedagógico, que preside;
b) Um docente exterior ao estabelecimento de educação ou de ensino, designado pelo respectivo órgão pedagógico, preferencialmente do mesmo nível ou ciclo de educação ou de ensino;
c) Um docente ou uma individualidade de reconhecido mérito no domínio da educação, designado pelo docente em avaliação.Mediante a análise destes dois artigos constato que para um professor possuir uma menção qualitativa de Bom, tem que requerer esta menção à escola.
Mas as escolas não possuem capacidade de avaliar os docentes com a menção qualitativa de Bom automaticamente?!Nem parece que o Conselho Executivo e o Conselho Pedagógico, de qualquer escola, é constituído por professores que passaram metade ou quase toda a sua vida a avaliar.
Porque é que tenho que ser eu a fazer a minha autoavaliação, considerar que mereço o nível de Bom, e ainda me chatear a convocar uma Comissão de Avaliação?
A resposta é simples, como não me quero chatear não vou recorrer do nível e por isso vou aceitar pacificamente o Satisfaz…
E depois ainda contestam o que o Ministério da Educação está a fazer?!
Colegas, sinceramente não podemos ser avaliados todos da mesma maneira. Existem PROFESSORES e professores… E os melhores devem ser reconhecidos.
Não estou com isto a defender todo o novo Estatuto da Carreira Docente, nem o modelo de avaliação preconizado, estou apenas a criticar negativamente o modelo de avaliação existente.
Por isso, face ao trabalho desempenhado no ano lectivo transacto, estou a pensar requerer a apreciação de uma Comissão de Avaliação.
Mas será que dará algum resultado?