Tuesday, 22. July 2008, 03:39:56
laertón glauquito, crônicas
Eu tive um amigo, amigo do peito, com quem costumava sair para caçar mulher. (Sim, senhoras, homens se consideram caçadores e, vocês, as presas, não me encham o saco com requentados sofismas feministas). Homem considera um companheiro de caça como amigo quando ele é capaz de oferecer-se para o sublime sacrifício de distrair uma baranga que está tentando empatar a azaração do colega.
Para quem não sabe, existem três tipos de duplas de mulheres, mas somente um tipo apresenta verdadeiro potencial de azaração:
1. Barangas ao quadrado (duas barangas juntas): vão voltar para casa sozinhas ou vão se contentar com o que aparecer. Só depois de muita cachaça. Bleargh! (Sim, senhoras, nós homens machos que gostamos de mulher somos uns trogloditas que julgamos pelas aparências. A beleza interior a gente deixa pra descobrir depois do café-da-manhã, se não tiver que sair correndo para o trabalho).
2. Lindas dobradas (iu-huuu!): Em 90% dos casos, ou estão acompanhadas, ou formam um lindo casal, ou são profissionais. Nada contra as profissionais mas, de tanto conviver com elas no ambiente familiar e de trabalho, é sempre bom esbarrar com uma amadora, para variar (sim, senhoras, nós gostamos de variar!).
Vamos às restantes 10%: não são profissionais, nem estão acompanhadas, nem são sapatonas. Parece um sonho de adolescente: duas mulheres lindas, desacompanhadas, dando mole pra mim!
Na verdade, essa dupla é o pesadelo do azarador solitário. As duas vão brincar com seu evidente tesão, se revezarão na arte de te dar mole, te jogarão de uma para a outra e, no fim, você vai pagar a conta, vai voltar para casa mais cedo e vai descascar uma banana pensando numa explicação plausível para não ter comido ninguém.
Então, aprenda a primeira lei azaração, meu filho: mulher detesta ser rejeitada. Jamais ataque sozinho uma dupla porque, se você atacar uma, a outra vai empatar o seu jogo.
Quando atacadas por duplas de predadores, as lindas dobradas tornam-se um pouco mais acessíveis, mas é lógico que a que você escolheu para atacar vai ficar a fim do seu amigo, e vice-versa. Quando vocês tentarem trocar de lugar, vice-versa de novo. Ou vocês se decidem logo e dão um amasso nessas malucas, ou vão acabar descascando banana em casa.
3. Misto quente. É a dupla que se apresenta como a mais potencialmente azarável de todas. Quando se está em dupla, é lógico. Uma linda e uma baranga, juntas.
Se você está sozinho, esquece, a menos que esteja a fim da baranga. Mesmo assim, terá que gerenciar a rejeição da linda da mesa, que está acostumada a tudo, menos a ser rejeitada, ainda mais pela baranga que está sempre pendurada em sua aba.
Toda mulher linda gosta de sair junto com uma amiga baranga, demorei muito para descobrir porquê, e vou contar para você em primeira mão: a baranga é uma espécie de guarda-costas que afasta os homens inconvenientes (ou seja, todos) e permite à gatinha uma divertida noite sem um bando de machos enchendo o saco.
A situação típica do caçador solitário que enfrenta um misto quente é a seguinte: Primeiro, ele comete a imprudência de se dirigir à gatinha, ignorando a baranga. Isso é mais do que o suficiente para garantir o seu fracasso. O mais experientes dirigem-se às duas e socializam o papo, para sentir o clima. Se der pé, avança na gatinha.
O problema começa aí. Quando você vai começar o avanço, a baranga geme. “Está ficando tarde, quero ir pra casa”. O mais incompreensível da situação é que, em 90% das vezes, a gatinha concorda em ir embora, não importando o quanto tenha encorajado o seu avanço, e você fica na mão.
Nos outros 10% dos casos, a gatinha ignora o convite da baranga e, aí, o jaburu parte para o baixo ventre: levanta da mesa, passa a mão no braço da sua gatinha (que, nessa altura, já é quase sua, mas ainda falta o quase) e profere as palavras mágicas de evaporação de climas românticos: “Vamos ao banheiro!”.
Cara, quando a baranga consegue levar sua gatinha ao banheiro, é melhor pagar a conta e se mandar. Sabe-se lá o que mulher conversa no banheiro, mas quando elas voltam, a sua quase gatinha (por tão pouco!) senta na cadeira mais distante, fica fria com você, pede a conta e, se você ainda não pegou o telefone dela, perca as esperanças. Não vão aceitar suas ofertas de carona, preferirão tomar um ônibus, o ponto final fica logo ali.
Mas, poderia ser pior. Eventualmente, você vai encarar uma dupla misto quente que vai levantar para ir ao banheiro e nunca mais voltar, deixando a conta dos 15 chopps e das três porções de batatas-fritas (que foram quase integralmente devoradas pela baranga, diga-se a favor da justiça) para você pagar.
É por isso que amigo, amigo mesmo, amigo do peito, é aquele com quem você sai em busca de mistos quentes, com o coração aberto e estômago de aço, pronto para se revezar com você na nobre arte de distrair barangas enquanto o outro avança na gatinha que está dando mole. Os demais são uns embromadores, que gostam mesmo é de descascar uma banana.Por Laertón Glauquito.
Tuesday, 22. July 2008, 03:28:33
laertón glauquito, crônicas
Talvez você esteja com a auto-estima esmagada sob os calcanhares e pense que a resposta à pergunta do título é muito simples: porque você É uma babaca.
Tst-tsc-tsc... Para começar, aprenda que mulheres babacas não lêem. No máximo, olham as figuras. Então, se você está aqui neste site, disposta a ler este texto, é porque você não é tão babaca quanto pensa... Mas está intrigada com o fato de que, sendo uma mulher tão legal, só aparecem homens babacas em sua vida.
Se observar a humanidade com muito cuidado, chegará à conclusão de que só
existem dois tipos de pessoas: - os "babacas" e os "legais". O resto, são variações sobre esse tema básico.
Quem é o homem babaca? Observe com atenção todos esses sujeitos que estão à
sua volta. Repare nas manguinhas dobradas até a altura dos cotovelos arrochando os músculos cuidadosamente cultivados à base de levantamento de marombas e anabolizantes não-hormonais (ou nem tão não-hormonais). Na camisa cuidadosamente enfiada dentro das calças na medida certa. No cinto combinando com os sapatos e as meias. Nos cabelos aparados com máquina três, lembrando-a o gramado do londrino Hyde Park, embora a inspiração para o corte de cabelo tenha sido, obviamente, o gramado sintético do Yankee Stadium, que ele viu na ESPN ao acompanhar as disputas do campeonato "mundial" de "bêisbol" que, só para constar, é disputado exclusivamente por times estadunidenses.
O visual do babaca pode ser resumido numa única expressão: ele se veste de acordo com as normas da ABNT.
Em uma boate, você o verá dançando com os joelhos, mas não com os ombros;
um copo de qualquer drink na mão direita acompanhando descompassadamente o ritmo da música; o queixo quadrado empinado em atitude de "o dono do mundo"; as sobrancelhas espessas mais ou menos unidas sobre o nariz; o sorriso de dentes trincados congelado num rosto sem expressão; a gargalhada tecnostática ecoando em coro com as do bando de clones que o acompanha.
Se ele reparou em você, empina-se como um pavão e berra no ouvido do clone mais próximo um arremedo de confidência ao pé-da-orelha. Nos movimentos espalhafatosos de sua engrenagem labial, é legível cada "aê, maluco, tipo assim" que ele consegue pronunciar com grande consumo de energia neuronal, enquanto seu cotovelo supostamente amistoso atinge as costelas de seu clone, que responde com uma risada pseudo-cínica e um soquinho no ombro.
Ok, ele reparou em você. Ele até que é gatinho. Você está carente, bem que gostaria de dar uns beijinhos em alguém antes de voltar para casa.
Então, você olha um pouco mais detidamente para o sujeito que descrevi. Ele empina um pouco mais o queixo e caminha em sua direção como um Schwarzenegger pronto para exterminar o seu futuro. Começa a "dançar" com você, ao estilo ciborgue. O sorriso, aquele mesmo entredentes de antes, é o único que ele é capaz de emitir. O olhar, sopesando cada centímetro do seu corpo, de cima abaixo, movimenta-se como a
câmera de vigilância nos edifícios comerciais. O corpo rijo, exalando o mesmo perfume másculo da moda que você já sentiu na boate inteira em cada homem por que passou perto, movimenta-se com a graça e espontaneidade dos equipamentos de uma montadora de automóveis.
Você joga os cabelos para um lado e sua dança a conduz para cada vez mais perto dele. Ele empina ainda mais o peito - como se isso fosse possível. Ele aproxima a boca de seu ouvido, berra aquilo que considera a essência primordial de seu estilo de vida: "Aê, tipo assim!"...
...e, meio segundo depois, vocês estão se beijando, os lábios dele esmagando os seus como uma prensa mecânica, a mão apertando sua bunda como um inusitado aparelho de musculação.
A carência afetiva é a causa das maiores tragédias: desde a fome na África, a crise da energia elétrica e as guerras mundiais, até a sua desmiolada decisão de sair da boate com ele.
Querida, no momento em que você entra no carro dele, não tem mais volta. Todos os amigos clones do seu gato testemunharão em qualquer tribunal do mundo que você deu mole e deixou-se amassar à vontade por ele, na pista de dança e em vários outros pontos da boate em que ele a exibiu como um troféu de caça.
Você vai TER QUE DAR para ele. Mesmo que aquele par de sobrancelhas, olhando mais de perto, fora daquelas luzes estroboscópicas, subitamente lhe traga à lembrança uma peluda taturana.
O menor risco que você correrá ao recusar-se a transar com ele será o de ser expulsa do carro em lugar ermo, sob uma saraivada de xingamentos que a farão sentir-se como lixo não-reciclável por, no mínimo, uma semana.
O maior, você sabe qual é: ele é muito mais forte do que você, aqueles músculos marombados que pareciam tão atraentes na pista de dança tornam-se concretas ameaças na penumbra do carro dele e podem voltar-se contra você a qualquer momento. O melhor é relaxar e dar logo para esse imbecil, considerando-se uma mulher sortudérrima se ele topar usar a camisinha que você leva na bolsa.
(Outra diferença importante entre as mulheres babacas e as mulheres legais é que as legais sempre levam uma camisinha na bolsa).
Mas não é preciso desesperar-se. O ato sexual com esse sujeito não vai durar mais do que uma série de flexões de braço. Talvez você fique com a pelve dolorida alguns dias, porque ele acha que o segredo para levá-la aos píncaros do prazer é martelar violentamente o osso púbico dele contra o seu.
Os danos físicos não devem ir muito além disso. Seu maior problema a partir do momento em que ele gozar - o que não deve demorar mais do que uns cinco segundos... Quatro, três, dois... ; serão os danos morais. Depois que ele ejacular, tudo o que ele desejará será livrar-se de você o mais rapidamente possível e correr para contar aos clones como "deu cinco sem tirar de dentro daquela galinha" - você! - embora ela fosse "uma merda na cama".
As perguntas que iriam persegui-la por toda a sua vida caso o seu amigo, o cara legal Laertón Glauquito, não estivesse aqui para sanar todas as suas dúvidas, seriam as seguintes: - O que fiz de errado? Será que os homens são todos iguais?
Não, querida, não são. Existem muitos homens legais por aí, você é que não sabe olhar. Principalmente, você não os atrai porque não sabe dar mole para eles.
Comece sua observação pelas roupas. Homens legais não são desleixados -os desleixados compõem apenas outro estilo de babacas, mas não parecem saídos de uma linha de produção em série. Algo os diferencia da multidão e, se você observar bem, notará que é um certo despojamento relaxado. Os homens legais estão à vontade naquele ambiente porque ficam à vontade em todo lugar. Então, poderão até ter dobrado a manga da camisa na altura do cotovelo e a enfiado dentro das calças, mas o tecido já escorregou um pouco e ele nem notou.
O cara legal poderá estar sozinho, ou acompanhado com amigos, mas você não notará sinais de ansiedade para "arrumar" uma mulher. Suas risadas serão espontâneas. Seus músculos, ainda que trabalhados, estarão soltos sob as roupas, pois ele não os flexionará sem um motivo justo.
Os caras legais não são exibicionistas, eles são o que são, espontaneamente, e estão ali com a mente e o espírito abertos para conhecer as mulheres que tenham a mente e o espírito abertos. Eles não se esforçam para aparecer, mas são notados pelas mulheres que os merecem.
Você quer merecer um deles? Então aprenda como dar mole para eles. Se sua técnica de dar mole só tem atraído babacas ou bundas-moles ultimamente, não há razão para não tentar algo diferente.
A maioria das mulheres (inclusive você, se leu este artigo até aqui) quer azarar os carinhas colocando-se numa redoma de vidro. Olham repetidamente para o cara de quem estão a fim, mas com a expressão gélida.
Às vezes, com uma tromba que, se desenrolada, chegaria ao joelho do Cristo Redentor.
Os caras legais até reparam em você, mas não se dão ao trabalho de interpretar os sinais ambíguos que você envia. Sabe por quê? Porque eles sabem que as mulheres legais enviam sinais com objetividade e cordialidade. "Sim, por favor" ou "Desculpa, mas não estou a fim", sem mágoas ou receios. Com suas caras e olhares contraditórios, tudo o que você consegue transmitir é algo como: - Desculpa, mas sim, por favor, não, estou a fim. Na dúvida, o cara legal não chega junto, pois receia incomodá-la.
Agora, adivinhe quem é que não receia incomodá-la?
Exatamente: o babaca. O babaca só se preocupa com o próprio umbigo, de modo que ele interpreta todos os seus sinais ambíguos como um "vem cá, gostosão"!. Como ele ignora seus sinais e avança o seu sinal, é com ele que você costuma terminar a noite. Como você não quer ninguém quer ficar sozinha, acaba aturando um tipo desses atrás do outro.
Em resumo, o método para conquistar um cara legal envolve apenas dois passos. O primeiro é aprender a reconhecê-los. O segundo é aprender a dar mole para eles. Aprenda a enviar sinais objetivos. Se você gostou dele, olhe-o diretamente, em vez de ficar olhando e desviando o olhar, como se não estivesse interessada, ou como se ele estivesse te incomodando. Se ele sorrir para você, retribua o sorriso, em vez de amarrar uma tromba quilométrica. Enfim, trate-o com educação e cordialidade, pois os caras legais são educados e cordiais. Se você tratar os homens com estupidez e
brutalidade, só atrairá homens estúpidos e brutais, aqueles que nós, com
toda a razão, chamamos de babacas.Por Laertón Glauquito.
Tuesday, 22. July 2008, 03:26:45
laertón glauquito, crônicas
Se você não consegue segurar homem algum junto de você, se ele jura que te ama mas acaba te largando no altar para casar com outra ou, pior ainda, encerra o relacionamento para ficar sozinho, talvez você padeça de “Criogineíte”, doença mais conhecida como “Mal da Mulher Fresca”.
O vírus da criogineíte provoca alterações morfológicas facilmente visíveis a um olho treinado. Por exemplo, no cérebro da Mulher Fresca, a doença impede que ela perceba que os homens consideram a mulher como o maior de todos os ansiolíticos.
Para compreendermos melhor esse ponto, faz-se necessária uma breve digressão sobre o funcionamento do organismo do macho que a Mulher Fresca está prestes a perder.
As elevadas dosagens de testosterona no sangue dos homens tornam-nos irritadiços, prontos a apertar o botão que desovará os mísseis para detonar essa merda toda de uma vez. Cabe à mulher evitar o cataclisma mundial, desviando para seus órgãos macios e quentinhos toda essa transbordante agressividade testicular.
O vírus da criogineíte bloqueia a percepção feminina desse fato natural básico, permitindo que o macho desvie seus fluxos testosteronais para outros canais menos adequados, como o comportamento no trânsito – homem de saco cheio é o maior causa de acidentes automobilísticos, a pelada de domingo, a cervejada no botequim ou a vaca daquela vizinha oferecida, que vive se oferecendo para seu homem porque a oferta de homem está escassa.
Ainda na cabeça da Mulher Fresca, observam-se extensos e contínuos movimentos na cavidade buco-faringeal, que produzem vocalizações como “Ai, que nojo”, “Cruzes, que horror”, “Não estou a fim hoje”, “Não sou um objeto”, “Aí, não”, “Mais devagar”, etc.
A longo prazo, a atividade do vírus da criogineíte tende à destruição progressiva das cordas vocais da Mulher Fresca, dotando-a de um tom infantilizado e ligeiramente anasalado, semelhante ao de um gato engasgando-se com uma espinha de peixe.
O efeito mais destrutivo exercido pelo vírus sobre o cérebro de suas vítimas, porém, é exercido sobre a energia neuronal. Quando o vírus atinge o pico de sua atividade, o cérebro da Mulher Fresca conduz-se rapidamente para um estágio terminal, no qual a cura se torna impossível e o prognóstico mais otimista é o de um divórcio-relâmpago.
Nesse penoso estágio, a Mulher Fresca analfabetiza-se, não consegue articular duas palavras por escrito, torna-se incapaz de ler qualquer texto pouco mais complexo do que os da revista Caras sem atribuir às palavras lidas delirantes duplos sentidos persecutórios, imaginando-se vítima de ofensas claramente não intencionadas pelo autor.
Condenada pela doença a uma atitude permanentemente defensiva e paranóica, a Mulher Fresca em estado terminal interpreta com desconfiança mesmo os atos mais carinhosos, rejeitando inclusive os elogios mais inocentes, agredindo qualquer macho que lhe dirija uma palavra terna, como “querida”, por exemplo.
Não há homem que agüente.
Infelizmente, a cabeça não é a única parte do organismo dos relacionamentos que é virulentamente afetada pelo Mal da Mulher Fresca. A sensibilidade do corpo com criogineíte atinge níveis tais em que até o leve roçar de uma barba no cangote resulta em histéricos urros de dor. Qualquer toque, em qualquer parte do corpo da Mulher Fresca, ou está doendo, ou é forte demais, ou é fraco demais... O homem, por mais que se esforce, jamais consegue encontrar o maldito meio-termo que a agrada.
A sensibilidade corporal advinda dessa terrível doença pode provocar impresivíveis tragédias pessoais e profissionais. Um inocente roçar de coxas no sofá se pode se transformar em acusações de tentativa de estupro. Um simples elogio no ambiente de trabalho, em uma ação na Justiça por assédio sexual. Uma simples mensagem de e-mail, em um festival de baixarias sem sentido.
O lado mais irônico desse aspecto da horrenda virose é que, apenas seis meses antes, esse mesmo toque, que agora provoca dor e reações iradas, causava gemidos de prazer e pedidos de “quero mais”.
No início do relacionamento com a Mulher Fresca, o incauto macho que caiu em suas garras por pouco não conseguia dar conta de seu desejo insaciável. Hoje, ele tem que implorar para que ela concorde em afrouxar a fivela do cinto da calça jeans.
Toda Mulher Fresca é uma ninfomaníaca no início do relacionamento. Em menos de seis meses, vira em freira.
O sonho de todo macho é casar-se com uma freira que, após o casamento, descubra-se uma ninfomaníaca. A Mulher Fresca faz exatamente o contrário, depois reclama que não consegue segurar macho algum.Por Laertón Glauquito.
Tuesday, 22. July 2008, 02:58:18
laertón glauquito, crônicas
Ah, sei lá, porra, sexo & poder é um tema tão óbvio, tão batido. Poder é foder e foder é poder, poder é poder foder, foder é foder o poder, foder é poder o foder, que falta de originalidade, porra!
Queria ver uma hora dessas uma edição especial sobre o mergulho da libélula no minuto anterior ao esticar da língua do sapo; ou sobre as hemorróidas do poeta; ou sobre a elasticidade do rabo da lagartixa; ou sobre a curvatura da banana; ou sobre os reflexos refratários na impressão digital da lente dos óculos; ou sobre qualquer merda que não fossem essas obviedades de classe média urbana zonasulista, que eu próprio sou de classe média, urbano e zonasulista, mas não sou narcisista, não tenho saco para ler nem para escrever o que vejo todo dia no espelho, ou pela janela; quero ler e escrever sobre as areias da caatinga, sobre o fundo do mar, sobre o pico da montanha; não sobre o suvaco fedido do afro-brasileiro que está de pé ao meu lado no ônibus lotado; grande merda isso; sinto cheiro de suvaco de afro-brasileiro em ônibus lotado desde que afro-brasileiro era crioulo mesmo, e o samba era do crioulo doido, e ninguém se ofendia babacamente com essas merdas, porque racismo não é chamar um afro-brasileiro de crioulo, é pular nas tamancas quando vê a carapinha do namorado da sua irmã, ou da sua filha; então, caguei para o poder do foder do sexo do poder foder, que isso é assunto de quem não tem nem um nem outro, mas acha que é muito liberado só porque sente uma comichão na genitália e pensa que é orgasmo; quando orgasmo mesmo é existencial; orgasmo é foder quem você ama, só é poderoso quem ama o que fode, e broxa é quem fode o que deveria amar.
Então, cambada, eis aqui minha contribuição para o tema desde mês, se quiserem publicar, ótimo, se não quiserem, fodam-se, porque quem não tem sexo que use o seu poder para censurar quem os censura.
E tenho dito. Por Laertón Glauquito.
Tuesday, 22. July 2008, 02:36:12
laertón glauquito, crônicas
Macho gosta de mulher. Ponto final.
Mas o que significa dizer que “gosta de mulher”?
Há muito boiola por aí que diz que gosta de mulher mas, de fato, nutre um ódio às mulheres que vai até o fundo de seu reto. “Gostar de mulher”, para esses boiolas inadmitidos, é gostar de masturbar-se céleres no interior de incautas vaginas. A companhia das fêmeas não os apetece. É visível a ansiedade, a pressa com que se dispõem a trocar o calor de um corpo macio por calosas mãos espalmadas no meio de costas cabeludas. O afago tenro de uma voz suave, pelo mau hálito de uma voz roufenha. O arrepio do toque de uma mãozinha macia, por patoladas no campo de futebol.Não que os machos não gostem de um papo com os amigos no boteco, ou de um futebolzinho amigável.
Os machos, ao contrário dos boiolas, não encaram a companhia feminina como uma desagradável obrigação da qual têm que se desvencilhar o mais rápido possível. A companhia feminina é uma opção concreta para amizade e diversão. Machos gostam de sair para conversar com mulheres e se interessam porque elas têm a dizer, mesmo que não estejam necessariamente interessados em fazer sexo com elas.
Boiolas mal suportam os assuntos de uma mulher que pretendem comer, querem falar o tempo todo, sua impaciência é visível em cada intervenção de sua fêmea acompanhante.Boiolas só sentem à vontade na companhia de outros machos. Daí para começarem a desmunhecar, basta um passo.Todo macho é um feminista radical: gosta das fêmeas, não só pelo que as tornam fêmeas, mas pela sua feminilidade.
O homossexualismo masculino nada mais é do que uma forma extremada de machismo.Por Laertón Glauquito.
Tuesday, 22. July 2008, 01:56:07
laertón glauquito, crônicas
Se tem uma mercadoria que está em falta no mercado, e exatamente por esse motivo é muito valorizada pela macharia, é a Mulher Difícil. Não vou entrar no mérito de discutir juízos de valores, deixo isso para o grupo de rock Olavo e seus Carvalhos. O fato é que, quando a maioria das mulheres era difícil, as mulheres fáceis eram muito valorizadas pela homarada. Agora que a maioria das mulheres é fácil, a turma está valorizando o que está em falta.
Seja você uma mulher que quer ser mais valorizada pelos homens, ou um homem que está enfeitiçado por um desses petiscos mais raros do que caviar, mas não sabe como lidar com ele, vai encontrar neste artigo a necropsia completa do coração da Mulher Difícil, com uma detalhada descrição de sua anatomia emocional.
Em primeiro lugar, uma Mulher Difícil é aquela que destila tesão por todos os poros, em todas as direções, mas nenhuma em especial. Sorri para todas as pessoas, mas não dá papo para ninguém. Finge que não entende as piadinhas e cantadas. Se alguém tenta ir além da piadinha, ela sabe como cortar, com elegância e bom-humor.
De fato, a Mulher Difícil está com o radar ligado em busca de um homem que não seja um paspalho completo, como a maioria de nós. Um cara que saiba comer um mingau quente pelas beiradas, que a respeite como ser humano, que seja compreensivo, que admire sua inteligência, que seja carinhoso, que saiba como ser gentil, que tenha um pirocão destamanho e a faça gozar loucamente a noite inteira.
Como esse tipo de homem só existe na revista NOVA, cabe aos homens usar o repertório de canalhice que Deus nos deu para convencê-la de que somos o protótipo perfeito e acabado do Príncipe Encantado (a propósito, ouvi dizer que esse tal de Príncipe mudou-se para Encantado e virou drag queen).
Prepare-se para suar a camisa. A mulher difícil vai ignorar todas as suas piadinhas, todas as suas tentativas de se exibir. Não se desespere. Na verdade, ela não o está ignorando. A Mulher Difícil observa todas as atitudes dos homens à sua volta, concede notas a cada um e os classifica num ranking mais ou menos assim:
1 – NEM MORTA: São aqueles caras de boçalidade mais óbvia. Passam cantadas explícitas em todas as mulheres que passam na frente. Se você cair nessa posição do ranking, vai ter muito trabalho para convencê-la de que está enfeitiçado por sua beleza, que desde que a conheceu é um homem diferente, que não consegue mais pensar em mulher alguma a não ser nela, e que já tem reservada a suíte presidencial num motelzinho gostoso e bem discreto.
2 – HMMM...: Esses aí estão naquele meio-termo insuportável. Não são nem idiotas demais para serem rejeitados, nem atrativos o bastante para merecerem uma chance. Talvez ela aceitasse responder a um e-mail seu, desde que você fosse um pouco mais ou um pouco menos qualquer coisa impossível de fazer. Caiu aqui, meu filho, suas chances são praticamente nulas.
3 – BONZINHO, UMA GRACINHA: Cara, ela até que te dá atenção, gosta do seu papo, te acha um cara muito compreensivo e gente boa mas, exatamente por esse motivo, ela nunca vai sequer te dar um beijinho, para não “estragar a amizade”. Como você está a fim de qualquer coisa, menos de amizade, vai ficar com o pau na mão. A verdade é que um homem bonzinho é um homem emasculado, não exibe as qualidades viris que atraem a Mulher Difícil. Se você estiver nesta posição do ranking, experimente não fazer a barba por um dois dias, engrossar a voz, arrotar durante o almoço, tirar meleca do nariz em público, sei lá. Você pode não ganhar a Mulher Difícil, mas pelo menos não vai ficar com fama de boiola. Afinal, quem tem amiga é cabeleireiro, estilista de moda e decorador de interiores.
4 – BEM QUE ELE PODIA ME CONVIDAR PARA UM CAFÉ: Esta é a única posição do ranking que tem alguma chance com a Mulher Difícil. Ela está só esperando um convite casual para tomar um café no corredor da empresa ou da faculdade. Em público, com um monte de gente passando. É o seu primeiro teste, bundão, não vá estragar tudo agora. Ela te concedeu o privilégio de ser visto ao lado dela. Comporte-se com elegância, mostre inteligência e desgrude os olhos dos peitos dela. Quer dizer, olhe só um pouco, o suficiente para elogiar o colar que ela está usando, enquanto escorrega o olhar pelo colo perfeito. Mostre-se interessadíssimo na história do colar, um presente de Primeira Comunhão que ganhou da tia-avó Mafalda. Resista à tentação de fazer piadinhas infames, como perguntar se ela ganhou o colar no dia da Primeira Comunhão Carnal, ou vai cair no ranking para a posição do “Nem Morta”.
Se o café foi bem-sucedido, ela vai recusar gentilmente o seu primeiro convite para almoçar. Mas vai aceitar o segundo. A primeira recusa foi mais um teste. Se você ficar insistindo, vai ser rotulado como um pentelho. Não adianta, ela não vai aceitar seu primeiro convite. Então, seja compreensivo, diga que tudo bem, e ela vai se arrepender de ter recusado esta vez. Pode estar certo de que ela vai ficar se remoendo enquanto aguarda ansiosamente o seu próximo convite para almoçar. Porém, não demore demais a fazer o segundo convite, ou então ela vai pensar que você não tem força de vontade, que não luta pelo que quer, ou seja, que não é macho o bastante para se esforçar por ela.
O almoço é um teste importante. Vocês têm uma hora para voltar ao trabalho, então, aproveite bem cada minuto. Coma dois Big Macs antes de ir ao restaurante para não se mostrar mais interessado na comida do que em sua companhia.
Você tem uma hora inteirinha para mostrar-se inteligente, educado, gentil e eroticamente dotado. O segredo aqui não é falar sobre si mesmo, mas estimulá-la a falar. Durante a primeira meia-hora, pergunte, ouça e mostre que está ouvindo, comentando o que ela diz de vez quando. Não discorde de nada, por mais absurdo que pareça: você quer ganhar a mulher ou a discussão?
Principalmente, seja esperto: enquanto ela falar pelos cotovelos, estará dando dicas o tempo todo sobre o que quer ouvir de você. Na segunda meia-hora, use esse conhecimento e diga o que ela quer ouvir, use as palavras dela como se fossem suas. Ao final do almoço, você terá subido mais uma posição no ranking. Estará classificado agora como um “Que Cara Interessante!”. Mas tenha calma porque, daí para aquela suíte imperial que o “Nem Morta” reservou, você ainda vai ter que gastar muita saliva. Não insista para pagar a conta. Neste primeiro almoço, o certo é que cada um pague a própria despesa.
O segundo passo é o jantar. Ou um passeio no fim-de-semana em algum lugar bem aprazível. Ou um piquenique, ou uma ida à praia. Seja qual for a opção, esteja certo de que, se o almoço despertou o interesse dela em você, ela vai aceitar o seu segundo convite. Mas vai levar junto uma prima baranga que chegou ontem do interior do Ceará. E vai ficar jogando ela pra cima de você o tempo todo.
Não entre em pânico, trata-se de mais um teste. Ela quer saber se você é mesmo tão gentil e educado quanto pareceu durante o almoço. Principalmente, quer saber se você tem espírito esportivo e bom humor. Ela também quer saber se você não é um galinha que aceita azarar qualquer cabo de vassoura que use saias. Trate bem a priminha, divirta as duas ao máximo, e pague a conta.
Se você se comportar direitinho, a próxima saída será a dois... E suponho que você não precise de maiores explicações sobre o que tem que fazer nesta etapa. Se precisar, é melhor sair daqui e apontar seu browser para um site pornô, seu adolescentezinho imaturo!
(por Laertón Glauquito)