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Pensando bem...

...sermpre é possível mudar de idéia!

Posts tagged with "laertón glauquito"

AMIGOS DO PEITO E DOS PEITOS (*CAÍDOS OU NÃO)

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Eu tive um amigo, amigo do peito, com quem costumava sair para caçar mulher. (Sim, senhoras, homens se consideram caçadores e, vocês, as presas, não me encham o saco com requentados sofismas feministas). Homem considera um companheiro de caça como amigo quando ele é capaz de oferecer-se para o sublime sacrifício de distrair uma baranga que está tentando empatar a azaração do colega.

Para quem não sabe, existem três tipos de duplas de mulheres, mas somente um tipo apresenta verdadeiro potencial de azaração:

1. Barangas ao quadrado (duas barangas juntas): vão voltar para casa sozinhas ou vão se contentar com o que aparecer. Só depois de muita cachaça. Bleargh! (Sim, senhoras, nós homens machos que gostamos de mulher somos uns trogloditas que julgamos pelas aparências. A beleza interior a gente deixa pra descobrir depois do café-da-manhã, se não tiver que sair correndo para o trabalho).

2. Lindas dobradas (iu-huuu!): Em 90% dos casos, ou estão acompanhadas, ou formam um lindo casal, ou são profissionais. Nada contra as profissionais mas, de tanto conviver com elas no ambiente familiar e de trabalho, é sempre bom esbarrar com uma amadora, para variar (sim, senhoras, nós gostamos de variar!).

Vamos às restantes 10%: não são profissionais, nem estão acompanhadas, nem são sapatonas. Parece um sonho de adolescente: duas mulheres lindas, desacompanhadas, dando mole pra mim!

Na verdade, essa dupla é o pesadelo do azarador solitário. As duas vão brincar com seu evidente tesão, se revezarão na arte de te dar mole, te jogarão de uma para a outra e, no fim, você vai pagar a conta, vai voltar para casa mais cedo e vai descascar uma banana pensando numa explicação plausível para não ter comido ninguém.

Então, aprenda a primeira lei azaração, meu filho: mulher detesta ser rejeitada. Jamais ataque sozinho uma dupla porque, se você atacar uma, a outra vai empatar o seu jogo.

Quando atacadas por duplas de predadores, as lindas dobradas tornam-se um pouco mais acessíveis, mas é lógico que a que você escolheu para atacar vai ficar a fim do seu amigo, e vice-versa. Quando vocês tentarem trocar de lugar, vice-versa de novo. Ou vocês se decidem logo e dão um amasso nessas malucas, ou vão acabar descascando banana em casa.

3. Misto quente. É a dupla que se apresenta como a mais potencialmente azarável de todas. Quando se está em dupla, é lógico. Uma linda e uma baranga, juntas.

Se você está sozinho, esquece, a menos que esteja a fim da baranga. Mesmo assim, terá que gerenciar a rejeição da linda da mesa, que está acostumada a tudo, menos a ser rejeitada, ainda mais pela baranga que está sempre pendurada em sua aba.

Toda mulher linda gosta de sair junto com uma amiga baranga, demorei muito para descobrir porquê, e vou contar para você em primeira mão: a baranga é uma espécie de guarda-costas que afasta os homens inconvenientes (ou seja, todos) e permite à gatinha uma divertida noite sem um bando de machos enchendo o saco.

A situação típica do caçador solitário que enfrenta um misto quente é a seguinte: Primeiro, ele comete a imprudência de se dirigir à gatinha, ignorando a baranga. Isso é mais do que o suficiente para garantir o seu fracasso. O mais experientes dirigem-se às duas e socializam o papo, para sentir o clima. Se der pé, avança na gatinha.

O problema começa aí. Quando você vai começar o avanço, a baranga geme. “Está ficando tarde, quero ir pra casa”. O mais incompreensível da situação é que, em 90% das vezes, a gatinha concorda em ir embora, não importando o quanto tenha encorajado o seu avanço, e você fica na mão.

Nos outros 10% dos casos, a gatinha ignora o convite da baranga e, aí, o jaburu parte para o baixo ventre: levanta da mesa, passa a mão no braço da sua gatinha (que, nessa altura, já é quase sua, mas ainda falta o quase) e profere as palavras mágicas de evaporação de climas românticos: “Vamos ao banheiro!”.

Cara, quando a baranga consegue levar sua gatinha ao banheiro, é melhor pagar a conta e se mandar. Sabe-se lá o que mulher conversa no banheiro, mas quando elas voltam, a sua quase gatinha (por tão pouco!) senta na cadeira mais distante, fica fria com você, pede a conta e, se você ainda não pegou o telefone dela, perca as esperanças. Não vão aceitar suas ofertas de carona, preferirão tomar um ônibus, o ponto final fica logo ali.

Mas, poderia ser pior. Eventualmente, você vai encarar uma dupla misto quente que vai levantar para ir ao banheiro e nunca mais voltar, deixando a conta dos 15 chopps e das três porções de batatas-fritas (que foram quase integralmente devoradas pela baranga, diga-se a favor da justiça) para você pagar.

É por isso que amigo, amigo mesmo, amigo do peito, é aquele com quem você sai em busca de mistos quentes, com o coração aberto e estômago de aço, pronto para se revezar com você na nobre arte de distrair barangas enquanto o outro avança na gatinha que está dando mole. Os demais são uns embromadores, que gostam mesmo é de descascar uma banana.


Por Laertón Glauquito.


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Isso dói: na linha da cintura | (e um pouco mais em baixo)

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Como vocês podem ver, sou irmão, quer dizer, meio-irmão, da Tarsila Tzara, essa gostosona que perfuma as páginas do Falaê com seus textos graciosamente fêmeos. Somos filhos do mesmo almirante tcheco, Istzvan Tzara, embora de mães diferentes. O insigne almirante era casado com a famosa poeta russa, Vladvsna Yurievna e o casal produziu esse piteuzinho totoso que vocês já conhecem, a Tarsila, ou Silinha, como gosto de chamá-la.

Mas, sabe como é marinheiro, sempre balançando os bagos ao sabor dos ventos. Numa de suas viagens para Cuba, o russo safadão conheceu, em mais de um sentido, inclusive o bíblico, minha mãe, uma respeitada chef de cuisine do bordel Maria Facunda, exclusivo para oficiais comunas, coisa do tempo da Guerra Fria. O resultado fui eu. Ainda grávida, mamãe embarcou como clandestina num banana boat, sonhando com a terra dos sonhos e das oportunidades, os tais esteites, mas calculou mal a direção dos ventos e acabou indo dar com o costado naquela terra tão longe de Deus e tão perto dos sanguebão de olho azul, minha muy amada terra natal, o Mexico.
Tive uma infância pobre e sofrida, mas estudei, trabalhei duro e, hoje, tive muito mais sucesso do que minha pobre mãezinha jamais poderia esperar. Acabo de ser promovido a chefe da segurança do bordel Juanita Facunda, irmã emigrada da cubana Maria, que não deu tanta sorte. Como seu congênere cubano, o Juanita é exclusivo para executivos de multinacionais americanas, coisa desses tempos de globalização, e minha mãe ainda exerce a nobre função de chef de cuisine.

Sabe como é, bordel mexicano desses tempos globalizados não é mais como os de antigamente. Nada de jukebox enferrujada tocando os mesmos velhos boleros de sempre. Hoje contamos com uma completa estrutura informatizada com processadores de última geração e conexão à Internet de alta velocidade, através da qual fazemos download em formato MP3 daqueles mesmos velhos boleros de sempre.

Como chefe de segurança dessa basilar instituição, verdadeiro pilar das tradições e da família mexicana, tenho muito tempo livre para coçar o saco, e não há coçassaco melhor do que a Internet, disso ninguém vai discordar. Mouse vai, mouse vem, acabei aportando meu banana boat no Falaê e vi o sobrenome Tzara.

Seria muita coincidência.

Os acordes dramáticos ribombaram pelas lajotas do Juanita.

O cachorro latiu "El dia que me quieras".

As meninas do estabelecimento cantaram em coro "Love story theme".

Reconhecemo-nos, irmão e irmã separados por uma eternidade finalmente unidos por um oceano de lágrimas, transportadas na velocidade da luz pelos mágicos bits e bytes da tecnologia moderna.

Trocamos as histórias de nossas vidas em longas noitadas no icq. Fiquei comovido quando descobri que o almirante Tzara afundou junto com uma banheira atômica furada de nome esquisito que a marinha tcheca insistia em chamar de submarino. Com a morte do marido, Vladvsna, mãe da Silinha, descobriu que não havia espaço na Rússia capitalista para mais uma poeta, e partiu em direção à terra da oportunidades, os esteites, é óbvio. Infelizmente, a sucata da Aeroflot em que Vladvsna embarcou com a Silinha fazia a rota Moscou-Nova Iorque via Johanessburgo, Buenos Aires, Grota Funda, Vila Valqueire, o diabo, era conexão que não acabava mais, e a pobre poeta, sem entender quaisquer outros caracteres que não o cirílico e nenhuma outra língua além do russo, acabou perdendo uma das conexões e se estabeleceu no RJ. Foi ficando, aprendeu o idioma, acabou montando um bem-sucedido atelier de poesia e picaretagens em geral para emergentes da Barra da Tijuca que não conseguem pronunciar uma sílaba de seu nome, mas a-do-ram qualquer coisa que venha de longe, de preferência com nome enrolado, bem ao estilo cariôco de ser. Os poemas de Vladvsna, todos em russo, enfeitam as paredes de Vera Loyola, que os toma por pinturas renascentistas, mas não sou eu quem vai melar o ganha-pão da mãe da Silinha.

Feitas as apresentações, vamos ao assunto do título. Minha proposta aqui, com esse bico que a Silinha me arrumou no Falaê, depois de eu conseguir um amplo provimento de vales-michê no Juanita para o dono do site, que viaja freqüentemente ao Mexico (viva a Alca!), é escrever sobre o jeito latino de ser macho, entre uma golada e outra de José Cuervo, entre uma bicota e outra nas meninas de dona Juanita, entre uma tapona na orelha e na outra de clientes mal-educados que confundem as meninas com sacos de areia para treinamento de boxe.

Não gostou da proposta? Pode enviar suas reclamações para suamãe@bordeljuanitafacunda.com. O atendimento é garantido, exceto na hora da siesta.


Por Laertón Glauquito.


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O mito do chute lá

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Ele bobeou por um minuto e meu pé direito explodiu contra a sua virilha.

Foi nesse dia que eu aprendi a não acreditar em mitos. Por exemplo, o mito de que basta um chute no saco para nocautear um homem adulto e furioso.

O meu chute atingiu-o em cheio, como toda minha força e eu estava em minha melhor forma.

Ele nem pareceu sentir.

Caiu sobre mim como um avalanche, eu desabei sobre as costas, ele montado sobre minha barriga, aplicando-me cabeçadas e esmurrando-me os rins.

Tensionei os meus músculos o máximo que pude, para atingir a posição fetal. Preocupava-me em não permitir que suas cabeçadas atingissem meu supercílio ou meu nariz... Mas que diabo de cabeça dura era aquela que me acertava bem entre as orelhas!

Consegui enfiar minha perna esquerda entre as pernas dele bombardeei-lhe a virilha com joelhadas, sem sucesso.

"Será que esse desgraçado não tem saco"? - eu pensava, buscando uma saída em desespero, sentindo-me prestes a ser nocauteado.

Graças a Deus, cabeçadas não tonteiam apenas quem as recebe. Ele bobeou de novo e ergueu demais a cabeça, expondo seu pomo de adão.

O golpe que apliquei poderia tê-lo matado se eu não estivesse tão tonto. O polegar esticado, os outros dedos em garra espremeram-lhe a laringe, tentando arrancá-la fora do pescoço.

Ele perdeu o ar e caiu de joelhos quando empinei a barriga para expulsá-lo de cima de mim.

Era minha oportunidade e estava disposto a aproveitá-la: um pisão com toda força no joelho e ele estaria incapacitado a se levantar e prosseguir a luta, permitindo-me fugir, que era o que eu queria fazer desde o começo.

Mas eu estava tonto. Errei o pontapé e caí como um comediante escorregando numa casca de banana.

O mundo girava à minha volta. Assistia às agônicas tentativas de respiração de meu oponente enquanto eu tentava firmar-me sobre os pés apenas para cair novamente sobre um braço. "Oh, Deus, que ele não tenha quebrado" – eu rezava, entre gemidos de dor.

Consegui ficar de pé, cambaleante.


Acessar rotina de avaliação de danos: Nenhum osso quebrado.

Meu adversário ainda tentava recobrar a respiração. Estendeu uma das mãos espalmadas, um mudo pedido de trégua.

Num único movimento, dei um passo à frente, encaixei meu cotovelo contra o dele, segurando-lhe o pulso com a mão esquerda. Com a direita, agarrei-lhe os dedos estendidos e dobrei-os para trás com toda a força que me restava, soltando-os das articulações.

Desta vez, o choque da dor foi suficiente para nocauteá-lo. Sò para garantir, apliquei-lhe um pisão em cada joelho para impedi-lo de me perseguir caso recobrasse a consciência antes que eu estivesse a, no mínimo, dois quilômetros dali.

O foda de transar com mulher casada é que elas sempre inventam de se encontrar com você em casa e, cedo ou tarde, você vai acaba sendo flagrado pelo corno.

Cornos, ao que parece, não têm saco no meio das pernas.


Por Laertón Glauquito.


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Tratado Geral sobre a Arte de Dar Mole (ou Por que você só arruma homens babacas?)

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Talvez você esteja com a auto-estima esmagada sob os calcanhares e pense que a resposta à pergunta do título é muito simples: porque você É uma babaca.

Tst-tsc-tsc... Para começar, aprenda que mulheres babacas não lêem. No máximo, olham as figuras. Então, se você está aqui neste site, disposta a ler este texto, é porque você não é tão babaca quanto pensa... Mas está intrigada com o fato de que, sendo uma mulher tão legal, só aparecem homens babacas em sua vida.

Se observar a humanidade com muito cuidado, chegará à conclusão de que só
existem dois tipos de pessoas: - os "babacas" e os "legais". O resto, são variações sobre esse tema básico.

Quem é o homem babaca? Observe com atenção todos esses sujeitos que estão à
sua volta. Repare nas manguinhas dobradas até a altura dos cotovelos arrochando os músculos cuidadosamente cultivados à base de levantamento de marombas e anabolizantes não-hormonais (ou nem tão não-hormonais). Na camisa cuidadosamente enfiada dentro das calças na medida certa. No cinto combinando com os sapatos e as meias. Nos cabelos aparados com máquina três, lembrando-a o gramado do londrino Hyde Park, embora a inspiração para o corte de cabelo tenha sido, obviamente, o gramado sintético do Yankee Stadium, que ele viu na ESPN ao acompanhar as disputas do campeonato "mundial" de "bêisbol" que, só para constar, é disputado exclusivamente por times estadunidenses.

O visual do babaca pode ser resumido numa única expressão: ele se veste de acordo com as normas da ABNT.

Em uma boate, você o verá dançando com os joelhos, mas não com os ombros;
um copo de qualquer drink na mão direita acompanhando descompassadamente o ritmo da música; o queixo quadrado empinado em atitude de "o dono do mundo"; as sobrancelhas espessas mais ou menos unidas sobre o nariz; o sorriso de dentes trincados congelado num rosto sem expressão; a gargalhada tecnostática ecoando em coro com as do bando de clones que o acompanha.

Se ele reparou em você, empina-se como um pavão e berra no ouvido do clone mais próximo um arremedo de confidência ao pé-da-orelha. Nos movimentos espalhafatosos de sua engrenagem labial, é legível cada "aê, maluco, tipo assim" que ele consegue pronunciar com grande consumo de energia neuronal, enquanto seu cotovelo supostamente amistoso atinge as costelas de seu clone, que responde com uma risada pseudo-cínica e um soquinho no ombro.

Ok, ele reparou em você. Ele até que é gatinho. Você está carente, bem que gostaria de dar uns beijinhos em alguém antes de voltar para casa.

Então, você olha um pouco mais detidamente para o sujeito que descrevi. Ele empina um pouco mais o queixo e caminha em sua direção como um Schwarzenegger pronto para exterminar o seu futuro. Começa a "dançar" com você, ao estilo ciborgue. O sorriso, aquele mesmo entredentes de antes, é o único que ele é capaz de emitir. O olhar, sopesando cada centímetro do seu corpo, de cima abaixo, movimenta-se como a
câmera de vigilância nos edifícios comerciais. O corpo rijo, exalando o mesmo perfume másculo da moda que você já sentiu na boate inteira em cada homem por que passou perto, movimenta-se com a graça e espontaneidade dos equipamentos de uma montadora de automóveis.

Você joga os cabelos para um lado e sua dança a conduz para cada vez mais perto dele. Ele empina ainda mais o peito - como se isso fosse possível. Ele aproxima a boca de seu ouvido, berra aquilo que considera a essência primordial de seu estilo de vida: "Aê, tipo assim!"...

...e, meio segundo depois, vocês estão se beijando, os lábios dele esmagando os seus como uma prensa mecânica, a mão apertando sua bunda como um inusitado aparelho de musculação.

A carência afetiva é a causa das maiores tragédias: desde a fome na África, a crise da energia elétrica e as guerras mundiais, até a sua desmiolada decisão de sair da boate com ele.

Querida, no momento em que você entra no carro dele, não tem mais volta. Todos os amigos clones do seu gato testemunharão em qualquer tribunal do mundo que você deu mole e deixou-se amassar à vontade por ele, na pista de dança e em vários outros pontos da boate em que ele a exibiu como um troféu de caça.

Você vai TER QUE DAR para ele. Mesmo que aquele par de sobrancelhas, olhando mais de perto, fora daquelas luzes estroboscópicas, subitamente lhe traga à lembrança uma peluda taturana.

O menor risco que você correrá ao recusar-se a transar com ele será o de ser expulsa do carro em lugar ermo, sob uma saraivada de xingamentos que a farão sentir-se como lixo não-reciclável por, no mínimo, uma semana.

O maior, você sabe qual é: ele é muito mais forte do que você, aqueles músculos marombados que pareciam tão atraentes na pista de dança tornam-se concretas ameaças na penumbra do carro dele e podem voltar-se contra você a qualquer momento. O melhor é relaxar e dar logo para esse imbecil, considerando-se uma mulher sortudérrima se ele topar usar a camisinha que você leva na bolsa.

(Outra diferença importante entre as mulheres babacas e as mulheres legais é que as legais sempre levam uma camisinha na bolsa).

Mas não é preciso desesperar-se. O ato sexual com esse sujeito não vai durar mais do que uma série de flexões de braço. Talvez você fique com a pelve dolorida alguns dias, porque ele acha que o segredo para levá-la aos píncaros do prazer é martelar violentamente o osso púbico dele contra o seu.

Os danos físicos não devem ir muito além disso. Seu maior problema a partir do momento em que ele gozar - o que não deve demorar mais do que uns cinco segundos... Quatro, três, dois... ; serão os danos morais. Depois que ele ejacular, tudo o que ele desejará será livrar-se de você o mais rapidamente possível e correr para contar aos clones como "deu cinco sem tirar de dentro daquela galinha" - você! - embora ela fosse "uma merda na cama".

As perguntas que iriam persegui-la por toda a sua vida caso o seu amigo, o cara legal Laertón Glauquito, não estivesse aqui para sanar todas as suas dúvidas, seriam as seguintes: - O que fiz de errado? Será que os homens são todos iguais?

Não, querida, não são. Existem muitos homens legais por aí, você é que não sabe olhar. Principalmente, você não os atrai porque não sabe dar mole para eles.

Comece sua observação pelas roupas. Homens legais não são desleixados -os desleixados compõem apenas outro estilo de babacas, mas não parecem saídos de uma linha de produção em série. Algo os diferencia da multidão e, se você observar bem, notará que é um certo despojamento relaxado. Os homens legais estão à vontade naquele ambiente porque ficam à vontade em todo lugar. Então, poderão até ter dobrado a manga da camisa na altura do cotovelo e a enfiado dentro das calças, mas o tecido já escorregou um pouco e ele nem notou.

O cara legal poderá estar sozinho, ou acompanhado com amigos, mas você não notará sinais de ansiedade para "arrumar" uma mulher. Suas risadas serão espontâneas. Seus músculos, ainda que trabalhados, estarão soltos sob as roupas, pois ele não os flexionará sem um motivo justo.

Os caras legais não são exibicionistas, eles são o que são, espontaneamente, e estão ali com a mente e o espírito abertos para conhecer as mulheres que tenham a mente e o espírito abertos. Eles não se esforçam para aparecer, mas são notados pelas mulheres que os merecem.

Você quer merecer um deles? Então aprenda como dar mole para eles. Se sua técnica de dar mole só tem atraído babacas ou bundas-moles ultimamente, não há razão para não tentar algo diferente.

A maioria das mulheres (inclusive você, se leu este artigo até aqui) quer azarar os carinhas colocando-se numa redoma de vidro. Olham repetidamente para o cara de quem estão a fim, mas com a expressão gélida.

Às vezes, com uma tromba que, se desenrolada, chegaria ao joelho do Cristo Redentor.

Os caras legais até reparam em você, mas não se dão ao trabalho de interpretar os sinais ambíguos que você envia. Sabe por quê? Porque eles sabem que as mulheres legais enviam sinais com objetividade e cordialidade. "Sim, por favor" ou "Desculpa, mas não estou a fim", sem mágoas ou receios. Com suas caras e olhares contraditórios, tudo o que você consegue transmitir é algo como: - Desculpa, mas sim, por favor, não, estou a fim. Na dúvida, o cara legal não chega junto, pois receia incomodá-la.

Agora, adivinhe quem é que não receia incomodá-la?

Exatamente: o babaca. O babaca só se preocupa com o próprio umbigo, de modo que ele interpreta todos os seus sinais ambíguos como um "vem cá, gostosão"!. Como ele ignora seus sinais e avança o seu sinal, é com ele que você costuma terminar a noite. Como você não quer ninguém quer ficar sozinha, acaba aturando um tipo desses atrás do outro.

Em resumo, o método para conquistar um cara legal envolve apenas dois passos. O primeiro é aprender a reconhecê-los. O segundo é aprender a dar mole para eles. Aprenda a enviar sinais objetivos. Se você gostou dele, olhe-o diretamente, em vez de ficar olhando e desviando o olhar, como se não estivesse interessada, ou como se ele estivesse te incomodando. Se ele sorrir para você, retribua o sorriso, em vez de amarrar uma tromba quilométrica. Enfim, trate-o com educação e cordialidade, pois os caras legais são educados e cordiais. Se você tratar os homens com estupidez e
brutalidade, só atrairá homens estúpidos e brutais, aqueles que nós, com
toda a razão, chamamos de babacas.


Por Laertón Glauquito.


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Sintomatologia do Mal da Mulher Fresca ou “Por que você não consegue segurar seu homem”?

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Se você não consegue segurar homem algum junto de você, se ele jura que te ama mas acaba te largando no altar para casar com outra ou, pior ainda, encerra o relacionamento para ficar sozinho, talvez você padeça de “Criogineíte”, doença mais conhecida como “Mal da Mulher Fresca”.

O vírus da criogineíte provoca alterações morfológicas facilmente visíveis a um olho treinado. Por exemplo, no cérebro da Mulher Fresca, a doença impede que ela perceba que os homens consideram a mulher como o maior de todos os ansiolíticos.

Para compreendermos melhor esse ponto, faz-se necessária uma breve digressão sobre o funcionamento do organismo do macho que a Mulher Fresca está prestes a perder.

As elevadas dosagens de testosterona no sangue dos homens tornam-nos irritadiços, prontos a apertar o botão que desovará os mísseis para detonar essa merda toda de uma vez. Cabe à mulher evitar o cataclisma mundial, desviando para seus órgãos macios e quentinhos toda essa transbordante agressividade testicular.

O vírus da criogineíte bloqueia a percepção feminina desse fato natural básico, permitindo que o macho desvie seus fluxos testosteronais para outros canais menos adequados, como o comportamento no trânsito – homem de saco cheio é o maior causa de acidentes automobilísticos, a pelada de domingo, a cervejada no botequim ou a vaca daquela vizinha oferecida, que vive se oferecendo para seu homem porque a oferta de homem está escassa.

Ainda na cabeça da Mulher Fresca, observam-se extensos e contínuos movimentos na cavidade buco-faringeal, que produzem vocalizações como “Ai, que nojo”, “Cruzes, que horror”, “Não estou a fim hoje”, “Não sou um objeto”, “Aí, não”, “Mais devagar”, etc.

A longo prazo, a atividade do vírus da criogineíte tende à destruição progressiva das cordas vocais da Mulher Fresca, dotando-a de um tom infantilizado e ligeiramente anasalado, semelhante ao de um gato engasgando-se com uma espinha de peixe.

O efeito mais destrutivo exercido pelo vírus sobre o cérebro de suas vítimas, porém, é exercido sobre a energia neuronal. Quando o vírus atinge o pico de sua atividade, o cérebro da Mulher Fresca conduz-se rapidamente para um estágio terminal, no qual a cura se torna impossível e o prognóstico mais otimista é o de um divórcio-relâmpago.

Nesse penoso estágio, a Mulher Fresca analfabetiza-se, não consegue articular duas palavras por escrito, torna-se incapaz de ler qualquer texto pouco mais complexo do que os da revista Caras sem atribuir às palavras lidas delirantes duplos sentidos persecutórios, imaginando-se vítima de ofensas claramente não intencionadas pelo autor.

Condenada pela doença a uma atitude permanentemente defensiva e paranóica, a Mulher Fresca em estado terminal interpreta com desconfiança mesmo os atos mais carinhosos, rejeitando inclusive os elogios mais inocentes, agredindo qualquer macho que lhe dirija uma palavra terna, como “querida”, por exemplo.

Não há homem que agüente.

Infelizmente, a cabeça não é a única parte do organismo dos relacionamentos que é virulentamente afetada pelo Mal da Mulher Fresca. A sensibilidade do corpo com criogineíte atinge níveis tais em que até o leve roçar de uma barba no cangote resulta em histéricos urros de dor. Qualquer toque, em qualquer parte do corpo da Mulher Fresca, ou está doendo, ou é forte demais, ou é fraco demais... O homem, por mais que se esforce, jamais consegue encontrar o maldito meio-termo que a agrada.

A sensibilidade corporal advinda dessa terrível doença pode provocar impresivíveis tragédias pessoais e profissionais. Um inocente roçar de coxas no sofá se pode se transformar em acusações de tentativa de estupro. Um simples elogio no ambiente de trabalho, em uma ação na Justiça por assédio sexual. Uma simples mensagem de e-mail, em um festival de baixarias sem sentido.

O lado mais irônico desse aspecto da horrenda virose é que, apenas seis meses antes, esse mesmo toque, que agora provoca dor e reações iradas, causava gemidos de prazer e pedidos de “quero mais”.

No início do relacionamento com a Mulher Fresca, o incauto macho que caiu em suas garras por pouco não conseguia dar conta de seu desejo insaciável. Hoje, ele tem que implorar para que ela concorde em afrouxar a fivela do cinto da calça jeans.

Toda Mulher Fresca é uma ninfomaníaca no início do relacionamento. Em menos de seis meses, vira em freira.

O sonho de todo macho é casar-se com uma freira que, após o casamento, descubra-se uma ninfomaníaca. A Mulher Fresca faz exatamente o contrário, depois reclama que não consegue segurar macho algum.


Por Laertón Glauquito.


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PUTAS: UMA CANÇÃO DE AMOR.

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Puta é a mãe dos outros.

Puta é a filha do vizinho.

Puta é a mulher daquele corno

que mora no outro lado da rua.



Minha mãe não,

só dava para o meu pai,

antes dele ficar broxa (1).



Minha filha não,

só dá para o noivo

(tudo bem que toda semana

ela aparece com um noivo diferente,

mas os jovens são tão volúveis).



Minha mulher

só dá pra mim,

tá pensando o quê?



Putas são profissionais.

Dão por dinheiro,

vejam só que absurdo.



Antes por dinheiro.

Toda relação humana é uma barganha.

Se o preço de um trabalho

não é cobrado em grana,

costuma ser alto demais.



Putas são profissionais.

Pagou, tomou, tchau.



Quanto te custa por mês cada trepada com sua mulher?



Deixemos de lado o cartão de crédito

que você deixou na mão dela

para comprar aquelas "miudezas indispensáveis",

para "ficar linda para você",

"para o nosso conforto"

ou "para as crianças".



Calcule os custos em termos

de carregamento de mala sem alça;

de pepinos altamente dispensáveis;

de complicações inúteis;

de bate-bocas intermináveis sobre...

qual era mesmo o assunto?;

de diversões não-vividas;

de jogos de futebol não-assistidos;

de cantadas malsucedidas –

"Ah, você é casado...

Não quero nada com homem casado";

de "o Júnior brigou na escola";

de "a mamãe vem almoçar com a gente

e vai trazer junto a Dona Ninoca";

de "amor, joga o lixo fora"

quinze vezes por dia;

de intermináveis cerimônias de casamento

de sobrinhas da manicure,

você usando terno em pleno domingão;

de "estou menstruada"

(ou pior: "a menstruação

está demorando a vir");

de cólicas e dores de cabeça diárias;

de humores que variam instantaneamente...



Tudo isso em troca de

uma ou duazinhas por semana,

no maior sufoco,

porque as crianças podem acordar,

porque o telefone pode tocar

e ela está esperando uma ligação urgente

da mamãe,

porque está com dor aqui ou ali,

porque hoje não está a fim

mas vai fazer o supremo sacrifício

de dar pra você hoje

porque o amor etcétera e tal.



Mas esposa cobra apenas

o terceiro michê mais caro do mundo.



Em segundo lugar, vêm as filhas.

Aquela coisinha linda se transformando

em um mulherão bem ali debaixo do seu nariz...

E você não pode comer,

senão comete crime de incesto,

é tachado de pedófilo,

te mandam para a cadeia,

onde você vai virar mulézinha (2)

de um negão

para aprender a deixar de ser tarado.



As suas filhas sabem

do tesão que você sente por elas

e se aproveitam de sua impotência

para enfiar a mão no seu bolso.



Penduram-se no seu pescoço,

tacam-lhe um monte de beijinhos,

te chamam de papaizinho,

ronronam,

fazem beicinho,

não há coração que agüente,

você dá tudo o que elas pedem

antes que a perspectiva

de virar mulézinha daquele negão

comece a não parecer tão assustadora.



Mas o michê mais caro de todos,

hors-concours,

é o da mãe.



De esposa,

você sempre pode se divorciar.

Lógico que ao preço de uma polpuda

pensão mensal para as crianças,

porque ela não quer nada para si mesma,

por ela você poderia ir

para o inferno junto com o seu dinheiro,

mas atrase um mês o

pagamento da pensão

e aquele negão estará pronto

para dar-lhe as boas-vindas.



Filhas crescem

e logo arrumam outro otário

para sustentá-las.

Você só precisa comprar

e equipar do teto ao piso

o apartamento

onde eles vão aprender juntos

o que é bom pra tosse.



Mas, mãe...

Cara, mãe é para a vida toda.



Tá fudido (3).



Se você sequer pensar em sexo

com sua mãe,

Deus castiga,

te manda direto pro inferno.



Ou pruma clínica psiquiátrica.



Essa mulher,

que te viu pelado desde que você nasceu,

que limpou sua bundinha

e lavou seu pingolim

esfregando-o com muito cuidado e carinho,

de quem você chupou os peitos até se lambuzar,

de quem você teve o privilégio

de ver a vagina pelo lado de dentro,

essa mulher é o ícone do que há

de mais intocável e assexual na face da Terra.



Mãe provoca o seu tesão

e castra sua ereção pelo resto da vida.

Pela sua mãe,

você não comeria ninguém.

Em cabeça de mãe, o seu nascimento

deveria ter representado para você

a trepada cósmica.



Os cuidados e carinhos concedidos a você

ao longo da sua infância,

a ontificação superlativa

do Gozo Universal Abstrato Absoluto Sintético.



O que Mãe não consegue entender

é que um saco vazio volta a se encher

e precisa esvaziar-se novamente.



Porra, se você não pode nem olhar

quando ela desfila de sutiã pela casa

na sua frente,

o que ela quer que você faça?

Se candidate a fornecedor perpétuo

da Laticínios Catupiry?



Michê por michê,

o das putas com carteira carimbada e

registro na associação profissional

até que sai muito mais em conta.



Né, dona Juanita?

*************

NOTAS:

(1) Atenção revisão: você por acaso já deu uma broxada com "ch"?

Portanto, não me corrija, broxa é com "x":

senão no dicionário, pelo menos na sua cama.

(2) Atenção revisão: se não sabe a diferença entre uma

"mulherzinha" e uma "mulézinha", pode ficar com a segunda

e mandar a primeira lá pra casa...

(3) Atenção revisão: você já fudeu alguém com "o"? Nem eu.


Por Laertón Glauquito.


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Piercing Pedagógico

,

Chego à sala de aulas quinze minutos atrasado e me arrependo de ter chegado tão cedo ao meu local de trabalho. Os alunos só começam a pingar, no mínimo, meia-hora após o horário previsto.

As primeiras a entrar em sala, como sempre, são as meninas, que beleza, e alguns garotos meio efeminados, ai meu saco. Os machos, graças a Deus, só entram em sala no final, para "pegar presença".

Está quente. Falo sem parar e minha voz respinga em rostos sonolentos. “Alguma pergunta”?

Silêncio tumular.

Coxas se descruzam sob as saias, exibindo somente para meus olhos a mancha avermelhada do pronlongado contato pele a pele. Concentro-me em meu texto decorado, não posso gaguejar, nem mesmo quando as coxas se cruzam novamente e expõem num relance as bordas arredondadas de um triangular e fofinho cor-de-rosa.

Prossigo, impávido, o suor gotejante nas axilas, a garganta ressecada pelo pó de giz. Não posso fixar o olhar em ponto algum, um professor deve dirigir seu discurso a todos e, portanto, a ninguém em especial. Deslizo minhas pupilas por testas brilhantes de calor e seborréia, por seios pendentes sob blusas folgadas e seios eriçados sob blusas apertadas, por cabelos mal partidos formando labirintos para experimentos com cobaias...

Até que minha voz se engasga pela primeira vez quando entra na sala um piercing pendente em um umbigo perfeito.

Meu silêncio é obrigatório; meu olhar, um decreto.

Ela desfila consciente de que é o centro das atenções, prolonga esse gozo pelo tempo que lhe convém, nenhuma palavra de objeção por parte dos presentes.

Olhares de censura invejosa no rosto de algumas fêmeas. Boquiabertismo no queixo de alguns machos. Puro despeito nas risadinhas dos demais.

Ela se assenta suave na carteira logo em frente à minha mesa. Pousa delicada a sua bolsa, sem deixar de me fitar.

Durante o resto da aula, minha boca pronuncia palavras desprovidas de maior significado aos meus próprios ouvidos. A quintessência do ser e do tempo sintetizam-se naquele piercing com o qual ela brinca enquanto finge ouvir atenta minhas palavras.

Professor ganha mal, mas pelo menos se diverte.


Por Laertón Glauquito.


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Sobre o tema da próxima edição do Falaê: Sexo e Poder!

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Ah, sei lá, porra, sexo & poder é um tema tão óbvio, tão batido. Poder é foder e foder é poder, poder é poder foder, foder é foder o poder, foder é poder o foder, que falta de originalidade, porra!

Queria ver uma hora dessas uma edição especial sobre o mergulho da libélula no minuto anterior ao esticar da língua do sapo; ou sobre as hemorróidas do poeta; ou sobre a elasticidade do rabo da lagartixa; ou sobre a curvatura da banana; ou sobre os reflexos refratários na impressão digital da lente dos óculos; ou sobre qualquer merda que não fossem essas obviedades de classe média urbana zonasulista, que eu próprio sou de classe média, urbano e zonasulista, mas não sou narcisista, não tenho saco para ler nem para escrever o que vejo todo dia no espelho, ou pela janela; quero ler e escrever sobre as areias da caatinga, sobre o fundo do mar, sobre o pico da montanha; não sobre o suvaco fedido do afro-brasileiro que está de pé ao meu lado no ônibus lotado; grande merda isso; sinto cheiro de suvaco de afro-brasileiro em ônibus lotado desde que afro-brasileiro era crioulo mesmo, e o samba era do crioulo doido, e ninguém se ofendia babacamente com essas merdas, porque racismo não é chamar um afro-brasileiro de crioulo, é pular nas tamancas quando vê a carapinha do namorado da sua irmã, ou da sua filha; então, caguei para o poder do foder do sexo do poder foder, que isso é assunto de quem não tem nem um nem outro, mas acha que é muito liberado só porque sente uma comichão na genitália e pensa que é orgasmo; quando orgasmo mesmo é existencial; orgasmo é foder quem você ama, só é poderoso quem ama o que fode, e broxa é quem fode o que deveria amar.

Então, cambada, eis aqui minha contribuição para o tema desde mês, se quiserem publicar, ótimo, se não quiserem, fodam-se, porque quem não tem sexo que use o seu poder para censurar quem os censura.

E tenho dito.


Por Laertón Glauquito.


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Assunto de família

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Eram três homens e duas mulheres, numa mesa de bar à meia-penumbra de lâmpadas alaranjadas pendentes do teto por um fio parcialmente encapado com esparadrapo. O homem ruivo de barba espessa vestia uma jaqueta de couro reduzida a colete por golpes de navalha, calças jeans cobertas por manchas de origem inidentificável - uísque ou urina? - e fundia os pêlos de sua barba vermelha aos cabelos negros colados pelo suor ao pescoço branco de sua esquálida acompanhante, alta e magra, dois protótipos de mamilos esboçando um esforço de insinuação através do algodão de sua camiseta acizentada.

O homem louro também usava barba, um pouco mais curta, calças brancas e uma camisa florida, botões abertos até a metade do peito cujos pêlos eram acariciados pela loura alta e de seios fartos que o beijava, e de quem ele afagava suave os cabelos, sugerindo uma real paixão que os unisse.

O terceiro homem estava sozinho. Pele e cabelos morenos, vestia-se de preto, botas, paletó e gravata, esfregando os dedos no copo de uísque, borrando-o com suas impressões digitais, observando o movimento do bar sobre as hastes dos óculos.

Os homens do quinteto pareciam perigosos pela maneira despreocupada com que deixavam visíveis suas armas enfiadas em coldres sob as axilas, na cintura e nos tornozelos. Também pareciam à vontade em seu território, indispostos a demonstrações gratuitas de agressividade. Inofensivos, desde que não provocados.

Os demais freqüentadores do bar eram homens de diversas classes sociais, a maioria trabalhadores braçais, embora fosse possível identificar aqui e ali pequenos grupos que se vestiam como executivos bebericando após o trabalho. As poucas mulheres presentes limitavam-se a agarrar-se caladas ao braço ou ao pescoço de seus acompanhantes, algumas visivelmente entediadas.

Uma baixinha solitária de vestido negro e sapatos sem saltos, nenhuma maquiagem sobre o rosto de traços indígenas, cabelos negros curtos eriçados, dirige-se ao balcão e pede uma bebida. O olhar tenso, as pálbebras inferiores comprimidas, as mãos crispadas em punho ocultando parcialmente o esmalte escuro e roído em suas unhas. Deglute sôfrega a bebida forte e pede outra dose. Um dos freqüentadores do bar, camisa xadrez e físico de lenhador, se aproxima e diz alguma coisa, algo que pretende ser uma piada, ou uma cantada. O mau-humor da pequena torna-se óbvio no violento murro que desfere no plexo solar do impertinente, obrigando-o a dobrar-se em meio às gargalhadas de seus acompanhantes, que o recolhem engasgando-se em busca de ar de volta à mesa de onde nunca deveria ter-se levantado.

O moreno de óculos a tudo observa, com expressão inalterada.

A baixinha dirige-se à sua mesa, o rosto corado pela bebida, o olhar injetado pelo ódio.

- Laertón, seu canalha. Nossa mãe morre de fome e você aí, bebendo com esses vagabundos e essas...

- Marguerita, elas não são nada que você também não seja - interrompo-a com suavidade - E se nossa mãe está morrendo de fome, você sabe de quem é a culpa. Dou-lhe dinheiro todos os dias, mas o que posso fazer se você injeta cada centavo do meu suor em suas veias necrosadas?

A baixinha esbofeteia-me. O meu amigo ruivo leva a mão ao coldre.

Contenho-o com a mão esquerda, sem desviar o olhar do rosto de minha irmã viciada em heroína.

- É assunto de família - digo ao meu esquentado colega, que solta a pistola, não sem alguma hesitação.

- Sim, eu me injeto, mas faço companhia à nossa mãe - esbraveja Marguerita - Eu me injeto porque não há diferença entre você e nosso falecido pai. Ele era um ausente, como você é, e eu sofro, NOSSA MÃE sofre com a falta de um homem que nos ajude e proteja, que traga um pouco de calor à nossa casa.

A magricela pálida suspirou um "coitada" e me esmurrou metaforicamente com sua expressão de censura.

A loura peituda aninhou-se assustada - parecia temer a reação de Marguerita à simpatia da colega - atrás do ombro de seu namorado louro.

Pousei os óculos sobre a mesa.

- Quer me esmurrar novamente? Esteja à vontade.

Conheço desde criança o temperamento e os punhos de minha irmã mais nova. Não era novidade a seqüência de jabs que aplicou em meu rosto, abrindo fendas sangrantes em meus supercílios e meus lábios.

Ela parou quando meu nariz também começou a sangrar. Caiu de joelhos, as mãos lavadas em meu sangue espalmadas contra o rosto, os espasmos de choro convulsionando-lhe os ombros.

Sinalizei ao balconista que trouxesse duas bebidas à mesa, e fui atendido com a pressa dos que temem pela própria vida. Bebi o meu uísque num só gole, agarrei com a mão esquerda os cabelos de minha irmã,
estendendo-lhe o outro copo com a mão direita.

Em silêncio, ela bebeu até normalizar a respiração.

Mulher baixinha é foda.


Por Laertón Glauquito.


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Pensamentos de libélula no minuto anterior ao encontro com a língua do sapo

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Eu sou uma libélula, recém saída sei lá de onde saem as libélulas, minhas asas ainda úmidas,
Eu sou um libélulo, experiente e macho pra caralho, já escapei de tudo quanto é predador,

esvoaceio pra lá e pra cá, libeluleando livre na minha estréia na vidinha de libélula,
e já depositei meus genes em muita libelulinha por aí, como aquela ali, por exemplo,

nada conheço do mundo, que ir para ali, quero ir para lá, são tantas novidades,
bem novinha e jeitosinha, até que dá pro gasto e tá pronta pro abate,

como aquele simpático grupo de bichos gordinhos que está meditando à beira do lago,
vou chegar de mansinho, quando ela menos perceber, eu CRÁU!,

vou apresentar-me a eles e quem sa
puta que o pariu, tem sapo na área, a mina dançou, é melhor fu


Por Laertón Glauquito.


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