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Pensando bem...

...sermpre é possível mudar de idéia!

Isso dói: na linha da cintura | (e um pouco mais em baixo)

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Como vocês podem ver, sou irmão, quer dizer, meio-irmão, da Tarsila Tzara, essa gostosona que perfuma as páginas do Falaê com seus textos graciosamente fêmeos. Somos filhos do mesmo almirante tcheco, Istzvan Tzara, embora de mães diferentes. O insigne almirante era casado com a famosa poeta russa, Vladvsna Yurievna e o casal produziu esse piteuzinho totoso que vocês já conhecem, a Tarsila, ou Silinha, como gosto de chamá-la.

Mas, sabe como é marinheiro, sempre balançando os bagos ao sabor dos ventos. Numa de suas viagens para Cuba, o russo safadão conheceu, em mais de um sentido, inclusive o bíblico, minha mãe, uma respeitada chef de cuisine do bordel Maria Facunda, exclusivo para oficiais comunas, coisa do tempo da Guerra Fria. O resultado fui eu. Ainda grávida, mamãe embarcou como clandestina num banana boat, sonhando com a terra dos sonhos e das oportunidades, os tais esteites, mas calculou mal a direção dos ventos e acabou indo dar com o costado naquela terra tão longe de Deus e tão perto dos sanguebão de olho azul, minha muy amada terra natal, o Mexico.
Tive uma infância pobre e sofrida, mas estudei, trabalhei duro e, hoje, tive muito mais sucesso do que minha pobre mãezinha jamais poderia esperar. Acabo de ser promovido a chefe da segurança do bordel Juanita Facunda, irmã emigrada da cubana Maria, que não deu tanta sorte. Como seu congênere cubano, o Juanita é exclusivo para executivos de multinacionais americanas, coisa desses tempos de globalização, e minha mãe ainda exerce a nobre função de chef de cuisine.

Sabe como é, bordel mexicano desses tempos globalizados não é mais como os de antigamente. Nada de jukebox enferrujada tocando os mesmos velhos boleros de sempre. Hoje contamos com uma completa estrutura informatizada com processadores de última geração e conexão à Internet de alta velocidade, através da qual fazemos download em formato MP3 daqueles mesmos velhos boleros de sempre.

Como chefe de segurança dessa basilar instituição, verdadeiro pilar das tradições e da família mexicana, tenho muito tempo livre para coçar o saco, e não há coçassaco melhor do que a Internet, disso ninguém vai discordar. Mouse vai, mouse vem, acabei aportando meu banana boat no Falaê e vi o sobrenome Tzara.

Seria muita coincidência.

Os acordes dramáticos ribombaram pelas lajotas do Juanita.

O cachorro latiu "El dia que me quieras".

As meninas do estabelecimento cantaram em coro "Love story theme".

Reconhecemo-nos, irmão e irmã separados por uma eternidade finalmente unidos por um oceano de lágrimas, transportadas na velocidade da luz pelos mágicos bits e bytes da tecnologia moderna.

Trocamos as histórias de nossas vidas em longas noitadas no icq. Fiquei comovido quando descobri que o almirante Tzara afundou junto com uma banheira atômica furada de nome esquisito que a marinha tcheca insistia em chamar de submarino. Com a morte do marido, Vladvsna, mãe da Silinha, descobriu que não havia espaço na Rússia capitalista para mais uma poeta, e partiu em direção à terra da oportunidades, os esteites, é óbvio. Infelizmente, a sucata da Aeroflot em que Vladvsna embarcou com a Silinha fazia a rota Moscou-Nova Iorque via Johanessburgo, Buenos Aires, Grota Funda, Vila Valqueire, o diabo, era conexão que não acabava mais, e a pobre poeta, sem entender quaisquer outros caracteres que não o cirílico e nenhuma outra língua além do russo, acabou perdendo uma das conexões e se estabeleceu no RJ. Foi ficando, aprendeu o idioma, acabou montando um bem-sucedido atelier de poesia e picaretagens em geral para emergentes da Barra da Tijuca que não conseguem pronunciar uma sílaba de seu nome, mas a-do-ram qualquer coisa que venha de longe, de preferência com nome enrolado, bem ao estilo cariôco de ser. Os poemas de Vladvsna, todos em russo, enfeitam as paredes de Vera Loyola, que os toma por pinturas renascentistas, mas não sou eu quem vai melar o ganha-pão da mãe da Silinha.

Feitas as apresentações, vamos ao assunto do título. Minha proposta aqui, com esse bico que a Silinha me arrumou no Falaê, depois de eu conseguir um amplo provimento de vales-michê no Juanita para o dono do site, que viaja freqüentemente ao Mexico (viva a Alca!), é escrever sobre o jeito latino de ser macho, entre uma golada e outra de José Cuervo, entre uma bicota e outra nas meninas de dona Juanita, entre uma tapona na orelha e na outra de clientes mal-educados que confundem as meninas com sacos de areia para treinamento de boxe.

Não gostou da proposta? Pode enviar suas reclamações para suamãe@bordeljuanitafacunda.com. O atendimento é garantido, exceto na hora da siesta.


Por Laertón Glauquito.


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O mito do chute láAMIGOS DO PEITO E DOS PEITOS (*CAÍDOS OU NÃO)

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