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Pensando bem...

...sermpre é possível mudar de idéia!

Morgana

,

Sei lá o que me deu no dia em que meu humano de estimação tirou essa foto. Eu não sou como os outros gatos, que gostam de subir no colo e deixar os humanos passarem a mão à vontade onde bem quiserem. Nada disso, eu detesto mãos humanas, sempre detestei.

Quando eu era pequenininha, meus dentes também eram pequenos e eu quase não tinha força na boca. Quando uma mão chegava perto de mim eu NHAC! - tacava os dentes.

Minhas mordidas não machucavam e os humanos riam de mim. Eu ficava com raiva, e agarrava os braços deles com as unhas das minhas patinhas da frente, que já eram bem afiadinhas. Com as unhas das patas traseiras, que são as mais fortes, eu tentava rasgar os braços deles...

Aí, os humanos paravam de rir e me deixavam em paz.

Então eu cresci um pouco mais e passei a ter força para machucar de verdade os humanos. Eles não riram mais. Eu mordia e eles gritavam.

O meu humano de estimação passou a me bater toda vez que eu o mordia. Para cada NHAC que eu dava, ele me lascava um tabefe no bumbum.

Depois de um tempo, parei de mordê-lo. Quer dizer, só mordo quando me provoca muito. Já sei que não é bom negócio ficar mordendo meu humano toda hora... Senão, PLÉFT!

Já os outros humanos... Morrem de medo de mim. Eu gosto do cheiro que eles soltam quando estão com medo. Eu me sinto poderosa, a dona da casa. Quando estão com medo, os humanos não ficam passando a mão em mim. Como já disse antes, eu DETESTO mãos.

Mas gosto dos pés do meu humano. De vez em quando, eu esfrego os meus bigodes nos pés dele... Os pés do meu humano têm um cheirinho de sardinha que eu adoro!

Eu já contei como foi que eu escolhi esse humano?

Foi assim: eu nasci com mais três irmãozinhos e uma irmãzinha. Eu mamava com meus irmãozinhos na barriga da minha mamãe e ali era o lugar mais quentinho e gostoso do mundo.

Só que minha mãe era dona de um casal de humanos que servia a mais alguns outros gatos... Esses humanos não gostaram quando a gente nasceu. Então, começaram a trazer outros humanos para ver a gente.

Meus irmãozinhos, um a um, foram escolhendo os humanos de quem eles queriam ser donos e foram embora. Ficamos só eu e um irmãozinho, que tinha um pêlo dourado e listras negras que nem um tigre. A gente brincava o tempo todo e eu gostava muito dele.

Os humanos que serviam à minha mãe ficaram preocupados porque ninguém queria pegar a gente. Pensavam que não iam dar conta de servir a tantos gatos. Pensaram em fazer coisas feias com a gente. Ficamos com medo, muito medo.

Uma humana branquelinha veio nos ver e fomos para a casa dela, onde tinha mais um montão de gatos e gatinhos. Ficamos felizes lá, porque a humana branquela gostava muito de nos servir. Nem se incomodava quando eu lhe tacava os dentinhos, para ensinar a ela quem é que manda.

Só que ela também não queria ficar com a gente. Foi chamando outros humanos para nos ver. Eu nem dava bola, só queria ficar ali com meu irmãozinho e os outros gatos.

Eu já estava achando que ia ficar ali para sempre...

Até que, num dia frio, chegou o meu humano. Ele estava vestindo uma jaqueta cheirosa. Ele brincou comigo, brincou com meu irmãozinho. Ele estava em dúvida, não sabia se queria servir a mim ou ao meu irmão.

Acabei com a dúvida dele num segundo: pulei pela abertura da jaqueta e me aninhei bem gostosa ali dentro, sentindo o calorzinho dele!! Dormi tranqüila, sabendo que aquele humano era meu, ninguém mais o tiraria de mim.

Fui muito boba ao pensar assim. Esse humano me levou para uma casa onde tinha uma humana de maus-bofes, que queria me expulsar. Ele a chamava de "mãe" e eu não gostei nada dela. Vivemos juntas por quase dez anos, mas eu nunca a respeitei. Sempre que podia, tacava-lhe os dentes, até quando ela não estava fazendo nada!

Até que ela era boazinha comigo. Botava a ração no lugarzinho que eu queria, trocava minha água todos os dias e não reclamava muito quando eu mordia suas mãos. Fazia todas as minhas vontades. Quando ela se fechava no quarto, era só miar beeeeemmm alto, que ela vinha correndo abrir a porta para eu entrar. Ou sair, se eu já estivesse dentro do quarto.

Também detesto porta fechada, sabe?

O meu humano não quis me dividir só com essa senhora. Ele também trazia uma moça a quem ele chamava de "namorada". Veja só que absurdo: ele queria fazer carinho nessa tal de "namorada" e não em mim!

Nem conversei: taquei os dentes na exibida! Meu humano brigou comigo, latiu alto, mas a tal da namorada acabou aprendendo qual era o lugar dela... Bem longe do meu humano!

Meu humano é muito bobo. Arrumou outra moça "namorada". Mordi e arranhei, mas ela não foi embora. Voltava sempre. E acabou levando-o embora...

De vez em quando, ele vinha me ver. Mas ficava um tempão sumido. Eu fui ficando velha, vivendo com aquela senhora que ele chamava de mãe. Fiquei com raiva dele. Não adiantou.

A raiva passou. Acabei entendendo que era melhor aproveitar as vezes em que ele aparecia para fazer-lhe carinhos nos pés... Porque podia demorar muito tempo até ele aparecer de novo.

Um dia, faz pouco tempo, ele veio me pegar e me levou para outra casa. Nessa casa, ele vive com a tal da "namorada" que o levou embora.

Só que agora ele não a chama mais de "namorada". Ele a chama de "esposa"...

A coisa que mais me enche de raiva é que essa "esposa" já serve a mais duas gatas. Dá tudo o que elas querem e nem liga pra mim. Enquanto isso, o meu humano fica dividido no meio de tanto gato e não me dá tudo o que eu quero.

Desde que vim para cá, estou tristonha, só fico deitada numa caixinha dentro de um quarto. O meu humano não me deixa sair dali. Tudo o que eu queria era estraçalhar as outras gatas, arranhar e morder a tal da "esposa" até ela ir embora. Mas o meu humano não deixa.

Sinto saudades da minha antiga casa. Também sinto falta da moleza que eu tinha com a "mãe" do meu humano.

Hoje, eu tenho onze anos de idade. Quer dizer, já sou uma gata meio velha. Queria que meu humano fosse só meu, sem ter que dividi-lo com mais ninguém, até chegar o dia de partir para o Céu dos Gatinhos...

Eu sei que meu humano me ama, mas eu queria que ele amasse só a mim.

Amor de humano é igual a uma patinha de gato. Fofinho, mas tem uma unha escondida que arranha e machuca.

É um amor que dói, mas é melhor do que amor nenhum.



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AMIGOS DO PEITO E DOS PEITOS (*CAÍDOS OU NÃO)Lúcio, O Rei dos Macacos

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