O mito do chute lá
Tuesday, 22. July 2008, 03:33:09
Foi nesse dia que eu aprendi a não acreditar em mitos. Por exemplo, o mito de que basta um chute no saco para nocautear um homem adulto e furioso.
O meu chute atingiu-o em cheio, como toda minha força e eu estava em minha melhor forma.
Ele nem pareceu sentir.
Caiu sobre mim como um avalanche, eu desabei sobre as costas, ele montado sobre minha barriga, aplicando-me cabeçadas e esmurrando-me os rins.
Tensionei os meus músculos o máximo que pude, para atingir a posição fetal. Preocupava-me em não permitir que suas cabeçadas atingissem meu supercílio ou meu nariz... Mas que diabo de cabeça dura era aquela que me acertava bem entre as orelhas!
Consegui enfiar minha perna esquerda entre as pernas dele bombardeei-lhe a virilha com joelhadas, sem sucesso.
"Será que esse desgraçado não tem saco"? - eu pensava, buscando uma saída em desespero, sentindo-me prestes a ser nocauteado.
Graças a Deus, cabeçadas não tonteiam apenas quem as recebe. Ele bobeou de novo e ergueu demais a cabeça, expondo seu pomo de adão.
O golpe que apliquei poderia tê-lo matado se eu não estivesse tão tonto. O polegar esticado, os outros dedos em garra espremeram-lhe a laringe, tentando arrancá-la fora do pescoço.
Ele perdeu o ar e caiu de joelhos quando empinei a barriga para expulsá-lo de cima de mim.
Era minha oportunidade e estava disposto a aproveitá-la: um pisão com toda força no joelho e ele estaria incapacitado a se levantar e prosseguir a luta, permitindo-me fugir, que era o que eu queria fazer desde o começo.
Mas eu estava tonto. Errei o pontapé e caí como um comediante escorregando numa casca de banana.
O mundo girava à minha volta. Assistia às agônicas tentativas de respiração de meu oponente enquanto eu tentava firmar-me sobre os pés apenas para cair novamente sobre um braço. "Oh, Deus, que ele não tenha quebrado" – eu rezava, entre gemidos de dor.
Consegui ficar de pé, cambaleante.
Acessar rotina de avaliação de danos: Nenhum osso quebrado.
Meu adversário ainda tentava recobrar a respiração. Estendeu uma das mãos espalmadas, um mudo pedido de trégua.
Num único movimento, dei um passo à frente, encaixei meu cotovelo contra o dele, segurando-lhe o pulso com a mão esquerda. Com a direita, agarrei-lhe os dedos estendidos e dobrei-os para trás com toda a força que me restava, soltando-os das articulações.
Desta vez, o choque da dor foi suficiente para nocauteá-lo. Sò para garantir, apliquei-lhe um pisão em cada joelho para impedi-lo de me perseguir caso recobrasse a consciência antes que eu estivesse a, no mínimo, dois quilômetros dali.
O foda de transar com mulher casada é que elas sempre inventam de se encontrar com você em casa e, cedo ou tarde, você vai acaba sendo flagrado pelo corno.
Cornos, ao que parece, não têm saco no meio das pernas.
Por Laertón Glauquito.








