Sunday, March 3, 2013 3:10:00 PM
Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
"Clarice Lispector"
Saturday, July 14, 2012 10:46:43 PM
Um Cervo doente e impossibilitado de andar, descansava quieto em um pequeno pedaço de pasto fresco.
E aqueles que se diziam seus amigos, então vieram em grande quantidade para saber de sua saúde. E cada um deles, servia-se à vontade da pouca grama daquele pequeno pasto, que lá estava para seu próprio sustento.
Assim ele morreu, não da doença da qual sofria, mas por falta de alimento, uma vez que não conseguia caminhar para ir buscar em outro lugar.
Autor: Esopo
Moral da História: As más companhias sempre trazem mais infortúnios que alegrias.
Saturday, July 14, 2012 10:21:31 PM
Era uma vez... numa terra muito distante...uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico...
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:
- Eu, hein?... nem morta!
"Luís Fernando Veríssimo"
Saturday, July 14, 2012 10:11:56 PM
Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender 
1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.
2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.
3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.
4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.
5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.
6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.
7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".
8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".
9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.
10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.
Luís Fernando Veríssimo
Tuesday, June 26, 2012 3:52:54 AM
Vencendo as Dificuldades
Meu maior defeito, nos tranquilos dias da infância, consistia em desanimar com demasiada facilidade quando uma tarefa qualquer me parecia difícil. Eu podia ser tudo, menos um menino persistente.
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Foi quando, numa noite, meu pai entregou-me uma tabuazinha de pequena espessura e um canivete, e me pediu que, com este, riscasse uma linha a toda largura da tábua. Obedecí a suas instruções, e, em seguida, tábua e canivete foram trancados na escrivaninha de papai.
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A mesma coisa foi repetida todas as noites seguintes; ao fim de uma semana eu não agüentava mais de curiosidade.
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A história continuava. Toda noite eu tinha que riscar com o canivete, uma vez, pelo sulco que se aprofundava.
Chegou afinal um dia em que não havia mais mais sulco. Meu último e leve esforço cortara a tábua em duas.
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Papai olhou longamente para mim, e depois disse:
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- Você nunca acreditaria que isto fosse possível, com tão pouco esforço, não é verdade? Pois o êxito ou fracasso de sua vida não depende tanto de quanta força você põe numa tentativa, mas da persistência no que faz.
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Foi essa uma lição-de-coisas impossivel de esquecer, e que mesmo um garoto de dez anos podia aproveitar.
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Relato de: N. Semonoff Londres
Tuesday, June 26, 2012 3:23:38 AM
Nos mitos está a essência de grande parte de nossas crenças. 
A Lenda do Saci data do fim do século XVIII. Durante a escravidão, as amas-secas e os caboclos-velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras dele. Seu nome no Brasil é de origem Tupi Guarani. Em muitas regiões do Brasil, o Saci é considerado um ser brincalhão enquanto que em outros lugares ele é visto como um ser maligno.
É uma criança, um negrinho de uma perna só que fuma um cachimbo e usa na cabeça uma carapuça vermelha que lhe dá poderes mágicos, como o de desaparecer e aparecer onde quiser. Existem 3 tipos de Sacis: O Pererê, que é pretinho; O Trique, moreno e brincalhão e o Saçurá, que tem olhos vermelhos, como tochas de fogo.
Ele também se transforma numa ave chamada Mati-taperê, ou Sem-fim, ou Peitica, como é conhecida no Nordeste, cujo canto melancólico, ecoa em todas as direções, não permitindo sua localização. Este pássaro é o mesmo que deu origem ao mito da Matinta-Pereira.
Nos mitos está a essência de grande parte de nossas crenças.
Normalmente é descrito como sendo, negrinho, lustroso, sem pelos no corpo nem na cabeça; dois olhos vivos e vermelhos. Sua altura não passa de meio metro, pula com grande agilidade numa só perna, possui dentes brilhantes e brancos. Orelhas como de morcego, carapuça vermelha. Quando vê gente assobia. Adora assobiar de surpresa aos ouvidos dos viajantes, deixando-os desorientados pelo susto.
Dizem também que ele, na verdade eles, um bando de Sacis, costumam se reunir à noite para planejarem as travessuras que vão fazer. Ele ainda tem o poder de se transformar no que quizer. Assim, vezes aparece acompanhado de uma horrível megera, vezes sozinho; outras vezes como uma ave. Para os Paraenses, o Saci é a Mati-taperê, ou Matinta-Pereira. Em 1875, entre os índios Munducurus, já existia a tradição.
O mais comum é que o Saci é relatado apenas como brincalhão e malicioso, mas nunca malvado. Tanto, que são notórias suas gargalhadas à cada travessura praticada.

A carapuça inseparável do Saci é encantada, e se lhe arrebatam, ele dará fortunas para recuperar. Em Portugal há o Pesadelo. Ele é o Diabo que vem com uma carapuça e com uma mão pesada, que põe sobre o peito daquele que dorme de barriga pra cima, não deixando-o gritar. Quem puder agarrar na carapuça, ele fugirá pelo telhado e dará uma fortuna para tê-la de volta.
No Norte do país, o fabulário local substitui o Saci por outro. O pesquisador Barbosa Rodrigues escreve:
"...No Sul é Saci tapereré, no Centro Caipora e no Norte Maty-taperê.
O civilizado, que muitas vezes não entende a pronúncia do sertanejo, que é o mais perseguido por ele nas suas viagens, tem-lhe alterado o nome; já o fez Saci-pererê, Saperê, Sererê, Siriri, Matim-taperê, e até lhe deu um nome português o de Matinta-Pereira, que mais tarde, talvez, terá o sobrenome "da Silva" ou "da Mata". Para conseguir seus fins, e fazer suas proezas, sem ser visto, quase sempre vive o Saci ou Mati metamorfoseado em pássaro, que se denuncia pelo canto, cujas notas melancólicas, ora graves ora agudas, iludem o caminhante que não pode assim descobrir-lhe o pouso, porque, quando procura vê-lo pelas notas graves, que parecem indicar-lhe estar o Saci perto, ouve as agudas, que o fazem já longe. E assim iludido pelo canto se perde, leva descaminho nunca vendo o animal."
O pesquisador ainda nos ensina que o mito do Saci se confundiu com tantos outros, especialmente em volta das aves de canto disperso ou, como esse pássaro que tem o hábito de pousar numa só perna, dando a impressão de ser unípede. O Saci quando tornado mito com forma humana terá apenas uma perna.
Poder-se-á dizer, que, a ave ou aves que determinaram o mito da Matinta são as responsáveis pelo Saci atormentador. O mito é, pelo que me parece, inicial e unicamente ornitológico, completa ele.
Saci - Casta de pequena coruja, que deve o nome ao grito que faz ouvir repetidamente durante a noite. É pássaro agourante. Contam que é a alma de um pajé, que não satisfeito de fazer mal quando deste mundo, mudado em coruja vai à noite agourando aos que lhe caem em desagrado, e anuncia desgraças a quantos o ouvem. O nome de saci é espalhado do Amazonas ao Rio Grande do Sul. O mito, porém, já não é o mesmo. No Rio Grande é um menino de uma perna só que se diverte em atormentar à noite os viajantes, procurando fazer-lhes perder o caminho. Em São Paulo é um negrinho que traz um boné vermelho na cabeça e frequenta os brejos, divertindo-se em fazer aos cavaleiros que por aí andam toda sorte de diabruras, até que reconhecendo-o o cavaleiro não o enxota, chamando-o pelo nome, porque então foge dando uma grande gargalhada. (Stradelli - Vocabulário Nheengatu-português).
A superstição popular faz dessa ave uma espécie de demônio, que pratica malefícios pelas estradas, enganando os viajantes com os timbres dispersos do seu canto, e fazendo-os perder o rumo, não conseguindo mais achar o caminho de volta para casa.
O Saci é a Mati-taperê, a Matinta-Pereira dos Paraenses e barés. Os índios Mundurucus tinham a Matinta como a visita de seus antepassados, uma espécie de visita das almas. A Matinta era, como a Acauã, o Beija-flor, o Babacu, portadores dos espíritos dos mortos. A Matinta atual é o corpo que abriga o espírito de um ser vivo. Por encantamento alguém pode se transformar em Matinta e voar durante a noite, assustando quem encontra pela frente. Pela madrugada volta à forma humana. A Matinta dos Mundurucus não era assim. O mesmo ocorre com o Saci. Saci é Saci a vida inteira. Ninguém pode se tornar um Saci e andar pedindo fumo à noite pelas estradas.
Teodoro Sampaio ensinava que era assim o Saci:
Saci, ça-ci, o olho doente. Nome de gênio maléfico de mitologia selvagem, que se supõe representado por um negrinho.
Escreve o mesmo sobre a Maty-taperê:
matiî-taper-ê, o pequenino propenso às ruínas (tapera), isto é, o ente minúsculo que gosta das taperas ou vive nelas. Em verdade, Matil exprime coisa muito pequena, o vulto insignificante. Taperê é taper-ê
Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas, fazer tranças nas crinas dos cavalos, etc. Diz a crença popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci. Dizem que Ele não atravessa córregos nem riachos. Diz a lenda que, se alguém jogar dentro do redemoinho um rosário de mato bento ou uma peneira, pode capturá-lo, e caso consiga pegar sua carapuça, poderá ter um desejo seu concretizado.
Alguém perseguido por ele, deve jogar em seu caminho cordas ou barbantes com nós. Ele então irá parar para desatá-los, e só depois continua a perseguição, o que dá tempo para que a pessoa fuja. Aqui, percebe-se a influência da lenda da Bruxa Européia, que é obrigada a contar os fios de um feixe de fibras, ou novelo de linha, antes de entrar nas casas.
Do Amazonas ao Rio Grande do sul, o mito sofre variações. No Rio Grande ele é um menino de uma perna só, que adora atormentar os viajantes noturnos, fazendo-os perder o caminho. Em São Paulo é um negrinho que usa um boné vermelho e frequenta os brejos assustando os cavaleiros. Se o reconhece o chamará pelo nome, e então foge dando uma espetacular gargalhada.

Informações Complementares:
Nomes comuns: Saci-Cererê, Saci-Trique, Saçurá, Mati-taperê, Matiaperê, Matimpererê, Matintaperera, Capetinha da Mão Furada, etc.
Origem Provável: Os primeiros relatos são da Região Sudeste, datando do Século XIX, em Minas e São Paulo. Em Portugal há relatos de uma entidade semelhante, que usa botas vermelhas. Há também variantes do mito, na Argentina, Uruguai e Paraguai(Yasy Yateré), que é pequeno e gordo, vermelho e usa um bastão mágico dourado. Na Alemanha existe um anão chamado Kobolde, igual em quase tudo ao nosso Saci. Nos Estados Unidos há também o Gremlin, que é outro semelhante.
Nenhum dos cronistas do Brasil colonial, registrou o Saci como é conhecido no Sul do país. Mais ainda, nenhum deles o inclui como uma das curiosidades da terra recentemente descoberta. Entre os Tupinambás, uma ave chamada Matintaperera, com o tempo, passou a se chamar Saci-pererê, e deixou de ser ave para se tornar um caboclinho preto de uma só perna, que aparecia aos viajantes perdidos nas matas.
De acordo com a região, ele sofre algumas modificações:
Por exemplo, as mãos furadas no centro, é porque que sua maior diversão é jogar uma brasa para o alto para que esta atravesse os furos. Pode fazer o mesmo com uma moeda. Dizem que ele não suporta o alho. Em outros lugares ele pode aumentar ou diminuir de tamanho à vontade. Há uma versão que diz que o Caipora ou Curupira é o seu Pai.
Não há o Saci-Pererê no norte nem no nordeste. É citado com frequencia no folclore do do sul brasileiro, tendo tradições vivas e similares em todos os países que circundam o Brasil, especialmente nas regiões antes povoadas pelos Tupi-Guaranis, de cujo idioma nasce seu nome. Coincide sua jornada sul-norte com o roteiro das migrações tupis, pois acredita-se que esta raça é a responsável pela introdução desse mito no Brasil. Não há o Saci nas crônicas do Brasil-colonial, o que seria um fato injustificável se sua influência fosse semelhante à do Curupira, Hipupiaras, Anhangas, Juruparis, Caaporas etc. Deduz-se então que o mito não estava popularizado nos primeiros séculos da colonização.
O Saci aparece em fins do século XVIII e tem sua vida desenvolvida durante o século XIX. Surge há uns duzentos anos atrás, vindo do sul, pelo Paraguai-Paraná, justamente a zona indicada como tendo sido o centro de dispersão dos Tupi-Guaranis.
Ao subir para o Norte o Saci foi assimilando os elementos que pertenciam ao Curupira, ao Caapora, confundindo-se com a Mati-taperê. Com esse último, o Saci, que já era um mito ornitológico e local, uma ave singular, em torno da qual giravam episódios e fábulas misteriosas, teve impulso maior.
Do Curupira herdou a mania de interromper a carreira para desmanchar nós e tecidos atirados pelo perseguido. Alguns demônios europeus, os de Portugal, por exemplo, que tem a obrigação de contar os grãos de paínço atirado sob as pontes. Também herdou o Saci o direito de desnortear o viajante, fazendo-o perder-se na floresta, antigo privilégio do Curupira. Nas repúblicas do Prata, o Saci continua a ter cabelos vermelhos, semelhante ao Curupira.
Do Caapora, tornado Caipora, dá o assobio, surra os cães, atrasa negócios, pede fumo e pode proteger aqueles com quem simpatiza. Aprendeu a montar, fazendo rédeas das crinas e cansando os animais.
Nos mitos está a essência de grande parte de nossas crenças.
Normalmente é descrito como sendo, negrinho, lustroso, sem pelos no corpo nem na cabeça; dois olhos vivos e vermelhos. Sua altura não passa de meio metro, pula com grande agilidade numa só perna, possui dentes brilhantes e brancos. Orelhas como de morcego, carapuça vermelha. Quando vê gente assobia. Adora assobiar de surpresa aos ouvidos dos viajantes, deixando-os desorientados pelo susto.
Dizem também que ele, na verdade eles, um bando de Sacis, costumam se reunir à noite para planejarem as travessuras que vão fazer. Ele ainda tem o poder de se transformar no que quizer. Assim, vezes aparece acompanhado de uma horrível megera, vezes sozinho; outras vezes como uma ave. Para os Paraenses, o Saci é a Mati-taperê, ou Matinta-Pereira. Em 1875, entre os índios Munducurus, já existia a tradição.
O mais comum é que o Saci é relatado apenas como brincalhão e malicioso, mas nunca malvado. Tanto, que são notórias suas gargalhadas à cada travessura praticada.
A carapuça inseparável do Saci é encantada, e se lhe arrebatam, ele dará fortunas para recuperar. Em Portugal há o Pesadelo. Ele é o Diabo que vem com uma carapuça e com uma mão pesada, que põe sobre o peito daquele que dorme de barriga pra cima, não deixando-o gritar. Quem puder agarrar na carapuça, ele fugirá pelo telhado e dará uma fortuna para tê-la de volta.
fonte:http://sitededicas.ne10.uol.com.br
Tuesday, June 26, 2012 2:39:43 AM
No mundo de tantas redes, grupos virtuais e tecnologias móveis, cada vez nos
ocupamos mais para poder atender às inúmeras solicitações, digitais e
presenciais, que nos chegam em ritmo feérico e sentimos dificuldade em
gerenciar o que é mais importante, prestar atenção ao que é mais relevante,
equilibrando a comunicação externa com a interna, a virtual com a presencial.
Recebemos tantas mensagens a todo momento, que é fácil descuidar o 
atendimento pessoal de verdade, não achando tempo para estarmos juntos,
olho-no-olho, acolhendo, escutando, conversando com quem vem ao nosso
encontro ou está ao nosso lado. As pessoas andam ocupadas demais,
solicitadas demais e se esquecem de cumprimentar, de dar a atenção devida a
quem está perto. Vemos com frequência pessoas que atendem várias
chamadas ou checam suas mensagens, no meio de conversas pessoais,
deixando o parceiro sem atenção durante longos períodos.
Estamos ocupados demais, falando demais, dispersos demais e escutando de
menos. Muitos mais são os que falam que os que escutam. Muitos nem deixam
o outro terminar uma frase e já respondem no meio. Não prestam atenção ao
que o parceiro quer dizer. Para eles é mais importante mostrar que sabem, que
conhecem, que tem uma história mais interessante do que a que o outro conta.
Há conversas que são competitivas; parece que disputam um prêmio, o de
quem fala mais rapidamente, sem ouvir o colega. Outras conversas são
unilaterais: só um dos dois fala, o outro mal tem tempo de assentir, comentar
ou discordar. Também há conversas de surdos: as falas não estão
sincronizadas; só acontecem em paralelo.
A Internet amplia ainda mais esse narcisismo esquizofrênico. No Twitter ou no
Facebook há uma atividade febril divulgadora: todos querem mostrar o que
fazem, cada passo insignificante de cada momento. Há um deslumbramento
exibicionista ao postar fotos do Arco do Triunfo ou do Central Park, como
dizendo sutilmente: “Vejam como estou me divertindo, enquanto vocês dão
duro no trabalho chato ou estão presos no interminável congestionamento”. E
ainda por cima esperam que eu curta cada uma dessas postagens. A grande
maioria das mensagens exibe pessoas felizes, realizadas, inteligentes, em
relacionamentos invejáveis ou com famílias maravilhosas. Minha caixa postal
vive lotada com emails comunicando que fulano quer ser meu amigo, que
sicrano marcou uma foto, que um terceiro me convida para participar de um
jogo. São muito mais numerosos os que postam mensagens do que os que as
lêem de verdade. O importante parece ser expressar-se, aparecer, desabafar e
não interagir profundamente.
Comunicar-se, antes ou mais do que falar, é saber ouvir, escutar atentamente,
processando o que ele diz, dando retornos que valorizem a sua fala. Estamos
tão ocupados, que não temos tempo para prestar atenção ao que o outro quer
nos transmitir. Nem esperamos ele falar e já o interrompemos com nossas
idéias, sem analisar suas opiniões. Ouvir atentamente, algo tão simples, é
revolucionário, pelas mudanças que opera. Só o fato de ter tempo para escutá-
lo com atenção já contribui para diminuir a tensão, para desarmar a sua
irritação, para abrir novas possibilidades. Aprendemos mais quando escutamos
com atenção do que quando falamos sem parar.
No meio da correria é difícil enxergar e ouvir os menos favorecidos, os sem
voz, as pessoas mais simples, que costumam ser marginalizadas. Avançamos
mais, quando prestamos atenção às pessoas mais carentes, quando as
reconhecemos, as cumprimentamos, lhes sorrimos. Quanto menos
reconhecimento social têm, mais valorizam os gestos de aproximação e apoio.
No mundo agitado, é difícil, mas fundamental, achar tempo também para
prestar atenção à comunicação mais profunda, interna, às mensagens que
fluem do nosso interior, da nossa intuição. Para isso precisamos dedicar um
tempo específico, relaxar, refletir, meditar e equilibrar o tempo de socialização,
de exteriorização com o de interiorização. Há um descompasso gritante entre a
ênfase na nossa dedicação às atividades externas e às internas. Passamos a
maior parte do dia preocupados com os inúmeros acontecimentos que se nos
apresentam e relegamos a reflexão e a meditação a espaços e tempos muito
ocasionais e precários. O resultado é que nos desenvolvemos menos
harmonicamente, nos comunicamos mais superficialmente e evoluímos com
mais dificuldade para tornar-nos pessoas mais plenas e realizadas.
José Moran
FONTE:http://www.eca.usp.br