Aluísio Medeiros

viva la vida

Sem Muita Graxa




Há mais ou menos uns dois meses, fui acordado pelo barulhinho do meu celular por volta das 10:00 am. Me virei, estiquei o braço, alcancei o aparelho e sem mal conseguir abrir os olhos, vi que era uma mensagem. Algum fulano me avisava esfuziantemente que havia vazado o novo single do Rush! Ainda deitado abri o cocô do aplicativo do Facebook e vi uma enxurrada de atualizações sobre o assunto pra ler…

Há mais ou menos dez anos quando não existia Facebook e eu nem tinha celular, o Rush veio pro Brasil pela primeira vez e causou um frisson doido na internet e nas rádios rock, que na época eram mais numerosas que hoje. A 89 FM que hoje só toca chorume era a mais famosinha e fez uma promoção onde você respondia um “Quiz” e quem fosse melhor ganharia um ingresso para o show e um “meet & greet” com o Geddy Lee e o Alex Lifeson. Fiquei mega empenhado nessa tarefa por madrugadas… era tipo o Song Pop: Jogava-se cem mil vezes, sempre tentando responder corretamente e mais rapidamente. Eu que já gostava da banda mas não manjava muita coisa da biografia deles, saí por aí a pesquisar e acabei achando um site de fãs todo bonitão, com layout temático dos shows, cheio das informações e com um fórum bem ativo. Me inscrevi e jamais imaginei no que eu estava me metendo. Jamais achei que dez anos depois, eu seria acordado por esses mesmos doentes daquele fórum pra me avisar de um lançamento.

Não ganhei a tal promoção, mas no queridíssimo T4E (Test For Echo – título do 16º álbum dos Canucks) eu fiz amigos pra vida toda, vi nascerem relacionamentos que viraram casamento + paternidade, vi amizades e namoros começarem e acabarem, vi tretas homéricas, vi muita sacanagem (da boa e da ruim) e até um encontro nacional e anual de fãs nasceu disso.

Acontece que durante esses dez anos o Rush voltou a ser uma banda bastante ativa, depois daquele famoso hiato por conta dos dramas familiares do Deus das baquetas, Neil Peart, e já lançou três álbuns de inéditas desde então. Tá, tá, tá… tem aquele EP de covers também. O mais recente é “Clockwork Angels”, que vazou pouco tempo depois do dia em que fui acordado por causa do single. E os FDPs me acordaram de novo, claro.

O trampo foi feito pelos tiozinhos durante a tour comemorativa de 30 anos do álbum mais famosão da banda, o “Moving Pictures”, e traz o mesmo Rush que a gente já vem vendo há pelo menos uns 18 anos: Pesadão, esmirilhante e direto. Isso divide opiniões, pois muita gente que gosta da banda pira em qualquer coisa que eles façam, seja lá qual for o motivo; se é a perícia instrumental, as letras do Neil Peart que pouca gente valoriza mas são fodidaças, os sempre lindos timbres das guitarras do Alex Lifeson, a voz do Geddy Lee, as linhas de baixo do Geddy Lee, o nariz do Geddy Lee… Não sei, sei que tem gente que é assim. Todos esses ingredientes estão presentes no play e essa galera vai se lambuzar toda com ele.

Existem também os que se dividem em castas: Ou preferem a fase mais prog dos anos 70, ou os mil teclados dos anos 80 ou as sapatadas de 90 e 00. Eu faço parte do time dos que gostam mais dos 80/90 e confesso, não senti arrepios com o álbum novo.

A mim parece que o Rush tem feito o mesmo disco desde o “Vapor Trails”, de 2002, com um lampejo aqui e outro ali de coisa diferente. No novo disco pouca coisa me saltou aos ouvidos . Das 12 canções presentes, destacam-se a já conhecida “Caravan“, que abre os trabalhos, a faixa título, o bendito single “Headlong Flight” e a belíssima saideira, “The Garden“, essa sim um potencial clássico definitivo. De resto as músicas se parecem muito entre elas… Como gosta de dizer o meu companheiro de blog, o Beirigo, “faltou inspiração”. É claro que se compararmos o trampo com o cenário atual do mainstrem, temos em mãos um fenômeno de altíssima qualidade. Mas na minha modesta opinião, se confrontarmos “Clockwork Angels” com o restante da carreira do próprio Rush, os “Anjos Mecânicos” ficam devendo um pouquinho.

Passa mais graxa aê ow!

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Comments

Aluisio Medeiros manaus-amazoniaaluisioo Saturday, July 7, 2012 6:12:00 PM

To falando de uma maneria geral, não só do Rush. As pessoas racioanlizam demais qualuqer arte, ao invés de sentí-la. Mas não leve pro lado pessoal,cool

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