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Tugaland

Num portugal real visto pelo imaginário de mentalmente ininputáveis

Menos um Lobo da Estepe - António Sérgio

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Pois este era um lobo pouco vulgar ..não era lobo de matilha de floresta ou savana , mas um lobo da Estepe ..um lobo solitário ...não um lobo da savana que pactua com a matilha...e cada vez menos há lobos da estepe ....quando o mundo mais precisa deles ...independentes da punição do inconsciente colectivo ...idealistas dos que querem forçar o aceleramento da História não para o benefício individual ...mas o enriquecimento colectivo das comunidades

Foi o primeiro a mostrar á Tugaland que logo proíbiu ... os novos ventos..do estado nascente do movimento pós-freak...como movimento contrário á musica hippie já não idealista mas sim institucionalizada .....dos homens que fazem a História e não deixam que a história os façam a eles ....publicando a primeira colectânea (album) punk dos anos 70 e por aí fora ad eternum ..........LP do qual gastei as espiras ......... Os Manda-chuvas da Tuga ......que logo o proibiram....sem vozes de apoio dos que se diziam revolucionários e mentes abertas...lobos de matilha .. que não sabem preservar a sua identidade e autonomia volitiva ..enfim..

O mais radical da rádio portuguesa, ao qual tenho de agradecer grande parte da minha cultura musical ..muito obrigado ...nunca mais me esqueço de uma hora que estive com ele a falar durante uma hora de programa...conseguia estar envolvido numa conversa complicada e ao mesmo tempo manter o seu profissionalismo na emissão do Programa...

Pena que não haja gente com tanta coragem para lhe seguir o exemplo....um homem que nunca pactuou com os gostos do sistema ..e que lutou até á última para não ter playlists da direcção ...hoje já nenhum tem coragem para isso
Viva O Rei.....
É mesmo um dia de Tristeza

"O histórico radialista António Sérgio, o homem que foi a voz do "Lobo", morreu hoje de madrugada, aos 59 anos.
A notícia foi confirmada ao PÚBLICO por Luís Montez, dono da rádio para a qual trabalhava actualmente, a Radar FM. Segundo Montez, António Sérgio terá morrido na sequência de um ataque cardíaco." Ver mais no Público



«a corrupção e as burlas condenam o país e que vale tudo para enriquecer depressa». Ernani Lopes

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«a corrupção e as burlas condenam o país e que vale tudo para enriquecer depressa». Ernâni Lopes
«O grande desafio do pais é criar riqueza todo o resto é secundário». Ernâni Lopes

Pois isto é claro mas as soluções apresentadas por este senhor são totalmente falsas , pois a lenga-lenga do crescimento económico , do criar riqueza é completamente falsa , pois não é isso que é preciso ..[I]o grande desafio - é preciso educar para aumentar a partipação directa do cidadão como administrador dos "servidores" por si nomeados ..?!'!?

A educação como o ouro de uma "Naçon" pois permite ao cidadão ter acesso livre á informação para descobrir rapidamente as cavernas dos ALi Baba´s que nos governam e gerem roubando cada um a riqueza de "40 trabalhadores em média" com a sua má gestão ...em que estado de demência eu já estou ...já não bebo mais nada hoje ..

Até os canhotos que defendem os trabalhadores já aprenderam a formula mágica ..crescimento económico para alimentar os incapazes politicos, que tem feito a economia do país ir pela pia abaixo por interesses pessoais ou colectivos inconfessáveis

Como dizia no outro dia o Pai dos defensores legais da Tugaland se tivesse uma varinha mágica educava as pessoas para perceberem que a pobreza das nossas "figuras mediáticas", que pela sua falta de conteúdo não teriam nem "5 minutos de fama" (ele devia ter dito 15 heheh pelo andy wharol) ..!!!!!

Parecem os políticos e gestores já só ter um byte de explicações explicaçães -crescimento económico- para as consequências das suas acções do passado , sejam elas sociais, políticas ,económicas, culturais, artistícas e individuais e os gestores com os seus milhares de manuais e números e variáveis ...

e a solução e remédio de todos os males ......- Despede-se pessoal, baixa-se salários , baixa a segurança no desemprego e voilá - as economia ..as empresas ...recuperam... estará tudo cego ou foram cegados pela "caixinha mágica".. ou seja os únicos culpados e bodes espiatórios do roubo generalizado são os trabalhadores "bandidos" e são eles que tem de pagar sempre.... e quem gere e administra como nada arrisca para criar riqueza ..logo é inocente

Alguns políticos tem 2 bits ...1 - bit crescimento económico e 2º bit (neoliberalismo - do poder pelo dinheiro ou Nomemklatura - o dinheiro pelo poder )..e não tem mais bits ...mais soluções para o ror de conversa que tem ..parecem bebâdos crónicos com mais de 50 anos ..dizem sempre a mesma coisa....

«O grande desafio do pais é criar riqueza todo o resto é secundário» Ernâni Lopes

Vamos acabar com as cortinas de fumo ...

Antes de criar riqueza tem de haver regras explicitas e verificáveis da causa colectiva na melhor repartição da geração dessa riqueza ...

Pois quanto mais os trabalhadores pobres criarem riqueza maior será o roubo das élites e quem cria riqueza nunca irá beneficiar desse crescimento económico ..como nos países autocratas do petróleo
imagem de corruptioninkenya.wordpress.com/2009/07/
...???!!!!

O que precisamos é de juízes que não pertençam ás cabalas dos ladrões (ou com corrupção passiva por medo de perder as promoções), ou ás organizações okultas que são criadas segundo os seus membros, em defesa da democracia, mas esta questão é falsa pois estas organizações são criadas para manter e concentrar o capital das suas famílias ou dos seus lobbies, e a okultação nada tem de democrática ..e estas organizações não deviam ser permitidas a membros que desempenham cargos públicos...

O que estes casos mostram é que por exemplo os Senhor das Varas dos xuxalistas , sempre que roubou foi promovido a cargos onde melhor pudesse queimar o erário público ...e isso irá acontecer novamente pois a justiça sabe o que originaria condenar só um destes senhores ...eles iriam contar muita coisa sobre outros senhores e há que manter a dignidade do País e da sua imagem no estrangeiro

....ou seja um país de ladrões ininputáveis ...e nas declarações televisivas riem-se e dizem que estão descansados...pudera estão na Tugaland, Terra sem Lei nem Ordem e sem Regras de comportamento ético.

E os Senhores doutos juízes com o seu poder soberano e supremo...pusessem as estruturas da lei a consolidar-se num graal da justiça para todos..mas não precisam porque são os juízes com a melhor avaliação de desempenho do Mundo(logo não precisam de mudar) ...pois quem não faz julgamentos ..nunca erra e é o melhor do Mundo

Os "servidores públicos e privados" (administradores) que hoje também são responsáveis pelos seus impactos negativos na causa comum...


Por outro lado os senhores julgadores ,assim que apanham este tipo de ladrões , põe-nos em celas de luxo e depois dos julgamentos concluem que os arguidos são pessoas de bem com capacidade para reinserção social .... ou seja capacidade para voltar a roubar ...

Porque não se põe estes senhores na Grelha dos pobres que roubam 10 euros ou possuem 5 gramas de droga ...estes são considerados os Diabos e os bodes expiatórios..pois ponham os ladrões de luxo junto com eles..pois até nas prisões portuguesas só podem entrar pobres..

Quem é mais ladrão quem tem necessidades ..quem não tem dinheiro e rouba 10 euros ...ou homens que ganham salários insultuosos e mesmo assim roubam o erário público que pertence também aos pobres ...isto devia ser considerado crime contra a humanidade

Seria preferível um sistema como os africanos em que só é permitido roubar a 1 familia , ficando todas as outras de fora ..seria mais vantajoso economicamente ..... pois havendo muitas famílias dos Santos é muito pior para economia do país ...

E os senhores das notícias que estão agora a dizer que o Sr da Varas é mau ... dentro de dias desenvolvem a tese que afinal é só produto de pessoas abomináveis que gostam de mentir e tem inveja dos ladrões ( desculpem pessoas honestíssimas) ...pois acho que eles tem salários superiores aos políticos ...ou seja dão-nos informação e depois contra-informação e lavam a imagem dos acusados ...pois o que precisavamos era de educação ..exemplo: depois de um ladrão ser acusado deviam dizer-nos ..onde eles são colocados após o roubo.. mas esquecem-se de nos informar

Vejam a campanha de perseguição movida ao Senhor do Nobel, a nossa informação fez um linchamento político consciente e combinado.

imagem de blog.mastrobuono.com.br
Pois estamos na Tugaland onde quem quer ser promovido em alta velocidade tem de ser ladrão e quanto mais ladrão melhores votos e melhores lugares lhe são atribuídos, e os senhores juízes esquecem-se do processo na gaveta e só o usam para se autopromover nos media ...e esperar que eles caduquem...e as gerações futuras já começam a identificarem-se e a adorar estes modelos de enriquecimento

Hei-de voltar aqui para explicar como as leis portuguesas são feitas para beneficiar quem as faz ..como por exemplo o sistema de credenciação de formadores ( a única profissão que obriga a certificação na Tugaland... estranhíssimo )e uma certficação sempre com o mesmo conteúdo de 2 em 2 anos ..ou seja partem do principio que os portuguese que formam pessoas são burros e que durante a sua vida profissional terão de tirar 25 cursos iguais ...a 500 euros cada ( onde ninguém chumba e recebe um papelinho que certifica exactamente a sua incompetência

.... ..não passando de um mero processo burocrático ..isto é uma injustiça que só beneficia quem cria as leis ...e porque é proibido ás empresas contratar pessoas que considerem competentes se não tiverem o papelinho do estado ..como é que um processo meramente burocrático verifica a aptidão das pessoas para uma profissão ..só para terem uma ideia existem 70.000 pessoas sujeitas a este regime, que pagam 500 euros de 2 em 2 anos por um processo, sem qualquer avaliação ( o busílis português )

Não é de certeza mais uma ligação entre os Senhores da Casinha do Desemprego e as empresas criadas pelos familiares ou amigos ..ou seja quem tem cargos políticos desvia todos os fluxos financeiros que lhes passam pela mão em proveito própio.. assim como todos os outsourcings das empresas públicas...há sempre um cunhado ou primo que recebe esses contratos.. e não culpem o partido A , B ou C ...todo o sistema está podre e todos eles beneficiam e nenhum pode acusar outro para manter a panelinha..

imagem de http://corrupcaocjw2a.blogspot.com/2007/09/charges-respeito-da-corrupo.html.. ver mais
E claro tornem as massas cada vez mais incultas para que elas possam ser manipuladas e assumir o ponto de vista dos ladrões ( claro que os media não usam o termo ladrão mas o termo SR Doutor )que põe logo os incultos a comentar .." o Sr doutor fala tão bem...como é que ele pode andar a roubar." pois estão bem manipulados.

E espero que não apareça nenhum juíz herói, media ou "grupo de pressão" que me queira assustar e que me vá fazer mostrar provas das minhas afirmações pois elas são produto de mais um dilúvio etílico e de "border line" sociopático de um irresponsável tuga, cujos escritos revelam a falta qualquer valor heurístico ou semântico, para além do claro pensamento saltatório do esquizófrénico ...qualquer dia ponho aqui o meu relatório clinico para invocar o velho mito português que algumas pessoas possuíam "certificado de maluco".

PS: AS nossas TV's e jornais hoje acusaram os homems da "cara escondida", mas amanhã já começam a limpar a imagem dos prevaricadores ( estes chamam-lhe sempre notícias fantasiosas e produto da inveja e são inocentes até prova de tribunal ...50 anos depois) ..que estranho acusarem e acabarem com os visados a limparem os seus crimes ...e porque não fazem pressões para julgar os juízes que não julgam ..os processos judicias só tem um juiz que perdoa sempre ..Os Media ...que na Tugaland só existem como polícias para proibir qualquer discurso que não convenha aos políticos.. o problema destes cassos é igual á da droga ( só uma pequena parte é apanhada) ..apenas se vê 3 por cento do Iceberg que todos ..media e políticos dizem que não existe...e que estes 3 por cento são as ovelhas negras que justificam a desonestidade dos outros 97%

Tudo o que se diz aqui é fictício e demencial nada tem a ver com os factos da Realidade e devia ser proibido

A Velha Mafalda mais uma irmã demente


Bom poema em inglês dum bloger do opera- Sudhanshu Kumar Singh- sobre a educação num país

O Porquê de uma guerra aos Pobres - Por Mumia Abu-Jamal----------->-Why a War on the Poor?

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O Porquê de uma guerra aos Pobres - Por Mumia Abu-Jamal
-Why a War on the Poor?
- artigo escrito em 18 Fev 1998 Fonte: Mumia@aol.com

Segunda Feira 22 de Fevereiro de 1998

"Os Ricos roubam os pobres e os pobres roubam-se uns aos outros" -- Sojourner Truth

Se examinarmos as directivas sociais, políticas e económicas dos anos 90, emerge uma imagem inconfundível dos pobres como pessoas que são desprezadas pela sua pobreza e punidos pela sua ausência de riqueza .

O Estado e o projecto cultural da sua élite projectam esta imagem até ela se se introduzir na cultura popular e polítca e ser reflectiva nas directivas politicas

Porque é que o governo lança ataques ao sistema de segurança social? o que está por trás desta retórica?
Se o analisar de perto, descobrirá que o empurrão desta política vem do Negócio Americano

Aqui vai o porquê: O "Ciclo do Negócio" é crucial para as economias capitalistas : (Isto também é conhecido como um atendência recurrente do Período "Crescer e Explodir- Boom and Bust")

Em 1958 , um economista verificou que quando o desemprego sobe , os salários caem (Isto é conhecido como "Curva de Philips")

Isto é assim porque quando há muitos trabalhadores desempregados , o negócio sabe que pode encontrará trabalho com salários mais baixos
Então, o desemprego leva á redução de salários para todos os trabalhadores, como aumenta a segurança do emprego
O que é que isto tem a ver com as políticas sociais?

Bem , a segurança social é uma forma de manutenção de rendimentos , e como tal serve de buffer entre os empregados e os desempregados
Consequentemente, os trabalhadores não estão deseperados para aceitar qualquer trabalho que encontrem .
Quando os trabalhadores não estão desesperados , quando têm segurança , eles pedem salários maiores ao Capital.

Quem teria pensado que os mais pobres entre nós, os que estam no desemprego, reforçam e estabilizam os salários dos que estão empregados..
É portanto por esta razão que o capital lança o seu ataque aos programas de manutenção de rendimento, atrvés dos seus agentes políticos ( Republicanos e Democratas ) usando a etiqueta da "Reforma da Segurança Social".

Ambos os partidos do grande negócio deram mãos na batalha contra os mais pobres, divulgado pelos conglomerados do grande negócio do Media, que são subsudiários de negócios ainda maiores..
O interesse do capital pode ser resumido a uma palavra: capital
Por pensa que sempre que as notícias falam de baixo desemprego a Wall Street entra em pânico e as acções caem.

Q uando há desemprego massivo diz-se "bom para o negócio "
Como pode o que é mau para as pessoas ser bom para o negócio ?
Então o que se pode fazer?

Algumas semanas atrás, O desemprego na França invadiu as ruas nacionalmente, fazendo dançar o Neoliberalismo estabelecido , com uma vaga de demonstrações militantes .
Esta mobilização impressionante mostrou a força do movimento de desempregados, que fez recuar as tentativas do estado para cortar os programas de manutenção do Rendimento: Este movimento espalhou-se até á fronteira com a Alemanha , onde emergiram marchas em cerca de 200 cidades.

Nós podemos aprender com os franceses que não hesitaram em organizar e mobilizar os pobres e desempregados

O slogan dos franceses , pode não ser bem traduzido para nós aqui , mas merece a pena repetir " Quem semeia miséria colhe raiva"
Vamo-nos Organizar

Copyright 1998 Mumia Abu-Jamal. All Rights Reserved.

Mumia Abu-Jamal - wikipedia em português

Quem é Mumia Abu-Jamal?- em português

Free Mumia Abu-Jamal -Em inglês Para ler e saber mais ...

From Death Row, Mumia Abu Jamal (1/3)

From Death Row, Mumia Abu Jamal (2/3)

From Death Row, Mumia Abu Jamal (3/3)

AUTONOMIA, RESPONSABILIDADE E LIBERDADE - Entrevista a Sara Aleixo 5

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Sara Aleixo - Porque será que que as pessoas se vão tornando cada vez menos autónomas? Há bocado falavas do artistas, por exemplo, um Picasso é mais difícil de encontrar hoje...

Charlie - O que falta hoje é a pressão directa, até um determinado momento histórico, as pessoas eram atacadas pelo poder e tomavam consciência das figuras que os atacavam. Hoje vive-se com uma cortina chamada Media que não nos permite objectivar qual é o poder a desestruturar ou destruir.

O poder utilizou o nascimento da televisão enquanto mecanismo não interactivo e só de descarga passiva da cultura sobre a multidão. A Net traz um novo princípio, mas é baseado na televisão.

Sara Aleixo - Há pouco falavas da Net e da ambiguidade. Cada vez há mais informação, mas também há muita manipulação...

Charlie - Menos comunicação. Comunicação quando falo de valores humanos íntegros, há mais comunicação, mas a comunicação da liberdade era feita de grupo em grupo e não através de um objecto como um computador, ou seja, para fazer a revolução hoje, não há ideais, porque há interposição material entre o espírito das pessoas que estão talvez a manipular conceitos culturais comunicando e falando de valores humanos.

A comunicação humana face a face é diferente da comunicação com o interface máquina.
Usando estruturas fora do nível do espírito, pois estão no nível material, por isso é que existe uma decrescente comunicação consoante se vão desenvolvendo os meios de comunicação, que são sempre desenvolvidos segundo as estruturas que o poder lhes dá.

A Net assusta o poder, porque pela primeira vez alguém pode por notícias autónomas no ciberespaço.
A Net é a primeira organização mundial que dispõe de autonomia, mas a publicidade já a invadiu, e tem a lógica do poder. É a primeira organização sem estruturas de poder que definam as regras.

O grande sonho e o grande susto para o poder é dominar este grande meio de comunicação, que afinal, pela primeira vez permite, em termos históricos, uma autonomia pessoal sobre o poder, é um mecanismo totalmente autonómico pessoal. Consegue-se por uma página na Net, apesar do FBI nos poder prender daqui a 15 dias, ela será distribuida a toda a gente pela comunidade cibernauta.

A Net traz isto, mas o poder arranja sempre maneira de se adaptar a estes novos autonomistas.
As vendas na Net tiraram-lhe força. Devia-se criar uma Net que só tratasse de questões do espírito e não das coisas materiais e das estruturas de produção.
A Net já começou a perder o seu cariz autonómico, pois já tem objectivos do sistema educacional cultural dominante.

Ele come todas as autonomias e transforma-as em meios de produção, que estão inseridos dentro de regras e não são ideais.
E os ideais permanecem por muito pouco tempo. O grande problema da nova geração é a ausência de ideais, porque o poder chegou àquele nível de controlo e prevenção, tem consciência que cada vez mais, com os sistemas de comunicação e, chamar-lhes-ia sistemas de controlo que cada vez crescem mais.

Cada vez mais estes sistemas que podiam ser nauto-liberalistas, serão mecanismos de controlo do poder.
E já estamos num ciclo fechado na entrevista, há um certo tempo, porque chegámos à conclusão que a estrutura do poder se manterá eternamente, apesar das suas desestruturações, conforme a força do ideal que as desestrutura, mas que se voltam imediatamente a reestruturar, assim o ideal autonómico volitivo geral é transformado numa estrutura de poder até ao próximo fenómeno.

AUTONOMIA, RESPONSABILIDADE E LIBERDADE - Entrevista a Sara Aleixo 4

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Sara Aleixo - Mas há sempre condicionalismos, quer dizer, há uma pessoa que nasce, a sua autonomia vai ser completamente condicionada pela educação familiar, pela zona do país em que vive, as escolas que frequenta, o tipo de pessoas que conhece. Onde é que está a vontade pura?.

Charlie - Não confundir vontade com autonomia, autonomia é uma coisa que se ganha pelo exercício da nossa vontade. Aquela trilogia do que cada um pensa ser, autonomia, liberdade e responsabilidade, entra em função quando nós vamos exercer a nossa vontade. E, digamos que é a interacção entre esses factores que determina a nossa maneira de determinar a nossa vontade sobre os outros.

Mas, no fundo, penso que tem a ver com os dois conceitos de autonomia, exercer a vontade sem olhar para fora e tentar colocar-se na situação do outro, sentir o outro, e exercer autonoma, capitalistica e fascisticamente a vontade, sem ter interesse pelas repercussões que isso tem no exercício de vontade da outra pessoa.

A sociedade pode criar três tipos de educação que modelam em termos sociais esses três vectores da autonomia-responsabilidade-liberdade.

Descobriu-se que se pode criar três tipos de educação: a educação laissez faire- laissez passer, nomeiam-me líder daquilo mas eu não lidero nada, não quero saber o que se está a passar.
Depois há o democrático, nomeiam-me líder para eu por aquelas pessoas a interagir sem que eu esteja lá a exercer a minha vontade, mas o objectivo tem de ser, pôr todas as pessoas a exercer a sua vontade.
Ou então cria-se uma educação fascista como a dos meus professores de há vinte anos.
apesar que todos eram bons professores...só que metade deles eram autocráticos

Chegou-se á conclusão de que só no grupo democrático é que as pessoas mudavam pelo exercício da sua vontade

Talvez, descrevendo-se um exemplo, seja mais fácil. Pretendia-se que os americanos passassem a comer miúdos de toda a carne porque se estava durante a guerra. Ninguém gostava de miúdos e deitava-se fora.
Mas como se estava durante a guerra resolveu-se aproveitar e então o Kurt Lewin criou três tipos de grupos, experimentando aqueles três tipos de liderança educacional, para ver em qual desses grupos se começava a comer esses miúdos.

Chegou-se à conclusão de que no grupo Laissez faire, laissez passer”, toda a gente falou sobre aquilo, mas ninguém ganhou os hábitos de consumo. No grupo de liderança fascista (directiva), pode ter havido alguém que mudasse, mas porque estabeleceu uma relação de medo com o educador directivo.
Descobriu-se que no grupo de liderança democrática, onde estava um indivíduo a pedir às pessoas que dissesse como é que se fazia, que fosse para casa pensar que petiscos se poderiam fazer e depois discutirem-no em grupo.

Nesse grupo, onde todas as pessoas exerceram as suas vontades, tinha-se conseguido que 90% do grupo ganhasse hábitos de consumir miúdos.
O que está subjacente nesse tal grupo social é o modelo de educação do sistema educativo que pertence ao poder e é gerido por ele. Isto traz-nos a grande questão, que é a mais antiga, temos de voltar a Shakespeare, entre o ser e o não ser.

Sara Aleixo - Mas como é que se passa a ser? As sociedades democráticas são as que conseguem promover mais autonomia nas pessoas, não é? Isso passa a ser um ciclo...

Charlie - Está sempre em ciclo. Vão evoluindo conforme vai evoluindo a cultura, vai evoluindo a consciencialização das pessoas que estão sujeitas a esse ciclo, a essa educação e a essa cultura. Isto é o ciclo constante do ovo e da galinha. Ovo e galinha são uma unidade estrutural indissociável. Ovos produzem galinhas, que vão produzindo. São um só ser.

Sara Aleixo - Nesse caso, como é que se põe o ovo da autonomia numa sociedade fascista?

Charlie - Modificando o tal sistema de educação, no fundo, com a diversidade de comunicação cultural, podem estar abertas algumas hipóteses das pessoas seguirem alguns modelos novos de alternativa estruturalista.

O problema é que as pessoas se vão reportar a revoluções a-históricas, que aconteceram há muitos anos, para hoje fazerem a revolução, e hoje não existe nenhuma filosofia idealista revolucionária, que provoque um “estado nascente”, do Dr. Alberoni, que, na sua tese de doutoramento que se chama A Génese, levanta a tal questão da vontade autonómica de grupo. O marxismo era um idealismo muito bonito que leva ao fim equalitário, sem exercício do poder, todos teriam acesso ao poder.

Quando os seres humanos pegam nos idealismos, é preciso perceber o estado volitivo das pessoas que acreditaram nesse idealismo, e já está aqui a diluir-se a vontade pessoal colectiva.

O estado nascente é, precisamente, quando as pessoas olham umas para as outras perceberem que todas elas têm um estado volitivo comum, não há um estado volitivo pessoal. Esses tais estados nascentes, que os artistas e filósofos seguiram, quando tomado pelos indivíduos e transformados em instituição...

Ele, enquanto idealista, tem a vontade de uma multidão se tornar autónoma e ser democrática, mas aparecem depois pessoas que tomam o poder e que utilizam esse idealismo e esse exercício da vontade pública, transformando num sistema de regras que vai destruir exactamente esse estado idealístico e transforma-o numa coisa material, se formos a um Lenine ou Staline, é criar um sistema cultural que destrua a vontade colectiva a zero, passando eles a exercer a sua vontade (um bom exemplo de mau exercício da vontade).

Lenine, mandou matar milhões de pessoas para exercer a sua vontade em nome de um idealismo. O grande problema é que os ideais mais lindos do mundo, por exemplo, o ideal de Cristo, em nome do qual se assassinou mais pessoas na história.
Porque as instituições, com o seu poder, pegam na cultura transformando-a pelos meios de comunicação, para poderem exercer a sua vontade. Quanto “mais bonito” for o ideal nascido, mais morte, sangue e destruição pode provocar.

Como no caso de Cristo, os novos idealistas do marxismo, ao tomarem o poder, tornam-se grandes assassínos, esses ideais de comunidade, igualdade, fraternidade e solidariedade, todos estes valores que estão normalmente subjacentes aos ideais de exercício de vontade da multidão, os do grupo, são imediatamente tomados sempre pela estrutura do poder. O que se põe é que o poder concentrado vai diminuindo na história, mas no seu limite lógico-matemático, ele nunca será destruido e nunca haverá igualdade. Isto é bem explicado na rábula do Triunfo dos Porcos, de George Orwell.

Os animais de uma quinta, revoltam e expulsam o dono, mas após os primeiros momentos de euforia colectiva, o grupo dos porcos toma o poder através dos cães como polícias, e apoderando-se da comida para si próprios, voltando os outros animais ao estado primeiro de subjugação.
Exercício do poder corresponde à possessão material da terra que pertence a todos.
Por exemplo, 5% da população que detém 95% do poder material do mundo, destrói 95% da terra, em termos de poluição. A autonomia está sempre ligada portanto, ao poder, que jamais será destruido, nunca podendo chegar a haver autonomia pura.

Porque há uma força imanente do inconsciente colectivo histórico e da cultura que, mesmo que haja uma revolução e a capacidade de exercício da autonomia colectiva, há sempre uns do grupo, ou vindos de fora, que tomam o poder e exercem a sua vontade e detém os meios de produção e materiais.
Mesmo havendo um estado gasoso de desestruturação social, devido ao enraizamento do poder, acaba sempre por se reestruturar e destruir esse tal ideal que permite o exercício da vontade colectiva... Não é possível criar o estado idealista que possa destruir o poder para sempre.

Estes estados nascentes autonómicos da multidão, parecem ser um mal necessário para o poder, para que o poder dominante nunca estagne, criando as condições para a sua perpetuação, com uma parecença com a diversidade biológica de adaptação, complexificação e crescimento.

Apesar do poder dos reis se ter desmultiplicado nos parlamentos, há diferenças culturais, por exemplo na Holanda de comunalismo democrático, um regime em que as pessoas participam mais nas decisões políticas, mas nunca se atingirá o estado autonómico do poder para todos.

AUTONOMIA, RESPONSABILIDADE E LIBERDADE - Entrevista a Sara Aleixo 3

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Sara Aleixo - Concentrar a autonomia num único polo que é o poder: no fundo, autonomia e poder estão sempre em relação...

Charlie - Sim, o poder é que tem, no fundo, a liberdade volitiva (quer dizer, de escolha e exercício de vontade), no mundo e nos seres humanos. Lembrei-me agora de uma entrevista sobre um estudo, em que se chegou à conclusão, que afinal, quem é mais rico e tem mais poder, tem uma super longevidade que ultrapassa o comum do não-autonómico, do trabalhador, em vinte ou trinta anos de duração.

E não é só a questão do poder comprar saúde, ou poder comprar mais médicos ou mais... não é essa a grande questão. A grande questão tem mesmo a ver com o exercício da capacidade volitiva, ou seja, quem a exerce tem a possibilidade de durar muitos mais anos. Mas nesta sociedade capitalista essa capacidade está concentrada em quem tem o poder, são esses que exercem a sua vontade.

Sara Aleixo - A vontade de poder...

Charlie - Não, não é a vontade do poder, tem de se chegar a Schopenhauer, que disse que a vontade era tudo no ser humano, Nietzsche era perigoso porque alguém, mais tarde, interpretou mal o seu conceito de vontade, pois isso fez nascer o fascismo. Era um escritor autónomo contra o poder, que acaba por ser usado pelo poder.

Já nessa altura, para explicar a vontade fascista, ou seja, a vontade, que hoje tem as últimas repercussões nas sociedades satânicas...

Agora é preciso falar de vontade como se fala de autonomia.
É que existe a vontade nas organizações satânicas, que pensam, que interpretam Schopenhauer a um extremo, à sua maneira que é: a vontade é exercida pelos que têm o poder e podem usar os outros como objecto, desde que detenham um poder superior.

Nessas organizações satânicas há os que violam, os destroçados, os cortados, os que destroem mentes, mas são os que entram, os que estão no poder não se destroem psiquicamente, e se calhar, duram mais anos por poder exercer a sua capacidade volitiva.

Porque ao não exercer a minha vontade, eu não sou autónomo... a vontade é uma energia e se eu não for autónomo eu consigo exercê-la sobre o meio ambiente, mas se eu não a exerço, nós somos energia e essa energia volta-se para dentro e destrói-nos, porque, se calhar, não é o trabalho físico que leva o trabalhador a morrer mais cedo, é precisamente a estrutura em que ele está inserido que não lhe permite exercer nenhuma capacidade volitiva, e que o acaba por consumir, não só fisicamente, mas espiritualmente e, depois, isso vem-se a verificar na própria família.

Porque, quando ele chega à família, onde ele supostamente tem o poder, ele exerce essa capacidade volitiva de uma forma satânica, sem compreender que, para além da nossa vontade, está a vontade de todos os outros que nos rodeiam. E é esta a grande questão da democracia, da policracia, ou multicracia, se se quiser.

Sara Aleixo - Agora, voltando ao caso do trabalhador, como pode uma pessoa exercer a sua vontade... como há possibilidade de autonomia quando nós estamos sempre em relação com os outros?
Já falei com uma pessoa que me disse que é impossível porque estamos sempre dentro de estruturas mentais, culturais, sociais... Estamos sempre em co-relação, não é? Como é possível a autonomia?

Charlie - Acho que isso está dentro do conceito de autonomia destituída do conceito de poder, autonomia é agir com responsabilidade e responsabilidade quer dizer exercer a minha vontade, desde que esse exercício não vá impedir o outro de exercer a sua vontade.

Sara Aleixo - E, agora, o contrário, e se a vontade dos outros nos impede de exercer a nossa?

Charlie - Aí, há diferença entre vontade e acção, ou seja, nós somos pessoas com alguns valores permanentes, que, quando entramos em interacção social, dependemos de valores virtuais (em aproximação a comungar com os valores dos outros) e isso faz parte da nossa própria adaptação.
Vamos conhecendo uma pessoa e vamos vendo até que ponto o exercício da nossa vontade não invade o território da outra pessoa. Só que há pessoas que não têm autonomia e que gostam que o seu território seja invadido, há outras que têm uma grande autonomia e não o permitem...

Portanto, a grande questão que tu pões nasce da interacção.
Claro que tem de haver sempre relações culturais, educacionais a explicarem à pessoa que a autonomia não é um conceito capitalista, de continuar a exercer a nossa vontade derrubando tudo e todos, não vendo as consequências das nossas acções sobre os outros, mas partir para um novo conceito de autonomia que tem a ver com exercer a minha vontade sem que tenha de atropelar os outros.

Mas nós somos maleáveis e humanos, e o exercício da vontade... Nós podemos ter vontade de fazer uma coisa, mas quando somos inseridos numa estrutura social, como temos que ser, quando vou ter de exercer a minha vontade, estão outras pessoas.
Nesse exercício da vontade, mas precisamente, nós estamos em social, não estamos a nossa vontade isolados.

E então aí vai haver um jogo, mas aí tem a ver com quem está educado democraticamente, ou não, vai haver aí um jogo, em que se chega a um consenso de vontades, mas como cada um, se foi educado dentro do sistema democrático, participou na elaboração, e depois , na aceitação de que a sua vontade afinal, não poderia ser exercida por ali, e se exercer por ali, o outro fica melhor e a pessoa também ganha com isso, mas isto tem sempre a ver com a educação cultural.

www.cultkitsch.org 1999
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