O recôncavo paralelo
Tuesday, 23. October 2007, 05:20:16
Tempo leitura: quatorze minutos
Tomo aqui a liberdade de explorar o alto potencial humano em criar universos. A inevitável comparação com o Criador procede, e justifica-se no fato de sermos projetos "à imagem e semelhança" do Mesmo. Como diria Fellini: "O cinema é o modo mais direto de entrar em competição com Deus".
Tendo esse ponto como gênese especulatória, me engajo em uma exploração direta sobre os tantos universos criados pelo ser humano. Apesar da origem imaginária, estes universos são reais justamente por permancerem vivos em nosso abstrato e por permanecerem alimentados através de obras literárias, obras visuais, narrativas orais, mitos, jogos e etc. O ambiente dessa investigação é plenamente metafísico e pode assustar ao leitor desprevinido ou desprovido da capacidade de abstração nescessária na tarefa de mensurar uma outra realidade criada por algum homem e que só pode ser reproduzida virtualmente. É o caso das trilogias cinematográficas. São obras completamente imaginárias, oriundas dos cantos mais profundos das mentes de seres-humanos mas que detêm um poder significativo capaz de esboçar uma existência plausível seja ela em uma galáxia muito distante ou em uma era anterior aos registros históricos.
De súbito essa inveção deixa o ambiente secreto e isolado da imaginação de uma única pessoa e é comunicada para milhares de pessoas, tornando-se um patrimônio coletivo e evolue para o estado de universo paralelo ao real. Considerando-se que as pessoas que absorvem essa gama de significados, compreendem-nos e passam a inferir sobre os mesmos dentro de suas respectivas subjetividades privatizadas, pode-se afirmar que esses universos mantêm-se vivos e constantemente alimentados por novas fantasias. Além desse fator temos as comunidades de pessoas que se identificam com o universo criado. Estes grupos sociais unem-se com o porpósito de compartilhar informações sobre a obra, no entanto o que está implicito é o fato de que esses mesmos individuos buscam, juntos, recriar e vivenciar, mesmo que momentaneamente, a realidade criada no paralelo. O caso do jogo online "Star Wars Galaxies" ilustra muito bem a afirmativa anterior.
Não obstante, trato desse assunto social com o entúito de reforçar o argumento de que uma história que torna-se comum à um grupo, imediatamente passa a ser propriedade do mesmo. Cada qual com sua versão interpretada, mas ainda assim, seriam versões muito parecidas entre si o que torna esse universo vivo e existente na modalidade de informação comum, depositado em algum lugar no espaço. Este local pode ser um punhado de neurônios que se conectam ou pode ser uma extença matriz de códigos binários. Eis a contradição do universo paralelo, pode assumir um volume galaxial no imaginário das pessoas mas ao mesmo tempo não possui massa nem correlato material.
Mesmo que todas as cópias da trilogia de "Spaghetti Western" fossem queimadas e mesmo que todos os livros, os roteiros e quaisquer regístros materias dessa estória sejam destruídos, ainda assim a realidade dos áridos pistoleiros iria existir viva na memória das pessoas que conheceram, leram ou assisriram à obra. Esse ato de exisitr e persitir existindo se daria em um recinto inefável, ao qual eu batizo de "Recôncavo Paralelo". Este, seria o local metafísico recipiente desses universos tão ricos, tão densos e tão monumentais.
Retomando a temática bíblica como exemplo e considerando-se que toda a história, todos os contos, os fatos, as intrigas, os diálogos, enfim, todos os elementos narrativos alí presentes configuram um significante. Tomando esse significante como matéria de análise e observando sua repetida presença nas mentes das tantas pessoas que já conheceram as histórias bíblicas, fica fácil admitir que esse universo transcendental e divino existe no imaginário comum dessa comunidade de indivíduos. E ele sempre existíra em um estado contínuo. Isto é, cada vez que esse universo for mentalmente reproduzido, ele se dará em um estado contínuo, no gerúndio. A travessia de Cristo pelo deserto é visualisada como um ato de contínuidade, independentemente do fato de ter sido finalizado, esse ato de martírio será imagéticamente imaginado desprendido do tempo, ou seja, desprendido dos fatos subsequentes. A isto podemos dizer que o Recôncavo Paralelo é um universo independente do tempo.
No momento em que um conhecedor dessas histórias bíblicas decidir relembrá-las, ele fará uma busca introspectiva e vasculhará em seu léxico e em seu léxico-gráfico as cenas e palavras correspondentes ao cenário que lhe foi descrito por um interpretante. O interpretante pode ser um agente externo, como um preletor ou o professor dominical, tanto como pode ser agente interno, como o prório juízo do leitor. Mas, independente de quem seja o interpretante, a informação gráfica ou verbal que será registrada na memória ficará em função das imagens inferidas e imaginadas (com base no texto) por parte do conhecedor. (salvo no caso em que essa narrativa se concretiza [materializa] visualmente, como veremos à seguir.) Isto posto, a --possivelmente gritante, conclusão a que chego é que; todo ser humano possui o dom de criação atuante em uma atmosfera virtual, mental. Uma criança pode recriar toda visão de sua escola, imagináriamente, com base em uma simples descrição oral dada por sua educadora. Essa criança é capaz, da mesma forma, de criar uma realidade nova, com uma grande riqueza de detalhes, tendo como única ferramenta o exercício da imaginação.
Nesse sentido a diferença entre o ser-humano criador e o Supremo Criador é a capacidade em converter os elementos criados virtualmente em elementos existentes (materialmente) na realidade externa. Não basta que uma criança imagine um pirulito para que este se matrialize. Assim como, em tese, somente o ato de imaginá-lo, já é o bastante para que Deus materialize o pirulito. Tomando o material, enquanto instituição, como pauta e retomando o ponto discutido acima sobre o caso em que a narrativa se concretiza materialmente na forma de obra visual; não é redundante afirmar que quando um diretor de cinema pretende materializar visualmente na película fílmica um subproduto de sua imaginação, ele está imediatamente estreitando a diferença entre o simples ser-humano criador (imaginário) e o Criador Supremo (materializador)
"O cinema é o modo mais direto de entrar em competição com Deus". Federico Fellini

Tomo aqui a liberdade de explorar o alto potencial humano em criar universos. A inevitável comparação com o Criador procede, e justifica-se no fato de sermos projetos "à imagem e semelhança" do Mesmo. Como diria Fellini: "O cinema é o modo mais direto de entrar em competição com Deus".
Tendo esse ponto como gênese especulatória, me engajo em uma exploração direta sobre os tantos universos criados pelo ser humano. Apesar da origem imaginária, estes universos são reais justamente por permancerem vivos em nosso abstrato e por permanecerem alimentados através de obras literárias, obras visuais, narrativas orais, mitos, jogos e etc. O ambiente dessa investigação é plenamente metafísico e pode assustar ao leitor desprevinido ou desprovido da capacidade de abstração nescessária na tarefa de mensurar uma outra realidade criada por algum homem e que só pode ser reproduzida virtualmente. É o caso das trilogias cinematográficas. São obras completamente imaginárias, oriundas dos cantos mais profundos das mentes de seres-humanos mas que detêm um poder significativo capaz de esboçar uma existência plausível seja ela em uma galáxia muito distante ou em uma era anterior aos registros históricos.
De súbito essa inveção deixa o ambiente secreto e isolado da imaginação de uma única pessoa e é comunicada para milhares de pessoas, tornando-se um patrimônio coletivo e evolue para o estado de universo paralelo ao real. Considerando-se que as pessoas que absorvem essa gama de significados, compreendem-nos e passam a inferir sobre os mesmos dentro de suas respectivas subjetividades privatizadas, pode-se afirmar que esses universos mantêm-se vivos e constantemente alimentados por novas fantasias. Além desse fator temos as comunidades de pessoas que se identificam com o universo criado. Estes grupos sociais unem-se com o porpósito de compartilhar informações sobre a obra, no entanto o que está implicito é o fato de que esses mesmos individuos buscam, juntos, recriar e vivenciar, mesmo que momentaneamente, a realidade criada no paralelo. O caso do jogo online "Star Wars Galaxies" ilustra muito bem a afirmativa anterior.
Não obstante, trato desse assunto social com o entúito de reforçar o argumento de que uma história que torna-se comum à um grupo, imediatamente passa a ser propriedade do mesmo. Cada qual com sua versão interpretada, mas ainda assim, seriam versões muito parecidas entre si o que torna esse universo vivo e existente na modalidade de informação comum, depositado em algum lugar no espaço. Este local pode ser um punhado de neurônios que se conectam ou pode ser uma extença matriz de códigos binários. Eis a contradição do universo paralelo, pode assumir um volume galaxial no imaginário das pessoas mas ao mesmo tempo não possui massa nem correlato material.
Mesmo que todas as cópias da trilogia de "Spaghetti Western" fossem queimadas e mesmo que todos os livros, os roteiros e quaisquer regístros materias dessa estória sejam destruídos, ainda assim a realidade dos áridos pistoleiros iria existir viva na memória das pessoas que conheceram, leram ou assisriram à obra. Esse ato de exisitr e persitir existindo se daria em um recinto inefável, ao qual eu batizo de "Recôncavo Paralelo". Este, seria o local metafísico recipiente desses universos tão ricos, tão densos e tão monumentais.
Retomando a temática bíblica como exemplo e considerando-se que toda a história, todos os contos, os fatos, as intrigas, os diálogos, enfim, todos os elementos narrativos alí presentes configuram um significante. Tomando esse significante como matéria de análise e observando sua repetida presença nas mentes das tantas pessoas que já conheceram as histórias bíblicas, fica fácil admitir que esse universo transcendental e divino existe no imaginário comum dessa comunidade de indivíduos. E ele sempre existíra em um estado contínuo. Isto é, cada vez que esse universo for mentalmente reproduzido, ele se dará em um estado contínuo, no gerúndio. A travessia de Cristo pelo deserto é visualisada como um ato de contínuidade, independentemente do fato de ter sido finalizado, esse ato de martírio será imagéticamente imaginado desprendido do tempo, ou seja, desprendido dos fatos subsequentes. A isto podemos dizer que o Recôncavo Paralelo é um universo independente do tempo.
No momento em que um conhecedor dessas histórias bíblicas decidir relembrá-las, ele fará uma busca introspectiva e vasculhará em seu léxico e em seu léxico-gráfico as cenas e palavras correspondentes ao cenário que lhe foi descrito por um interpretante. O interpretante pode ser um agente externo, como um preletor ou o professor dominical, tanto como pode ser agente interno, como o prório juízo do leitor. Mas, independente de quem seja o interpretante, a informação gráfica ou verbal que será registrada na memória ficará em função das imagens inferidas e imaginadas (com base no texto) por parte do conhecedor. (salvo no caso em que essa narrativa se concretiza [materializa] visualmente, como veremos à seguir.) Isto posto, a --possivelmente gritante, conclusão a que chego é que; todo ser humano possui o dom de criação atuante em uma atmosfera virtual, mental. Uma criança pode recriar toda visão de sua escola, imagináriamente, com base em uma simples descrição oral dada por sua educadora. Essa criança é capaz, da mesma forma, de criar uma realidade nova, com uma grande riqueza de detalhes, tendo como única ferramenta o exercício da imaginação.
Nesse sentido a diferença entre o ser-humano criador e o Supremo Criador é a capacidade em converter os elementos criados virtualmente em elementos existentes (materialmente) na realidade externa. Não basta que uma criança imagine um pirulito para que este se matrialize. Assim como, em tese, somente o ato de imaginá-lo, já é o bastante para que Deus materialize o pirulito. Tomando o material, enquanto instituição, como pauta e retomando o ponto discutido acima sobre o caso em que a narrativa se concretiza materialmente na forma de obra visual; não é redundante afirmar que quando um diretor de cinema pretende materializar visualmente na película fílmica um subproduto de sua imaginação, ele está imediatamente estreitando a diferença entre o simples ser-humano criador (imaginário) e o Criador Supremo (materializador)
"O cinema é o modo mais direto de entrar em competição com Deus". Federico Fellini














