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Trocando idéias

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Caixa 2 e Caixa Dois

Todas as campanhas políticas trabalham com caixa 2. Todas as empresas brasileiras, públicas ou particulares, utilizam-se do recurso do caixa 2. Toda lojinha de esquina, açougue, sapataria, supermercado, sindicato, profissional autônomo, médico, dentista, advogado, dono de escola, todo mundo no Brasil, de engraxate a presidente da República, sabe muito bem que caixa 2 é a única maneira de se defender do assalto dos impostos e taxas vigentes.
Estará mentindo quem disser que nunca passou perto de um caixa 2 para fugir de letrinhas inocentes como CPMF, INSS, IR, IRF, ISS, Cofins e tantas outras que, disfarçadas como siglas, atacam o bolso do contribuinte e do descontribuinte. De umas até que se escapa, mas as que vêm embutidas nas contas de telefone, gás, energia elétrica, e nos produtos de consumo, são enfiadas goela a dentro sem dó nem piedade. Nem anestesia.
O nome desse caixa 2 é sonegação. Devia ser chamada sonegação famélica, porque se alguém pagasse todos os impostos vigentes no País acabaria morrendo de fome.
Mas há uma tremenda diferença entre esse caixa 2 que o vereador usou na sua campanhazinha pobre ou que o candidato a governador usou na sua campanha rica e o Caixa Dois com letra maiúscula. Deste último tipo, só se viram os da história recente da política brasileira. O primeiro fez cair um Presidente. O outro deixou bamba toda uma estrutura montada em 25 anos de trabalho.
Querer atribuir o nome de Caixa Dois ao caixa 2 de campanhas passadas de outros candidatos é tentar outra vez tapar o sol com a peneira. Porque aí teria de se auto-acusar nas próprias campanhas passadas, de 25 anos de candidatos bem e mal sucedidos. E então o País precisaria ser fechado para balanço, porque não haveria CPI suficiente para todos os julgamentos.
Em vez de disparar metralhadoras giratórias para todas as direções, sem critério algum, tentando derrubar adversários a esmo e correndo o forte e bem provável risco de atingir aliados e, pior, ser vítima de ricochetes certeiros, melhor seria obedecer ao desejo expressado em seus votos no último referendo e entregar as armas. Sim, erramos. Sim, desculpem. Sim, fizemos igual ao outro careca. Sim, fomos malfeitores. Mas estamos arrependidos e prometemos sair de cena por uns tempos, para um purgatório voluntário do qual possamos, num futuro breve, acenar com idéias renovadas, sinceras.
A mão que aponta o indicador para o caixa 2 dos outros aponta o polegar para o próprio Caixa Dois. E aí, haja ventilador para o que der e vier.

Hermínio Naddeo
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