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se aqui não fora em mim só seria

Posts tagged with "cultural management"

Ballet Gulbenkian - 1 ano após o desmantelamento

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Completou-se anteontem o 1º aniversário sobre o desmantelamento do Ballet Gulbenkian sem que nada, em rigor, tenha sido feito para manter viva e activa a estrutura performativa portuguesa internacionalmente mais conhecida e reconhecida. Nas minhas estadias pela Europa constatei que, nos meios que se interessam pela cultura, a Gulbenkian era uma entidade de referência assente em 3 vertentes: o espaço de concertos em Lisboa; bolsas para estudantes; o Ballet Gulbenkian!
Percorrendo a blogosfera dei conta que o Tiago Bartolomeu Costa e a Alice Valente não esqueceram o fatídico momento.
Num momento em que impor uma marca no mercado é o "totem" de todos os especialistas de marketing, já que é o passo fundamental para a internacionalização de qualquer bem ou serviço, nós damo-nos ao luxo de deitar ao lixo uma das raríssimas marcas que temos, talvez a com mais poder de penetração a nível cultural!
A Gulbenkian não a quer? Pode ser um erro, mas é dos que a administram, não é assunto público! Agora não a aproveitar - uma associação, uma fundação, o Estado, uma parceria entre privados e Estado - demonstra que, afinal, nós, os que gritamos pelas artes e pela cultura em geral, somos uns inertes sem respeito pelo que, muito palacianamente, dizemos que queremos defender!
A marca Ballet Gulbenkian demorou décadas a ser construída e um dia apenas a ser destruída!
Fui procurar e reler alguns textos escritos à época pelo Henrique Silveira , pelo Manel da Truta, pelo Luís Antunes, pelo Tiago Bartolomeu Costa, pelo P.V.M., pela Thita que reproduz um texto de Miguel Esteves Cardoso editado na Periférica, pelo Old Mirror, "O Céu sobre Lisboa", pela Teresa Cascudo, pela Catarina, pelo Daniel Tércio e por mim próprio (link) e dei comigo a pensar que, mais uma vez, na hora, todos temos opinião firme e solução à vista sem nunca, neste país, nada se consubstanciar! E excatamente porque nada fazemos se não palrar, mesmo que vocifrando a alta voz, andamos e continuaremos a rogar pelo amparo do papá Estado, desde os keynesianos aos mais acérrimos neoliberais, para ficarmos por estes!
Onde está a iniciativa privada de toda esta gente que à época se indignou? Que fizemos nós, os que choramos o fim do Ballet Gulbenkian, por ele? Nada! Rigorosamente nada a não ser assinalar a data e "bater no ceguinho"!
Ai de nós que exigimos que o Estado faça aquilo que cada um deveria fazer! O Estado (é esse o problema) não é uma entidade etérea, somos nós, nós mesmos, os mesmos que palramos e nada por ele fazemos, nem sequer exigir, com propriedade e de forma consequente, sabemos!
A acrescentar ao que escrevi há 1 ano nada, mais nada tenho, a não ser a total falta de assertividade e competência no desempenho da nossa cidadania!
Deixo um poema da Alice Valente dedicado ao Ballet Gulbenkian, "Movimento Presente" e o sincero desejo de que as novas gerações trabalhem mais pelas seguintes do que nós por elas fizemos.

Novo Regime de Apoio às Artes - II

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O Adolfo Mesquita Nunes na Arte da Fuga entendeu que as novas orientações do Ministério da Cultura não «pretendem liberalizar o sistema, tornando-o mais ágil e independente, mas tão só pretende racionalizar os custos na atribuição de subsídios. Uma vez mais, o que determina a reforma é a necessidade de poupar dinheiro e não tanto a de tentar uma via alternativa de desenvolvimento
Mas, estimado AMN, o que é que impede um artista de criar em total liberdade e colocar no mercado o seu trabalho dentro do mais rigoroso conceito liberal?
Nada! Rigorosamente, nada! Faça-o e não dê contas ao Estado!
No entanto, se se candidatar e for contemplado com um subsídio do Estado para criar é porque está disposto a cumprir as regras do mandante - cumprir com o que lhe foi pedido!
Trata-se de um contrato comercial, para todos os efeitos, obrigando, como tal, a que as partes cumpram o estipulado.
O que andou (e anda) muito mal há muitos anos é o Estado não controlar o que subsidia, não saber porque é que o faz, não avaliar a relação custos/benefícios e não obrigar os subsidiados a rigorosos métodos de gestão e prestação de contas!

Passo a reproduzir o comentário que deixei na caixa do Arte da Fuga.

Estimados
Estou do lado dos que consideram que ao Estado não compete balizar a liberdade dos criadores. Mas o Estado não impede que os artistas criem na maior das liberdades!
O problema é que os criadores querem criar à conta do Estado e sem prestar contas!
Esta é que é a questão!
No entanto, o Estado deve ter missões e objectivos específicos na educação, na formação de públicos e na redução das assimetrias Lisboa/Porto e o resto do país, sendo que, para cumprir estes desígnios, não me incomoda nada que o Estado encomende trabalho específico a artistas de variadas artes e ofícios, desde que estipule o que pretende, controle os processos e avalie e premeie os resultados - na perspectiva do lucro (porque não?) e do benefício.
Que está esgotado o modelo de um ministério dito da cultura para distribuir subsídios a troco de não se sabe bem o quê, parece pacífico, mas o salto a dar, que incomoda muita gente, é o de articular transversalmente as tutelas da Cultura, da Educação e do Audiovisual numa política de Gestão Cultural única, agilizada e ao serviço dos contribuintes.
Neste sentido, não me parece que não querer pactuar com espectáculos que ficam ao Estado a 300 euros por assistente (ressalvando excepções sempre necessárias) e exigir o controlo da gestão dos projectos subsidiados seja motivo para acusar alguém de apenas ter uma visão economicista ou de querer reduzir a despesa!
Ouve-se há muito tempo dizer que a cultura não é para dar lucro, mas permitam-me duas perguntas:
- há algum artista que não pretenda vender o seu trabalho?
- e se o quer vender porque será que acha que o Estado tem obrigação de comprá-lo?

Novo Regime de Apoio às Artes

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Sobre o documento de intenções, apresentado hoje no CCB, relativo ao novo Regime de Apoio às Artes pela Ministra da Cultura e Secretário de Estado, retive algumas ideias:

1 - Nas candidaturas de apoio à programação de cine-teatros, serão privilegiadas as candidaturas que visem a captação e formação de novos públicos, contemplem uma dimensão educativa e impliquem o acolhimento de uma entidade de criação em regime de residência permanente ou temporária não inferior a três meses por ano;

2 - promover a fixação de entidades de criação artística no interior do país;

3 - promover a internacionalização das artes e dos artistas portugueses e contribuir para o aprofundamento da cooperação artística internacional;

4 - ligar as artes ao emprego jovem, ao meio escolar, às ciências, ao turismo, à inclusão social, solidariedade social, ambiente e ordenamento do território, bem como a o desenvolvimento regional;

5 - proporcionar maior sustentabilidade das entidades apoiadas pelo Ministério da Cultura através do Instituto das Artes;

6 -acompanhar melhor o processo de apoio e reforçar a responsabilização das entidades apoiadas.

Ou seja, para quem andou apenas a despejar espectáculos (bons ou maus, muitos ou poucos) sem estabelecer uma missão, objectivos precisos, nem providenciou uma gestão que proporcionasse uma maior sustentabilidade, obriga a que venha agora o papá Estado fazer o que quem de direito deveria, atempadamente, ter feito e não fez!!!
Mas é evidente que o que recentemente escrevi aqui e aqui não passou de uns meros devaneios...

Gestão Cultural, Aubervilliers, Orléans e Avignon

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«À Orléans, c'est la municipalité qui vient de notifier des réductions de crédits aux deux grands artistes de la ville. Moins 75 000€ pour Josef Nadj, moins 45 000€ pour Olivier Py. Le premier, directeur du centre chorégraphique, répète actuellement le spectacle d'ouverture du prochain Festival d'Avignon. Le second, directeur du centre dramatique, vient de triompher au Rond-Point et doit signer l'hommage à Jean Vilar qui aura lieu vers la fin de la 60e édition d'Avignon.»
(...)
«À Aubervilliers, c'est le département de Seine-Saint-Denis qui coupe drastiquement la subvention du théâtre équestre Zingaro, passant de 130 000€ à 40 000€ ce qui est le montant de la taxe professionnelle que reverse Zingaro.» (Le Figaro sob o título "Des subventions coupées")

Evidentemente eu é que sou louco em pensar que, se isto está a acontecer nos países ricos, poderá, muito brevemente, acontecer em Portugal!
É, manifestamente, um insensato devaneio meu!

PAX JULIA - de novo

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O texto que escrevi a propósito do 1º aniversário do PAX JULIA foi alvo de algumas interpretações que me parecem completamente descontextualizadas. Por isso transfiro para post um texto que lá coloquei a propósito de um comentário do Nikonman, que vai muito mais além de uma resposta. Passo a transcrever.

O respeito que me merecem todas as pessoas impede-me, precisamente, de indivuualizar o assunto que tratei (recordo mais uma vez, gestão, no caso, cultural).
Mais adianto que, muito seguramente, apresentar alguns espectáculos, nas condições existentes, terá sido quase um milagre e que a maioria das pessoas que trabalham no PAX JULIA deverão ter tido muitos e muitos dias em que pouco dormiram ou comeram.
Exactamente por isso enderecei os parabéns, sinceros, a todos os envolvidos - Câmara, funcionários e prestadores de serviços.
Por outro lado, não falei dos espectáculos apresentados, nem da sua qualidade nem da sua quantidade, pois a programação deve ser, do meu ponto de vista, o reflexo de uma missão e objectivos previamente delineados, os quais desconheço.
Por último, quando afirmei que existia «equipa de funcionários sem qualificação ou experiência específica (tirando sempre uma ou outra excepção», está perfeitamente implícito (sem individualizar a questão) o desajustamento funcional! Termos uma pessoa mais do que qualificada para executar determinado tipo de funções a fazer outras é mais um caso de ausência de gestão, para não dizer de má fé.
Se quiserem pegar nas minhas palavras para entender um insulto, façam-no, estão no seu direito, mas não foi isso que escrevi nem foi essa (quem me conhece, sabe) a minha intenção.
A minha intenção é clara (peço o favor de lerem com atenção, com mente aberta e sem emprenharem pelos ouvidos) - trabalhar para que daqui a uns tempos não tenhamos de constituir movimentos, manifestações e abaixo-assinados para que o PAX JULIA possa continuar a desenvolver um papel relevante para o Distrito de Beja.

Quanto a uma empresa municipal para «evitar que a veleidade privada se exiba e fique municipalmente controlada» não sei que dizer, (aliás já escrevi bastas vezes sobre o assunto aqui no Ideias Soltas muito antes do PAX JULIA abrir), mas não sei de que tenha mais receio, se das veleidades privadas se das públicas.
Há muito a pensar antes de dar esse passo:

1 - tem Beja uma dimensão crítica que permita o desenvolvimento do projecto em condições de progressivo auto-financiamento?
2 - se tem quais as prioridades que deve privilegiar?
3 - se não tem o que deve fazer?
3.1 - dar prioridade à formação de públicos?
3.2 - investir mais no Serviço Educatido ou manter o investimento quase exclusivo na oferta de espectáculos?
3.3 - envolver na sua gestão a parceria com outras Câmaras do Baixo Alentejo?
3.4 - envolver na sua gestão a parceria com entidades privadas?
4 - que responsabilidade deve ter na promoção dos artistas e instituições culturais da região?
4.1 - há conhecimento dos valores que cá residem?
4.2 - depois de os conhecere e seriar, têm valor para actuar no PAX JULIA?
4.3 - deve e pode o PAX Julia promover os valores regionais pelo país afora, aproveitando a estrutura de rede em que está inserido e, se sim, qual a percentagem do orçamento que deve ser afecto a esse objectivo?
5 - que papel deve desempenhar a iniciatica privada no Pax Julia?
6 - se se considerar que deve desempenhar, que objectivos traçar e de que forma a implementar?
6.1 - entregar o espaço à iniciativa privada?
6.2 - manter o estado actual e dicidir pontualmente?
6.3 - constituir mais uma estrutura camarária que defina universalmente quais os critérios, condições e meios de controlo para a sua prossecução?
6.4 - definir a missão, objectivos e formato e entregar contratualmente a gestão a uma entidade privada que o faça, a quem se possa assacar responsabilidades?
7 - obtidas as respostas às questões anteriores, qual a equipa de gestão mais adequada e qual o perfil de cada elemento?
8 - elaborar o plano, onde está, entre outras coisas, incluído um modelo de programação, para cumprir a missão e objectivos traçados.

As respostas a estas e outras questões deverão ser prévias a qualquer decisão, pois sem elas, sem se estabelecer, com rigor, o que se pretende, como se avalia e quais as formas de controlo, tudo poderá não passar de inciativas meramente especulativas.

nota: há muito que deixei de escrever sobre a política de Beja, mas se escrever sobre outros assuntos resulta, da mesma forma, em politiquice, parece que o melhor mesmo será é deixar de escrever seja o que for sobre esta terra.

Avaliar o Sistema Educativo?

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«62% dos alunos recorre a explicações e tem cerca de 10 horas semanais de aulas particulares, o que obriga as famílias a desembolsarem entre 200 a 250 euros por mês.» (Diário Digital)
É evidente que existe uma correlação estreita entre o sucesso escolar e a capacidade financeira das famílias e, se assim é, quem poderá avaliar o actual sistema e seus intervenientes?
Em boa verdade o Sistema Educativo deve centrar-se, precisamente, naqueles que só dele, em exclusivo, usufruem, ou estarei a ver mal?

Teatro PAX JULIA - parabéns pelo 1º aniversário

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Completa-se hoje, dia 17, 1 ano desde que o Pax Julia reabriu as suas portas.
O Pax Julia é um recinto cultural de programação regular, utilizando a designação do Programa Operacional de Cultura (POC) que pagou a sua reconstrução e sustentou, em grande parte, a sua programação, até agora, pois termina precisamente este ano de 2006, incluído no contexto de Arte em Rede do Ministério da Cultura, juntamente com outros 62 recintos.Não sei se será hora de balanço pois a sua gestão não é diferenciada, estando a ser gerido directamente pela Câmara Municipal de Beja, através de uma equipa de funcionários sem qualificação ou experiência específica (tirando sempre uma ou outra excepção), a qual, entre muitas outras responsabilidades, tem a seu cargo a gestão deste espaço.
Já seria muito bom sabermos qual a missão, objectivos e metas particulares a que o Pax Julia se propôs inicialmente, por um lado e, por outro, a sua concretização bem como saber se cumpriu as metas impostas pelo POC que o sustenta.
Não pretendendo ser pessimista - aliás o modelo de gestão (ou a sua falta) do Pax Julia é idêntica ao da maioria dos recintos apoiados - sempre adianto que muito me preocupa saber que o Ministério da Cultura financia actualmente o grosso da manutenção e programação de 74 recintos culturais (incluíndo os nacionais) e que, concluído que está o Programa Operacional de Cultura, como é que eles sobreviverão.
Vivemos num país onde está na moda dizer que queremos menos Estado e simultaneamente exigir mais do Estado, ou seja, uma prática oposta ao discurso, mas a verdade é que, em tempo de balanço, o que os directores destes espaços invariavelmente lançam é a quantidade de espectáculos exibidos e, por vezes, a taxa de ocupação das salas, sem curar de tocar no pomo da questão: o que é que fizeram no sentido do auto-financiamento destes preciosos espaços, de forma a assegurar o seu futuro?
Convenhamos que (nem será necessário recorrer ao bom senso, a honestidade intelectual será bastante) o Estado não pode sustentar 74 espaços de programação regular! Porquê? Primeiro porque esta política inviabiliza a empresarialização da cultura (o aparecimento de empreendedores, de produtores e agentes culturais - condição essencial para a constituição de uma indústria cultural) e, em segundo lugar, porque o Estado não tem mesmo capacidade financeira para o fazer (as prioridades e o orçamento estão muito longe deste desiderato).
Regressando ao POC e lendo um dos seus principais objectivos,

«(...) estruturadas sob a forma de circuitos de programação, co-produção e divulgação das artes do espectáculo e visuais, demonstrando que com o projecto se obtêm efectivamente ganhos de eficiência que contribuam para as condições de sustentabilidade dos recintos culturais envolvidos e para a melhoria da oferta cultural nas regiões mais desfavorecidas do território nacional.»

facilmente e sem grandes contas constatamos que, tirando honrosas excepções de Câmaras que entregaram a gestão destes espaços a pessoas ou entidades externas com conhecimento e a quem possam ser assacadas responsabilidades, não se vislumbram quaisquer iniciativas conducentes à sustentabilidade!
Mais grave, ainda, é saber que os detentores dos espaços pensam mesmo que o Estado tem obrigação de, per si, os sustentar!
Não sou pessimista, mas estou muito preocupado com o futuro destes espaços, preocupação essa que já vem desde a aventura de os restaurar e/ou construir (basta correr o que por aqui escrevi sobre gestão cultural e sobre o Pax Julia).
É que muito mais penoso do que não ter é ter de encerrar o que com muita dificuldade e com dinheiros públicos se ergueu, por manifesto desinteresse pelas mais básicas regras de gestão!
Apesar das minhas preocupações, endereço à Câmara Municipal, aos seus funcionários que, entre outras responsabilidades, têm a de fazer com que o Pax Julia funcione, bem como à equipa de prestadores de serviços (em especial técnicos) que faz com que possa acontecer, os meus parabéns e o desejo, muito sincero, de que este dia seja o primeiro de muitos aniversários do PAX JULIA.
Hoje, às 21:30h, poderemos assistir a:




ficha técnica:

Direcção: Domingos Oliveira e Priscilla Rozenbaum
Director Assistente: Eduardo Wotzik
Adaptação: Leonor Xavier
Guarda-roupa: José António Tenente
Desenho de Luz: Marinel Matos
Intérpretes: Ana Brito e Cunha, Fernanda Serrano e Maria Henrique

Ensino Artístico - de comentário a post

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Nesta entrada recebi um comentário muito pertinente de Carlos Semedo sobre a natureza extracurricular do Ensino Artístico anunciada pelo M.E., ilustrando, muito assertivamente, a minha afirmação de que se trata de «uma assumida regressão no que concerne ao almejado projecto de integração do ensino artístico no ensino regular.» Passo a transcrever integralmente. Durante onze anos estive ligado a um projecto na área da expressão/educação/oquequiserem musical que obedecia a dois princípios: ser integrado no horário lectivo das escolas do 1º Ciclo e ser inteiramente gratuito para as famílias. Começou com cerca de 500 alunos e, no 11º ano de funcionamento, abrangia 2100 crianças; os professores eram recrutados pelo Conservatório Regional local e pagos segundo os bons preceitos: nada de recibos verdes ou 10 meses de salário, mas sim de acordo com o Contrato Colectivo de Trabalho, 14 meses, descontos todos feitos e, até um momento, com contagem de tempo de serviço. Foi pago, sem falhas, pela Câmara Municipal local e, de uma forma sempre arrancada a ferros, pelo ME. Houve, por vezes, necessidade de recorrer à angariação de patrocínios para cobrir a diferença que o próprio Ministério não assegurava na totalidade. Soube, hoje, que o projecto enquanto tal vai acabar, por causa destes delírios pós-lectivos/extra-curriculares/enriquecedores. Vai passar a ser uma coisa difusa, diluída nos diversos agrupamentos. Curioso é o facto de, pelo menos até há dois anos atrás o custo aluno ser cerca de 55 euros/ano e, pelo que leio na comunicação social, o pessoal anda muito contente pelo custo ano/aluno das aulas de inglês que durante o ano lectivo corrente abrangeram o 3º e 4º anos. Sabem qual foi? 100 euros. Não há aqui qualquer coisa que não bate certo? Carlos Semedo

Enriquecimento curricular e urticária aguda

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Há palavras e expressões que, quando aplicadas ao ensino, provocam-me mesmo urticária aguda!
Ele é oficinas, ele é atelieres, ele é workshops, ele é despertar, ele é currículos alternativos, ele é enriquecimento curricular...

«No próximo ano lectivo todas as escolas do 1.º ciclo do ensino básico terão de disponibilizar aos seus alunos pelo menos duas horas diárias (dez semanais) de actividades de enriquecimento curricular.»
«O enriquecimento curricular (que a escola tem de oferecer, mas de que as famílias podem não querer usufruir, uma vez que a inscrição dos alunos nestas actividades não é obrigatória) pode acontecer no espaço da escola, em salas de aulas, centros de recursos, bibliotecas, por exemplo. Mas também podem ser utilizados espaços não escolares - por exemplo, se a escola tiver uma parceria com um estabelecimento de ensino profissional de música local, os meninos podem ser deslocados para as instalações deste último, para ter aulas de música.
» (palavras do Primeiro Ministro e da Ministra da Educação, via Público)

Havendo um projecto curricular aprovado e em vigor (no âmbito do ensino da música, da dança, do teatro) que sentido faz esta de coisa de enriquecimento, como opção e extra-curricular?
Se algum vislumbro, Sra. Ministra, será o de uma assumida regressão no que concerne ao almejado projecto de integração do ensino artístico no ensino regular.
E quem irá dar este tal de enriquecimento? Professores que concorreram segundo critérios universais ou serão nomeados, quiçá, também ao abrigo do enriquecimento... dos amigos?
Começa a ser muito erro - a manta começa a ficar muito curta! Começa a ver-se que, se calhar, não existe mesmo intenção de melhorar o ensino, apenas cegos cortes orçamentais e passar os meninos a torto e a direito.
Mas se é esse o objectivo, para quê tanto estudo, tanta comissão, tantas questiúnculas de natureza educativa?

Leituras

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De quando em vez a Jacky dá-lhe para escrever sobre coisas sérias e o mais curioso é que se sai tão bem como noutros assuntos que se entendeu rotular de menos sérios. A ler «Plano Nacional de Leitura» e reflectir, talvez, que às vezes, muitas, em calhando, as boas intenções gerais esbarram em inverosímeis impossibilidades locais.

Olá, eu sou a Sandra Vanessa e tenho 12 anos

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Nasci e vivo em Corroios com os meus pais que trabalham em Lisboa.
Olhem tou podre. Ontem a prof de historia chamou-me mal educada só pq lhe disse que n deitava fora a chiclet que tinha acadabo de por a boca!!! Mas que e que ela quer??? Então eu não posso ouvila e ver aqueles slaides manhosos dumas fotografias muito velhas que um tal Fan Ike tirou a mais de 400 anos?? A cota é passada!!
Bem n intereça ela que se enxa de pulgas q n tou p/ aturala. O resto do dia até que foi bué de fixe. No fim das aulas fomos ao Fórum Almada ver os chavalos. havia lá um que era podre.... depois vim para casa para ripar mais uns tops para o meu mp3 e quando abri o msn já la estavam as minhas amigas. Foi giro porque apareceu uma anónima que n concegui-mos saber quem era, mas tivemos a falar sobre o que iria acontecer hoje nos Morangos com Açúcar e e claro que todas estávamos de aquordo que aquilo que aqule chavalo fez a namorada n se faz. Comigo dava-lhe corda e depois mandava-o andar.
Bué de giro foi o link que a tal anónima nos mandou com música dos Da Wheasel que devia ser de um museu bué de bom!!! Tinha lá muitos quadros nas paredes e n querem saber que um deles ela igual ao da fotografia manhosa que a cota de historia mostrou na aula?!!!
Afinal o nome dele é Van Eyck e nasceu na Flandres que é como se chamava antigamente a Holanda e foi um dos melhores pintores do sec. XV. o gajo era bué de bom. Pintou quadros com gente bué de gira com roupas bem fixes. Eram de mais as cores da roupa de antigamente.
Um dia se existe mesmo aquele museu quero la ir velo!!! E bem melhor que aturar aqueles cotas todos da escola!!! DDD!!!
Bom agora xau, vou ver os Morangos com Açúcar!

Boa, aconteceu mesmo aquilo que tinha-mos dito!!! O chavalo foi envergonhado!!!
Quando os meus pais chegarão a noite n disse nada sobre a cota mas mostrei-lhes o link da tal anónima. O meu pai disse que era giro mas que n tinha tempo para aquilo e perguntou-me se eu tinha estudado p/ o teste.
Fogo, so pensam nisso os cotas. La fui para o quarto ler alguma coisa so p/ eles se calarem. E que agora anda toda gente a falar de educação, todos contra os profs e as escolas. Mas que e que queriam fazer com aqueles cotas todos a falarem de coisas sem interesse e so se calam se a gente adormecer mesmo?!!!!

Bem ou mal ficcionado deixo algumas interrogações:

1 - há algum problema com a Sandra Vanessa?
2 - se há, os professores são responsáveis por ele?
3 - se há, em que é que revisão da carreira docente contribui para o resolver?
4 - se há, o problema será de educação, de cultura, de gestão cultural, social ou de tudo um pouco?