Tuesday, 18. July 2006, 16:46:58
ironia, ironics, alentejo, política
...
Secretamente reunidos em torno dumas sopas de beldroegas com queijo os fundadores da Torre de Menagem analisaram o Estado da Nação Alentejana e perspectivas de futuro.
Sobre tórrido ambiente o debate foi aceso por um branco de Borba que em muito contribuiu para se atingir o consenso em torno de um comunicado final que aqui se deixa lavrado:COMUNICADO FINALsubscrito por unanimidade, mais consortes e prole presentesAtendendo a que nos últimos anos o Alentejo deu duas voltas de 360 graus, uma para oeste, outra para leste, tendo sofrido, por consequência, uma profunda agitação sem do sítio sair e que, por outro lado, a correlação de forças e a conjuntura sócioeconómica alteraram-se substancialmente pela falta do hífen, entendemos:
1 - O Alentejo é a região portuguesa com maior potencial de investimento em montes de projecção social e de lazer para 1 a 3 fins de semana/ano, desde que equipados com garrafeira da região, ar condicionado, piscina, internet, consolas de jogos, 1 campo de tiro e 2 de golfe (1 para cada dia), ou seja, com tudo o que assegure que de lá não seja preciso sair;
2 - A construção do IP8 e do aeroporto comercial de Beja são infra-estruturas fulcrais para que cheguemos depressa e saiamos como um relâmpago e, por outro lado, a fossa a céu aberto em que o lago de Alqueva, em tempo recorde, se conseguiu constituir, é de capital importância para o desenvolvimento da agricultura e para o estabelecimento de estâncias termais únicas no mundo;
3 - Não faz sentido manter o blogue Torre de Menagem e muito menos, ainda, acabar com ele;
4 - Como há mais de 30 anos se reclama, a terra deve ser para quem a trabalha e para quem tão bem a tem vindo a trabalhar, implicando, por tal tão insofismável constatação que, um dos membros já se tenha posto a milhas há alguns anos, dois outros estejam de malas aviadas, um quarto já cá só pernoite, enquanto o quinto se recusa a sair de cá por uma questão de felicidade familiar - depois de correr mundo diz não ter encontrado outro lugar no mundo onde se ria tanto.
Posto isto, propõem os signatários à classe partidário / famílio / tentacular da região, mais uma vez por unanimidade, mais consortes e prole, que ousem proporcionar, com regularidade anual, se possível, até, semestral, uma volta completa de 360 graus para manter a agitação dos que por cá permanecerem a mandar na terra e em quem nela trabalha.
Alentejo, Julho de 2006
Os subscritores, mais consortes e prole
Thursday, 13. July 2006, 11:44:00
política, reflexões, politics, opinion
Desculpem a insistência! Onde há negócio não há falta de investimento, nem de empresários, nem de empresas, nem de exportações!
A China cresceu 55% nas exportações durante o 1º semestre deste ano e prevê atingir o final do ano com um superavit da balança comercial de 120 a 130 mil milhões de dólares. (Le Monde)
O Banco Mundial diz que eles se devem preocupar devido à excessiva dependência do PIB em relação às exportações (70%)!
Preocupados?
Preocupados deveríamos estar nós uma vez que 40% das suas exportações são da responsabilidade de empresas cujo capital é detido a 100% por estrangeiros, especialmente, norte-americanos e europeus, excluindo as parcerias de capital que, se as considerassem, a percentagem seria muito mais elevada!
O euro, ao preço que está, é insustentável e a política monetarista imposta pelo Banco Central Europeu, com o aval dos detentores de capital de investimento fiduciário, continuarão a conduzir a economia da zona euro à ruína e, com ela, a liberdade e a democracia!
É um exagero, contudo, pois temos nós preocupações de muito mais elevada índole: se há muito ou pouco Estado; se mais neoliberais se mais sociais-democratas; se mais ou menos défice público; se pega de empurrão ou se precisa de um choque...
Precisa, precisa, mas dá-me ideia que um choque oftalmológico seria muito mais eficaz, pois embora não techno, seria bem mais lógico!
Tuesday, 11. July 2006, 07:01:26
alentejo, política, politics, reflexões
...
A convite do NERBE/AEBAL Medina Carreira esteve em Beja a dissertar sobre «Perspectivas de Desenvolvimento para Portugal na Próxima Década» tendo, a propósito focado vários aspectos das teses que vem defendendo sobre as razões do nosso atraso.
«o Estado não existe "para dar respostas aos empresários, mas sim, para lhes dar condições de trabalho" e que devem ser "os empresários a traçar o seu próprio caminho". Considerou ainda que "a saída para Portugal está no aumento da competitividade e na produção para exportação"» (Rádio Voz da Planície)
Medina Carreira, diga-se, nunca nos atirou com o chavão do "menos Estado" porque sabe e defende a necessidade de um Estado forte a proporcionar oportunidades, a regular o mercado e fiscalizá-lo. Medina Carreira sabe que o nosso hipotético futuro passa necessariamente pelo empreendimento e trabalho de todos, nomeadamente, do empresário e acrescenta, desta vez (ou pelo menos eu não conhecia a sua posição sobre o assunto) que «o país deve apostar na educação pois "não podemos continuar a permitir a rotativa produção da ignorância"»! (Rádio Voz da Planície)
Sábias palavras, em especial o impacto da frase - "não podemos continuar a permitir a rotativa produção da ignorância"!
Diagnóstico perfeito e assertivo! Que falta então se conhecemos os obstáculos e como os ultrapassar?
Francamente acho que não falta, há até excesso! Excesso de Professores Doutores embutidos nas Universidades a debitar uma ou duas teses por ano publicadas nas mais prestigiadas publicações de cada área, economistas especialistas em Finanças Públicas e gestores de nomeação pública que, para além de nunca terem posto o pé numa empresa privada nem fazerem a mínima ideia de como é que o mercado, de facto, funciona, nunca empresários ousaram ser!
Porquê? Ora, exactamente porque sabem que, apesar de os diagnósticos e as soluções serem fruto de demorada e difícil investigação, não é o dinheiro deles que corre nem têm o gume da banca encostado ao pescoço.
Ser empresário, como defende o Prof. Medina Carreira e muitos outros especialistas nesta matéria, implica não ter nenhum ordenado, uma pensão ou várias acumuladas, subsídio ou probenda do Estado e arriscar o que é seu! E quem arrisca a sua vida e da família pretende assegurar o menor risco possível - seja em termos de retorno seja na rapidez do "break even point"!
Assim sendo, volto à vaca fria, a de saber qual será o louco que hipotecará o seu capital em Portugal ou na União Europeia sabendo que noutras paragens terá uma moeda muito mais barata, uma mão-de-obra incomparavelmentemais mais em conta e que não coloca problemas laborais e, para mais, um "know how" bem superior?
Por muitas voltas que os Senhores Professores dêem, ser empresário, como os senhores muito bem ensinam nos muitos assentos das muitas universidades, é estar no local e momento certos para agarrar as oportunidades e estas, definitivamente, enquanto os tecnocratas do Banco Central Europeu teimarem em manter o preço do euro disparatadamente elevado, não estão na União Europeia!
Daí que os empresários há muito que já traçaram o seu caminho! Os empresário, repito, não os investidores à conta dom Estado!
O problema poderá parecer que será de falta de empresários mas, a montante, temos causa bem mais profunda e condicionante - a falta de oportunidades de negócio!
Aparecem elas e, estimados Senhores Professores, empresários não faltarão, como nunca faltaram onde há negócio!
Wednesday, 5. July 2006, 17:33:21
indignações, política, reflexões, politics
...
A pujança que os senhores do BCE teimam em imprimir ao euro, responsável pela fuga do investimento na produção e pelo incremento do investimento fiduciário, é a principal causa do empobrecimento da classe média europeia e, a prazo, da própria existência da UE e do seu central banco.
Será esta política de direita, de esquerda ou de total desprezo pelos cidadãos?
Ou de nada disso se trata, apenas de uma pura e simples vassalagem ao poder do capital anónimo?
Até quando resistirão os mandantes desta União a assumir a Europa que almejam - um offshore?
Friday, 23. June 2006, 09:09:36
indignações, política, reflexões, politics
...
225.000.000.000,00 de euros é o valor dos subsídios atribuídos, em 2005, aos proprietários de terrenos agrícolas nos países da OCDE!
Estes subsídios representaram 32% do seu rendimento na UE, 16% nos EEUU, 56% no Japão, 63% na Coreia do Sul, 64% na Noruega e 68% na Suíça.
59% destes subsídios, 137.000.000.000,00€, foram destinados ao objectivo de evitar a descida do preço dos produtos agrícolas!!! (OCDE).
Ah, como é bom ser neo-liberal - defender a livre circulação de produtos, bens e capitais e, simultaneamente, subsidiar os produtores ricos!
Menos Estado, meus senhores, menos Estado, e, já agora, vamos lá avançar com o cultivo de produtos transgénicos para melhorar a produtividade!
Para que servem os Live Aids, para que serve o programa Luta contra a Pobreza da ONU se nós, os ricos, gastamos 225.000.000.000,00€ para sentenciar milhões à pena de morte pela fome?
Wednesday, 21. June 2006, 09:36:16
indignações, política, reflexões, politics
...
A ler «
Les Riches, toujours plus riches e plus nombreux» de Hervé Rousseau no Le Figaro.
Estarrecedora a origem geográfica da maioria novas grandes fortunas - América Latina, Ásia do Pacífico e Médio Oriente: Índia (+ 19,3%), Rússia (+ 17,4%), África do Sul (+ 15,9%) Indonésia (+ 14,7%)!
Menos Estado, meus senhores, livre circulação de mercadorias e capitais, uma política monetária forte, é tudo quanto precisamos para criar mais riqueza, e muita, mas para muito poucos!
Mais pobres? Não faz mal, deles não reza a história!