Thursday, September 28, 2006 10:03:57 PM
A Idade da GuerraPor Jean-Michel Kuss
Bielorussia, 1943. Fliora vive numa pequena aldeia que, apesar das transformações feitas no país pelo comunismo, segue sua vida rudimentar e camponesa. Se não fosse a guerra.
Após o término de Agonia, filme ostentado pelos cineastas Ingmar Bergman e Akira Kurosawa, pela sua complexa carga emocional, Elem Klimov decidiu repensar a sua vida. Não estava feliz com os seus filmes, tão pouco consigo mesmo. Foi depois de ler ‘História de Khatyn’, romance de Ales Adamovich sobre o massacre da Bielorussia, que o diretor retoma sua carreira. Adaptando o romance, junto com o próprio Adamovich, Klimov dá inicio ao que chamou Vá e Veja.
No filme, diferente do romance, Klimov decide usar um garoto, para, segundo ele aproveitar suas lembranças da guerra. O garoto em questão é Aléksei Kravchenko. A intenção era chamar um ator, que pudesse suportar os extremos emocionais do personagem, mas o jovem siberiano de aparência franzina, que nunca havia atuado, tinha nervos fortes.
A câmera ágil de Vá e Veja não dá trégua á Fliora. O filme começa com o garoto e seu amigo procurando um rifle. Só assim ele poderá ingressar na milícia camponesa que ajuda o exercito vermelho a combater os alemães. Ao encontrar a arma e se alistar, sofre o primeiro golpe: ter que deixar a mãe e as duas irmãs á mercê do incerto. Seu pai, que também ingressara no exército, nunca mais deu noticias.
E ao contrario do que se espera ele vai á luta, com mais coragem que muitos adultos. E ele se transforma. A guerra transforma a todos. Não só uma nova personalidade se funde, mas também uma nova visão sobre o ser humano.
Poderíamos citar ‘A Infância de Ivan’, do compatriota Andrei Tarkovski, com uma h istória bastante similar, sobre a perda da infância, e da inocência. Mas Fliora não é um soldado, como Ivan, e aqui ele quer apenas sobreviver.
Tão impressionante quanto à atuação de Aléksei Kravchenko, é o modo como Elem Klimov filma Vá e Veja. Praticamente todo rodado em locações. A câmera se movimenta o tempo todo. A trilha sonora é de uma composição quase alucinante, surreal. Pra se ter uma idéia do modo perfeccionista como foi concebido, os aldeões do filme são camponeses de verdade. Muitos deles presenciaram o massacre, e Ales Adamovich, que acompanhou o diretor durante todo o processo, alterou o roteiro a partir de seus relatos.
Elem Klimov queria entrega total neste filme para, nas suas palavras: “oferecer as pessoas algo real, sério e significante”. Um dos melhores, senão o melhor, filme de guerra já feito.
FICHA TÉCNICA
Иди и смотри (Idi i Smotri)
União Soviética 1985
Colorido 142 min Legendas em Português
Direção: Elem Klimov
Roteiro: Ales Adamovich e Elem Klimov
Elenco: Aléksei Kravchenko, Olga Mironova, Liubomiras Lauciavicius, Vladas Bagdonas, Juris Lumiste, Viktor Lorents, Kazimir Rabetsky, Yevgeni Tilicheyev, Aleksandr Berda.
Musica Original: Oleg Yanchenko
São utilizadas composição de Richard Wagner e Wolfgang Amadeus Mozart.
Fotografia: Aleksei Rodionov
Edição: Valeriya Belova
Desenho de produção: Viktor Petrov
Direção de Arte: Viktor Petrov
PRÊMIOS
Medalha de Ouro no Festival de Moscou, 1984.
SERVIÇO
Exibição de Vá e Veja neste domingo, 1 de Outubro, ás 19 horas no Sesc da Esquina.
Rua Visconde do Rio Branco, 969. Informações: 9937 0396 cineclube.kinoglaz@gmail.com
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Wednesday, August 23, 2006 7:19:07 PM
A Decadência Alemã, aos olhos de Luchino ViscontiDeuses Malditos é a saga da família von Essenbeck, reis do aço na Alemanha, e a crônica da violência e da degradação que marcou a ascensão do nazismo. O velho barão Joachim simboliza a velha Germânia, civilizada por Bach, e governada pelo Kaiser. Quando ele morre, todos os métodos possíveis são empregados na disputa pelo poder.

“Deve entender que hoje, na Alemanha, pode acontecer qualquer coisa, inclusive o improvável, e é só o começo. A moral individual está morta. ‘Somos uma sociedade de elite a que tudo se permite’. São palavras de Hitler, meu querido Frederick, deve pensar sobre elas. Esta noite, por exemplo.”
Hauptsturmführer Aschenbach
O símbolo do nazismo é Martin, um jovem mentalmente desequilibrado, e o único herdeiro da fortuna Essenbeck. Manipulado por todos os lados, ele descobre o mau dentro de si.
“– Escuta, Martin.
– Escuta você, mãe! Não é Aschenbach quem me dá medo. Não é Frederick. É você, mãe. Você, que sempre foi o meu pesadelo. Você, com sua opressão, com teu desejo de me submeter a todo custo, em todos os sentidos. Com suas estúpidas perucas e batons. Você nunca me quis. Nunca. Sempre preferiu a ele. A ele deu tudo o que me pertence. Minha fábrica, meu dinheiro, minha casa, tijolo a tijolo. Inclusive meu nome! E o teu amor. É a pior. Por isso te odeio! Não pode imaginar as desgraças que te desejo! Te destruirei, mãe”.
É um filme apaixonado e apaixonante. Fato e ficção, habilmente mesclados, se ordenam aqui num vigoroso e candente documento artístico.
FICHA TÉCNICA
LA CADUTTA DEGLI DEI 1969 Itália/Alemanha/Suíça 155 min Color Leg. Português
Direção: Luchino Visconti
Roteiro: Nicola Badalucco, Enrico Medioli e Luchino Visconti
Fotografia: Pasqualino De Santis e Armando Nannuzzi
Produção: Alfredo Levy e Ever Haggiag (Zurique) Pegaso Film, Italnoleggio (Roma) e Eichberg Gmbh (Mônaco)
Musica: Maurice Jarre
Montagem: Ruggero Mastroianni
Elenco: Dirk Bogarde, Helmut Berger, Ingrid Thulin, Albrecht Schoenhals, Umberto Orsini, Renè Koldehoff, Florinda Bolkan, Helmut Griem, Renaud Verley, Charlotte Rampling.
SERVIÇO
Exibição de Deuses Malditos, domingo, dia 27 de agosto, ás 19 horas, no Teatro do Sesc da Esquina.
Rua Visconde do Rio Branco, 969. Informações: 9937 0396*****

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Thursday, August 17, 2006 3:21:02 PM
Neste domingo, 20 de agosto, o Cineclube Kino-Glaz exibe FACES, de John Cassavetes
Um clássico dos anos 60 que se tornou uma lenda entre os cineastas independentes no mundo inteiro. Neste longa, rodado entre amigos, sem apoio dos estúdios, o cineasta mostra a crise do casamento moderno, especialmente no contexto da classe média alta americana dos anos 60, desiludida e unificada apenas por ideais consumistas. Trabalhando com um elenco extraordinário, Cassavetes buscava em cada cena as contradições internas de uma relação afetiva, a origem de cada sentimento, as máscaras apropriadas e corrompidas pelo tempo.

A fotografia de Al Ruban, granulada e composta unicamente com câmera na mão, iluminação estourada, e trechos fora de foco (totalmente oposta à política dos grandes estúdios), se encaixa perfeitamente na estrutura do filme, compondo uma grande obra em aberto, quase um rascunho, algo raro no cinema até então.
O mais impressionante, no entanto, é a intensidade com que os atores se entregam em cada cena. Cassavetes afirmou: “acredito nos atores como a grande força de um filme”. Para ele, a fotografia, a montagem e a direção de arte eram aspectos secundários, que deveriam estar sempre subordinados ao trabalho do ator. Tentando descobrir a verdade de cada cena, o diretor improvisava inúmeras vezes uma mesma tomada, para conseguir expressar uma emoção genuína, que não fosse mecânica. John Cassavetes trabalhava contra a representação. Ele queria a vida, e Faces é o exemplo mais radical dessa busca.
SINOPSE
O desmoronamento de um casamento da classe média alta norte-americana. Richard deixa sua esposa, Maria, para se encontrar com a jovem Jeannie, que acabara de conhecer num bar. Maria, por sua vez, vai a uma boate e deixa-se envolver pelo jovem Chet.
FICHA TÉCNICA
Faces EUA 1968 P&B 130 min Leg. Português
Direção e Roteiro: John Cassavetes
Produção: Maurice McEndree
Fotografia: Al Ruban
Montagem: Maurice McEndree e Al Ruban
Elenco: John Marley, Gena Rowlands, Lynn Carlin, Seymour Cassel, Fred Draper.
SERVIÇO
Exibição de Faces, domingo, 20 de agosto, ás 19 horas, no auditório 1 do Sesc da Esquina (R. Visconde do Rio Branco, 969). Entrada Franca. Informações: 9937 0396.*****
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