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KINO-GLAZ

WWW.MY.OPERA.COM/KINOGLAZ

A Mãe

Cineclube Kino-Glaz exibe filme russo baseado em romance de Gorki.


A Mãe, do cineasta Vsevolod Pudovkin (1893-1953), baseado no romance homônimo de Máximo Gorki (1868-1936), é a atração deste domingo, 13 de agosto, do Cineclube Kino-Glaz.

Filmado em 1926, A Mãe parte da história de um ferreiro que se recusa a aderir a uma greve e é morto, acidentalmente. Sua viúva culpa um militante. Inocentemente ela ajuda nas investigações, mas quem vai preso é o filho do casal.

Pudvokin forma na linha de frente do cinema russo do início do século 20, ao lado de Sergei Einsenstein e Dziga Vertov. Além de A Mãe, outro filme considerado fundamental em sua carreira é Tempestade sobre a Ásia (1928).







FICHA TÉCNICA

A MÃE [Mat]
Rússia, 1926. Direção: Vsevolod Pudovkin. Com Vera Baranovskaya, Nikolai Batalov, Alexander Chistyakov. Legendado em português. 87min.

SERVIÇO

Exibição de A Mãe, de Pudovkin, às 19h, no auditório do SESC da Esquina (Visconde do Rio Branco, 969 - 1º andar) Entrada Franca. Informações: (41) 9937-0396 - kinoglaz.cinelcube@gmail.com


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Mon Oncle D'Amérique

Resnais mergulha na condição humana


Meu Tio da América revela virtuosismo técnico numa bela e profunda metáfora sobre o homem

Resnais (Hiroshima Mon Amour, Ano Passado em Marienbad) não pratica um cinema fácil, palatável. Sua obra provoca reflexões, incomoda, carrega o espectador para um emaranhado de sensações que tangencia, quase sempre, questões como o tempo, a memória, o ser e o viver.

O título do filme faz alusão a um personagem obscuro. Não se sabe se ele está morto, rico ou miserável, numa América que jamais aparece.

Em Meu Tio da América, o diretor aventurou-se em novos territórios cinematográficos, que segue o formato de um intrigante quebra-cabeça ao intercalar imagens documentais de um biólogo, Henri Laborit, defensor de teorias behavioristas, e três histórias de vida: Jean, René e Janine, dois homens e uma mulher que pertencem a três gerações diferentes, vindos de diferentes meios, nascidos em três regiões da França. Suas vidas poderiam ter tomado rumos paralelos sem nunca se cruzarem, e no entanto elas se cruzarão um dia.


SERVIÇO
Exibição de Meu Tio da América, no auditório do sesc da esquina (R. Visconde do Rio Branco, 969), neste domingo, dia 6 de agosto, às 19 horas. Entrada Franca. Informações: (41) 9937-0396. kinoglaz.cineclube@gmail.com
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FICHA TÉCNICA

Mon oncle d'amérique (França, 1980).Direção: Alain Resnais. Roteiro: Jean Gruault. Textos de Henri Laborit. Produção: Philippe Dussart. Fotografia: Sacha Vierny. Música Original: Arié Dzierlatka. Com Gérard Depardieu, Nelly Borgeaud, Nicole Garcia, Roger Pierre. Color. 125min. Leg. Português.

PRÊMIOS

Cannes 1980: Grande prêmio do júri
Prêmio Fipresci

Rosetta

Pobre Rosetta! Como se não lhe bastasse viver numa caravana desconfortável num parque miserável, ter de cuidar de uma mãe agarrada à garrafa e que troca favores sexuais por bebida, não comer aparentemente nada mais do que «gaufres» todo o santo dia para poupar uns tostões, não conseguir, por mais que corra seca e meca, arranjar um emprego seguro que lhe garanta uma subsistência decente e andar constantemente à beira do desespero, os irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne não lhe dão tréguas com a sua câmara à mão, seguido-a para onde quer que ela vá como se fossem a sua outra sombra, cercando-a, encurralando-a, roubando-lhe a intimidade, cortando-lhe o espaço de manobra, sufocando-a e às suas magras esperanças.

«Rosetta», que foi a Palma de Ouro (surpresa) do Festival de Cannes de 1999, poderia não passar de um folhetim neo-realista duro e feio visualizado em estilo de cinema de guerrilha, não fossem a interpretação impenitentemente naturalista de Émilie Dequenne (também premiada em Cannes), que nunca dá a impressão que sabe que existe uma câmara sempre atrás dela, transmitindo toda a tenacidade obsessiva que aguenta Rosetta e a impede de cair na delinquência ou na prostituição (mas a leva também a trair sem pestanejar quem a ajudou), e o facto dos irmãos Dardenne recusarem utilizar todo e qualquer arrebique fotográfico ou sonoro para fazerem a Rosetta uma maquilhagem melodramática que não necessita, nem nunca necessitou. Sem esta crueza militante que vai da primeira à última imagem, «Rosetta» seria igual aos filmes com os quais não quer ser confundido.

Eurico de Barros http://www.cinema2000.pt/ficha.php3?id=501

SERVIÇO
Exibição de Rosetta, no auditório do sesc da esquina (R. Visconde do Rio Branco, 969), neste domingo, dia 30 de julho, às 19 horas. Entrada Franca. Informações: (41) 9937-0396. kinoglaz.cineclube@gmail.com
FICHA TÉCNICA
ROSETTA [Bélgica/França, 1999]. Direção, Roteiro e Produção: Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne. Direção de Fotografia: Alain Marcoen, Editor: Marie-Helene Dozo, Som: Jean-Pierre Duret. Com Émilie Dequenne, Fabrizio Rongione, Anne Yernaux, Olivier Gourmet e Bernard Marbaix. http://www.imdb.com/title/tt0200071/

SINOPSE
Neste longa, os Dardenne criam uma fábula sobre uma garota desempregada que vive o sentimento de ser descartavel e um dilmea moral ao trair a confiança de uma amigo para roubar-lhe o emprego. A trama banal ressonâncias trágicas no modo como o drama é encenado, com marcas de suspense em pontos-chave. Mas é a câmera que define tudo. Posicionada como uma lupa, ela aproxima o espectador de tal maneira da situação que nos sentimos incluídos e arrancados da passividade, do voyeurismo e do colo segura da isenção.

Ninotchka

Cineclube Kino-Glaz exibe Ninotchka, a obra-prima do humor de Ernst Lubitsch, no dia próximo domingo, dia 23 de julho, às 19 horas, no Sesc da Esquina, com entrada franca.

Quando uma metade de Paris beija a outra metade

Há quem diga que que uma lista de dez melhores filmes não poderia passar batido sem um Billy Wilder. Mais que com Wilder, isso seria injusto com o seu conterrâneo e mentor Ernst Lubitsch. Nenhum outro soube ser tão elegante e sofisticado ao aliar a política à comédia romântica quanto Lubitsch. Seja pelo texto, escrito em parceria com Wilder, Charles Brackett e Walter Reisch ou pelo uso de câmera e edição que pontuam a ação dos personagens, Ninotcka é o seu mais famoso e, porvavelmente, o melhor filme. Um prova de que não precisamos de pedantismo, sofrimento e tampouco abandonar o humor ou uma gramática visual elaborada para fazer crítica contundente. O que Lubitsch nos deu é simplesmente a mais engraçada comédia do cinema e o sorriso de Greta Garbo em um de seus últimos (e melhores) papéis.

Serviço:
Exibição de Ninotchka (Auditório1 – Sesc da Esquina — R. Visconde do Rio Branco, 969), (41) 9991–4351. 23 de julho (domingo), às 19h. Entrada franca.

Ficha técnica:
Ninotchka (EUA, 1939). Direção de Ernst Lubitsch. Com Greta Garbo, Melvyn Douglas, Bela Lugosi, Sig Rumann, Felix Bressart, Ina Claire, Alexander Granach, Gregory Gaye, Rolfe Sedan, Richard Carle. 110 min, PB. Imdb: http://www.imdb.com/title/tt0031725/

Sinopse:
Neste primeiro papel cômico de sua carreira, Greta Garbo vive uma emissária russa mal-humorada que tenta policiar a vida de seus camaradas em Paris. Mas, quando ela mesma se apaixona por um parisiense (Melvyn Douglas), tudo muda de figura.

Kino-Glaz exibe curtas de Tati no Sesc

Três curtas-metragens do genial comediante francês Jacques Tati (1907-1982) compõem a programação do Cineclube Kino-Glaz neste domingo (16). A sessão começa às 19h no SESC da Esquina (Visconde do Rio Branco, 969), em Curitiba.

Com o personagem Sr. Hulot, um sujeito silencioso, de andar saltitante, que observa e protagoniza atrapalhadas situações, Tati tornou-se um clássico pelos longas As Férias do Sr. Hulot (1953), Meu Tio (1956), Tempo de Diversão (1967) e As Aventuras do Sr. Hulot no Trânsito Louco (1971). Neles, foi ator, diretor, produtor e roteirista.

Na mostra deste domingo, os espectadores vão conhecer um pré-Hulot nos curtas Sparring por um Dia (1936), dirigido por René Clément, e Escola para Carteiros (1947), assinado por Tati. Hulot reaparece em Curso Noturno (1967), de Nicolas Ribowski.

SERVIÇO
Cineclube Kino-Glaz. Curtas de Jacques Tati: Sparring por um Dia (1936), Escola para Carteiros (1947) e Curso Noturno (1967).
SESC da Esquina (Visconde do Rio Branco, 969 – telefone: 3322 6500 - Curitiba). Domingo, às 19h. Entrada franca.

Dois Córregos

Quarta sessão do Cineclube Kino-Glaz, dia 9 de julho, às 19 horas, no Teatro do Sesc (R. Visconde do Rio Branco, 969). Entrada franca. Observação: ao contrário do informado após a sessão de Alma Corsária, no dia 2 de julho, não não será promovida a reprise de Lílian M. Relatório Confidencial, em função do jogo final da Copa do Mundo.

Dois Córregos (Brasil, 1999). Escrito e dirigido por Carlos Reichenbach. Carlos Alberto Riccelli, Beth Goulart, Ingra Liberato, Vanessa Goulart, Luciana Brasil, Kaio César, Luiz Damasceno, Thomaz Vinícius Jorge, Sergio Ferrara, Antoune Nahkle, Cristina cavalcanti, Lina Agifu, Zé da ilha, Ingrid Silveira, Paulo Mendes, Jaqueline Jorge, Francisco Cestari, Sebastião Manoel de Abreu, Maurity Fornazaro, Joana Curvo, Rita Martins, Fabiana Barbosa, Déia Brito, Sérgio Cavalcante, Maurílio Taddeu, Marcelo Araújo, José Jerônimo e André Mïrrer.

Informações adicionais no site oficial do diretor: http://www.olhoslivres.com/corrego.htm

Alma Corsária

Terceira sessão do Cineclube Kino-Glaz, dia 2 de julho, às 19 horas, no Teatro do Sesc (R. Visconde do Rio Branco, 969). Entrada franca.

Alma Corsária (Brasil, 1993). Escrito, fotografado e dirigido por Carlos Reichenbach. Com Bertrand Duarte, Jandir Ferrari, Andréa Richa, Flôr, Marina de Moraes, Jorge Fernando, Emilio di Biasi, Abrahã Farc, Roberto Miranda, Ricardo Pettine, Paulo Marrafão, David Y Pond, Amaziles Almeida, Rosana Seligmann, André Messias e Denis Peres. Cor, 116 min.

Lilian M., Relatório Confidencial

Segunda sessão do Cineclube Kino-Glaz, dia 25 de junho, às 19 horas, no Teatro do Sesc (R. Visconde do Rio Branco, 969). Entrada franca.

Ficha técnica:
Lilian M. Relatório Confidencial (Brasil, 1974 / 1975). Escrito, fotografado e dirigido por Carlos Reichenbach. Cenografia de Marta Salomão Jardini. Direção de produção de Percival Gomes Oliveira. Seleção musical de Carlos Reichenbach. Montagem e edição de Inácio Araújo. Produção de Carlos reichenbach. Com Célia Olga Benvenutti, Benjamin Cattan, Sérgio Hingst, Marcy Mello, Edward Freund, Walter Marins, Caçador Guerreiro, José Júlio Spiewak, Tereza Bianchi, Lee Bujyja, Genésio Carvalho e apresentando Wilson Ribeiro e Washington Lasmar. Cor, 120 min.

Carlos Reichenbach em Curitiba

Reichenbach nas filmagens de Filme Demência

“É o filme onde eu mais me expus. Nele revisitei a perda do principal vínculo familiar e, de certa maneira, fiz as pazes com o meu pai. O filme foi feito não só para refletir o processo da perda de identidade, mas também o fracasso econômico do país com a conseqüente decadência moral que acompanha todas as inflações.”
Carlos Reichenbach sobre Filme Demência



O Cineclube Kino Glaz promove, no dia 22 de junho, depois do jogo do Brasil, às 20 horas, no Teatro do Sesc, em Curitiba, a exibição da cópia restaurada de Filme Demência, com a presença do diretor Carlos Reichenbach. O evento é uma realização do Grupo Kino Glaz, com patrocínio do Sesc da Esquina e apoios da Fnac e Hotéis Slavieiro. Na oportunidade, serão sorteados dez exemplares do livro Carlos Reichenbach: o Cinema Como Razão de Viver, de Marcelo Lyra. A programação prossegue no domingo, dia 25, quando será projetado, às 19 horas, no Auditório 1, Lilian M., Relatório Confidencial. Nos dias 2 e 9 de julho será a vez de Alma Corsária e Dois Córregos.

Serviço: Exibição da cópia restaurada do Filme Demência com presença do diretor Carlos Reichenbach. Teatro do Sesc – Sesc da Esquina (R. Visconde do Rio Branco, 969), (41) 9991-4351. 22 de junho (quinta-feira) às 20 horas. Entrada franca. Informações: www.my.opera.com/kinoglaz

O cineasta
Reichenbach é um dos maiores cineastas brasileiros em atividade, dono de uma filmografia pessoal e inquieta. Nasceu em 1945, em Porto Alegre, no berço de uma família de editores e industriais gráficos. Um ano depois, mudou-se para São Paulo, onde descobriria o cinema como jovem, nos “poeiras”, como eram chamadas as antigas salas da cidade.
A incursão, em 1965, na Escola Superior de Cinema São Luiz foi decisiva para que se definisse como diretor de cinema, graças à influência de mestres como Roberto Santos, Anatol Rosenfeld, Paulo Emílio Salles Gomes, Mário Chamie, Décio Pignatari, e, principalmente, Luis Sérgio Person. Embora não fossem estudantes, Rogério Sganzerla, Jairo Ferreira, José Mojica Marins, Ozualdo Candeias, Fauzi Mansur e outras figuras do circuito de cinema emergente de São Paulo – a base do dito “cinema marginal” – freqüentavam a escola.
O curta-metragem Esta Rua Tão Augusta, produzido por Person, foi o primeiro filme de Reichenbach, que iniciava, paralelamente, colaborações como crítico em jornais de bairro paulistas.Corrida Em Busca do Amor, um aprendizado que, de acordo com o cineasta, nenhuma escola lhe permitira desenvolver, iniciou o currículo de longas-metragens em 1970.
Depois de uma passagem pouco gratificante pela produtora publicitária Jota Filmes, Reichenbach largaria tudo para fazer o segundo longa, Lílian M., Relatório Confidencial. Também seguiria a carreira de técnico cinematográfico, com numerosas atividades como operador de câmera, diretor de fotografia e ator.

Filme Demência
A obra de Reichenbach seria reconhecida pela primeira vez internacionalmente em 1985, quando Filme Demência recebeu o título de Obra Inovadora do Ano. “É o filme onde eu mais me expus. Nele revisitei a perda do principal vínculo familiar e, de certa maneira, fiz as pazes com o meu pai. O filme foi feito não só para refletir o processo da perda de identidade, mas também o fracasso econômico do país com a conseqüente decadência moral que acompanha todas as inflações”, afirma o cineasta no livro Carlos Reichenbach: o Cinema Como Razão de Viver. Seguiriam, ainda, homenagens pela Cinemateca Real de Bruxelas, com prêmio L’Age d’Or, por Anjos do Arrebalde, e o prêmio de Ditruibuição por Amor, palavra prostituta. Alma Corsária venceria o prêmio dos 30 anos do Festival do Novo Cinema de Pesaro.
Em 2001, depois de sobreviver a três infartos do miocárdio e ganhar três pontes de safena e uma mamária, foi o primeiro cineasta a receber o Troféu Eduardo Abelim, no 29° Festival de Gramado. Recebeu também o troféu Barroco, pela obra, na 3ª Mostra de Cinema Brasileiro de Tirandentes, Minas Gerais, e o troféu especial do Guarnicê de Cine-Vídeo, em São Luiz do Maranhão.

Kino Glaz
O Grupo Kino Glaz foi fundado em janeiro de 2006, em Curitiba, com objetivo de formar um núcleo de produção de cinema. O Cineclube Kino Glaz é uma de suas ações paralelas, criada para combater um quadro deficiente de distribuição de filmes brasileiros e títulos raros em Curitiba.

Ficha técnica
Filme Demência (Brasil, 1985). Direção e argumento de Carlos Reichenbach. Roteiro de Carlos Reichenbach e Inácio Araújo. Com Ênio Gonçalves, Emílio Dibaisi, Imara Reis, Fernando Benni, Rosa Maria Pestana, Orlando Parolini, Alvamar Taddei, Benjamin Cattan, Vanessa Alves, Renato Master, Roberto Miranda. 90min, cor.

Sinopse
Após assistir impotentemente a falência de sua pequena indústria de cigarros, Fausto mergulha no interior de si mesmo. Rompe com Doris, a esposa infiel, rouba o revólver do zelador do prédio onde mora, e sai pela noite de São Paulo em busca de Mira-Celi, seu paraíso imaginário. Em seu trajeto suicida encontra personagens emblemáticos de sua existência obscura: o amigo de infância e desonesto Wagner, a amante suburbana Mércia, o visionário guru Honduras, um ex-colega da faculdade de economia que vende carros de segunda mão, o cunhado salafrário Dr. Gildo Lobo e seu sócio Dr. José Carlos Barata, amante de Doris, e entre outros, e sobretudo, Mefisto, que surge transvestido de várias formas, inclusive como uma simpática velhinha. É a eterna busca do conhecimento que o conduz à descoberta de seu próprio espelho. Uma viagem onde o importante não é chegar, mas viajar; um movimento circular permanente que leva Fausto a concluir quem nem a alma tem para oferecer a Mefisto.

Comentário
Ambicioso projeto de Reichenbach, único de seus filmes realizado com financiamento da extinta Embrafilme. Uma adaptação pessoalíssima da lenda de Fausto, e sua trágica e eterna busca do conhecimento. Goethe, Marlowe, Coleridge, Murnau e as óperas de Mahler e Gounod, sob a ótica urbana e fractal do cineasta. Uma experiência radical que trafega por caminhos nunca antes tentados pelo cinema brasileiro. Na opinião do saudoso crítico Edmar Pereira : " Uma investigação existencial e filosófica capaz de fascinar ou irritar o espectador. ". Em sua estréia mundial, no Festival de Rotterdam de 1986, foi votado para o prêmio de "filme inovador do ano".

Polêmico, desgovernado, carregado de citações literárias, Filme Demência (anagrama de filme de cinema) indica uma nova guinada na obra de Reichenbach: um cinema confessional, inspirado diretamente na experiência existencial do realizador; no caso, a sua relação com a própria extirpe. Reichenbach, filho e neto de industriais gráficos e editores, tendo perdido o pai aos 13 anos de idade, assistiu impotentemente a perda de todos os bens de família, inclusive a tradicional e primeira indústria litográfica que seu avô veio, no início do século, instalar no Brasil. Na tela, o mito de Faetonte, o filho de Apolo que perdeu o "carro de fogo" herdado do pai.

As filmagens foram interrompidas por três vezes devido às dificuldades na liberação do financiamento, e o filme só pode ser concluído graças à dedicação de seus dois atores principais. Toda a última parte do filme, as seqüências de estrada e litoral, foram fotografadas pelo próprio Reichenbach, e com o auxílio de uma equipe reduzida pela metade. A premiada trilha musical de Manoel Paiva e Luiz Chagas se inspira diretamente na Oitava Sinfonia de Gustav Mahler. O filme foi totalmente rodado em São Paulo e nas proximidades de Bertioga.

Citações

Gosto de enxergar o cinema como minha manifestação de vida. Busco em todos os filmes que vejo entender a pessoa que o fez. Continuo um ardente e radical defensor do cinema autoral. Desprezo todo e qualquer filme que esconda a alma do seu realizador.
Carlos Reichenbach, em entrevista a Carlos Adriano


Não dá para confiar em filmes que não se detenham alguns segundos nos olhos de seus personagens e que mascaram o ódio (ou a indiferença) pelos seus personagens com a firula técnica e ausência de humanismo.
Idem


Quando a produção começou a voltar, veio essa conversa de industrialização, de mercado. Aí vai tudo pro buraco de novo. Isso se verifica historicamente, desde a Vera Cruz. [...] Falta inspiração, tá todo mundo preocupado com o mercado, com roteiro bem escrito. O grosso da produção atual tem o Oscar como parâmetro estético, com exceção dos independentes. Temos de aprender a lição de Buñuel: quando a câmera está bem enquadrada, vai lá e chuta o tripé.
Carlos Reichenbach na matéria Um utopista de carteirinha, de Alexandre Agabiti Fernandez; Valor, 10 de agosto de 2001

Carlos Reichenbach - Entrevista

Observação:
A entrevista abaixo foi realizada por Valêncio Xavier em março de 2002. Foi publicada na Gazeta do Povo e reproduzida no Jornal de Londrina, no dia 5 de março, que é origem dessa transcrição. Reichenbach fala sobre seu início na direção, influências cinéfilas, zen-budismo e interesse pela cultura oriental – qualidade que compartilha com o próprio Valêncio Xavier.

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Entrevista: Carlos Reichenbach
O sentido do olhar
Zen-busdismo e a revista Cahiers du Cinéma selaram o destino do jovem que sonhava ser editor, mas acabou atrás de uma câmera
Valêncio Xavier / Gazeta do Povo

Carlos Reichenbach, 57 anos, é um dos nomes mais importantes do cinema brasileiro. Autor de filmes marcantes, como Amor, Palavra Prostituta (1979), Filme Demência (1985), Anjos do Arrebalde (1986), Alma Corsária (1994) e Dois Córregos (1998), Reichenbach foi professor na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), cargo que largou para se dedicar à produção de filmes. A reportagem da Gazeta do Povo conversou com ele.

Por que decidiu ser diretor de cinema?
C.R. – Sou neto e filho de editores. Nasci para ser editor. Nos anos 50, meu pai editou a Seleções do Reader's Digest. E fui editor de todos os jornais de colégios onde estudei.

Como se voltou para o cinema?
C.R. – O desvio de rota veio aos 10 anos de idade. Meus pais eram amigos do casal Oswaldo e Vera Sampaio. Assisiti à leitura de um roteiro não-filmado do Oswaldo Sampaio chamado Jovita. Fiquei impressionado. Foi quando o cinema passou a ter outro interesse para mim. Em 1966, prestei vestibular na primeira faculdade de cinema que abriu no Brasil.

A ECA?
C.R. – Não, a São Luiz, que era ligada à Faculdade de Economia São Luiz, pertencente aos padres jesuítas. De lá saíram outros cineastas, como a Ana Carolina, o João Calegaro, o Carlos Alberto Ebert... Quando entrei na São Luiz, imaginava existir a profissão de roteirista. Meu desejo por cinema, no início, foi voltado para o texto. Minha formação é toda literária.

E como passou a diretor?
C.R. – Na verdade, é lógico que durante todo esse processo de adolescência eu tinha um vínculo muito grande com o cinema, sobretudo com a produção japonesa. Desde cedo me interessei por cultura japonesa. Antes de entrar na São Luiz, eu era praticante de zen-budismo. Freqüentava os templos do bairro da Liberdade. Sempre fui muito ligado ao cinema nipônico.
A minha vontade de fazer cinema de certa forma começou vendo filme japonês sem legenda, olhando para a imagem sem entender texto. Lembro de um longa de muito impacto, Intendente Sancho. Fiquei apaixonado sem entender nem a metade. Esta é a força do cinema. Nas minhas aulas na ECA, fazia meus alunos verem filmes estrangeiros sem legendas, o que deu certo. Essas coisas me levaram à realização do cinema. Sempre digo que aprendi a gostar de cinema vendo em criança filmes de aventuras, chanchadas. A vontade de fazer cinema veio também com o Fritz Lang. Tive a oportunidade de assistir na adolescência a toda a série do Dr. Mabuse , do Lang. Esses filmes me despertaram o desejo de aprender a fazer filmes.

Qual o primeiro longa que você fez como diretor?
C.R. – Foi em 1970, Corrida em Busca do Amor. É um filme de corrida de automóvel. Meu desejo na época era trabalhar com clichês cinematográficos, ou melhor, subverter os clichês.

E já havia a influência do cinema japonês?
C.R. – Nessa época, o que eu tinha era uma influência do cinema B americano. Sobretudo, porque esse filme é uma homenagem ao Roger Corman, ao pessoal que fazia aqueles trabalhos que a gente chamava de “cinema de drive-in”. (risos) Na verdade, essa foi a escola dos maiores cineastas americanos. Todos eles começaram com Corman: Francis: F. Coppola, Martin Scorsese, Peter Bogdanovitch...

Bogdanovitch, inclusive, fez Na Mira da Morte, que se passa num drive-in...
C.R. – E ele usou emprestado por três dias o Boris Karloff, que estava filmando com Roger Corman. Eu tinha um vínculo que me aproximava muito do Roger Corman. Era o tipo de produção que agente fazia na boca-do-lixo. O Roberto Santos dizia que nós “transformávamos a falta de condições em elementos de criação”.

O que você aconselharia a um jovem que quer ser diretor?
C.R. – Uma coisa que Stanley Kubrick falava: “A melhor forma de aprender cinema é vendo filmes”. O Kubrick diz isso com muita propriedade. E é por aí mesmo.

Você acha que a não mais existência de críticos no Brasil está prejudicando o aprendizado de cinema?
C.R. – Acho que sempre faz falta. Falo isso por que a minha geração toda foi muito informada pelo Cahiers du Cinéma, da época do Volcroze, quando era de capa amarela. Foi a ligação do Cahiers du Cinéma com o cinema B americano, lembra? Foi muito importante para mim. Ali comecei a descobrir o cinema B americano que, inclusive, tinha tudo a ver com a gente.

Muitos não levaram a sério o cinema americano. Daí a importância da crítica.
C.R. – Exatamente. Reconheço em mim o que vem de Nicholas Ray, Samuel Fuller, Robert Rossen. Todos os cinemas novos, inclusive o brasileiro, o polonês e o checo, passaram por isso. Foi uma alavanca para uma geração inteira conhecer, inclusive, o cinema japonês. A Cahiers du Cinéma, do Volcroze, foi a grande bíblia da minha geração.

E hoje, até as revistas de cinema sumiram...
C.R. – Tinha a Film Culture, a Revue du Cinéma. Fui assinante de todas elas. E o único assinante no Brasil da underground Filme Culture.

Você indica que o melhor mesmo para ser o diretor é assistir filmes...C.R. – E ler, claro. É preciso se informar. Eu já indicava isso aos meus alunos na ECA. Em compensação, hoje tem uma coisa que não tinha na época, que é a Internet. Eu mesmo acesso, cotidianamente, duas ou três revistas de cinema do mundo. Primeiro vejo o filme em DVD, depois vou ver no cinema. Eu vejo no DVD o que este sendo lançado agora no Brasil. Vi, por exemplo, Felicia’s Journey, do canadense Waton Egoya.

Como é o nome em português?
C.R. – Um fio de inocência. Vi o DVD. Fiquei tão encantado com o filme que vou ao cinema porque a imagem é tão preciosa. O DVD está sendo também uma nova visão de mundo, uma nova forma de ver os filmes. E traz uma forma de apreciação mais crítica, inclusive. Vemos certos filmes que nos desencantam. Digo: “Por que gostei desse filme no cinema?! Esse filme não é nada!”. Essa relação está muito interessante.
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