A Vida é uma Ópera

"Uma noite, depois de muito Chianti, repetiu-me a definição do costume, e como eu lhe dissesse que a vida tanto podia ser uma ópera como uma viagem de mar..."

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Migração

Resolvi mudar de site de hospedagem do meu blog.

Vou pro blogger, aquele que todo mundo conhece!

O novo endereço é: www.lflauletta.blogspot.com

Espero que gostem!

Rohingya

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Uma minoria étnica islâmica no Bangladesh, que vive refugiada, passa fome como refugiados, sofre como todos os refugiados desse mundo, mas que não são considerados refugiados pelos organismos multilaterais e, portanto, não recebem ajuda nenhuma.

Assistam o slideshow, dos Médicos sem Fronteiras:


O que em mim é de mim tão desigual

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A letra de Quereres, do Caetano, é linda! Ótimo exemplo de letra de música que é poesia, sim. Para provar isso, ponho aqui só a letra, sem a música.

(mas para quem quiser ouvir a música, recomendo a versão do Caetano com o Chico)

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rockn roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim

Um método de procrastinação

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Ter um blog pode ser um excelente método de procrastinação (procurei no Houaiss on-line pra ver se é assim que se escreve, e é mesmo!). Em vez de estudar neuroanatomia, agilizar as coisas da IF ou pôr as mãos na massa amorfa que é o meu projeto de pesquisa, eis-me aqui preenchendo essas linhas com um assunto nada premente, mas que veio à tona na minha cabeça graças aos reflexos, e além, da Júlia.

Para não perder o fio da meada, explico que ela escreveu sobre cidades bilíngues. A partir disso eu lembrei minha estadia curta em Estrasburgo, que sempre foi alemã, mas hoje se diz francesa. Essas recordações fizeram reviver aquele ano em que eu viajava para todo lado, falava em várias línguas e não tinha idéia de como ia sentir falta de tudo isso depois. Trata-se de 2004, quando eu disse "bye bye Brazil" com um misto de alívio e medo de ficar longe, e fui morar na Alemanha.

Aprendi tanto, vi tanta coisa, mudei tanto a minha forma de ver meu próprio país e a minha cidade! Não imaginava que aquela experiência seria tão radicalmente transformadora - e libertadora - para mim. Conheci museus, monumentos, parques. Passeei por campos, plantações de alcachofra, montanhas e, claro, vi neve, muita neve. Aprendi alemão, ouvi francês e tentei falar italiano. Fiz amigos de muitas partes desse planeta - poucos permanecem. Cresci, me descobri melhor, mas também errei.

Roubaram minha bicicleta em Bensheim, mas eu nunca fui assaltado em São Paulo! Amei Frankfurt, quero passar parte da minha vida em Berlim, viajar no verão para Laussane, almoçar de vez em quando em Luxemburgo e, quando estiver velho e cansado, mudar-me para Londres, e passar o resto de meus dias caminhando pelo Tâmisa e exclamando: "out, out, brief candle!". Não conheci Paris, e tem gente que não me perdoa por isso. Se eles estivessem do meu lado do Reno, eles entenderiam!

E ao mesmo tempo tinha o Brasil, lá longe, com minha família e meus amigos. E eu tinha um caderno onde escrevia sobre tudo, mas tudo era o Brasil. E tinha São Paulo, tão diferente da ordem alemã e nada histórica e só um pouquinho apaixonante, mas tão parecida com Londres, eu achei. Eu dei aulas de português e fui pago com um vôo inesquecível de planador. Achei um mapa rodoviário baratinho do Brasil em Mannheim, comprei e analisei ele todinho. Talvez isso fosse saudades...

Foi Hemingway quem disse que todo jovem que morou alguma vez em Paris leva a cidade-luz consigo em toda parte.

Besteira pensar que é só Paris, Ernest. Todo jovem que morou fora de sua cultura, de sua língua, de sua família, não importa onde, leva consigo esse lugar na cabeça. Não há nada melhor do que viajar, e melhor ainda é quando a viagem é longa, pausada, com tempo para refletir e observar. Eu tive essa sorte.

Pra quem quiser, aí vai uma música que fazia sucesso na Alemanha, naquela época (tem até lyrics!):

Caminante, no hay camino

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No começo de 2007, quando eu estava prestes a dar o fora da velha e sempre nova academia, não sabia no que ia dar aquele ato de aparentes insanidade e transgressão adolescente. Quase três anos depois, o que não é muito tempo, continuo sem saber que rumo minha vida tomar, em todos os aspectos. Não vejo essa indefinição constante como problemática, porque a maioria das pessoas da minha idade também está à deriva das possibilidades que se apresentam a nós, a todo momento. Tem gente viajando, tem gente estudando, tem ainda um pessoal trabalhando e outros se acabando numas baladas estranhas do centro da cidade... Poucos são os que sabem o que farão daqui a, digamos, cinco anos, e mesmo esses, tenho certeza, se surpreenderão ainda com muito que a vida lhes reserva, inclusive nesse curto período dos vinte e poucos. Se estamos preparados ou não para tudo isso aí que está por vir, isso não sei, mas gosto de ver como cada um reage às reviravoltas que acontecem tanto objetivamente quanto na mente de todos nós.

Admito que durante meus anos de escola fui, em boa parte, do tipo monotemático, um tanto quanto menos crítico e cético do que me tornaria depois de morar fora do Brasil, de fazer um ano pesaroso de USP e de reformular tudo o que pensava sobre minhas próprias pretenções intelectuais, profissionais, e por aí vai. Posso reparar, portanto, em como minha vida universitária é diferente daquilo que eu pensava, no colegial, que ela iria ser. Se a clareza de me perceber mudando é uma peculiaridade, a mudança em si é algo tão comum nas pessoas, principalmente da minha idade, que chego a pensar que ela está intimamente ligada com a incerteza que caracteriza todos nós. Até agora, minha vida está cheia de começos e recomeços. Será que estou pronto para as definições que se arrastam?

Como não lembrar das palavras daquele espanhol, Antonio Machado:

Caminante no hay camino / Se hace camino al andar



Que pena que não conheço mais sobre ele, foi até citado pelo próprio Saramago no seu caderno. Nossa, esse foi um post bastante autobiográfico! O bom de um blog pouco visitado como o meu é isso: me preocupo menos em ter pudores, e sei que pessoas queridas lerão meu texto e, espero, serão tocadas por ele.

Um inglês no carnaval

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Revirando prateleiras nesse feriado de carnaval, deparei-me com uma surpresa, das mais gostosas que existem: achei um livro em casa que eu nem sabia que tinha! Trata-se de uma peça de Oscar Wilde, Lady Windermere's fan, numa edição de bolso da Penguin. Desconhecia a própria existência desse texto, o que me provou, mais uma vez, minha ignorância em literatura inglesa. Confesso que não pretendia ler por esses dias, queria apenas me ocupar com assuntos de outros carnavais...

Não foi o que aconteceu. No final, não tive muito com que me empenhar, e vi-me com tempo de sobra para não fazer nada. Como o dolce far niente nunca foi muito de meu agrado, botei-me a escrever um pouco e ler essa tal peça. O que escrevi pode-se ler no blog novo que meu pai e seus amigos triatletas criaram para falarem sobre esporte e áreas correlatas, com que também engloba outros assuntos. Fui convidado a postar lá também, e nem preciso dizer que me incluo nos "outros assuntos"... Leiam lá, espero que gostem!

O livro do Oscar Wilde foi uma revelação. Na mesma página, duas citação velhas conhecidas, mas que eu nunca pensei que fossem dele, e que estavam escondidas em algum canto esquecido da minha casa:

It is absurd to divide people into good or bad. People are either charming or tedious.



I can resist everything except temptation



Ok, a primeira é uma grande besteira vitoriana, mas é bem representativa do que pensam muitos ainda hoje, nessa "Society" vulgar em que vivemos desde aquele tempo. Jamais corroboraria uma frase dessas, mas que aquele dândi era genial, isso é inegável!

Já a segunda frase, ela é repetida quase todos os dias, e tem gente que a cita sem perceber. Eu tento me controlar, meu superego está sempre de cara feia, mas admito que as tentações são muitas, e a paciência para superá-las, pouca, muito pouca.

Já que falamos em ingleses, frases de efeito e achados, publico aqui uma música que tem a minha cara em época de carnaval: Englishman in New York, do Sting.


Bluebirds in the spring

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Este blog anda a passos curtos. Tantas coisas acontecendo por aí e eu sem tempo (tempo?) de refletir e escrever. Filmes, vejo-os pouco - em comparação à quantidade e qualidade dos que eu via antigamente. Os livros também saíram do topo das minhas prioridades em 2009. No lugar deles, a faculdade, suas decorebas e suas descobertas ocuparam meu tempo. É verdade que vi ótimos filmes e li ótimos livros nesse ano que passou - se não fosse assim não seria eu! - mas é clara a diferença de impacto que isso tudo teve na minha vida esse ano! OK, fiquei tocado com a beleza e a fatalidade do Último dos loucos e me surpreendi com os relatos perfeitamente escritos da Guerra do fim do mundo (Vargas Llosa), mas no meio do turbilhão de novidades, mudanças e pessoas que chacoalharam a minha vida, qual a real importância dessas experiências culturais para mim? Acho que, pela primeira vez na vida, esses momentos de leitura ou de "consumo" de cultura serviram mais como pausas de introspecção mais do que alimentos à minha capacidade crítica.

A escrita também diminuiu para mim. E com isso, a prática e a facilidade de eu me expressar diminuíram. Sinal dos tempos, comecei no Twitter, onde com 140 caracteres eu tenho que me virar e, o pior de tudo, acostumei-me a ele! Meus seguidores são muitos, sigo mais pessoas ainda, mas quantas me lêem, quantas eu leio e quanto do que falo é bom, merece ser lido? Devagar, estamos voltando ao grunhido, já disse o velho sábio das Ilhas Canárias. E ele toda razão.

Ao mesmo tempo, que mundo novo se abriu para mim! Quantas possibilidades! O tal "o que fazer quando crescer" bate na porta toda dia, e as opções são muitas. Não estou sozinho nessa angústia: minha geração é tão mal preparada para enfrentar as escolhas e suportar perdas e decisões como qualquer outra geração, em que pesem todas as tecnologias a que temos acesso. No fundo, temos todos o mesmo medo de fazer a coisa errada, e muitos de nós não temos coragem de experimentar. Eu já troquei de faculdade (e de sonhos, e de realidades) mais de uma vez e isso não me imunizina contra novas frustrações.

Para abrir o ano no blog, uma música antiquíssima, mas que fala por mim nesse novo 2010 e que explica o título do post: I wish you love, cantada por Rachel Yamagata:


O último dos loucos

Aqui em Rio Preto está acontecendo uma mostra de cinema do SESC com filmes franceses, por causa do tal ano da França no Brasil. Gostosa surpresa! Não pude ir à Mostra de São Paulo esse ano, nem tenho acompanhado tanto como eu gostaria o circuito cinematográfico e, por isso, esse festival veio a calhar.

O primeiro filme foi O último dos loucos, de 2006, dirigido por Laurent Achard. Eu nao conheçia esse diretor, mas também não sou um exemplo de cinéfilo. De qualquer forma, recomendo esse filme, só acho que será meio difícil de encontrá-lo fora de festivais...

É uma história de província, na França, claro. Uma família de vida conturbada, mãe com doença mental, pai falido, avó manipuladora, filho com sexualidade mal resolvida. No meio deles, uma criança. A criança representa a inocência, é a vítima, mas, no quadro pintado por Achard, ela só tem atributos porque ainda não cresceu. O que isso significa? Que não existem olhares ternos em relação ao menino, nem em relação a nenhum dos outros personagens. O filme desenvolve-se mostrando o desfecho da situação instável dos personagens, culminando com uma cena tão... francesa? neo-realista? Refiro-me ao assassinato de todos os familiares pelo menino, a açao que se apresentou ao meus olhos como um macabro rito de passagem da criança à "vida adulta". A patir disso, aquele menino sem ternura será um homem sem ternura, como foram todos seus familiares.

Já disse um velho mestre que o menino é o pai do homem. No caso de O último dos loucos é bem isso que se vê na tela.

Gostei do filme, no fim das contas. Fazia tanto tempo que eu não via um filme com atenção, e isso me fez falta. Me lembrou de 2006 e 2007, quando eu ia quase toda semana ao cinema, via todos os festivais que podia e sonhava, coitado de mim, que seria um escritor.

A praia

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Revi "Edukators", aquele filme tão representativo da nossa geração, e de outras também, que fala, na minha análise, sobre as escolhas tomadas por todos nós, conscientes delas ou não, e que nos afetam para além de seus desdobramentos imediatos. Que feliz coincidência com o momento em que vivo! Me fez bem o filme, de novo.

Faz um mês (mais ou menos a data do último post) que eu voltei de viagem:

Essa foto é em Arraial do Cabo.

Não sou muito do tipo praiano, nem o calor me agrada tanto, mas Cabo Frio é diferente...

Notícias do planeta Minas

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A espera pelos resultados que logo logo virão está sendo suportável por causa da viagem por Cabo Frio e Juiz de Fora, que tiram um pouco da minha cabeça os quase inevitáveis pensamentos sobre o futuro próximo. Fui à praia, comi bastante, fui a uma balada, assisti muitos DVDs, saí com outras pessoas. Tudo muito bom, mas que também me dá vontade de ter as coisas resolvidas o quanto antes: passei ou não? Vou ficar em São Paulo ou não? Amanhã começam a sair as listas de aprovados, vejamos o que acontecerá...

Minha viagem está ótima, mas a da Carol é muito melhor: mochilão na Bolívia e no Peru! Agora ela está em Potosí, e, se tiver tempo de ler meu post, espero que receba essa lembrança virtual com um beijo de boa viagem! Ela finalmente fez sozinha o que nós planejamos por muito tempo mas que eu nunca fui por falta de... dinheiro, tempo, coragem? Acho que dos três um pouco!

Hoje eu vi que tive duzentos acessos nesse meu blog no último mês, isso é muito pouco, eu sei, mas o suficiente para me fazer achar que eu sou uma grande influência no mundo da net (apesar de que, na verdade, todos os acessos foram do Victor...).

Aliás, o título do post é uma alusão ao título de um livro do Fernando Gabeira, Sinais de vida no planeta Minas, que pode ser baixado aqui.
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