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A Vida é uma Ópera

"Uma noite, depois de muito Chianti, repetiu-me a definição do costume, e como eu lhe dissesse que a vida tanto podia ser uma ópera como uma viagem de mar..."

O último dos loucos

Aqui em Rio Preto está acontecendo uma mostra de cinema do SESC com filmes franceses, por causa do tal ano da França no Brasil. Gostosa surpresa! Não pude ir à Mostra de São Paulo esse ano, nem tenho acompanhado tanto como eu gostaria o circuito cinematográfico e, por isso, esse festival veio a calhar.

O primeiro filme foi O último dos loucos, de 2006, dirigido por Laurent Achard. Eu nao conheçia esse diretor, mas também não sou um exemplo de cinéfilo. De qualquer forma, recomendo esse filme, só acho que será meio difícil de encontrá-lo fora de festivais...

É uma história de província, na França, claro. Uma família de vida conturbada, mãe com doença mental, pai falido, avó manipuladora, filho com sexualidade mal resolvida. No meio deles, uma criança. A criança representa a inocência, é a vítima, mas, no quadro pintado por Achard, ela só tem atributos porque ainda não cresceu. O que isso significa? Que não existem olhares ternos em relação ao menino, nem em relação a nenhum dos outros personagens. O filme desenvolve-se mostrando o desfecho da situação instável dos personagens, culminando com uma cena tão... francesa? neo-realista? Refiro-me ao assassinato de todos os familiares pelo menino, a açao que se apresentou ao meus olhos como um macabro rito de passagem da criança à "vida adulta". A patir disso, aquele menino sem ternura será um homem sem ternura, como foram todos seus familiares.

Já disse um velho mestre que o menino é o pai do homem. No caso de O último dos loucos é bem isso que se vê na tela.

Gostei do filme, no fim das contas. Fazia tanto tempo que eu não via um filme com atenção, e isso me fez falta. Me lembrou de 2006 e 2007, quando eu ia quase toda semana ao cinema, via todos os festivais que podia e sonhava, coitado de mim, que seria um escritor.

A praia

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Revi "Edukators", aquele filme tão representativo da nossa geração, e de outras também, que fala, na minha análise, sobre as escolhas tomadas por todos nós, conscientes delas ou não, e que nos afetam para além de seus desdobramentos imediatos. Que feliz coincidência com o momento em que vivo! Me fez bem o filme, de novo.

Faz um mês (mais ou menos a data do último post) que eu voltei de viagem:

Essa foto é em Arraial do Cabo.

Não sou muito do tipo praiano, nem o calor me agrada tanto, mas Cabo Frio é diferente...

Notícias do planeta Minas

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A espera pelos resultados que logo logo virão está sendo suportável por causa da viagem por Cabo Frio e Juiz de Fora, que tiram um pouco da minha cabeça os quase inevitáveis pensamentos sobre o futuro próximo. Fui à praia, comi bastante, fui a uma balada, assisti muitos DVDs, saí com outras pessoas. Tudo muito bom, mas que também me dá vontade de ter as coisas resolvidas o quanto antes: passei ou não? Vou ficar em São Paulo ou não? Amanhã começam a sair as listas de aprovados, vejamos o que acontecerá...

Minha viagem está ótima, mas a da Carol é muito melhor: mochilão na Bolívia e no Peru! Agora ela está em Potosí, e, se tiver tempo de ler meu post, espero que receba essa lembrança virtual com um beijo de boa viagem! Ela finalmente fez sozinha o que nós planejamos por muito tempo mas que eu nunca fui por falta de... dinheiro, tempo, coragem? Acho que dos três um pouco!

Hoje eu vi que tive duzentos acessos nesse meu blog no último mês, isso é muito pouco, eu sei, mas o suficiente para me fazer achar que eu sou uma grande influência no mundo da net (apesar de que, na verdade, todos os acessos foram do Victor...).

Aliás, o título do post é uma alusão ao título de um livro do Fernando Gabeira, Sinais de vida no planeta Minas, que pode ser baixado aqui.

Tragédia...

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Essa guerra estranha está virando um espetáculo de cinismo. Agora, o governo israelense fala em cesar-fogo unilateral, dando de bandeja o que a comunidade internacional vem pedindo há muito. Antes, eram bravatas e dedos em pé afirmando que estavam lutando com o terrorismo, agora querem acabar logo com a guerra, mesmo não tendo alcançado seus objetivos. O que pode parecer uma boa notícia - o fim da guerra - esconde uma conclusão muito triste: a guerra, naquele lugar, faz parte da politicagem mesquinha de israelenses e palestinos, de modo que nem um lado nem outro tentará chegar a alguma paz duradoura, apenas suspensões temporárias dos conflitos. Daqui a poucos anos, o Hamas terá se reequipado de novo, como já teve de fazer antes, e a guerra mais uma vez acontecerá. A questão não é mais sobre a legitimidade de quem ocupa aquelas terras; é briga política por poder. Desanimador.

Enquanto isso...

James Bond e Bobby Kennedy

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Leitura de agora: a biografia de Sergio Vieira de Mello, o funcionário da ONU que morreu no Iraque. A vida desse homem é impressionante! Trabalhou em todos esses lugares de onde as pessoas fogem: Bangladesh, Líbano, o Camboja do Khmer Vermelho, e por aí vai até Bagdá. O livro, escrito pela Samantha Powers, abrange toda a fase adulta do homem, com ênfase pro fim da década de 90/anos 2000, quando Sergio estava no Timor Leste e no Iraque.



Ele não foi nenhum herói, claro. A ONU não é um espaço pra isso. Foi, entretanto, uma pessoa cujos ideais representaram muito daquilo que a organização deveria ser, mas apenas em certos aspectos realmente é. Talvez por causa disso tenha tido a morte violenta e martirizadora que sofreu, sob os escombros de um hotel em Bagdá...

A leitura é fascinante, apesar da crueldade de certos espisódios! A autora, aliás, era assessora do Barack Obama para política externa até as o começo de 2008, quando foi demitida por ter chamado a Hillary de "monstro". Vai entender...

Carreira meteórica

E assim começou e acabou minha carreira no mundo das letras: escrevi um poema durante alguma aula chata, postei numa comunidade do orkut, comentaram, fiz mais alguns, não mostrei a ninguém, e desisti. Aí vai ele, só para constar...

Os poemas estão no céu

E o poeta é aquele que sobe às nuvens para escrevê-los
Na cidade cinza, lá embaixo, as pessoas não olham para cima
Homem sério e rancoroso, daqui de cima pareces tão pequeno...
Quando um dia a solidão te amargurar
E te esfriar as faces o medo da morte
Tira a gravata, descalça os sapatos

E, lentamente, repara nas nuvens.

Obama!

Em Janeiro "el diablo" vai embora, e chega o nosso homem!



Has change come to America?

The bloodiest day

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Esse fim de ano conseguiu se superar e já tem em seu histórico o fim de semana mais sangrento da questão palestina desde 1967. Pois bem: Hamas lança bombas, Israel revida e invade a Faixa de Gaza, a ministra da Defesa ganha pontos para as eleições de 2009. Essa guerra já virou revanchismo, com partidos e opiniões mal intecionadas de ambas as partes. Não é questão de saber quem tem ou não direitos sobre a terra, mas como fazer os povos envolvidos viverem harmonicamente, já que não niguém está disposto a fazer concessões para a paz... Vingança por vingança, é melhor que os dirigentes políticos e a máquina de guerra que toma conta de boa parte da política internacional sejam responsabilizados, não as população que sofrem.

Aqui, fotos de um blog palestino, que cobre os bombardeios de Gaza, obviamente com nenhuma imparcialidade.

O desastre humanitário fica do lado árabe, porque não os palestinos não têm uma infra-estrutura adequada nem para o tratamento normal de doentes, quanto mais num caso de guerra. Não há médicos, hospitais, pronto-socorros, nem mantimentos ou aparelhos básicos comos seringas suficientes (é bom lembrar que a ajuda humanitária aso territórios palestinos foi impedida por Israel). Mais uma vez, a medicina está no centro de tudo, pois, se deixassem os profissionais da saúde trabalharem corretamente, os custos humanos dessa e de todas as guerras seriam menores e mais suportáveis...

Fim de ano...

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Eu gosto de usar o fim do ano como um motivo pra chegar a conclusões sobre a minha vida nos últimos doze meses. Esses julgamentos nunca são tão inúteis como alguns os pintam, nem tão definitivos como outros pensam que eles são. Aconteceram poucas coisas novas comigo esse ano, 2008 foi mais uma versão mais madura e auto-confiante de 2007: cursinho, estudo, expectativas, tudo objetivamente muito parecido com o ano (ainda) passado. Entretanto, no meio da mesmice rotineira, conheci pessoas novas que já me marcaram bastante, aprendi a duras penas que a paciência realmente é uma virtude e que não, eu não vou ser um médico de consultório comportadinho...


Continuo tendo uma relação conturbada de amor e ódio com São Paulo, mas já dei um passo a frente e decidi que não vou mais morar muito tempo por aqui não. Continuei sendo cheio de certezas, mas o Thiago me mostrou que as minhas certezas têm que ser mais postas em dúvidas do que elas são. Estudei muito também, e quando não aguentava mais o Gustavo estava ainda preenchendo aqueles intermináveis quadradinhos. Adoro todos meus amigos de Humanas, mas esse ano já digo eles e quem mais quiser ouvir que não tenho mais paciência pra aguentar filosofias de boteco nem variações jurídicas. A Júlia voltou e ficou só um tempinho mas foi suficiente pra nós dois termos certeza de que essa amizade ainda vai looooonge...
Enfim, acho que foram confissões demais pra um espaço público, mas esse post passa.
Feliz ano novo!

Ópera

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A vida é uma ópera! Assim metaforizou Machado de Assis, pelas bocas de Bentinho e de um tenor italiano. Significados profundos e metafísicos à parte, que não me interessam, essa frase dá um belo título ao blog que começou faz tão pouco tempo. É nerd, eu sei, mas é legal, adjetivos que cabem a mim também...
É uma frase do Dom Casmurro, capítulo IX (A ópera), em que se conta um diálogo de Bentinho (o narrador) com um tenor italiano:

Uma noite, depois de muito Chianti, repetiu-me a definição do costume, e como eu lhe dissesse que a vida tanto podia ser uma ópera, como uma viagem de mar ou uma batalha, abanou a cabeça e replicou:

--A vida é uma ópera e uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimirás, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimirás. Há coros a numerosos, muitos bailados, e a orquestração é excelente...



O que isso tem a ver com todo o resto já escrito e a ser escrito? Não sei mesmo, mas é feliz a coincidência do velho escritor com o site que hospeda esse blog... e assim fica, por hora.
A idéia original credito ao Thiago.
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