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Indisciplina na sala de aula?? ... quando se é pai sem se saber do ofício...

Muitos pais dão valor à profissão docente e compreendem que para ensinar é preciso haver disciplina, colaborando com os professores e a escola. Há uma minoria, contudo, que secunda as atitudes de indisciplina ou de agressão dos filhos. A sua ida à escola não visa a informação e o diálogo para resolver um problema, mas antes o confronto que, por vezes, passa do verbal ao físico.:furious: :bomb: Homer: Doh!

Indisciplina na sala de aula

Que recordações guardam dos vossos tempos de estudante?
Dos 3 aos 11 anos, frequentei um colégio e, a partir daí, o ensino público. Recordo-me da imagem do professor ser respeitada, com uma ou outra excepção de professores que, pela sua personalidade, não dispunham das ferramentas necessárias para se imporem. O caso mais flagrante foi o de um professor de Francês, que tive no 10ºano, e que mal conseguia dar as aulas devido ao barulho de alunos que se sentavam ao fundo da sala.
Estas aulas eram dadas mas só as acompanhava quem estivesse sentado na primeira ou na segunda fila.
Sempre fui uma aluna que gostou de estudar e que se sentava na primeira fila. Para mim, a docência era uma profissão a seguir, até que, no 10ºano, conheci a Psicologia e nunca mais a larguei!
Formei-me em Psicologia do desenvolvimento e educação da criança e estagiei num agrupamento de escolas que serviam alunos provenientes de meios sócio-económicos desfavorecidos. Eram comuns a indisciplina, o bullying, o contacto precoce com álcool e drogas e os casos de alunos vítimas de maus-tratos domésticos. No inicio, todos estes casos tiveram um profundo impacto em mim pois nunca pensei que certas situações tivessem realmente lugar e que as relações entre pais e filhos fossem, tantas vezes, desprovidas de amor e de formação. No final do meu estágio tive tantos alunos agarrados a mim a chorar, a pedir que não me fosse embora, que o meu coração, a partir daí, ficou ainda mais desabotoado para as questões de educação de crianças e jovens.
Assim, é com especial interesse mas também com algum pesar que assisto às recentes notícias de indisciplina na sala de aula.
A este propósito, estive a ler um artigo interessante, escrito pela Dra Armanda Zenha, artigo esse intitulado “Indisciplina e agressividade numa escola perto de si”.
Diz-nos a Dra Armanda Zenha que, uma primeira causa da indisciplina e da violência “é a crescente desvalorização social da imagem do professor. Para ela tem contribuído largamente o actual ME, ao passar a ideia de que os docentes trabalham pouco, ganham muito e são os principais ou quase exclusivos responsáveis pelos insucesso e abandono escolares, a fim de fazer passar medidas legislativas, apesar da rejeição de toda uma classe profissional. Como se pode, pois, pretender que o professor continue a ser visto, pelos seus alunos, como uma autoridade dentro da sala de aula e da escola (não confundir autoridade com autoritarismo)?Uma outra razão prende-se com a ausência de uma política de apoio às famílias. A escola a tempo inteiro, que agora que se pretende alargar aos 2.º e 3.º ciclos, ajuda a que os estabelecimentos de ensino se transformem em armazéns em que os meninos/adolescentes ficam guardados durante todo o dia, enquanto os seus pais trabalham, às vezes em vários empregos, para fazerem face a uma vida difícil, em que o ordenado cada vez é mais curto do que o mês. Não seria mais benéfico, por exemplo, que os apoios à família passassem antes por políticas sociais e laborais, que permitissem que os filhos passassem mais tempo em casa acompanhados por um dos progenitores?Outro problema é o estilo permissivo de educação que vigora em muitas famílias. Passando pouco tempo com os filhos, a braços ainda com o trabalho doméstico (principalmente as mães), pouco tempo sobra para diálogo, muitas vezes roubado pela televisão ao jantar. Não é raro que os pais tendam a compensar os filhos dando-lhes ou permitindo-lhes (quase) tudo. É uma forma de evitar discussões desagradáveis. Impor regras dá trabalho, implica tempo, requer assertividade, ou seja, um conjunto de condições difíceis de reunir quando se chega a casa tarde, exausto, sem paciência e com trabalho pela frente. E assim, as crianças crescem aprendendo a não obedecer a regras, a ter os seus caprichos satisfeitos, a não resistir à frustração do "não".Uma outra causa relaciona-se com a (quase) ausência de equipas multidisciplinares nas escolas, incluindo psicólogos e assistentes sociais (em número suficiente) e de uma rede de estruturas sociais de apoio às famílias e às crianças ou jovens que actue em interacção com a escola. Quando esta sinaliza alunos ou famílias problemáticas, resta-lhe, na maior parte dos casos, a participação à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco. A sua intervenção nem sempre se faz sentir, e a imprensa já tem dado eco da sua insuficiência de técnicos. O trabalho de parceria entre autarquias, Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, PSP (Escola Segura), Tribunal de Menores e outras instituições é de extrema importância. Jovens provenientes de famílias destruturadas, onde se dialoga através de violência verbal ou física, tenderão a reproduzir essa forma de estar. Sem um diagnóstico dos problemas da família e um programa de intervenção para os resolver, nada se alterará e a escola ficará sozinha, sem possibilidade de resposta. Já li sobre experiências, noutros países, em que visitadores domiciliários levam a cabo programas de desenvolvimento de competências parentais ou em que certos subsídios são cortados quando as famílias não desempenham os seus deveres parentais, como o de promover a assiduidade dos filhos.Muitos pais dão valor à profissão docente e compreendem que para ensinar é preciso haver disciplina, colaborando com os professores e a escola. Há uma minoria, contudo, que secunda as atitudes de indisciplina ou de agressão dos filhos. A sua ida à escola não visa a informação e o diálogo para resolver um problema, mas antes o confronto que, por vezes, passa do verbal ao físico. E assim surgem histórias, algumas relatadas na imprensa, outras no tribunal, mas a maioria sofrida em silêncio, de professores ou auxiliares de acção educativa insultados, ameaçados ou agredidos fisicamente pelos pais, pelas medidas disciplinares que tomaram. É nestes casos que penso que os conselhos executivos deveriam, obrigatoriamente, fazer a participação ao Ministério Público, funcionando esta como queixa, sem que os profissionais ofendidos tivessem de a apresentar individualmente.Quanto aos alunos, os estabelecimentos de ensino precisam de ter regras claras, e tanto os professores como os auxiliares de acção educativa e os órgãos de gestão devem aplicá-las com coerência e prontidão. No entanto, as escolas carecem de instrumentos eficazes e céleres (não o novo Estatuto do Aluno) e os professores e auxiliares de acção educativa, de formação específica para lidarem com situações de indisciplina, de forma a conseguirem prevenir problemas e a serem mais assertivos e eficientes no seu tratamento, quando ocorrem. À escola cabe intervir em primeira linha, pedindo, se tal for necessário, a intervenção e colaboração de outras entidades.”
Ainda a este propósito, ouvi há dias num telejornal o Dr Quintino Aires, psicólogo, tecer igualmente a sua perspectiva sobre este assunto. Dizia-nos ele que, a indisciplina na sala de aula espelhava as relações entre pais e filhos, defendendo que estes últimos deveriam tratar os pais pela terceira pessoa do singular e não por “Tu”. Com efeito, tal conferiria uma noção distinta de autoridade e respeito para com os pais e, posteriormente, para com os professores e demais adultos. Eu penso que o facto dos nossos filhos nos tratarem por “Tu” não significa que haja menos respeito no seio familiar. O respeito constrói-se ao longo da educação de uma criança e, muitas vezes, não são as palavras que marcam a diferença mas antes a atitude. Uma atitude coerente, ponderada, que reflicta respeito, ao mesmo tempo, amor.


de:
http://acegonhacorderosa.blogspot.com/2008/04/indisciplina-na-sala-de-aula.html

Continuamos a preferir ostentara-cultura-liberta-o-burro-aceita-o-cabresto

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