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Le Parkour Porto Alegre - RS

Experiência com Erwan e Thomas

Olá pessoal, faz tempão que não posto nada, por falta de tradutor, e também por falta de tempo, e devo assumir que muito por falta de saco, mas estou aqui denovo para postar um ou dois textos muito interessantes, sobre treinos de Parkour. Nenhum deles é de autoria minha, são textos que eu li em www.parkourbr.blogspot.com, mas como eu os acho muito importantes é interessante que esteja no maior número de páginas, para que possa ser divulgado ao máximo, então aí vai um texto sobre a experiência que Alex Pires, de Brasília, teve ao treinar com Erwan e Thomas "des Bois"

French Footmarks

Em Dezembro de 2006 tive a oportunidade de ouro de poder treinar com dois franceses que vieram fazer uma visita a Amazônia e acabaram passando em Brasilia para conhecer a cidade e tambem para treinar e compartilhar seus conhecimentos sobre Parkour.

São eles Erwan Le Corre, famoso por ser o grande divulgador do Methode Naturelle dentro do universo do Parkour; Thomas 'des Bois', grande amigo e tracer que treinou com vários dos expoentes do Parkour mundo afora e que, hoje em dia, integra a equipe de tracers que acompanham o David Belle.

Ambos passaram uma semana aqui em Brasilia e tive a oportunidade de conversar e treinar bastante com os dois, em especial com o Thomas por ter passado mais tempo com ele. Sendo assim venho neste post tentar compartilhar todas as coisas que eu aprendi, não sei se terei sucesso pois, imagino que vários devem ter a curiosidade de ver como que é a forma de treinar de pessoas que estiveram tão próximo do criador da coisa. Mas, na verdade, tudo é bem mais simples e basilar do que se imagina.


Dividi aquilo que eu quero comentar e compartilhar com vocês por meio de tópicos. É tanta coisa que nem sei se vou conseguir comentar tudo com o tanto de detalhes que eu gostaria, mas vamos lá...



1-Percepção da condição física

Após o termíno do primeiro dia treinando com eles eu perguntei para o Thomas o horário que iriamos treinar no dia seguinte. Ele por sua vez respondeu apenas "Depende da minha condição física amanhã...".

Confesso que achei bastante estranho o que ele me disse. Mais tarde nós nos reunimos numa pizzaria e eu comecei a perguntar pra ele o que significava a ideia de "condição física". Ele disse que deveria avaliar e ver como ele estaria no dia seguinte. Se ele estivesse num dia onde ele não tivesse muita "energia" ele ia restringir a treinar apenas a parte física (Correndo, Fazendo exercicios, Treinando equilíbrio em superficies diferentes). Se a sua condição fosse muito ruim ele ia resguardar o dia para descansar e fazer alguns alongamentos, procurando se recuperar da melhor forma possivel para que ele pudesse treinar no outro dia.

E realmente eu nunca havia parado pra pensar em ME analisar antes de treinar. Verificar como o meu corpo esta, se eu estou empolgado ou com preguiça. O treino é total reflexo da sua condição física, seja ela boa ou ruim. O importante ao perceber sua condição física é a de fazer com que o seu dia seja o mais produtivo possivel, independente da sua atual condição (Cansado, Preguiçoso, Animado, Forte, Fraco...).

Se você estiver num dia bom, faça com que este dia seja o melhor treino da sua vida. Se o corpo não estiver naqueles dias excepcionais, trabalhe o físico de maneira moderada. E procure não se sacrificar tentando treinar em pessimas condições físicas. Creio eu que são exatamente nestes momentos onde os machucados e acidentes ocorrem com maior frequencia.

Nos dias onde ele se sentia bem e confiante eram os dias "técnicos". Dias onde ele buscava fazer coisas novas ou diferentes. Apenas procurando novas maneiras de se movimentar no ambiente e fazendo com que estas maneiras fossem extremamente bem executadas. O tal "Faça, Faça bem, Faça bem e rápido" era bem o que eu presenciava ao ver ele fazendo precisions, saut de bras ou alguma coisa nova e dificil. Isso vai fazer a ligação com o segundo tópico que trata sobre...



2-Terrific "Clean" Moves (Ou Movimentos Terrivelmente Limpos)

Nos dias bons, era bastante assutador ver as coisas que eles faziam. Diversas vezes olhava para o Thomas e ele estava ali bastante concentrado em fazer o movimento. O legal era ver que existia um tempo consideravel observando o obstáculo, verificando os riscos, verificando a resitência do obstáculo, olhando a saída do movimento, a chegada e uma série de outros detalhes que eram exigidos na hora de se fazer as coisas. O mais legal era ver o movimento. A naturalidade do movimento era tão grande que parecia que ele fazia aquilo há anos. Depois ele voltava e repetia o salto mais umas três ou cinco vezes para melhorar o movimento.

Obs: Alias nesta semana que ele ficou aqui ele não errou NADA, independente do que fazia. Não existia o fator erro. Tudo era tão controlado que realmente era algo que eu sequer cogitava que fosse acontecer.

Perguntei pra ele porque não fazer apenas uma vez ou então umas 10 ou 20. Ele me disse que em saltos onde existe um risco mais alto, não compensa repetir tantas vezes pois qualquer falha ou erro podem gerar consequencias bastante desastrosas. E ao se fazer um salto apenas uma vez não se pode observar a sensação sobre o mesmo pois geralmente a tensão e expectativa do primeiro salto matam um pouco a sensação e controle do mesmo. Inclusive citou que em Lisses, cada movimento só é considerado como feito após executado pelo menos 3 vezes.



3-Importância do condicionamento físico

Uma coisa que o Thomas me aconselhou antes de ir embora foi o de trabalhar BASTANTE o meu condicionamento físico. Percebi que ele prefere trabalhar o condicionamento para o Parkour atraves dos movimentos do Parkour.

A execução de um determinado movimento inúmeras vezes gera grandes benefícios para o parkour. O obstáculo não precisa ser grande, distante ou arriscado. Neste ponto o mais importante é o exercicio em sí e não a concentração ou dificuldade da coisa a se fazer. Para subir muros mais rápidamente, pegue um muro e suba ele muitas vezes, umas 50 por exemplo. Vai perceber que a cada repetição o seu corpo vai se fadigando mais e mais, mas com a fadiga do músculo, a técnica aparece e se torna um fator importantissimo, pois é ela quem define a QUANTIDADE de força que você vai fazer em cada movimento. Se sua técnica é ruim, você vai usar muita força para subir um muro e por consequencia vai se cansar mais rapidamente. Se a sua técnica é boa, você vai usar menos força e vai poder durar mais e mais podendo aumentar seus limites gradativamente.

Alias, aqui entra talvez, o conceito mais importante de todos que eu aprendi com o Thomas e o Erwan. Seja lá o que eles iam fazer, percebi que eles não faziam nenhum movimento impensado e arriscado seja pela altura, distância ou dificuldade. Obvio que eles fizeram muitas coisas que eu julgava impossiveis, mas percebi que aquilo era apenas um reflexo de anos e anos de treino. Eles apenas se movimentavam de acordo com a capacidade física que possuiam. Tudo aquilo que eles fizeram é total fruto do condicionamento físico que ambos possuem. Bem por isso o Thomas disse para que eu trabalhasse bastante o meu condicionamento físico. É o condicionamento que define aquilo que você pode fazer ou não.

Um precision que para mim parecia impossivel era feito com facilidade pelo Thomas, não porque ele é mais doido ou mais sangue frio para faze-lo, mas sim porque a condição física dele estava tão acima do nivel que o movimento exigia que bastava pra ele simplesmente olhar, analisar e fazer. A idéia principal que fica disso é que é o físico que limita a sua área de atuação. Quanto melhor for o seu condicionamento, mais coisas você poderá fazer de forma correta e sem exigir alguma carga de adrenalina pela falta de confiança na sua força. É como se você tivesse uma área de atuação que é delimitada pela sua condição física atual. Tudo aquilo que esta abaixo desta área de atuação pode ser executado sem que isso demande maiores problemas para a sua técnica ou força. Simples, não?



4-"Se você ainda esta falando, não esta suficientemente cansado" (Ou o Espirito de Lisses)

Pasmem, isso foi o que o Thomas falou para mim e para o Alberto apos mandar a gente fazer alguns planches seguidos numa barra. Tinhamos feito alguns planches e ele vinha com "Vamos, faça mais um!" até chegar um ponto onde estavamos teóricamente cansados, ele vinha e falava "ANDA FAZ MAIS UM!!!". Relutavamos e diziamos "Estamos cansados..." e ele mandou a frase do título do tópico hahahahahahaha.

Depois disso (E dos planches feitos, obviamente) ele começou a falar sobre este tal "espírito de Lisses" que ele observou assim que começou a treinar com o pessoal de lá (Pra quem não sabe, Thomas mora a 220/240 km de Lisses).

Ele me disse que começou a treinar junto com os "meninos" de Lisses: Mike, Sebastien Goudot e Johan Vigroux. E ele disse que o nivel dos três era altissimo porque eles ficavam motivando uns aos outros. Seja num movimento novo onde todos procuravam fazer ou nos treinos físicos onde eles estipulavam limites insanos e procuravam se exercitar até ficarem realmente cansados. E é esta motivação que faz a diferença. Muitas vezes paramos por conta de uma preguiça interna ou de um cansaço que não é nem próximo do nosso limite físico. Mas se não nos colocarmos nestas "situações limite" quando tratamos de treino físico, a tendência é a de estagnar num ponto sem saber o porque. Nos treinos físicos a ideia é a de por o seu máximo. Por isso a enfase nos movimentos que não envolvam risco. Em vários momentos hoje em dia nos meus treinos eu fico REALMENTE cansado mas alegre pra caramba, pois sei que dei o meu máximo e que isso vai se reverter em grandes coisas para mim no futuro. Em suma: Nos treinos físicos, procure chegar no seu limite, respeitando é claro a sua atual condição física. Um treino exagerado (Muito acima do seu limite físico) pode levar você a treinar um dia e ter que descansar uma semana hahahaha...


5-Noção da fadiga (Parar na hora certa)

Legal tambem era ver que existe um respeito bastante grande no que se diz a perceber quando as coisas estão sendo feitas e mal executadas. O que indica um sinal de cansaço físico ou mental. Nestas horas o melhor a se fazer é alongar e terminar a sessão de treino. Perguntei para ambos se eles ja se machucaram seriamente e ambos respoderam que não. No máximo apenas arranhados, tornozelos torcidos de leve ou uma dor muscular devido ao excesso de treino somado a falta de um descanso apropriado.

É interessante ver que parar na hora certa é essencial pois os machucados mais sérios acontecem exatamente quando nosso corpo não esta mais obedecendo como deveria. E se machucar no parkour pode ser bastante ruim, alem do tempo para recuperação, dependendo do tipo de machucado isso pode trazer consequencias para o resto da vida (Vide várias pessoas que tiveram problemas na coluna/joelho devido a má prática do Parkour). E não adianta mentir pra si mesmo. Todos nós temos plena consciencia de quando e como estamos cansados, tentar negar estas sensações e prosseguir no treino pode ocasionar em sérios problemas.

Nem preciso dizer que o condicionamento físico reflete exatamente o tempo, duração ou intensidade do seu treino. Quanto mais você trabalha seu condicionamento, melhores, mais duradouros e mais intensos poderão ser os seus treinos.


Bom se eu lembrar de mais alguma coisa eu posto aqui de novo. Muitas das coisas que eles me falaram podem ser úteis para alguns que leêm o blog, outras coisas podem ser apenas confirmações de coisas que ja fazemos. Mas o mais importante é saber que a triade "Treinar, Executar, Melhorar, Treinar, Executar, ..." é a coisa mais importante do Parkour. Procure estar sempre um passo a frente da sua situação atual. Procure subir mais rápido, fazer mais barras, permanecer equilibrado por mais tempo, invente exercicios malucos que brinquem com coisas relacionadas com o Parkour, se motive, motive os outros. Muita gente fala sobre o parkour e sobre se movimentar de maneira eficiente mas a eficiencia do parkour não se restringe apenas a seus movimentos. Ser eficiente é fazer o melhor que você puder com suas condições físicas e mentais atuais. Seja eficiente meu amigo!

Seja eficiente...

THE WARRIOR´S CREEDParkour, Como começar?

Comments

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Muito interessante tudo...
Nada como a experiencia!

By CAXIAS, # 15. February 2007, 00:49:22

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