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  • As obras para o fornecimento de água potável à Vila de Iguape

    As obras para o fornecimento de água potável à Vila de Iguape

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    Breve + informações !!

    Uma das primeiras obras de necessidade que as autoridades desejavam aos moradores da Vila de Iguape, era trazer água potável mais próximo às suas habitações. Na descrição da localidade escolhida para a vila, na ocasião de sua mudança, o pequeno córrego nascia no sopé do morro do lado Noroeste, e corria para o Rio Ribeira sendo a fonte distante da igreja 1.600 metros aproximadamente. Anterior ao ano de 1692 as autoridades já falavam em melhorar o fornecimento de água potável, o mais próximo possível às habitações dos moradores da Vila de Iguape, porém, somente no dia 15 de janeiro de 1692, é que os oficiais da Câmara concordaram em mudar o curso do córrego e trazer água da Fonte do Senhor, por meio de uma vala, que passando próximo a diversas casas, ia em direção ao Mar Pequeno, no local conhecido por Ipiranga (atual praça dos Maçons) [...]
    Logo que a vala foi aberta, dando saída às águas vindas da Fonte do Senhor e ao "Valo do Rocio" (atual Largo do Rosário), no início do ano de 1851, a Câmara mandou aterrar o antigo curso desde o ponto de partida da nova vala até próximo ao Rio Ipiranga (atual praça dos Maçons), obrigando os proprietários dos terrenos por onde passava, a fazer o serviço às suas custas.


  • O local para edificar a nova Casa da Câmara e Cadeia

    O local para edificar a nova Casa da Câmara e Cadeia

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    Breve + informações !!

    No ano de 1826, a Câmara tratou de escolher um local para a edificação de uma nova casa, e depois de várias propostas ficou resolvido que o local seria na esquina da rua do Campo (atual rua 7 de Setembro), com a frente do edifício para o Largo do Rocio (atual Largo do Rosário), cujo terreno foi cedido por carta de data. A câmara em sessão do dia 21 de outubro do mesmo ano, mandou pagar a quantia de 76$800 (setenta e seis mil e oitocentos réis) ao proprietário, com o fim de cedê-lo para a construção da nova Casa da Câmara e Cadeia. No início do ano de 1827 a Câmara mandou demolir a antiga casa em que funcionava, a qual tambem servia de cadeia, tendo anteriormente recebido ordens a este respeito de diversos ouvidores, bem como portarias do governo, porém não havendo sequer outro prédio que fosse apto para abrigá-la, foi deixando de cumprir as ordens recebidas. Essa casa era de propriedade da Câmara, tendo sido construída pela população para este fim, em virtude da mudança da Vila de Iguape. A razão dessa demolição era para servir de local para a continuação da obra da nova Igreja Matriz, em construção, a qual não podia continuar porque a referida casa existia no lugar onde hoje é a capela-mor. Para conseguir essa mudança, a Câmara alugou um imóvel na rua do Funil (atual rua da Neves), do morador José Antônio dos Anjos, para as sessões da Câmara, pelo preço mensal de 2$560 (dois mil quinhentos e sessenta réis), e os presos foram transferidos para um imóvel que estava servindo de quartel para os milicianos (quartel das organizações militares). Em 7 de setembro de 1827, estando na Vila de Iguape, Comarca de Paranaguá e Curitiba, o Ouvidor-Geral e Corregedor interino da Comarca Joaquim Teixeira Peixoto, em casas de aposentadoria (prédio que abrigava, nos séculos XVIII e XIX, os aposentos para ouvidores, altos funcionários e nobres em viagem pela cidade), juntamente com Juízes Ordinários, alferes, oficiais da Câmara e cidadãos, se dirigiram ao Largo do Rocio (atual Largo do Rosário), para escolher o local que abrigaria a nova Casa da Câmara e Cadeia (edifício do período do Brasil colônia e parte do período imperial onde estavam instaladas os órgãos da administração pública municipal) e proceder um cálculo aproximado do valor para a realização da referida obra, foi decidido edificá-la na esquina da rua do Campo (atual rua 7 de Setembro), ao lado direito da Capela da Senhora do Rosário (atual Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos), tendo o largo do Rocio à sua frente. Foi demonstrado através de laudos que com três contos de réis, pouco mais ou menos, era possível sua edificação, o qual foi aprovado pelo Corregedor e oficias da Câmara e cidadãos presentes, em conformidade com uma planta apresentada por Euzébio da Cunha Paiva, mestre canteiro da obra da nova Matriz, sendo nesta ocasião pago pela Câmara a quantia de 10$000 (dez mil réis) pela referida planta. Em seguida começaram as obras, sendo pago os serviços pelo cofre municipal, porém, não admitiam grandes gastos, o que fez com que a Câmara recorresse diversas vezes ao governo provincial. A obra foi calculada inicialmente em 3:000$000 (três contos de réis), porém é impossível que fosse um cálculo exato em virtude das proporções do edifício. É certo que entre os anos de 1828 a 1854 foi dispendido cerca de 8:000$000 (oito contos de réis), pelas contas dos adminstradores da obra e dos procuradores da Câmara, neste espaço de tempo, verifica-se que a Câmara gastou pelo menos contos de e novecentos mil réis, não podendo precisar da soma exata por falta de esclarecimentos nas contas da Câmara. O governo auxiliou a edificação deste prédio com diversas quantias, sendo em 1825 com 800$000 (oitocentos mil réis), em 1842 com 600$000 (seiscentos mil réis) e em 1845 com 1:000$000 (um conto de réis). Assim sendo teria sido empregado 7:300$000 (sete contos e trezentos mil réis). Em sessão do dia 14 de janeiro de 1854, a Câmara informou ao governo que, para a conclusão desta obra, seria necessária a quantia de dez contos de réis, podendo ser concluído uma parte pela quantia de quatro contos. Até o ano de 1860, foi gasto mais de 18 contos de réis, porém a sua conclusão somente se realizou depois de 1890, e assim mesmo com modificação da primitiva planta, demolindo-se parte das paredes feitas, mudando-se a frente do edifício e deixando-se muito menor do que foi projetado em 1827.

  • A abertura do Canal do Valo Grande

    A abertura do Canal do Valo Grande

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    o transporte de sacas de arroz era feito em canoas até o Porto do Ribeira e dali eram levadas em carroças até o Porto de Iguape (Porto Grande), então para facilitar o transporto das sacas e também reduzir as despesas com fretes, decidiram abrir esse canal, com cerca de 3 quilômetros de comprimento[...]



  • A construção da Gruta do Senhor

    A construção da Gruta do Senhor

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    No dia 1 de dezembro de 1737, a Câmara de Iguape confiou ao capitão João Pereira do Vale, pelo preço de 190 mil réis, as obras de uma "casa de abóbada" na Fonte do Senhor, destinada ao abastecimento público de água na Vila, e mais a construção de um pelourinho, à época o símbolo da Justiça. Essa “casa abobadada” é a "Gruta do Senhor", que foi construída sobre a pedra na qual, reza a tradição, lavou-se a imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape para lhe ser retirado o salitre do mar, no ano de 1647. Essa casa foi construída de pedra e cal e possuía dois canos e um tanque no lado de fora para lavagem de roupa, sendo feita de modo que a água corresse sempre para fora da gruta, na direção de onde corria o Rio Ribeira. Protegia a Gruta uma resistente porta de ferro. O capitão Vale comprometeu-se a entregar as duas obras até a Festa de Agosto do ano seguinte, as quais foram concluídas no mês de junho de 1738, e existe notícias de apenas dois consertos desde sua construção até o ano de 1890, na ocasião de estar na vila de Iguape o Ouvidor-Geral, no dia 15 de março de 1740, juntamente com vereadores, fizeram uma vistoria na referida Gruta, como consta no livro de Provisões do Ouvidor, citado no documento n° 14, como também, estando a porta da Gruta arrombada, a Câmara no dia 8 de agosto de 1757 mandou consertá-la, ainda mais porque a "casinha" estava assentada sobre a pedra na qual fora lavado o Santo de Iguape. Determinou também que, como a intenção "dos Devotos que aqui chegão he tirar pequenas partes della, seria prudente que a chave estivesse sempre a disposição do Procurador da Irmandade do Senhor para satisfazer a requizição dos Devotos, recomendando não consinta que alli se lave ninguém, afim de não se perder uma devoção tão conhecida e arraigada no coração dos fiéis". A "Gruta do Senhor" é um monumento de forma hemisférica, ostentando no alto de sua cúpula, uma cruz de ferro, tendo uma porta que dá entrada ao seu interior, situado em plano inferior ao nível do solo, por onde se desce através de uma pequena escada de granito. Todos os anos afluem à Gruta milhares de romeiros que vão extrair lascas da pedra que, segundo afirmam, possuem poderes milagrosos. De acordo como a crendice popular, por mais que se retirem lascas, a pedra continua do mesmo tamanho; e, ainda, colocando-se uma lasca num filtro, ela cresce com o tempo. É a lenda da “pedra-que-cresce”, que intrigou até o grande escritor Albert Camus, Prêmio Nobel de Literatura, ao visitar a cidade de Iguape no ano de 1949, acompanhado de Oswald de Andrade e outros amigos.

  • Igreja de Nossa Senhora da Conceição

    Igreja de Nossa Senhora da Conceição

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    bairro Icapara...

  • lancha SETE

    lancha SETE

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  • vapor Iguape

    vapor Iguape

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    No dia 29 de outubro de 1919, a Companhia de Navegação Fluvial Sul Paulista inaugurava o vapor "Iguape", construído nos estaleiros da empresa na cidade, sob a direção do mecânico-armador José Antônio. Houve grande festa na inauguração, com a presença de autoridades e do povo em geral. Esse vapor dispunha de ótimas acomodações para vinte passageiros de primeira classe e durante mutos anos foi empregado na navegação fluvial na região.

  • cruzador Tiradentes

    cruzador Tiradentes

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    O cruzador Tiradentes, foi o único navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil em homenagem ao Alferes da Cavalaria Joaquim de Xavier, ou Tiradentes, protomártir de Independência. Foi construído no estaleiro Armstrong de Elswick, em Necastle-on-Tyne, Reino Unido, sendo lançado ao mar em 1892. Quando estourou a Revolta da Armada, em 1893, encontrava-se docado no Dique Mauá em Montevideo (Uruguai), sendo incorporado a Esquadra Legal, fiel a Floriano Peixoto, como sua capitânia. Em abril de 1894, participou do ataque ao Encouraçado Aquidabã, em Santa Catarina. Integrou em 1896, uma Divisão Naval comandada pelo CA Júlio de Noronha, composta também pelo Encouraçado Aquidabã, e pelo Cruzadores Republica, representando o Brasil na Revista Naval passada pelo Presidente Glover Cleveland, por ocasião da Exposição Internacional de Chicago. Sob o comando do Capitão-Tenente José Nunes Belfor Guimarães, em 1899, teve presença de destaque na questão República do Cunani, república surgida no atual Amapá, fronteiriço ao território francês da Guiana. Em 20 de janeiro de 1913, zarpou do Rio de Janeiro, conduzindo o Sr. Ministro da Marinha e sua comitiva, a fim de tomarem para no translado dos restos mortais das vitimas do Encouraçado Aquidabã, do cemitério de Angra dos Reis para o monumento em Jacuacanga, tendo regressado a sua sede em 21 do mesmo mês. Participaram também das homenagens o C Rio Grande do Sul e os Cruzadores-Torpedeiros Tupy e Tamoyo. Em 13 de agosto, foi colocado a disposição da Superintendência de Portos e Costa pelo Aviso n.º 1309. Em 1916, foi transformado em Aviso Hidrográfico. Já em 1917, foi rearmado como Cruzador em virtude do Aviso n.º 2067, de 30 de maio de 1917, sendo incorporado à Divisão Naval do Norte, então comandada pelo Contra-Almirante João Carlos Mourão dos Santos. Foi submetido a Mostra de Desarmamento em 1919, passando seu casco a ser usado como Pontão, para o transporte. Em 5 de julho de 1925, naufragou na praia de Ipanema, em São Francisco do Sul (Santa Catarina).

  • Lancha UM

    Lancha UM

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  • vapor "Izabel"

    vapor "Izabel"

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  • (IRFM) Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo

    (IRFM) Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo

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    Em 1921, o lendário Conde Francisco Matarazzo, italiano que fez fortuna em São Paulo, implantou em Iguape uma filial de suas conceituadas Indústrias Reunidas. Para gerenciar essa indústria na cidade, foi encarregado o major Francisco Firmino de Pontes Oliveira (filho do capitão de igual nome, que em Iguape exerceu a função de tabelião por várias décadas). Firmino, filho, entre outras atividades, foi vereador e capitalista. As Indústrias Matarazzo situava-se próximo do Valo Grande, mais precisamente na Rua São Miguel, no antigo nº 5, e ainda hoje existem, bastante mal conservadas, suas instalações, destacando-se o gigantesco prédio de tijolos expostos e a alta chaminé, que domina o cenário. As atividades da Matarazzo na cidade eram essencialmente comerciais. A filial de Iguape, em seu armazém, vendia variados produtos, tais como: sal, querosene, gasolina, farinha de trigo, sabão, velas, fósforos, sacaria, etc. Também comprava, em grande escala, tanto arroz em casca quanto beneficiado. Possuía grande e produtivo engenho de arroz, do qual, durante muitos anos, foi encarregado o sr. Luiz Correa. Possuía também serviço próprio de navegação fluvial e marítima, de onde se destacavam o paquete "Montenegro", durante anos comandado pelo capitão-tenente Antônio de Brito Lima, e o iate-motor "Alayde". Quanto aos funcionários da Matarazzo, a empresa empregava em sua maioria pessoal de Iguape. Como os auxiliares de escritório Cyro Sant’Anna, Satyro de Oliveira e o então jovem Pedro Coutinho (prefeito de Iguape, de 1948 a 1952), Appio Augusto Rocha, além de dezenas de outros que desempenhavam diversas atividades.
    Em 1929, em virtude de se transferir para a Capital, o major Francisco Firmino passou o cargo de gerente da Matarazzo para Franco Manfredi, que aqui chegou no dia 25 de julho daquele ano. Contudo, Manfredi gerenciou por menos de um ano; já em 7 de abril de 1930, chegava em Iguape, no vapor "Iraty", Theodoro Cervone, o novo gerente da Matarazzo em Iguape. Infelizmente, o sonho da Matarazzo em Iguape não deu certo. Atravessando então avançado processo de decadência, a cidade não conseguiu comportar uma indústria desse porte. A Matarazzo acumulou prejuízos sucessivos por uma década, até que decidiu fechar sua filial em 1935, abandonando, inclusive, todas as suas máquinas e equipamentos. Foi um duro golpe no processo de industrialização de Iguape. Em 1939,no mesmo prédio foi instalada a famosa Indústria de Pesca "Pirá", grande marco na industrialização da manjuba em Iguape, que funcionou até a década de 1960.

  • A construção da caixa d´água da Fonte do Senhor

    A construção da caixa d´água da Fonte do Senhor

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    Até meados do Século XIX, o povo de Iguape buscava água diretamente na Fonte do Senhor, também chamada de Fonte de Cima. Houve um tempo, em fins do Século XVIII, em que chegou um ouvidor, o qual, atendendo aos reclamos das gentes, ordenou a construção de um aqueduto que trouxesse a água para mais perto da vila. Em 14 de abril de 1847, o vereador Antônio José Pinto apresentou um projeto, para que a água da Fonte fosse encanada e construída uma caixa d'água no final do antigo Aqueduto, com quatro bicas de ferro, ficando um registro fechado para encher de água a caixa da Gruta do Senhor quando fosse preciso, passando esse encanamento pela frente da Gruta. O próprio vereador foi até a Fonte, acompanhado do cidadão Manoel José Correa, tendo ambos observado que "a agoa podia vir encanada em tubos ou telhões e coberto desde o lugar do morro onde era tomada até aquelle lugar em que deve servir ao publico"[...]
    Dessa forma, parte do Aqueduto, que havia desmoronado, deveria ser reconstruído. Essa despesa foi orçada em 600$000 (seiscentos mil réis) para cal, pedra, tijolo e mão-de-obra. A Câmara aprovou a idéia e deu prioridade à obra, decidindo que nenhuma outra seria iniciada enquanto a canalização da água da Fonte não fosse ultimada, o que deveria acontecer até outubro de 1848, conforme contrato assinado com Manoel José Correa, que ficou como encarregado. O preço total da obra ficou em 650$000 (seiscentos e cinquenta mil réis). Essa caixa d'água, após concluída, devido à sua forma bojuda, era chamada pelo povo iguapense de "Locomotiva". Foi construída com a frente para o Mar Pequeno e, durante mais de cem anos, abasteceu a população da cidade, sendo afinal demolida pela prefeitura em 1976, juntamente com o Aqueduto, perdendo-se para sempre dois monumentos de incontestável valor histórico.

  • A "Caravana Santista"

    A "Caravana Santista"

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    Fundada em 1938 por um grupo de católicos da cidade de Santos, a famosa "Caravana Santista" marcou época em Iguape. Durante muitos anos, foi a responsável pela novena em louvor ao Senhor Bom Jesus de Iguape e Nossa Senhora das Neves. Traziam os músicos; cuidavam de todos os detalhes. Ficavam hospedados no "Hotel São Paulo". Em 1958, doaram ao Santuário uma cópia, em tamanho menor, da imagem do Senhor Bom Jesus, que sempre sai em procissão no Revelando Vale do Ribeira. Mais tarde, a "Caravana Santista" adquiriu, em comodato, da Mitra Diocesana uma área de terras em frente à Escola Estadual "Prof. Veiga Júnior". Ali foram construídos apartamentos para os componentes da "Caravana". A Caravana deixou de exixtir por volta de 1986, na medida em que seus membros iam falecendo. Leiam este interessante texto do escritor iguapense Francisco Trigo Martins, com suas lembranças da Caravana: "Foi numa tarde do dia 2 de agosto. Acompanhado de uma irmã, fomos receber a "Caravana Santista", que vinha abrilhantar a Festa do Bom Jesus. A "Caravana Santista" fazia a viagem em duas etapas: vinha de trem até a cidade de Juquiá, e depois até Iguape, por via marítima. Eu deveria ter nessa época dez anos. O vapor "Bento Martins", de passageiros e cargas, construído de chapas galvanizadas, era impulsionado através de uma grande roda de palhetas instalada na popa da embarcação; festivamente enfeitado de bandeirolas, atracou no "Porto Grande". Havia um vai-e-vem de carregadores de cargas e bagagens e marinheiros amarrando os cabos da embarcação, colocando as pranchas para o desembarque. Naquele instante, a Banda Musical, que se fazia presente ao evento, começou a tocar. Estávamos a uma certa distância daqueles acontecimentos, deslumbrados com tudo o que acontecia à nossa frente. Primeiro, desembarcou o Bispo Diocesano, seguido pelos demais passageiros, juntando-se à pequena multidão que os aguardava, incluindo a Banda Musical e o prefeito municipal, que, num breve discurso, os saudou, desejando a toda comitiva uma feliz estadia em Iguape. A passagem da comitiva era aplaudida pelo povo nas ruas onde passava e pelas pessoas que se apinhavam nas sacadas dos sobrados. Aos poucos, a pequena multidão foi se dissipando. À exceção do bispo, freiras e seminaristas, que se hospedavam na "Casa Paroquial" (ou "Casa do Padre", como era também conhecida), os demais seguiram para o "Hotel São Paulo". Acompanhamos a "Caravana" até o Largo da Matriz, onde nós nos desligamos. Achando ter cumprido nossas obrigações, retornamos à nossa residência. Essas "Caravanas" eram lideradas pelo Bispo Diocesano, de Santos, trazendo em sua companhia padres, freiras, seminaristas, músicos e simpatizantes. Infelizmente, tudo isto acabou deixando saudade! O fim da encantadora "Caravana Santista" aconteceu com a paralisação dos vapores "Vicente de Carvalho" e "Bento Martins", com a abertura da Rodovia Régis Bittencout (BR-116), e a criação da Diocese do Vale do Ribeira. A Diocese foi criada em dezembro de 1974, e, em 16 de fevereiro de 1975, Dom José Aparecido Dias foi ordenado bispo, assumindo a Diocese de Registro."

  • vapor "Vicente de Carvalho"

    vapor "Vicente de Carvalho"

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    A navegação a vapor no Brasil começou no ano de 1839, desenvolvendo-se rapidamente, apesar de ser bastante deficiente, principalmente nos primeiros anos. No Ribeira de Iguape, a navegação a vapor teve início já em 1844, quando o Rio Una da Aldeia foi pela primeira vez sulcado pelo vapor "Voadora", que pertencia à viúva Fomm, de Santos, e realizava viagens quinzenais entre a cidade e o Rio.
    Somente no ano de 1857 é que foi fundada a primeira companhia de navegação fluvial, que passou a atender a região. A iniciativa foi do comerciante Manoel Caetano Baptista, de Xiririca (atual Eldorado/SP), que adquiriu no Rio de Janeiro o vapor "Estrella" e, associando-se à firma "Chrysostomo & Irmão", fundou naquele ano a legendária "Companhia Xiririquense". Ao longo dos anos, surgiram muitas companhias de navegação. A mais célebre de todas foi, sem dúvida, a "Companhia de Navegação Fluvial Sul Paulista", que pertencia ao poeta e jurista santista Vicente de Carvalho e que funcionou regularmente por cerca de trinta nos. Entre seus vapores mais luxuosos, destacava-se o "Izabel", que depois foi chamado de "Vicente de Carvalho". Foi o vapor que transportou o célebre estadista Washington Luiz Pereira de Souza, o qual visitou a cidade de Iguape no dia 18 de setembro de 1921, quando ocupava o cargo de presidente do Estado de São Paulo (hoje equivalente a governador). Em Juquiá, embarcou no vapor que pertencia a Companhia de Navegação Fluvial Sul Paulista, de propriedade do jurista e poeta santista Vicente de Carvalho. O vapor singrou o Rio Ribeira, passou por Registro, Guaviruva, Porto do Ribeira e seguiu em demanda do Porto Grande, onde chegou no dia 21 de setembro de 1921. Ao desembarcar, foi calorosamente recepcionado pelas autoridades e pelo povo iguapense, que se espremiam no cais do Porto General Osório (mais conhecido por Porto Grande). Washington Luiz veio a bordo do vapor Vicente de Carvalho, da Companhia de Navegação Fluvial Sul Paulista, chegando às 15:00 horas. Nessa viagem de São Paulo a Iguape, Washington Luiz não gastou menos de dois dias. Era um trajeto longo e cansativo, já que não existiam estradas de rodagem naquela época.

  • vapor "Bento Martins"

    vapor "Bento Martins"

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  • Casa de Fundição

    Casa de Fundição

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    Embora não mencionada por muitos autores, é certa a sua existência, disputando com Paranaguá a primazia de ser a primeira fora da vila de São Paulo. Ernesto Guilherme Young, o historiador de Iguape, chegou a localizar e transcrever preciosa documentação relativa a essa repartição na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, volume VI, sob o título "Subsídios para a História de Iguape - Mineração do Ouro". Pedro de Souza Pereira, Administrador Geral das Minas, recebeu ordem do Rei Dom João IV de Portugal, para fazer indagações a respeito das minas que havia em Iguape, e em 30 de abril de 1653, os Oficiais da Câmara de São Paulo, visitaram Iguape a fim de iniciar suas atividades. Por esses dados, verifica-se que já existia casa de fundição em Iguape em 1668, com o nome de "Casa da Oficina". Sabe-se também que Manuel da Costa foi provedor dessa casa de 1672 a 1679. Já em 9/11/1696, foi mencionada com essa denominação "Oficina Real dos Quintos". Não nos foi possível apurar quando deixou de operar essa casa, mas em 1722 havia sido reaberta por instruções do ouvidor-geral Rafael Pires Pardinho com o nome de "Casa dos Quintos". Segundo Carvalho Franco, a Casa de Fundição de Iguape foi estabelecida em 1653, pelo Administrador Geral das Minas, Pedro de Souza Pereira, que encarregou dela a Diogo Vaz de Escobar. O ouro da casa de fundição de Iguape financiou, em 1678, as diligências do malogrado D. Rodrigo Castel Blanco. O prédio onde funcionava a Casa de Fundição ainda existe atualmente, ocupado pelo Museu de Iguape, depois de ter sido usado sucessivamente como cadeia, quartel e Casa da Câmara. Está magnificamente restaurado e é o mais antigo edifício fazendário do Brasil. Ele merece maior atenção de nossa parte, especialmente para que o Museu ali instalado possa recuperar os instrumentos usados na fundição do ouro, que dali foram retirados há algumas décadas. Segundo consta, essas peças teriam sido encaminhadas ao Museu Nacional. Com o funcionamento do Museu de Iguape, elas devem ser devolvidas ao seu ambiente de origem, onde ilustrarão melhor o Ciclo do Ouro.

  • Museu Histórico e Arqueológico

    Museu Histórico e Arqueológico

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  • A Igreja de São Benedito e o Pátio das Casinhas

    A Igreja de São Benedito e o Pátio das Casinhas

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    No largo onde hoje está construída a Igreja de São Benedito, antigamente existiam apenas algumas casinhas, bastante rústicas e acanhadas. Por esse motivo, o local era conhecido pelo nome de Pátio das Casinhas. Somente no dia 26 de maio de 1827 é que a Câmara de Iguape decidiu demarcar esse pátio e, a partir de então, as casas passaram a ser construídas com maior critério urbanístico. Mais tarde, o local passou a ser chamado de Largo de São Francisco. Por volta de 1866, a Câmara iniciou a construção do artístico chafariz, que, ainda hoje, ornamenta a praça, inaugurado no dia 8 de dezembro de 1876. Até poucas décadas atrás, era costume da população iguapense ir buscar água nesse chafariz. O local chamou-se Largo de São Francisco até o dia 26 de novembro de 1916, quando a Câmara de Iguape decidir alterar o nome para Praça Dr. João Carlos Greenhalgh, numa homenagem ao ilustre engenheiro que durante muitos anos viveu na cidade. Por ocasião da Revolução de 1930, o logradouro passou a ser chamado Praça João Pessoa, até que finalmente a tradição passou a chamá-lo simplesmente de Praça de São Benedito. Durante muitos anos, após a inauguração da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, as irmandades desta santa e a de São Benedito conviveram em harmonia. Até que, em princípios da década de 1880, houve desentendimento entre os dirigentes dessas duas irmandades e os irmãos de São Benedito resolveram construir a sua própria igreja. O local escolhido foi o Largo de São Francisco, bem no centro da cidade, na época um logradouro deserto, ladeado por casinhas de pedra e cal, onde se destacava o imponente prédio do Correio Velho. A Irmandade de São Benedito requereu ao Bispo de São Paulo autorização para o início da igreja. Já no dia 17 de maio de 1881 era obtida provisão para sua fundação, que seria no bairro Porto do Ribeira. Porém, não houve provisão de ereção e decidiu-se pela sua construção no Largo de São Francisco. No Livro do Tombo da Paróquia de Iguape lemos que, mediante requerimento dos cidadãos Manoel Xavier de Oliveira e Zacharias Augusto Teixeira, o bispo D. Lino Deodato concedeu provisão no dia 2 de janeiro de 1886, dando licença provisória por cinco anos para a benção da igreja e demais atos. Nesse ano, as obras estavam em andamento, conforme nos informa uma edição do mês de maio daquele ano do jornal "Commercio de Iguape". A imagem de São Benedito só seria transferida quatro anos mais tarde, quando a igreja, apesar de não totalmente concluída, foi benzida no dia 1 de agosto de 1890. No dia 4 de agosto, a imagem do santo seria finalmente entronizada na igreja, numa grande procissão. A torre do lado Norte, a primeira a ser construída, foi iniciada no dia 2 de outubro de 1893, sendo possível a realização das obras graças exclusivamente ao empenho dos membros da Irmandade de São Benedito, bem como de seus devotos. Em princípios do século XX, pelo que nos evidenciam os registros históricos, a Igreja ainda não estava de todo concluída, possuindo apenas uma torre. As obras eram continuadas graças às colaborações. Mais tarde, já na década de 1920, a Igreja estava necessitando de reformas, que foram iniciadas no dia 4 de setembro de 1922. Essas reformas consistiam de uma parede externa do lado Norte, com o comprimento de toda a Igreja e a largura da torre. Após esse serviço, a Mesa Administrativa pretendia terminar a torre do lado Sul e ainda ajardinar a frente até a largura da rua, colocando uma grade. Essa torre ainda demorou muitos anos para ser concluída. A Igreja de São Benedito foi tombada pelo CONDEPHAAT em 1975, sendo considerada um destaque do patrimônio histórico de Iguape.