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  • Casa de Fundição

    Casa de Fundição

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    Embora não mencionada por muitos autores, é certa a sua existência, disputando com Paranaguá a primazia de ser a primeira fora da vila de São Paulo. Ernesto Guilherme Young, o historiador de Iguape, chegou a localizar e transcrever preciosa documentação relativa a essa repartição na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, volume VI, sob o título "Subsídios para a História de Iguape - Mineração do Ouro". Pedro de Souza Pereira, Administrador Geral das Minas, recebeu ordem do Rei Dom João IV de Portugal, para fazer indagações a respeito das minas que havia em Iguape, e em 30 de abril de 1653, os Oficiais da Câmara de São Paulo, visitaram Iguape a fim de iniciar suas atividades. Por esses dados, verifica-se que já existia casa de fundição em Iguape em 1668, com o nome de "Casa da Oficina". Sabe-se também que Manuel da Costa foi provedor dessa casa de 1672 a 1679. Já em 9/11/1696, foi mencionada com essa denominação "Oficina Real dos Quintos". Não nos foi possível apurar quando deixou de operar essa casa, mas em 1722 havia sido reaberta por instruções do ouvidor-geral Rafael Pires Pardinho com o nome de "Casa dos Quintos". Segundo Carvalho Franco, a Casa de Fundição de Iguape foi estabelecida em 1653, pelo Administrador Geral das Minas, Pedro de Souza Pereira, que encarregou dela a Diogo Vaz de Escobar. O ouro da casa de fundição de Iguape financiou, em 1678, as diligências do malogrado D. Rodrigo Castel Blanco. O prédio onde funcionava a Casa de Fundição ainda existe atualmente, ocupado pelo Museu de Iguape, depois de ter sido usado sucessivamente como cadeia, quartel e Casa da Câmara. Está magnificamente restaurado e é o mais antigo edifício fazendário do Brasil. Ele merece maior atenção de nossa parte, especialmente para que o Museu ali instalado possa recuperar os instrumentos usados na fundição do ouro, que dali foram retirados há algumas décadas. Segundo consta, essas peças teriam sido encaminhadas ao Museu Nacional. Com o funcionamento do Museu de Iguape, elas devem ser devolvidas ao seu ambiente de origem, onde ilustrarão melhor o Ciclo do Ouro.

  • Museu Histórico e Arqueológico

    Museu Histórico e Arqueológico

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  • A Igreja de São Benedito e o Pátio das Casinhas

    A Igreja de São Benedito e o Pátio das Casinhas

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    No largo onde hoje está construída a Igreja de São Benedito, antigamente existiam apenas algumas casinhas, bastante rústicas e acanhadas. Por esse motivo, o local era conhecido pelo nome de Pátio das Casinhas. Somente no dia 26 de maio de 1827 é que a Câmara de Iguape decidiu demarcar esse pátio e, a partir de então, as casas passaram a ser construídas com maior critério urbanístico. Mais tarde, o local passou a ser chamado de Largo de São Francisco. Por volta de 1866, a Câmara iniciou a construção do artístico chafariz, que, ainda hoje, ornamenta a praça, inaugurado no dia 8 de dezembro de 1876. Até poucas décadas atrás, era costume da população iguapense ir buscar água nesse chafariz. O local chamou-se Largo de São Francisco até o dia 26 de novembro de 1916, quando a Câmara de Iguape decidir alterar o nome para Praça Dr. João Carlos Greenhalgh, numa homenagem ao ilustre engenheiro que durante muitos anos viveu na cidade. Por ocasião da Revolução de 1930, o logradouro passou a ser chamado Praça João Pessoa, até que finalmente a tradição passou a chamá-lo simplesmente de Praça de São Benedito. Durante muitos anos, após a inauguração da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, as irmandades desta santa e a de São Benedito conviveram em harmonia. Até que, em princípios da década de 1880, houve desentendimento entre os dirigentes dessas duas irmandades e os irmãos de São Benedito resolveram construir a sua própria igreja. O local escolhido foi o Largo de São Francisco, bem no centro da cidade, na época um logradouro deserto, ladeado por casinhas de pedra e cal, onde se destacava o imponente prédio do Correio Velho. A Irmandade de São Benedito requereu ao Bispo de São Paulo autorização para o início da igreja. Já no dia 17 de maio de 1881 era obtida provisão para sua fundação, que seria no bairro Porto do Ribeira. Porém, não houve provisão de ereção e decidiu-se pela sua construção no Largo de São Francisco. No Livro do Tombo da Paróquia de Iguape lemos que, mediante requerimento dos cidadãos Manoel Xavier de Oliveira e Zacharias Augusto Teixeira, o bispo D. Lino Deodato concedeu provisão no dia 2 de janeiro de 1886, dando licença provisória por cinco anos para a benção da igreja e demais atos. Nesse ano, as obras estavam em andamento, conforme nos informa uma edição do mês de maio daquele ano do jornal "Commercio de Iguape". A imagem de São Benedito só seria transferida quatro anos mais tarde, quando a igreja, apesar de não totalmente concluída, foi benzida no dia 1 de agosto de 1890. No dia 4 de agosto, a imagem do santo seria finalmente entronizada na igreja, numa grande procissão. A torre do lado Norte, a primeira a ser construída, foi iniciada no dia 2 de outubro de 1893, sendo possível a realização das obras graças exclusivamente ao empenho dos membros da Irmandade de São Benedito, bem como de seus devotos. Em princípios do século XX, pelo que nos evidenciam os registros históricos, a Igreja ainda não estava de todo concluída, possuindo apenas uma torre. As obras eram continuadas graças às colaborações. Mais tarde, já na década de 1920, a Igreja estava necessitando de reformas, que foram iniciadas no dia 4 de setembro de 1922. Essas reformas consistiam de uma parede externa do lado Norte, com o comprimento de toda a Igreja e a largura da torre. Após esse serviço, a Mesa Administrativa pretendia terminar a torre do lado Sul e ainda ajardinar a frente até a largura da rua, colocando uma grade. Essa torre ainda demorou muitos anos para ser concluída. A Igreja de São Benedito foi tombada pelo CONDEPHAAT em 1975, sendo considerada um destaque do patrimônio histórico de Iguape.

  • A grande seca de 1879 que assolou o Vale do Ribeira

    A grande seca de 1879 que assolou o Vale do Ribeira

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    Transcrito do original:

    Jornal "Commercio de Iguape", nº 187, de 19-9-1879

    “Depois de uma rigorosa secca, cuja quadra atravessamos ha seis mezes mais ou menos, na tarde do dia 15 do andante appareceu alguma chuva que, postoque não durasse por todo o tempo desejado, comtudo servio muito, ao menor para mais aplacar o mal que de dia para dia crescia pelos effeitos da secca. É verdade que a ausencia de chuvas em todo aquelle periodo, pouca ou nenhuma falta apresentou á população desta localidade, pela razão de que ella até agora tem sido commodamente abastecida de agua potavel; mas a secca muito tem contribuido para entorpecer o desenvolvimento da lavoura, como do commercio, pela paralysação do principal motor, a navegação fluvial, que lhes dá vida. A excepção das duas fabricas de pilar arroz, a do porto da Ribeira e da barra do Pariquera, que são movidas á vapor, as demais, em grande numero, tocadas por agua n’esta comarca, como na de Xiririca teem estado quasi em sua totalidade paradas á falta d’agua, por bastante tempo. Os rios de pequenas profundidades, deste municipio, affluentes da Ribeira, baixarão admiravelmente a ponto de que muitos lavradores ficarão privados de conduzir ao mercado o fructo de seu trabalho agricola, e o commercio, de dia para dia caminhava ao enfraquecimento, faltando-lhe os elementos para as suas transações, principal base de sua existencia. Até a Ribeira, esse caudaloso e gigante rio que banha o immenso territorio de mais de duas comarcas, desprendendo-se de tão grande longitude, chegou á um descarnamento espantoso, privando-nos do importante goso da navegação á vapor entre este porto e o de Xiririca! É verdade que os vapores d’essa linha fluvial partem pontualmente deste para aquelle porto nos dias marcados para suas viagem; mas de que isso serve, quando ha muito que nem encontrão agua sufficiente para transpôr a paragem denominada “Carapiranga”, neste municipio, ponto esse que poderá regular terça parte do espaço terminal de sua derrota? Na ultima viagem do proximo mez passado, que para Xiririca emprehendeu o vapor S. Pedro, nelle fomos de passagem com destino até o meio do estirão do Carapiranga, e ao chegarmos ao principio daquelle estirão presenciamos entre outros passageiros a falta d’agua no canal, para poder o navio transpôr esse local. Fomos, pois, testemunha occular dos esforços que o digno commandante do navio empregou para leval-o acima do lugar indicado, mas tudo em vão, porque uma força maior – a falta de profundidade sufficiente no canal – o impedia. Ha perto de 40 annos que viajamos quasi todos os annos na Ribeira, nunca vimos ter ella chegado ao estado que relatamos, porque tambem não temos lembrança de que tenhamos tido uma secca por tempo tão prolongado como a desde anno corrente.”

  • Fundação da Vila de Subauma

    Fundação da Vila de Subauma

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    Em 21 de março 1766, por ordem de Dom Luis Antonio de Sousa Botelho Mourão, o Morgado de Mateus, o tenente-coronel Affonso Botelho de Sampaio e Souza, ajudante de ordens do governador da Capitania de São Paulo, desejando aumentar as povoações desta Capitania, foi informado que na Foz do Rio Sabauma, entre as vilas de Iguape e Cananéia havia terras suficientes para se estabelecer uma aldeia. O Tenente Coronel escolheu o sitio, no dia 7 de janeiro de 1767, e fundou a aldeia de "Nossa Senhora da Conceição da Lage de Sabauna". Já em 1° de agosto de 1770, a "Freguezia de Nossa Senhora da Conceição de Sabauna", foi elevada a categoria de Vila, deram-lhe o nome de "Villa de Nossa Senhora da Conceição da Marinha". A posição escolhida não foi boa por isso a povoação não prosperou e extinguiu-se. Em 1779, o Governo mandou recolher os livros à Camara de Iguape e as alfaias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição à Igreja de Nossa Senhora das Neves de Iguape. Na década de 1890, o Governo Estadual ali instalou uma colônia de imigrantes, que também durou pouco tempo. Na Vila de Subauma, moravam figuras importantes, como o Coronel Félix Biallé, capitão Francisco Cordeiro de Rezende, vindo da Vila de Paranaguá. Ocupou diversos cargos públicos na Vila de Iguape, sendo nomeado capitão de ordenanças, ficando, dessa maneira, conhecido por Capitão Cordeiro, Luiz Palhano de Azevedo, que foi vereador do Conselho da Vila de Iguape, a família Fragoso e a família Oliveira ("Balaio"), que tiveram projeção na política e na sociedade iguapense.

  • Emancipação do Distrito de Ilha Comprida

    Emancipação do Distrito de Ilha Comprida

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  • Golpe Militar de 1964: O plano de guerra dos EUA

    Golpe Militar de 1964: O plano de guerra dos EUA

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    Nos planos do embaixador americano Lincoln Gordon, para apoiar o golpe de 64 no Brasil, estava um desembarque clandestino de armas e combustível a partir de um submarino americano que emergisse na região entre Iguape e Cananéia, no litoral de São Paulo, para abastecer militares ligados ao general Castello Branco. Em 27 de Março de 1964, o embaixador Lincoln Gordon escreveu este extenso telegrama, com cinco partes, aos mais altos responsáveis pela segurança nacional do governo americano, incluindo o diretor da CIA John McCone e os secretários da Defesa e de Estado, Robert McNamara e Dean Rusk, no sentido de avaliar o presidente Goulart e sua relação com o Partido Comunista Brasileiro. Gordon recomenda "uma entrega de armas clandestina" a partir de um submarino americano que emergisse na região entre Iguape e Cananéia, no litoral de São Paulo, aos apoiantes de Branco bem como um carregamento de gasolina e gasóleo para ajudar no êxito das forças do golpe e sugere que tal apoio seja complementado por ações cobertas da CIA. Ele também pressiona a administração a "preparar-se sem demora contra a contingência de necessária intervenção aberta numa segunda etapa". O embaixador Gordon atualiza altos responsáveis dos EUA acerca da deterioração da situação no Brasil. Em telegrama de 29 de Março de 1964, ele reitera "múltipla" necessidade de ter um carregamento secreto de armas "pré-posicionadas antes do desencadear da violência" para serem "usadas pelas unidades paramilitares que trabalham com grupos militares democráticos" e recomenda uma declaração pública pela administração "para reassegurar o grande número de democratas no Brasil de que não somos indiferentes ao perigo de uma revolução comunista aqui". A estação da CIA no Brasil transmitiu este relatório de campo das fontes de inteligência em Belo Horizonte que declarava brutalmente "uma revolução pelas forças anti-Goulart certamente avançará esta semana, provavelmente nos próximos poucos dias". O telegrama de 30 de Março de 1964, transmite informação sobre planos militares para "marcha em direcção ao Rio". A "revolução", previa a fonte de inteligência, "não será resolvida rapidamente e será sangrenta". O secretário de Estado Dean Rusk envia a Gordon uma lista das decisões da Casa Branca "tomada a fim de estar em posição de prestar assistência no momento apropriado às forças anti-Goulart se for decidido que isto deva ser feito". As decisões incluem o envio de petroleiros americanos carregados com gasolina, gasóleo e lubrificantes de Aruba para Santos, Brasil, reunir 110 toneladas de munições e outros equipamentos para as forças pró-golpe, e despachar uma brigada naval incluindo um porta-aviões, vários destroyers e navios de escolta para ficarem posicionados ao longo da costa do Brasil. Várias horas depois, um segundo telegrama é enviado a emendar o número de navios e as datas em que estarão a chegar à costa brasileira em 31 de Março de 1964. Este memorando de conversação regista uma reunião de alto nível, mantida na Casa Branca, entre o presidente Johnson e os seus principais ajudantes da segurança nacional sobre o Brasil. O vice-chefe da CIA das operações no Hemisfério Ocidental, Desmond Fitzgerald registou a informação dada por Johnson e a discussão sobre o progresso do golpe. O secretário da Defesa relatou acerca dos movimentos da força tarefa naval rumo ao Brasil, e as armas e munições a serem reunidas em New Jersey para reabastecer os conspiradores golpistas se necessário. Porém a estação da CIA no Brasil relata que o deposto presidente João Goulart deixou o Brasil para o exílio no Uruguai às 13 horas de 2 de Abril de 64. A sua partida assinala o êxito do golpe militar no Brasil.

  • Aprendizado agrícola “Dr. Bernardino de Campos”

    Aprendizado agrícola “Dr. Bernardino de Campos”

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    Em agosto de 1901 que o Governo do Estado resolveu organizar um Campo de Experiências em Iguape, num terreno doado pela Câmara, localizado ao pé do Morro da Espia, a cuja administração incumbiu o Dr. Lourenço Granato. Dois anos depois, em 1903, o Governo ali criou o Aprendizado Agrícola “Dr. Bernardino de Campos”, anexo ao Campo de Experiências. Como diretor desse aprendizado ficou o Dr. Lourenço Granato, que também lecionava no curso, ao lado do Dr. João Carlos Grenhalgh, engenheiro-chefe da Comissão de Discriminação de Terras da Comarca de Iguape; Ernesto Guilherme Young, historiador e engenheiro; além de outros professores. O engenheiro-agrônomo Granato, natural de Vercelli, Itália, chegou em Iguape no dia 18 de novembro de 1900, a bordo do vapor "Alexandria", nomeado inspetor agrícola do Sexto Distrito, cuja sede era em Iguape e compreendia os municípios de Itanhaém, Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela, Santos e São Vicente, em substituição ao Dr. João Pedro Cardoso. Granato escreveu vários livros científicos, utilizados no curso de técnico em agricultura ministrado no Aprendizado, que era uma preparação para quem desejasse estudar na concorrida Escola Agrícola “Luiz de Queirós”, em Piracicaba, que mantinha o melhor curso de Agronomia do País. Granato desenvolveu, no Aprendizado, importantes pesquisas sobre o arroz de Iguape, além de ter publicado diversos artigos na imprensa local. Entre seus livros, destacam-se: "A Lavoura do Arroz em Iguape" (1902), "O Arroz de Iguape" (1910), "Noções de Meteorologia e Climatologia Agrícola" (1913), "O Arroz" (1914), "As Moléstias dos Animais -- Manual do Veterinário Prático" (1913), entre outros. Em 1905, matricularam-se 16 alunos no Aprendizado Agrícola, sendo que 9 concluiram seus cursos. Em 1910, estavam matriculados 15 alunos, sendo 11 no primeiro ano e 4 no segundo. Em 1911, o número de alunos também era de 15 alunos. No ano de 1906, o Dr. Carlos Botelho, secretário da Agricultura, concedeu bolsas de estudo aos alunos do Aprendizado Agrícola, Germano Alves de Oliveira e Francisco Cassiano Nunes. Nessa escola, estudaram, ainda, Narciso de Medeiros (que, depois, formou-se em Agronomia em Piracicaba, e hoje é o patrono da Escola Agrícola de Iguape) e Aurélio Fortes (que durante muitos anos advogou no Fórum local), além de Júlio de Aquino Aguiar, entre outros. Posteriormente, o Dr. Lourenço Granato foi removido para Campinas, onde, já em 1907, era diretor do conceituado Instituto Agronômico daquela cidade. O Aprendizado Agrícola funcionou regularmente até a I Guerra Mundial, sendo então desativado por volta de 1914, quando faleceu seu diretor, Ernesto Young. Durante muitos anos, o local ficou abandonado, até que, em 1943, o Ministério da Agricultura criou em Iguape o Posto Agropecuário, com o objetivo de prestar assistência aos agricultores iguapenses e incrementar a produção de sementes. Esse posto, sob a direção do engenheiro-agrônomo Dr. Heitor Cordeiro, funcionou ininterruptamente até 1960, quando foi desativado.

  • Diploma de honra: Iguape ganha prêmio de "melhor arroz do mundo"

    Diploma de honra: Iguape ganha prêmio de "melhor arroz do mundo"

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    Em abril de 1911, o município de Iguape, representando o Brasil na Europa, conquistou o diploma de honra internacional de melhor arroz do mundo, disputado em Turim, Itália. Trata-se de uma placa de bronze, em alto relevo, conseguida na 1.ª Exposição Internacional da Indústria e do Trabalho, realizada em 29 de abril de 1911, em comemoração do cinquentenário do Reino da Itália em um evento extraordinário que chamou a multidão de milhares de visitantes, com presença dos monarcas das mais altas autoridades do Reino e os representantes de vários países, inclusive o Brasil que possuía dois pavilhões de exposições. O prêmio está assinado pelo escultor Edoardo Rubino (Itália, 1871-1954), e encontra-se exposto ao público no Museu Histórico e Arqueológico de Iguape, instalado no centro histórico. Nele vê-se escrito em italiano: "DIPLOMA D'ONORE" TORINO MCMXI, ESPOSIZIONE INTERNAZIONALE DELLE INDUSTRIE E DEL LAVORO.

  • Agência dos Correios e Telégrafos de Iguape

    Agência dos Correios e Telégrafos de Iguape

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    Nos tempos coloniais, conta a tradição, existiam quatro andarilhos que, partindo de São Vicente, traziam a correspondência para a Vila de Iguape, passando através do "Caminho do Imperador", na Juréia. Era, sem dúvida, uma missão das mais árduas, pois viajavam a pé durante vários dias pela mata, ficando à merce dos ataques de índios e de feras. Durante muitos anos, a precariedade do correio era patente e somente a partir do princípio do Século XIX é que seria sensivelmente melhorado. Com a reestruturação desse serviço, a Câmara de Iguape, em 14 de maio de 1828, nomeou o cidadão José Bonifácio de Andrada (parente do "Patriarca da Independência") como administrador do Correio, que então foi criado "entre a Capital e a Villa de Paranaguá, que deve de passar por esta Villa." No ano de 1877, segundo se lê numa edição do "Commercio de Iguape", o Correio funcionava num prédio da Praça da Basílica e não possuía carteiro. Passou por reformas no ano de 1893. Em sua edição nº 943, de 9/12/1894, o "Commercio de Iguape" noticiava: "'Ha cerca de um mez ou pouco mais que a agencia do correio nesta cidade é exercida pelo sr. capitão José Antero Peniche, e temos presenciado que até o presente tem-se mostrado um empregado zeloso e cumpridor dos seus deveres." Contudo, já no mês de abril de 1895 o mesmo jornal informava que estava para se exonerar do cargo o agente do correio, em virtude de ganhar apenas 55$000 réis por mês, quantia considerada bastante irrisória. Posteriormente, foi transferido para um prédio situado na Rua 15 de Novembro. Em janeiro de 1925, mudou-se para outro prédio na Praça da Basílica. No ano de 1926, foi instalado no prédio hoje conhecido por "Correio Velho", na Praça de São Benedito, sendo totalmente reformado. O serviço telegráfico ficava no pavimento superior, enquanto o serviço postal era no andar inferior. A atual sede do Correio de Iguape foi inaugurada no dia 14 de maio de 1951, na Rua Major Rebello. Pela direção do Correio em Iguape passaram diversos cidadãos, como Luiz Pires (1918), Jurandyr Dias (1924), Irineu Ferreira Gomes (1925-1926), Aristarcho de Azevedo Souza (1927), Paulo Ferraz da Silva Porto (1928), José Jorge da Silva (a partir de 1929, por muitos anos) e, mais recentemente, o sr. Monteiro, José Eduardo Trigo, Silas Fontes de Aguiar e Eduardo Efraim Ribeiro.

  • Os afrescos da Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape

    Os afrescos da Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape

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    Ernesto Thomazini, pintor paulista de talento reconhecido em seu tempo, foi o autor da pintura interna da Basílica. Com base nas diversas notícias publicadas pela "Tribuna de Iguape", a pintura interna do Santuário foi executada em duas fases: uma em 1924 e outra em 1926, quando foi definitivamente terminada. Pelos registros pesquisados, consta que Ernesto Thomazini, na execução da pintura interna do Santuário (ao menos nessa primeira etapa), foi auxiliado pelo seu irmão, também pintor de talento, João Thomazini. Assim, terminada a pintura, celebrou-se a Festa em Louvor ao Senhor Bom Jesus de Iguape, que, nesse ano de 1926, foi uma das mais solenes, pois a verdadeira imagem do Bom Jesus sairia pela terceira vez em procissão pelas ruas da cidade.

  • O aparecimento da imagem do Bom Jesus no ano de 1647

    O aparecimento da imagem do Bom Jesus no ano de 1647

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    Transcrito do original:

    Documento n.° 12
    Apparecimento da IMAGEM do Bom Jesus


    "Sendo no anno de mil seiscentos e quarenta e sete, mandados por dous Indios Buçaes, e sem conhecimento, e ignorantes da fé, por Francisco de Mesquita, morador na praia da Jurêa, para a Villa da Conceição, a seus particulares, acharão na Praia da Yuna, junto ao rio chamado Passauna, rolando um vulto com as superfluidades do mar e que vulgarmente chamão resacas, e reconhecendo-o levarão para o limite da Praia, onde fazendo uma cova o puserão de pé com o rosto para o nascente e assim o deixarão com um caixão que divisarão ser de cêra do Reino, e umas botijas de azeite doce, cujo numero não pude saber de certo, as quaes cousas se acharão desviadas um pouco espaço do dito vulto, e voltando os ditos Indios d'ahli a dias acharão o dito vulto que não conheciam, no mesmo lugar, mas com o rosto virado para o poente, no que fizerão grande reparo pelo terem deixado para o nascente, e não acharem vestigios de que pessoa humana o podesse virar; e chegados que forão ao sitio de seu administrador contando o caso, que logo se soube pelos vizinhos, resolverão que Jorge Serrano e sua mulher Anna de Góes, e seu filho Jorge Serrano e sua cunhada Cecília de Góes, a ir vêr o narrado pelos Indios, e chegados, acharão a Santa Imagem na forma em que os Indios a tinhão exposto, e tirando-a metterão numa rede e a trouxerão alternativamente, os dous homens e as duas mulheres até o pé do monte a que chamão de Jurêa, onde os alcançou a gente da villa da Conceição, que vinhão ao mesmo effeito pela informação dos Indios, a qual gente da Conceição ajudarão aos quatro o conducção da dita Santa Imagem, até ao mais alto do dito monte da Jurêa, d'onde os dous homens e as duas mulheres, com a mesma alternativa, a transportarão até a barra do rio chamado Ribeira de Iguape, onde forão os moradores da Villa de Iguape buscar a Santa Imagem, e trazendo-a com muito grande acatamento, puzerão no rio a que chamão hoje com muito grande alegria a Fonte do Senhor, para lhe tirar o salitre e ser encarnada de novo, o que conseguirão depois de segundo encarne, pela imperfeição com que ficava, e conseguindo o ornato, a collocarão nesta Igreja da Senhora das Neves, em que está, aos dous dias do mez de Novembro de mil seiscentos e quarenta e sete, conforme achei no assento de um curioso, tirado de outro mais antigo; tambem achei informação de que era tradicção, que a Santa Imagem do Senhor Bom Jesus, vinha do reino de Portugal, embarcada para Pernambuco, e que encontrando o navio outro de inimigos infieis, lançarão os do navio portuguez a Santa Imagem ao mar, para não ser tomada com o que se achou junto a ella de cêra e azeite; e que no mesmo tempo em que foi achada a dita Santa Imagem na Praia, foram vistas pelo Padre Manoel Gomes, Vigario da Ilha de São Sebastião, passar pelo mar da parte do Norte para o Sul, seis luzes uma noite, cuja luzerna illuminava grande circumferencia, a qual noticia dira o dito Vigario ao Reverendo Padre Antonio da Cruz, religioso da Companhia de jesus, e para que venha a noticia de todos, e estes louvem ao Senhor como convem, por tão Soberano favor, esperando a sua misericordia, que foi servido que se cumprisse a prophecia: Orietur vobis Sol Istitiae, se verifiquem tambem a subsequente Et Sanitas in penis ejus. Curando nossas almas do contagio da culpa, dando-nos o premio aos escolhidos promettido, mandei escrever esta informação, que mando ao reverendo Vigario e seus successores a publiquem e leião no dia da festa do Senhor, no tempo em que costumão lêr as esmolas do anno, o que comprirão sob pena da Santa obediencia. dado em Visita, sob meu signal e sello, que perante mim serve nesta Villa de Nossa Senhora das Neves, de Iguape, aos vinte e dous dias do mez de Outubro de mil setecentos e trinta. E eu o licenciado Padre Manoel do Valle Palhano. Secretario da Visita o fiz e escrevi.—Christovão da Costa e Oliveira".

  • Escultura da imagem de Jesus Cristo crucificado

    Escultura da imagem de Jesus Cristo crucificado

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    Esculpida por Godofredo Thaler, de Treze Tílias (SC), a imagem de Jesus Cristo pregado na cruz possui 4,30 metros e é a maior já feita pelo escultor. Godofredo esculpiu a imagem há treze anos, a pedido do curitibano Otávio Vaz, que diz ter recebido inúmeras bençãos do Bom Jesus. O escultor tinha 47 anos quando fez a imagem e levou um ano para terminar a obra, que ficou à disposição da Igreja do Bom Jesus para colocá-la em exposição. Esculpida em um único tronco de cedro, tendo apenas os braços de Cristo ajustados por causa da fibra da madeira, a imagem de 4,30 metros ficou guardada por 13 anos na garagem de Otávio Vaz, em Curitiba. Por motivos que ninguém sabe explicar, nenhum padre da Igreja do Bom Jesus foi buscar a obra. Godofredo então voltou à casa de Otávio Vaz e ficou indignado ao ver sua obra praticamente escondida, depois de tanto trabalho. Fez contato com a Igreja de Iguape e, graças aos esforços do padre atual da basílica e do departamento de cultura do município, a imagem foi colocada no local para onde foi destinada, exposta ao lado esquerdo da Basílica do Bom Jesus de Iguape.

  • Grupo Escolar de Iguape

    Grupo Escolar de Iguape

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    Esse grupo escolar foi instalado em 7 de janeiro de 1894, pelo inspetor escolar Faustino de Oliveira Ribeiro Jr., mas só posteriormente essa instalação foi aprovada pelo Conselho Superior de Instrução Pública. As seções funcionavam separadamente em prédios particulares alugados às expensas dos respectivos professores: a seção masculina em um prédio no Largo de São Francisco (atual Praça de São Benedito), e a feminina na rua Dr. Cerqueira César. Assim se manteve, até que, por deliberação do Governo do Estado e solicitações da Câmara Municipal, as duas seções foram reunidas, em 8 de julho de 1900, e instaladas em um prédio situado à rua 20 de Setembro, sob a direção do professor José Julio Goulart. O movimento de alunos em 1907 foi de 320 no total. Pelo alto valor histórico na evolução educacional do Estado de São Paulo, juntamente com outras 122 escolas públicas da capital e do interior, seu prédio foi tombado pelo Conselho do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), conforme publicação do Diário Oficial do Estado de São Paulo, do dia 7 de agosto de 2002,  páginas 1 e 52.

  • Posto de Puericultura "Barão de Iguape"

    Posto de Puericultura "Barão de Iguape"

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    O Posto de Puericultura "Barão de Iguape" foi construído em 1950, com recursos repassados pelo Governo Federal, em terreno municipal. Fazia parte de um programa de atendimento à maternidade chamado “Gota de Leite”.
    De 1951 a 1955, foi dirigido pelo saudoso Dr. Luiz Gonzaga de Oliveira Gomes (1923-1996), pai do deputado federal Márcio França. Nesse prédio, funcionou depois, por muitos anos, a SUCEN – Superintendência de Controle de Endemias e, a partir de 2007, nele foi instalada a Promoção Social de Iguape.
    O Posto de Puericultura tinha, em 1955, um total de 2.840 crianças matriculadas e, em quatro ano e meio de funcionamento, havia realizado 19.623 consultas, sem contar mais de 900 matrículas de Higiene Pré-Natal. Em 1955, o Dr. Luiz Gonzaga afastou-se do Posto de Puericultura para assumir o P.A.M.S. – Posto de Assistência Médico Sanitária, sendo substituído pelo Dr. Jayme Leone. O P.A.M.S. englobava serviços de clínica geral e de profilaxia das doenças, com atendimento ambulatorial e exames laboratoriais.

  • EEPG Prof. Eulálio de Arruda Mello

    EEPG Prof. Eulálio de Arruda Mello

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  • O primeiro Boi Tatá no Carnaval Iguapense

    O primeiro Boi Tatá no Carnaval Iguapense

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    O bloco do Boi Tatá, fenômeno que arrasta uma multidão de foliões nos seus desfiles do Carnaval Iguapense, foi criado em 1981, por Luiz Gonzaga Becherer, no quintal da casa de sua mãe, dona Adelaide Giglio Becherer(in Memorian), que ficava na esquinas das ruas Ana Cândida Sandoval Trigo e Rua Tenente Coronel Jeremias Muniz, no bairro da Vila Garcês. Essa idéia teve também a participação de amigos e das famílias Mâncio e Ramos Martins, que juntos puseram o Boi Tatá nas ruas. O local de onde ainda partem os desfiles do bloco foi chamado de Vila Xurupita, palavra copiada de uma revista em quadrinhos de nome Zé Carioca. A cabeça do Boi foi encontrada na estrada do Bairro do Momuna e por pouco não se transformou em tragédia. Isto porque dentro da carcaça estava escondida uma cobra jararaca pronta para dar o bote!Os olhos do Boi Tatá(as lâmpadas vermelhas que piscavam) foram confeccionadas por Sales Camargo. Naquele ano, e nos anos seguintes, o bloco saiu desfilando pelo bairro e centro da cidade, fazendo uma parada em frente ao Bar Pingüim, que ficava na esquina do Largo da Basílica com a Rua 9 de julho para que o seu proprietário, Sr.Ambrósio Simões( in memoriam), considerado padrinho do Boi Tatá, estourasse uma champanhe. Naquele momento, o Boi era amarrado ao poste de luz e o sr.José Fernando de Oliveira, com seu trompete, executava a música Virgem de Macarena, em seguida, o sr.Ambrósio fechava seu estabelecimento, procediam as brincadeiras cerimoniais e, por último, efetuava o batismo do Boi, quebrando a garrafa na cara do animal. Nos primeiros desfiles do bloco,que saía domingo e terça-feira de carnaval, eram acompanhados por amigos e seus familiares, que carregavam e distribuíam balas às crianças. Hoje,chegam a mais de 2.000 foliões que brincam com o bloco. De Acordo com a organização dos festejos carnavalescos de Iguape, o bloco do Boi Tatá sai de madrugada, findando com ele os desfiles daquele dia. O Boi Tatá tornou-se tradição do Carnaval de Iguape. Dizem os foliões : " Sem o Boi não brinco o Carnaval!".

  • Sítio Arqueológico "Caverna do Ódio"

    Sítio Arqueológico "Caverna do Ódio"

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    Está localizado no sopé do Morro do Espia, seu nome surgiu a partir de lendas locais, em que essa caverna era onde se castigavam os escravos, porém apesar dos estudos realizados não se encontrou nenhuma evidência desta história. O local também serviu de passagem para os povos nômades há milhares de anos. Até hoje encontram-se vestígios de ações destes grupos indígenas, representados através da estratigrafia que mostra a sobreposição de camadas correspondentes às diversas ocupações humanas, com a presença de manchas de carvão das fogueiras, sambaquis com até 5.000 anos, restos ósseos de peixes e de pequenos animais, e carapaças de moluscos e crustáceos.

  • "Apontamentos relativos a Aleixo Garcia"

    "Apontamentos relativos a Aleixo Garcia"

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    Transcrito do original:

    "Apontamentos relativos a Aleixo Garcia

    Este homem audaz, que appareceu como um meteoro, passando através da montanhas e dos rios que interceptavam sua viagem da costa do Brasil aos confins do Imperio dos Incas, desappareceu da mesma forma, deixando um nome que não dove ser olvidado pelos historiadores brasileiros. Ainda que alguns historiadores ponham duvida sobre a veracidade da viagem de Aleixo Garcia, comtudo, esmiuçando o que os outros nos revelam a seu respeito, não podemos deixar de concluir que sua viagem foi veridica e uma das mais arrojadas do século dezesseis.
    Partindo da costa do Brasil seis europeus e grande numero de indigenas, para se internarem nos bosques sombrios de um paiz povoado por selvagens, era preciso que o chefe de semelhante expedição fosse de um temperamento ardente e dotado de coragem inquebrantavel.
    Fabulosas ou veridicas, as noticias transmittidas dessa viagem e dos resultados obtidos, serviam de incentivo a outros destemidos exploradores do mesmo seculo, excitando as ambições delles, e estimulando-os a penetrarem na vasta região desconhecida do continente sul-americano em procura das immensas riquezas que se contava existirem no poder dos indigenas.
    Como procurei demonstrar nos Subsídios para a historia de Iguape, a partida de Aleixo Garcia do porto de São Vicente no anno de 1524 a mandado de Martim Affonso de Sousa, deve ser considerada apocrypha, porquanto nâo podia elle ter sido mandado em exploração pelo dito Martim Affonso de Sousa que sómente no anuo de 1531 chegou á costa do Brasil.
    Por tudo quanto diz a historia, devemos inferir que no anno de 1524 os únicos europeus existentes em São Vicente ou seus arredores eram os celebres João Ramalho e Antonio Rodrigues.
    Nesta época, nas proximidades de Iguape, existia o bacharel portuguê que foi desterrado no anno de 1501, (e que tudo nos leva a crêr que se chamava Cosme Fernandes) em companhia de Francisco de Chaves e mais alguns castelhanos, não podendo duvidar que estes castelhanos fossem os homens perdidos, da fróta commandada por Juan Dias de Solis que navegava nesta costa no anno de 1508".


    YOUNG, Ernesto Guilherme, "Apontamentos relativos a Aleixo Garcia", Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, vol. XII, pp. 217-228, 1908.

  • "Municipio de Iguape – estudo scientifico"

    "Municipio de Iguape – estudo scientifico"

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    Publicação completa!

    Transcrito do original:

    "MUNICIPIO DE IGUAPE
    ESTUDO SCIENTIFICO
    por
    M. Pio Corrêa


    Dentre os municípios do Estado de S. Paulo, é o de Iguape um dos mais vastos em território, um dos mais ricos em matérias extractivas próprias para impulsionar muitas e rendosas industrias e um dos mais interessantes para o homem de sciencia, seja qual fôr o seu ramo predilecto. A fauna é muito bem represfntada (designadamente os simiae, cheiropteros e ferse, e, sobretudo, por aves de rapina, trepadores, incessores, pernaltas e aves aquáticas); a flora, pela situação geographico-botanica da zona (Dryades), offerece nos seus bosques montano-nemorosos largo campo para estudo de dois dos mais importantes typos de vegetação brasileira; a constituição geológica, interessantissima ao primeiro golpe de vista, é promissora do larga contribuição scientifica e de consideráveis riquezas mineraes, decerto oecultas naquellas rochas massiças e crystalinas, montanhas graníticas sublevadas pelo melaphyr-basalto. O município de Iguape, como toda a zona banhada pelo rio Ribeira (zona esta tão grande como o Estado de Massachusetts, da America do Norte), tem sido visitado, á excepção das bacias do Juquiá e S. Lourenço, por homens notáveis no mundo scientifico, que, sem espalhafatos, hão augmentado os conhecimentos das sciencias naturaes e enriquecido as collecções dos museus do velho mundo, de modo que podemos affírmar que quem quizer informaçõos positivas, posto que incompletas, sobre a zona iguapense, deve ir procural-as nos institutos scientificos da Austria-Hungria e da Allemanha".


    Pio Corrêa, M. "Municipio de Iguape – estudo scientifico", Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, vol. XI, pp. 117-154, 1906.