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Aprendizado agrícola “Dr. Bernardino de Campos”

Created on Thursday, 13. August 2009.

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Em agosto de 1901 que o Governo do Estado resolveu organizar um Campo de Experiências em Iguape, num terreno doado pela Câmara, localizado ao pé do Morro da Espia, a cuja administração incumbiu o Dr. Lourenço Granato. Dois anos depois, em 1903, o Governo ali criou o Aprendizado Agrícola “Dr. Bernardino de Campos”, anexo ao Campo de Experiências. Como diretor desse aprendizado ficou o Dr. Lourenço Granato, que também lecionava no curso, ao lado do Dr. João Carlos Grenhalgh, engenheiro-chefe da Comissão de Discriminação de Terras da Comarca de Iguape; Ernesto Guilherme Young, historiador e engenheiro; além de outros professores. O engenheiro-agrônomo Granato, natural de Vercelli, Itália, chegou em Iguape no dia 18 de novembro de 1900, a bordo do vapor "Alexandria", nomeado inspetor agrícola do Sexto Distrito, cuja sede era em Iguape e compreendia os municípios de Itanhaém, Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela, Santos e São Vicente, em substituição ao Dr. João Pedro Cardoso. Granato escreveu vários livros científicos, utilizados no curso de técnico em agricultura ministrado no Aprendizado, que era uma preparação para quem desejasse estudar na concorrida Escola Agrícola “Luiz de Queirós”, em Piracicaba, que mantinha o melhor curso de Agronomia do País. Granato desenvolveu, no Aprendizado, importantes pesquisas sobre o arroz de Iguape, além de ter publicado diversos artigos na imprensa local. Entre seus livros, destacam-se: "A Lavoura do Arroz em Iguape" (1902), "O Arroz de Iguape" (1910), "Noções de Meteorologia e Climatologia Agrícola" (1913), "O Arroz" (1914), "As Moléstias dos Animais -- Manual do Veterinário Prático" (1913), entre outros. Em 1905, matricularam-se 16 alunos no Aprendizado Agrícola, sendo que 9 concluiram seus cursos. Em 1910, estavam matriculados 15 alunos, sendo 11 no primeiro ano e 4 no segundo. Em 1911, o número de alunos também era de 15 alunos. No ano de 1906, o Dr. Carlos Botelho, secretário da Agricultura, concedeu bolsas de estudo aos alunos do Aprendizado Agrícola, Germano Alves de Oliveira e Francisco Cassiano Nunes. Nessa escola, estudaram, ainda, Narciso de Medeiros (que, depois, formou-se em Agronomia em Piracicaba, e hoje é o patrono da Escola Agrícola de Iguape) e Aurélio Fortes (que durante muitos anos advogou no Fórum local), além de Júlio de Aquino Aguiar, entre outros. Posteriormente, o Dr. Lourenço Granato foi removido para Campinas, onde, já em 1907, era diretor do conceituado Instituto Agronômico daquela cidade. O Aprendizado Agrícola funcionou regularmente até a I Guerra Mundial, sendo então desativado por volta de 1914, quando faleceu seu diretor, Ernesto Young. Durante muitos anos, o local ficou abandonado, até que, em 1943, o Ministério da Agricultura criou em Iguape o Posto Agropecuário, com o objetivo de prestar assistência aos agricultores iguapenses e incrementar a produção de sementes. Esse posto, sob a direção do engenheiro-agrônomo Dr. Heitor Cordeiro, funcionou ininterruptamente até 1960, quando foi desativado.

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