Skip navigation.

Blog do Robinson Damasceno

Idéias, Crônicas e Pensamentos para um País Eternamente em Crise

ARBROMEES, O PADRE DO DEMÔNIO



[ATTACH=http://files.myopera.com/robinsondamasceno/blog/Mons[1]._Senhor_Jos%C3%A9_Lopes_1.JPG]Mons[1]._Senhor_José_Lopes_1.JPGEscrevi esta história em uma tarde cinzenta de 1998. E assim que lhe dei o ponto final, toca o telefone. Uma querida amiga, aos prantos, me contava que nosso amado Marcos Noronha, ex-bispo de Itabira, havia morrido. Entendi que essa fábula tinha, portanto tudo a ver com Marcos, sua alegria, sua vontade de ver a Igreja trabalhando com felicidade e amor junto aos mais pobres. Ao grande Dom Marcos, um cara que amava Itabira, a vida e os amigos...

A TRAVESSIA DO DEMÔNIO - Primeira parte


Sábados, entre seis e oito da noite. Aos poucos, as pessoas iam chegando, silenciosas e ressabiadas: velhos, mulheres, crianças, algumas ainda de colo, com suas roupas simples e olhos assustados e se juntavam à beira do córrego, junto a uma precária cerca de bambu e arame farpado.
Também aos poucos, um ou dois de cada vez, iam atravessando, com bastante cuidado para não chapinhar nas águas barrentas e rápidas e cujas pedras, cheias de limo, eram traiçoeiras e escorregadias .
Mesmo assim, apesar de toda a precaução, era praticamente inevitável que logo aparecessem do nada, como se demônios fossem, alguns cachorros pulguentos e repulsivos, com seus insistentes latidos e que, logo em seguida, as luzes bruxuleantes de velhos postes de madeira se acendessem, apavorando a todos.
Os que conseguissem chegar do outro lado, se davam por felizes; os que ficavam podiam contar com um Domingo terrível- mais um- em suas vidas miseráveis.
Aquela era a famosa Travessia do Diabo e quem passou por ela jamais esquecerá aqueles momentos de verdadeiro pavor e pânico...




Sábados, entre seis e oito da noite. Aos poucos, as pessoas iam chegando, silenciosas e ressabiadas: velhos, mulheres, crianças, algumas ainda de colo, com suas roupas simples e olhos assustados e se juntavam à beira do córrego, junto a uma precária cerca de bambu e arame farpado.
Também aos poucos, um ou dois de cada vez, iam atravessando, com bastante cuidado para não chapinhar nas águas barrentas e rápidas e cujas pedras, cheias de limo, eram traiçoeiras e escorregadias .
Mesmo assim, apesar de toda a precaução, era praticamente inevitável que logo aparecessem do nada, como se demônios fossem, alguns cachorros pulguentos e repulsivos, com seus insistentes latidos e que, logo em seguida, as luzes bruxuleantes de velhos postes de madeira se acendessem, apavorando a todos.
Os que conseguissem chegar do outro lado, se davam por felizes; os que ficavam podiam contar com um Domingo terrível- mais um- em suas vidas miseráveis.
Aquela era a famosa Travessia do Diabo e quem passou por ela jamais esquecerá aqueles momentos de verdadeiro pavor e pânico...


Assim eram os sábados à noite para muitos dos fiéis da paróquia da velha e decadente cidadezinha de Cavalgadura do Oeste, que tentavam desesperadamente fugir da fúria apocalíptica de Monsenhor Arbromedes e escapar para o outro lado do córrego Vade Retro, onde os esperaria a fala esperançosa e alegre do padre Leo, da paróquia de Cavalgadura do Leste.
Monsenhor Arbromedes: bastava a evocação de seu nome para provocar arrepios de medo e asco em quase todos os seus paroquianos. Ele era daqueles velhos padres que acreditavam que a melhor cura para a remissão dos pecados é a ameaça e a fúria.
Todos eram pecadores, em sua visão, e ele não conseguia entender como Deus podia aceitar material espiritual assim tão reles no paraíso. Para ele, o Inferno, com todas as suas torturas e horrores era a prova mais cabal da Justiça Divina e o Céu, se é que o havia, era para poucos, pouquíssimos, talvez ele mesmo, sua falecida e santa mãe, quiçá dois ou três papas. E só. O céu de Arbromedes era, antes de tudo, um lugar muito solitário e profundamente chato.
Para ele, a eterna luta entre o Bem e o Mal seria resolvida ali mesmo, em Cavalgadura do Oeste. E já, e de preferência, na marra,a ferro e fogo.
E em sua visão apocalíptica, o minúsculo riacho Vade Retro, com seu metro e meio de largura e dois palmos de fundura era o verdadeiro Armageddon, era a Geena onde os uivos dos danados enlouqueciam os puros.
Como se não bastasse tamanha desgraça, Monsenhor era também prefeito, mesmo suas sucessivas eleições sendo sempre postas em xeque, por fraudulentas. E quando não era ele o prefeito de direito, o era de fato, com suas beatas de plantão ocupando o cargo para ele por razões legais, apenas.
Suas missas eram tudo, menos consoladoras. Seus berros diabólicos ecoavam pela nave da igreja, ressoando como fantasmas amaldiçoados. Os sermões provocaram, mais de uma vez, choros convulsivos nos mais simples. Seus batismos, no mínimo , traumatizantes.
Houve até o caso em que ele, não contente em aspergir água na cara do pobre recém nascido, resolveu mergulhá-lo por inteiro na pia benta e a criança quase se afogou. Monsenhor Arbromedes resolveu a questão dando-lhe vigorosos tapões nas costas, para horror e desespero dos pais.
Os casamentos, então...Entre outras barbaridades, ele freqüentemente dizia aos nubentes – dizia, não: berrava – que ele bem sabia o que seria feito daqueles votos ali proferidos. Seriam todos jogados no lixo! Amor na saúde e na doença? Na pobreza e na riqueza??? Fazes-me rir! Pois sim! Fidelidade? Há há há!
Eles, noivos e noivas, que esperassem: em breve a paixão seria substituída pelo tédio, este pelo ódio, ou pela indiferença e pelo desprezo, estes sim os verdadeiros elos que uniam um homem a uma mulher.
A única função do casamento, vituperava, era a de aumentar o rebanho de Deus...mas nem isto funcionava, pois os bebês, assim que cresciam, vendiam suas almas miseráveis ao Demônio.



Suas missas eram tudo, menos consoladoras. Seus berros diabólicos ecoavam pela nave da igreja, ressoando como fantasmas amaldiçoados. Os sermões provocaram, mais de uma vez, choros convulsivos nos mais simples. Seus batismos, no mínimo , traumatizantes.
Houve até o caso em que ele, não contente em aspergir água na cara do pobre recém nascido, resolveu mergulhá-lo por inteiro na pia benta e a criança quase se afogou. Monsenhor Arbromedes resolveu a questão dando-lhe vigorosos tapões nas costas, para horror e desespero dos pais.
Os casamentos, então...Entre outras barbaridades, ele freqüentemente dizia aos nubentes – dizia, não: berrava – que ele bem sabia o que seria feito daqueles votos ali proferidos. Seriam todos jogados no lixo! Amor na saúde e na doença? Na pobreza e na riqueza??? Fazes-me rir! Pois sim! Fidelidade? Há há há!
Eles, noivos e noivas, que esperassem: em breve a paixão seria substituída pelo tédio, este pelo ódio, ou pela indiferença e pelo desprezo, estes sim os verdadeiros elos que uniam um homem a uma mulher.
A única função do casamento, vituperava, era a de aumentar o rebanho de Deus...mas nem isto funcionava, pois os bebês, assim que cresciam, vendiam suas almas miseráveis ao Demônio.








Além do mais, não permitia que os noivos se beijassem após a cerimônia, expulsando-os da igreja caso insistissem: essas sem vergonhices, dizia, que fossem feitas longe dos santificados olhos do Senhor- e dele, por suposto. Chegou ao cúmulo de, certa vez, sugerir ao pobre noivo, como quem nada quer, que observasse muito bem o lençol nupcial, após a Lua de Mel, lançando assim suspeitas sobre a virgindade da noiva.
Virgindade a qual ele, o Monsenhor, bem sabia já ter sido gasta em outra ocasião...e com ele mesmo, aquele sátiro embatinado, como sabiam bem todos os presentes, incluindo o noivo... ( FIM DA PRIMEIRA PARTE)


A TRAVESSIA DO DEMÔNIO- Parte Dois



Não admira que os fiéis começassem a lançar um olho comprido em direção ao leste, onde, logo depois do córrego Vade Retro (nome, aliás, dado por Arbromedes) a igrejinha comandada pelo padre Leo estava sempre iluminada, com freqüentes quermesses musicais, festas de São João e onde se podia ver os fiéis, após as missas, saindo sorridentes e se cumprimentando calorosamente.
Aquele ambiente festivo e leve em nada fazia lembrar os horrores do lado de cá, com pessoas trêmulas e cabisbaixas se arrastando de volta para suas casas após serem espancadas moralmente missa após missa.

O movimento de escape, como é habitual, começou solitário.
Em um Sábado à noite, um jovem vaqueiro temente a Deus, chamado Josué Pio, que não agüentava mais as diatribes de Arbromedes, guardou seu gado e atravessou a cerca, sendo recebido festivamente do outro lado por alguns cidadãos. Hospedado na casa do próprio padre, Josué não acreditava no que via e ouvia. Meu Deus, que diferença!
Após a missa dominical, cheia de cantos, palmas e brincadeiras, com a comunhão dada e recebida com alegria, Josué almoçou com alguns dos moradores de Leste e, a contragosto, voltou a atravessar o Vade Retro.
À noitinha, na birosca de Zé Cabrito, entretanto, depois de algumas cervejas (tomadas clandestinamente, é claro), contou as maravilhas para os demais e logo a notícia se espalhou.
E assim o que era apenas boato e rumor tornou-se verdade e desejo.



















Já no Domingo seguinte, Arbromedes teve que arquear as sobrancelhas, perplexo, ao fazer a contagem de seu rebanho: nada menos que três dos trinta e dois bancos da igreja estavam vazios .Onde estariam aquelas desgraçadas ovelhas, meu Deus?!?!
Seu sermão, contam os historiadores, foi uma tempestade de raios, trovões e maldições. Os presentes tremiam sob o peso das maldições do monsenhor que, não contente, excomungou os ausentes à revelia e “in limine”, caso comprovasse que não possuíam razões aceitáveis, tais como estar mortos, para poder faltar à santa missa.
De nada adiantou, pois os rebeldes, assim que voltavam do Leste contavam maravilhas , não só sobre a missa e o padre, mas também sobre a vida da vizinha comunidade, muito mais livre e tranqüila, isto sem contar com a alegria espontânea do povo, tão pobre quanto o de Cavalgadura do Oeste, mas muitíssimo mais feliz.
Em sua lúgubre casa paroquial, de janelas eternamente fechadas e onde só eram admitidas algumas beatas caquéticas e que destilavam ódio contra a permissividade do mundo, Monsenhor Arbromedes era a fúria e a inveja encarnadas, pois a cada domingo, mais e mais fiéis debandavam e alguns já haviam mesmo se estabelecido na outra banda do córrego, com pequenos sítios e comércios variados, estimulados pela prefeitura local.
Perder os fiéis era terrível, sem dúvida...mas os impostos, além dos dízimos?!? Isto, definitivamente, era insuportável.



Daí surgiu a idéia de armar um cerco contra os que tentavam escapar à sua terrível vigilância, mesmo porque, sob a influência do que viam e ouviam do lado de lá, alguns, em especial os mais jovens já começavam a surgir com algumas idéias perturbadoras, como a de promover festas, tocar violão e - pasmem! - até mesmo passear de mãos dadas na pracinha sem pedir consentimento aos pais ou a ele, aqueles insolentes!
Monsenhor recrutou seu exército de beatas e, na surdina , pela madrugada, reforçou as fronteiras, com mais arame farpado, comprado com o dinheiro do dízimo, além da instalação de dois ou três postes de luz.
Pena que a verba deu para instalar neles apenas lâmpadas de vinte velas, já que boa parte do tesouro da igreja e do município estava alhures, empregado nas fazendas da família Arbromedes, mas, em todo o caso, era melhor que a escuridão total, que estimulava e facilitava as fugas.
Somou-se a essas providências a colocação de todos os cães sem dono da cidade amarrados a postes de bambu, com longas correntes e precariamente alimentados para que fossem facilmente tomados pela fúria.
Monsenhor esfregava as mãos: a situação estava sob controle!

O efeito, entretanto, foi contrário. O que era a fuga de alguns passou a ser um êxodo total. Aquelas ovelhas, até então sem vontade e força, sentiram que Arbromedes praticamente as obrigava a tomar algum tipo de atitude.
Arbromedes vituperava, fora de si. Dizia que tudo isso era obra de Satanás e dos comunistas, o que, a seu ver, dava no mesmo. Para ele tanto fazia que o comunismo já estivesse quase moribundo: era mais uma arma do demônio para distrair os cristãos e levá-los ao calabouço eterno.
Enquanto isto...
Divertidos, alguns anjos caipiras observavam aquela curiosa guerra fria entre as Cavalgaduras, torcendo discretamente, mas nem tanto, pela vitória de Padre Leo, o que era na verdade a vitória da tolerância. ( Fim da Segunda Parte )



















A TRAVESSIA DO DEMÔNIO- Terceira e Última Parte


Monsenhor Arbromedes, a cada dia mais furibundo e desgrenhado, já quase não ficava em sua casa mal assombrada. Passava a maior parte do tempo junto à cerca, em vigília, atiçando os cães cada vez mais esquálidos e horrendos. Suas olheiras paquidérmicas e a batina que começava a sobrar sobre seu corpo demonstravam que já não comia ou dormia também.
Suas missas, aliás, seus berros dominicais, eram agora assistidos apenas pela velha prefeita, sua tia avó e pelas beatas, que na verdade aproveitavam o tempo para fazer tricô e crochê e pelos cachorros vira-latas do monsenhor. Estes, que talvez preferissem a sorte dos seus irmãos, vigias da cerca, longe de entender o precário Latim do monsenhor, dormitavam.


Arbromedes chegou à conclusão de que era uma situação de guerra e que ele a estava perdendo. Ameaças e repressão de nada tinham valido.
Pelo contrário: a cada vez que aumentava o arame farpado, os rebeldes descobriam maneiras de arrebentá-lo ou descobriam outros pontos por onde escapar. Os cães, esfaimados e deprimidos, eram liberados pelos fugitivos e era possível vê-los, gordos e luzidios, a abanar os rabos em solerte desafio do outro lado.
Agora, até mesmo a prefeita, aquela judas caroca e ingrata, já freqüentava o lado de lá e, pior que isto, circulavam rumores, cada vez mais consistentes, de que tramava junto a seu rival e colega do Leste uma possível fusão das duas cidades, erguendo para tanto uma ponte para que, em seguida, talvez, as cidades se tornassem uma só, com a paróquia de Arbromedes sendo absorvida pela de Padre Leo.
Aquilo o adoecia. O enlouquecia ainda mais. E fazia com que tivesse delírios cada vez mais perigosos.
Deve ter sido nessa ocasião que ele teve a visita inspiradora de um senhor de capa preta e cartola, que o abordou à porta da igreja querendo conversar, desde que não fosse no interior do templo. Monsenhor teve um calafrio, mas aceitou.
O cavalheiro tinha uma proposta. Já que se tratava de uma guerra, que fosse assim tratada. Monsenhor não tinha uma velha espingarda de caçar passarinhos em seu armário ? Pois então ! Que se postasse no próximo Sábado, escondido atrás do bambuzal e, assim que surgissem os primeiros rebeldes fujões, fogo neles!
Seria – dizia, com voz suave o visitante – literalmente tiro e queda. Morto ou ferido o primeiro, os demais debandariam como galinhas assustadas.
Fosse qual fosse o motivo, a loucura, o desespero, a inveja, Monsenhor não viu nada demais na proposta do estranho e se dispôs a fazê-lo. E não foi só: estranhamente fascinado com seu interlocutor, chegou a convidá-lo a participar da primeira ação de guerra, mas ele declinou, alegando que preferia apenas sugerir ao invés de tomar parte ativa do plano.
E, enquanto Monsenhor se virou para espantar um de seus cães que teimava em lhe cheirar a batina, o estranho desapareceu.
Nem isto Arbromedes, louco que estava, achou estranho e, no Sábado, com a cara pintada de carvão e acompanhado dos cães e de algumas das beatas, armadas de facas de cozinha e tesouras, escondeu-se atrás do bambuzal, à espera daqueles revolucionários, daqueles carbonários, como ele os chamava quando estava com o humor razoável, o que era cada vez mais raro.
Enquanto isto...
Os anjinhos caipiras, que até então assistiam tudo, como quem assiste uma novela de tevê decidiram que a situação havia definitivamente passado dos limites e, em grupo, resolveram descer para solucionar o impasse.
Usando daqueles truques que os anjos sabem tão bem usar, disfarçaram-se de moradores locais e se dirigiram para a cerca, onde foram recebidos à bala. Evidentemente, nada lhes podia acontecer, anjos que eram e, um deles, o mais brincalhão, resolveu tomar emprestadas algumas palavras célebres e bem conhecidas do monsenhor e lhe disse:
“Arbromedes, Arbromedes...por quê me persegues?”
Foi uma correria desenfreada: Monsenhor, com a batina esvoaçando, beatas aos gritos, cachorros ganindo. E os anjos, em gargalhadas, comentaram que até uma rima haviam feito.
Tempos depois, a ponte foi construída, em regime de mutirão e, em plebiscito, o povo das duas Cavalgaduras decidiu se unir. Monsenhor Arbromedes foi aposentado pelo bispo e dedica-se, até hoje, no sanatório onde foi internado, a escrever suas memórias que, obviamente, ninguém jamais lerá.
As beatas? As beatas agora adoram padre Leo e, se não me falha a memória, hoje é dia de quermesse em Nova Cavalgadura, a nova e hospitaleira cidadezinha cortada pelo Riacho da Paz. Não percam. Vale a pena. A farra é da melhor qualidade.





























ALGUMAS COISAS SOBRE JOSÉ APARECIDO DE OLIVEIRA

ALGUMAS COISAS SOBRE JOSÉ APARECIDO

Robinson Damasceno dos Reis

Esta história, como todas, tem um começo, meio e, infelizmente, um final. Mas vou tentar contar aos pouquinhos, mesmo porquê o Zé não cabe em um artigo.
Março de 2002. Zé me chama ao Rio para um final de semana. Entre visitas e mais visitas, além de uma entrevista, da qual acabei participando, fui ficando intrigado: afinal, o que queria meu primo e amigo? Do nada e de repente, ele me veio com a pergunta fatal: se Itamar não se candidatar à reeleição, quem você acha que seria o melhor candidato ao governo de Minas?
Não pestanejei e respondi que Aécio Neves tinha tudo para ganhar em primeiro turno. E o Zé, concordando, perguntou-me o porquê de minha convicção, o que fiz com muito prazer. Ele se levantou, foi ao telefone e da sala eu o ouvi conversando com o governador Itamar: o nome é o de Aécio.
De volta, ele ainda me perguntou quem seria o próximo presidente e, também sem pestanejar, respondi que não seria do PSDB e muito provavelmente, Lula seria o eleito.
Almoçamos e depois fomos nos encontrar com uma grande turma, na qual pontificava o Millor. Uma tarde divertida, ainda que chuvosa. E eu já sabia o que deveria fazer. Publiquei um artigo longo, intitulado “Itamar e Aécio” e várias cartas aos jornais. O resto é História.
Zé era meu primo em segundo grau. Seu pai, Tio Coronel, era irmão de minha avó, ambos de Itambé do Matto Dentro e ao longo de minha vida sempre foi visto como uma espécie de herói, já que ainda muito cedo, despontou para a política. Mas só vim mesmo a conhecê-lo a bordo de um avião, daqui para o Rio.
Mas depois, já em 1982, na última eleição que ele disputou, participei ativamente, juntamente com a de Tancredo, a bordo de um caquético fusquinha.
Eleitos ambos, fui nomeado para a Imprensa Oficial e quando o Zé criou a Secretaria de Cultura, levou-me para lá, como diretor de promoção cultural.
Éramos amigos telefônicos, mas nos últimos meses, tomado pela depressão causada pela doença que o afligia, ele não queria mais conversar. Ajudei, na medida do possível, na eleição do Zé Fernando como deputado federal.
E paro por aqui, ainda emocionado com a morte de um homem a quem a História fará justiça, pelo bem que dedicou aos outros, a seu país e a Minas. E se já faltavam homens de caráter e ética, não há dúvidas: ficamos ainda mais pobres.

A MORTE DE UM GRANDE ANIGO, MEU MENTOR E PROFESSOR


Morre ex-ministro José Aparecido de Oliveira


O ex-governador de Brasília e ex-ministro da Cultura, José Aparecido de Oliveira, 78 anos, faleceu ontem, às 18 horas, no Hospital Madre Tereza, em Belo Horizonte, de insuficiência respiratória. O velório, por sugestão do governador Aécio Neves, está sendo realizado no Palácio da Liberdade desde às 22 horas de ontem. O sepultamento será hoje, às 17 horas, no cemitério municipal de Conceição do Mato Dentro, no mesmo túmulo onde foram sepultados os seus pais, Modesto Justino de Oliveira e Aracy de Oliveira.
O embaixador estava internado no Hospital Madre Teresa desde o dia 1º de outubro. Na última semana, José Aparecido passou uma cirurgia para retirar o pulmão esquerdo, por causa de um câncer. Porém, após a operação, o estado clínico se agravou por causa de uma pneumonia aguda. Submetido aos medicamentos, o ex-embaixador não resistiu ao processo de infecção.
O ex-presidente Itamar Franco lamentou ontem a morte do ex-embaixador José Aparecido de Oliveira. Ele disse que Minas e o Brasil perdem um homem que tinha um «amor acendrado» pela pátria. «É com tristeza hoje (que recebi a notícia). Eu tive a felicidade de, por mais de 30 anos, contar com sua amizade», afirmou ao HOJE EM DIA. Itamar disse que a vida permitiu que José Aparecido fosse nomeado embaixador em Portugal e também foi indicado, por decreto, como ministro das Relações Exteriores. «Porém, ele não assumiu, porque ficou doente. Ele estava sendo preparado para ser o candidato a presidente da República».
Itamar ressaltou que o ex-embaixador prestou «excelentes serviços» a Minas e ao país em todas as funções que ocupou. «Ele viveu momentos decisivos da vida contemporânea política do país e só fez amigos. Com tristeza, perdemos um amigo excepcional».
O presidente da Cemig, Djalma Morais, disse que o ex-embaixador representa uma personalidade de uma era muito rica onde a política era o vetor principal. «Ele foi uma pessoa atuante. Foi assessor de Jânio Quadros e mesmo fora do poder foi conselheiro de muitos políticos».
O secretário de Governo, Danilo de Castro, afirmou que Minas por muitos anos por meio de grandes nomes manteve não só a hegemonia política, mas participou das principais decisões em Minas e no Brasil. Danilo disse que o ex-embaixador foi uma das principais personalidades que participaram deste processo. O secretário ainda lembra: «Quando Aécio fechou a aliança, no final de maio princípio de junho de 2002, foi no apartamento do José Aparecido, na avenida Atlântica, no Rio de Janeiro, a uma hora da manhã».
Primeiro secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, entre 1983 e 1985, primeiro ministro da Cultura do Brasil e um dos fundadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, José Aparecido recebeu ontem as homenagens da atual secretária de Cultura Eleonora Santa Rosa. «Trata-se de uma perda sem precedências».
O senador Eliseu Resende, presidente do Diretório Estadual do DEM, declarou: «Considero José Aparecido de Oliveira um dos maiores homens da história política de Minas. Ele participou de todos os movimentos importantes que o estado desenvolveu e teve uma carreira política brilhante».
O ex-governador Francelino Pereira disse que «Minas e o Brasil perdem uma das figuras mais exponenciais no plano da vida pública, no convívio familiar e na preservação de amigos. O seu velório, no Palácio da Liberdade, o mais belo palácio de governo do Brasil, representa a sua identidade com os sentimentos de Minas e do país».
O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), afirmou que a política brasileira perde com a morte de José Aparecido de Oliveira um dos «melhores homens públicos que Minas deu ao país». Pimentel disse que o ex-embaixador vai deixar uma lacuna difícil de ser preenchida. «Com seu espírito conciliador, democrata convicto, José Aparecido sintetizou como poucos o jeito mineiro de fazer política. Além disso, sua contribuição para a cultura foi inestimável», afirmou por meio de nota divulgada por sua assessoria. O prefeito lembrou que José Aparecido fundou a Secretaria de Cultura do Estado e foi o primeiro ministro da Cultura do Brasil. «Vai deixar uma lacuna difícil de ser preenchida. Minha solidariedade à Dona Leonor e aos filhos Maria Cecília e José Fernando».
O presidente da Assembléia Legislativa, deputado estadual Alberto Pinto Coelho (PP), afirmou ontem que Minas e o Brasil perdem um grande estadista com quem teve a oportunidade de conviver de perto. «É com grande pesar que Minas e o Brasil perdem o grande estadista José Aparecido de Oliveira, com quem tive a oportunidade de manter estreito relacionamento e convívio, podendo receber a rica experiência de seu permanente exemplo. Com orgulho, considero-me um de seus discípulos políticos. Tenho a certeza e a convicção de que seu filho, o deputado federal José Fernando Aparecido de Oliveira, dará continuidade à sua brilhante trajetória de homem público, que tanto engrandeceu Minas e o país».

De jornalista a embaixador

Político, ministro, embaixador e jornalista, José Aparecido de Oliveira nasceu em São Sebastião do Rio Preto, antigo distrito de Conceição do Mato Dentro, em 17 de fevereiro de 1929, tendo morado em diversas cidades mineiras, como Ouro Preto e Araxá. Radicalizado em Belo Horizonte, para continuar os estudos e trabalhar, dedicou-se ao Jornalismo, em princípio como redator da Rádio Inconfidência e, depois, sucessivamente, como repórter do «Estado de Minas», chefe de redação do «Diário do Comércio» e editor político do «Correio do Dia», esse último lançado pena UDN (União Democrática Nacional), no início dos anos 50, em oposição ao Governo de Juscelino Kubitschek. José Aparecido foi, ainda, redator da sucursal mineira do «Correio da Manhã».
Membro das diretorias da Associação Mineira de Imprensa e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, integrou, em 1953, a delegação brasileira ao 1º Congresso Mundial de Jornalistas, realizado em Santiago, no Chile. Posteriormente, foi presidente do «Diário de Minas», da revista Alterosa e da Editora Saga, do Rio de Janeiro.
Filiado à UDN desde a juventude, durante o Governo Milton Campos foi assessor do secretário de Agricultura, Indústria, Comércio e Trabalho, Américo Renné Giannetti. Chefiou, em seguida, o Gabinete do então prefeito de Belo Horizonte Celso Melo de Azevedo e, a convite de José de Magalhães Pinto, ocupou, mais tarde, o cargo de assistente de presidência no Banco Nacional de Minas Gerais.
Nas eleições de 1960, atuou como coordenador do movimento que levou Jânio Quadros à Presidência da República e José de Magalhães Pinto ao Governo de Minas Gerais. Foi secretário particular do presidente Jânio Quadros. Aparecido também foi o redator do relato oficial que notificou a renúncia de Jânio Quadros à Presidência.
De volta a Minas Gerais, ocupou os cargos de secretário da Agricultura, Indústria, Comércio e Trabalho e do Interior e Justiça, nos anos de 1962 e 1964, respectivamente. Eleito deputado federal (1963-1967) como um dos dez mais votados em Minas, licenciou-se a fim de ocupar a Secretaria de Estado do Governo, na gestão de José de Magalhães Pinto. Na Câmara, foi um dos articuladores do movimento de renovação da UDN, denominado Bossa Nova, que apoiava as propostas de reforma formuladas pelo presidente João Goulart.
José Aparecido teve seu mandato cassado nos dias seguintes ao movimento que derrubou João Goulart. Em 1979, após a anistia, elegeu-se deputado federal (1983 a 1987). Em janeiro de 1984, afastou-se da Câmara para assumir, por nomeação do governador Tancredo Neves, o primeiro cargo da Secretaria de Estado da Cultura e, em 1985, o Ministério da Cultura, este último escolhido pelo presidente eleito Tancredo Neves e confirmado pelo sucessor, José Sarney. Logo após, foi também prefeito do Distrito Federal até 1988.
Em fevereiro de 2000, assumiu o escritório de representação de Minas na Europa, com sede em Lisboa, como secretário de Estado de Assuntos Internacionais e de Cerimonial. José Aparecido também foi nomeado pelo então presidente Itamar Franco como embaixador do Brasil em Portugal.
O talento político, logo reconhecido e respeitado em todo o país, consagrou incontáveis amizades a José Aparecido. E a legenda do «amigo singular, o José de todos os amigos» - como escreveu José Eduardo Barbosa; «o melhor mineiro do mundo», segundo Ziraldo; e o «humanista», definido por Fernanda Montenegro.

Na foto, Zé e Tancredo, um mais raposa que o outro...





2007, O ANO DA ANTA

2007, UM ANO INÚTIL

Robinson Damasceno dos Reis

E assim caminhamos celeremente para o final deste ano. Em breve, teremos papais noéis, a tradicional correria rumo às férias, enfim, aquele parangolé habitual.
Entretanto, é forçoso reconhecer que, politicamente, este foi um ano, mais um, perdido. Repleto de escândalos, como já se tornou praxe, mas com o agravante Renan, que conseguiu com sua falta de pudor e imensa capacidade de mentir sem enrubescer paralisar por completo o Senado e, além disto, contaminar a Câmara. Quem de fato governo o Brasil foram os Supremos Tribunais, com um ainda tímido começo de reforma política na questão da fidelidade partidária.
Lula, este não tem jeito mesmo. Passou, até agora, 190 dias planando por aí, mascateando o biodiesel e entregando a presidência de fato à Ministra Dilma Roussef que, entrementes, foi picada, não pelo mosquito da dengue, mas pela mosca azul e já se imagina a próxima presidente.
O governo Lula, neste ano, desmentiu todos os seus propósitos e finalmente admitiu que as privatizações ( ou concessões, como preferem) não são nenhum monstro neoliberal debaixo da cama. Mas não conseguiu dar seguimento ao programa energético brasileiro, com este leilão das hidroelétricas do Madeira, que não saem nem a pau, com desculpas pelo trocadilho.
No que diz respeito às Forças Armadas, um fiasco. Temos hoje a 4ª Força Aérea do continente, encarregada de tomar conta do maior território do continente. A Marinha está nos portos, pois não tem combustível nem peças para navegar seus caquéticos navios. E o exército se ocupa em consertar estradas, já que não tem como treinar.
Falando em dengue, aquela que Lula atribuía a FHC, hoje é epidemia, com meio milhão de brasileiros infectados. Sem ter a quem culpar, o ministro Temporão joga a responsabilidade em quem? Ora, nos doentes e médicos, claro.
Claro está, também, que aqui só repetimos fatos. E é óbvio que os lulistas diriam que estou sendo regiamente pago para fazê-lo, já que no Google sou chamado, quando estão de bom humor, de “anta”.
Talvez seja mesmo. Já deveria ter ido embora para Itambé, mas aqui estou, masoquisticamente. Uma anta masoquista e em extinção.Só me resta pastar.

1808, O ANO QUE NÃO TERMINA NUNCA

BRASIL, DE 1808 A 2008


Robinson Damasceno dos Reis


Imagine você um país imenso, repleto de riquezas naturais, fauna exuberante, minerais à flor da terra, com a maior quantidade de água potável do mundo.
Agora, sempre na imaginação, coloque neste país uma administração caótica, uma burocracia incompreensível, corrupção por todos os lados, falta quase absoluta de infra estrutura, projetos que não saem do papel, uma corte de bajuladores e ladrões que roubam do erário à luz do dia.
Pois bem. Não precisa imaginar. Estamos falando mesmo é do Brasil em 1808, onde apenas 2,5% da população sabia ler, que importava como mercadoria 825.000 negros por ano,uma população ociosa e ignorante, que vivia dos ganhos dos escravos refestelada em redes, fugindo dos penicos cheios de excrementos que caiam das janelas e das pestes há muito extintas na Europa e até nos Estados Unidos.
Tudo isto e mais um pouco está no livro “1808” do repórter Laurentino Gomes que, a meu ver, tem o defeito de ser tão absorvente que o prazer da leitura de restringe a poucos dias ou horas.
Mas, ainda desprezando a imaginação, pode-se colocar tudo isto, incluindo a escravidão disfarçada no Brasil que se prepara para comemorar a vinda das cortes portuguesas há duzentos anos.
Temos um Congresso (que, aliás, deveria mesmo ser grafado como no já famoso carimbo, “congreço”), onde impera o vale tudo, desde um presidente do senado corrupto, corruptor, ladrão contumaz e produtor de vacas mitológicas e dossiês contra seus adversários, até um corregedor, Romeu Tuma, que ameaça criar uma CPI apenas para empregar seu filho em alto posto da Corte planaltina.
Temos um presidente que se comporta como um rei e que não tem a menor vergonha de se apropriar de obras alheias como se fossem de sua autoria e adultera a História para se tornar eterno, assim como seu analfabetismo e sua ignorância e arrogância.
Hoje, os pobres e miseráveis é que se comportam como a elite do século XIX, graças aos fabulosos cartõezinhos que lhes permitem um bilhar, uma pinga a mais e a desnecessidade de trabalhar, como nossos índios do século XVI.
Enfim, leiam o livro. Pode-se entender melhor o Brasil de hoje com o retrovisor focado em Dom João VI que, segundo Napoleão Bonaparte foi o único que conseguiu enganá-lo. Assim como Lula consegue enganar a tantos ao mesmo tempo.

MONTANDO O DICIONÁRIO DO LULISMO

MONTANDO O DICIONÁRIO DO LULISMO

Robinson Damasceno dos Reis


Que me desculpe o governador Arruda, de Brasília, que, em boa hora, proibiu o horroroso gerundismo do tele marketing, mas o caso aqui é excepcional, pois o Dicionário Aplicado do Lulismo é uma obra em aberto e em constante involução. É difícil acompanhar, em tempo real, os absurdismos ditos e repetidos pelo presidente diante de platéias normalmente embasbacadas com seus cartões esmola. Assim, ele se sente até compungido a falar asneiras que seriam imperdoáveis. Em minha casa, por exemplo, era imperdoável falar um mero “por causa que”, mas Lula segue com seu bestialógico, aparentemente impune. Está certo. Dizem que o Brasil é um país que fala em uma única língua, mas confesso que diante de certas matérias de tevê, especialmente as passadas nos grotões sinto falta de um “closed caption” para traduzir o que estão dizendo os sertanejos.
Lula, esperto como um diabo velho, aproveita-se disto e adapta sua fala aos dialetos correntes nos sertões. Mas, às vezes, revela-se apenas deslumbrado, mesmo depois de quase cinco anos de poder. Aquela história de chamar o avião presidencial de “Meu avião”, por exemplo, foi de um ridículo ofensivo. O avião não é dele: é do povo e mesmo depois que ele, Lula, se retirar para seu botequim favorito para contar lorotas e causos com reis, presidentes e rainhas continuará a pertencer à FAB, se não cair antes, é claro.
Talvez em decorrência desta lassidão com nossa antiga língua pátria surge agora esse carimbo, onde se lê “Congreço”, que seria uma piada não fosse trágico.
Como se não bastasse, parece-me que voltamos aos não saudosos tempos das aulas de OSPB (Organização Social e Política Brasileira) e da menos não saudosa Moral e Cívica dos tempos da ditadura, onde se apagavam informações não gratas aos militares e louvavam-se as realizações dos generais. Pois agora os livros escolhidos pelo MEC são laudatórios e louvam o PT. Até o natimorto Fome Zero é apresentado como o maior programa de distribuição de renda do mundo, em uma clara deformação do pensamento de nossos jovens e crianças.
Enfim, gerundando, a gente vai levando, como diria Tom Jobim. Aliás, poetas têm licença para inventar palavras e vocábulos. Presidentes têm que obedecer a regras e, principalmente, não confundir o público com o privado. Mas de Lula pedir tais coisas não será possível, infelizmente. Mas estaremos providenciando novos tempos em breve.

Afinal, o "mensalão mineiro"






É o assunto da hora, sem excluir outros, como o caso Renan, o zumbi de Brasília; especialmente em Minas, não se pode simplesmente ignorá-lo.

Os lulistas da Internet estão salivando sobre os teclados, enxergando nas vicissitudes do senador Azeredo uma tardia vingança contra o caso do mensalão, este sim, sem aspas, protagonizado por José Dirceu e seus 40... companheiros.

Acontece que, ao contrário dos paulistas, em Minas as coisas ocorrem de forma diferente. Há coincidências e pontos em comum, como por exemplo as nefandas presenças de Marcos Valério e do chantagista profissional Nilton Monteiro.

Só que, em Brasília, o esquema serviu para azeitar um governo em andamento, comprando votos e bancadas inteiras para votar com Lula, e aqui, sem maiores desculpas, houve o famoso caixa dois, aquele que Lula disse em Paris que "todo mundo faz".

Na verdade, quem está em pior situação, ao que parece, é o ministro Walfrido. Este, um matemático brilhante, sempre foi o homem dos números e das projeções estatísticas; tudo leva a crer que foi ele o cérebro por trás do esquema. Afinal, o senador Azeredo é conhecido, mesmo dentro do PSDB, como um homem com certa ingenuidade e naquela malfadada campanha, destinada ao fracasso mesmo antes de seu início, deixou tudo nas mãos de pessoas não muito confiáveis. Seu tesoureiro, por exemplo, já carregava a fama de certo relaxamento moral com relação às regras contábeis.

Porém, as diferenças são notáveis. O PT, por exemplo, saiu de forma histérica na defesa de seus acusados, com danças no plenário, manifestos de desagravo e até festas.

Que não se espere esse comportamento absurdo por parte dos tucanos, que vão defender os seus, mas com mais pudor e decência cívica.

O PT mineiro quer porque quer colocar Aécio entre os beneficiados. Não o conseguirá, evidentemente. Aliás, um partido que ousou fazer uma aliança com Newton Cardoso tem mais é que ficar na muda por um bom tempo.

No mais, fica difícil para quem escreve sobre política acompanhar o ritmo frenético da esculhambação em que se tornou o Brasil nos últimos anos. Aliás, nunca na história deste país... ah, deixa pra lá!

Jornalista

ONDE ESTÁ O RUSSO NESTA P* DE FILA, PÔ?!?

A fila para pegar o ferryboat de Montevidéu para Buenos Aires estava imensa e o calor, de rachar mamona, como se diz ou se dizia antigamente. Uma verdadeira torre de Babel, aquela fila. Ouvia-se de tudo um pouco: espanhol, é claro, mas também alemão, holandês, francês, japonês e até muito português.
À minha frente, um grupo de quatro pessoas conversava animadamente e identifiquei-os logo como russos, apesar de não falar mais que uns trinta vocábulos nessa língua. Mas a cultura dos filmes na velha sala Humberto Mauro, os livros de Dostoievski e os muitos filmes de espionagem deixam a gente familiarizado com os sufixos.
Súbito, um americano imenso, gordo, com um ridículo bonezinho, bermudas, tênis desamarrados e aquela cara sonsa de rei do universo vem se aproximando como quem nada quer, com sua mulher a tiracolo. Até aí, tudo bem.
Abrem-se os portões, afinal, com vinte minutos de atraso. A fila vai começar a andar e...eis que o bushão de bermudas tenta, subrepticiamente ( pelo menos para um homenzarrão daqueles) furar a ordem dos que esperavam há mais de quarenta minutos.
Eu, que conversava com o russo, vi-me surpreendido. Rápido como um raio, ele se vira para o hamburgão metido a besta e grita, com a autoridade de um marechal:
-Out! Out!
Surpresos, achamos ainda que era uma brincadeira, mas não: ele estava expulsando o imbecil e o mandava voltar para o final da fila. Alterado, ainda disse que não gostava de gente como aquela:
-Nesta fila, cara, tem gente com crianças no colo, tem velhos, porquê razão você acha que pode ir passando à frente? Fora,fora, fora!
Meus amigos, pagar aquela passagem havia custado uns 300 pesos, comer em Montevidéu e passear pela cidade mais uns 300, mas ver aquele imbecil recolher-se à sua enorme insignificância e humildemente ter que esperar que duzentas pessoas seguissem ordenadamente para o barco... Ah, não tem preço que pague.
Lavou a alma de todos nós, é claro. Mas me fez pensar. Acho que está faltando russo neste país. Precisamos, urgentemente, que alguns indignados gritem para estes furões, estes mensaleiros, esses pulhas que nos enganam a todo o momento que se retirem.
E tem que ser do jeito russo: aos berros, com autoridade moral, sem permitir réplicas. Zé Dirceu? Out! Lula e suas mentiras?Out, out, out!
Burocratas que humilham os velhos e aposentados? Out! Corruptos e corruptores de todas as laias? Out, out, out, fora!
Que se vayan todos, como se diz em Buenos Aires. E que nos deixem em paz, com nossa honestidade (que é apenas obrigação de cada um) e que vão lá para o final da fila. Out!

O MUNDO ENLOUQUECEU HÁ SÉCULOS. E NÓS TAMBÉM.

:lol: O mundo estará louco? Você, assim como eu, não está conseguindo acompanhar amarcha da insensatez?
Não se preocupe mais! O Mundo é este aí mesmo, desde que extinguimos os Neandertais e, daqui a pouco, a nós mesmos. Com vocês, Erasmus de Roterdam, que hoje seria consideradso um caretão:
"ELOGIO A LOUCURA
ERASMO, Desidério. Elogio da loucura. Traduzido por Maria Isabel Gonçalves Tomás. Ed. Europa-América; s/d.
DOWNS, Robert B. Obras básicas: Fundamentos do Pensamento Moderno. Traduzido por Hilda Pereto Soares Maciel e Maria Celina Deiró Hahn. Rio de Janeiro. Ed. Renes; 1969, p 15-17.
O Elogio da loucura, uma das sátiras mais brilhantes da história da literatura, foi escrito por Desidério Erasmo, humanista holandês, no curto espaço de sete dias, quando de uma visita a seu amigo Sir Thomas More, na Inglaterra. O próprio título latino da obra é um trocadilho com o nome de More (Moriae). Erasmo, O Voltaire do século XVI, dominou o ambiente intelectual de sua época; de toda sua volumosa obra, porém, apenas o Elogio da Loucura escapou à obscuridade e ao esquecimento. Um notável historiador americano, Preserved Smith, caracterizou o livro como um inteligente sermão, uma sátira honesta, uma brincadeira com um objetivo ético.
Erasmo já demonstra tom satírico ao explicar o motivo que o levou a escrever o livro:
"Já que a raça humana insiste em ser completamente louca - já que todas as pessoas, do Papa ao mais humilde pároco da aldeia - do mais rico dos homens ao mais miserável dos mendigos - da honrada dama em suas sedas e cetins à mulher vulgar em seu vestido de chita - já que todos se decidiram firmemente a não usar o cérebro que Deus lhes deu, mas insistem em se deixar guiar inteiramente pela ambição, vaidade, ignorância, porque, em nome de uma divindade racional, deveriam as poucas pessoas realmente inteligentes perder seu tempo e esforço, tentando mudar o gênero humano, transformando-o em algo que ele jamais desejou ser? Deixêmo-lo viver feliz em suas loucuras. Não o privemos daquilo que, lhe dá maior prazer - seu infinito poder de se tornar ridículo."
No Elogio da Loucura, Erasmo argumenta que são os desejos tolos e irracionais que fazem girar o mundo. O livro todo é escrito em forma de discurso ou declamação, posta em boca da Loucura, a uma audiência imaginária composta de homens de todas as classes e condições. Usando uma beca, mas com um barrete de bobo na cabeça, a Loucura sobe ao púlpito, seguida por seus ajudantes: o Amor-Próprio, o Esquecimento, a Preguiça, o Prazer, a Sensualidade, o Sono Profundo, a Intemperança e a Demência. A Loucura nos conta que é filha de Plutão e de uma encantadora criatura chamada Juventude, e fora criada por duas ninfas sedutoras: Embriaguez, filha de Baco, e Ignorância, filha de Pã. Na violenta sátira que se segue, Erasmo, falando através da loucura, ridiculariza praticamente todas as instituições, costumes, homens e crenças de seu tempo, inclusive o casamento, a guerra, o nacionalismo, os advogados, cientistas, acadêmicos, teólogos, soberanos e papas.
A Loucura afirma que, sem sua ajuda, a sociedade sucumbiria. Nenhum homem ou mulher de bom senso se arriscaria a casar e a ter filhos, a não ser inspirados pela Loucura e a ela, portanto, deviam a vida, "os arrogantes filósofos e os reis em sua púrpura, os padres piedosos e os papas triplamente santos." "Que fase da vida não é triste, desagradável, desairosa, monótona e penosa", pergunta a Loucura, "a menos que seja acrescido o prazer, isto é, um tempero de loucura?" Enquanto os homens mais sábios, de mais sensatez são considerados desgraçados, os tolos e os idiotas são mais felizes, sem as tormentas e medo do males, sem as angústias de milhares de preocupações às quais nos submete a vida". Até mesmo as mais altamente respeitadas profissões muito devem à Loucura, pois a medicina é sobretudo, charlatanice, e a maioria dos advogados é de chicaneiros. E mais: os governos são bem sucedidos na proporção de sua habilidade de ludibriar o povo, contrariando a crença de Platão de que os filósofos deviam ser reis e os reis, filósofos.
Alguns dos ataques mais contundentes de Erasmo dirigem-se aos acadêmicos e gramáticos e às suas loucuras peculiares.
"Quando algum deles descobre quem era a mãe de Anquises ou depara com alguma palavra antiga e estranha, tal como "busequus", "bovinator", "maticulador", ou outro obsoleto e enrolado da mesma categoria; ou consegue, depois de intenso e minucioso estudo, decifrar a descrição de algum monumento em ruínas. - Senhor! - que alegria, que triunfo, quantos cumprimentos pelo sucesso, como se ele tivesse conquistado a África ou vencido a Babilônia".
Igualmente ridículas, acha Erasmo, são as tentativas dos cientistas de desvendar os segredos da natureza e de descobrir o desconhecido:
"Como deliram deslumbrados quando inventam palavras para seu próprio uso, quando medem o sol, a lua, as estrelas e as esferas com fitas métricas, quando explicam a causa dos trovões, dos ventos, dos eclipses e de outros fenômenos inexplicáveis, sem exatidão alguma, como se fossem os sectários particulares da natureza criadora ou tivessem descido até nós do Conselho dos Deuses! Enquanto isso a Natureza, magnificamente, ri-se deles e de suas conjecturas!"
Erasmo apresenta cada busca da humanidade como sendo acolitada pela Loucura. No teatro: "Destrua-se a ilusão e qualquer peça perde o sentido". Os caçadores "sentem inefável prazer íntimo quando escutam o rouquenho toque das trompas e o ladrar dos cães... e haverá algo mais encantador do que um animal sendo esquartejado?" Igualmente iludidos estão aqueles que se lisonjeiam além da conta com os desprezíveis títulos de nobreza. Um, encontrará as raízes de sua família em Enéias, outro em Brutus, e um terceiro até no Rei Artur. Em cada sala exibem retratos e bustos de seus antepassados". Da mesma forma, o comerciante, labutando por dinheiro, o poeta buscando imortalidade, o guerreiro sonhando grandeza, os jogadores, cujos "corações pulam e começam a bater rapidamente" ao ouvir o chocalhar dos dados - estes e muitos outros têm suas vidas governadas pela Loucura.
Grande parte do Elogio da Loucura é dedicada ao discurso da Loucura sobre a igreja e a doutrina Cristã. A falta de respeito com os nomes e textos sagrados fizeram, na época, com que Erasmo fosse acusado de herege escarnecedor e ateu, apesar de ele ter abandonado a fé católica. Nenhum membro da hierarquia da Igreja escapa ao tratamento satírico da pena de Erasmo, embora seu alvo especial fossem os monges:
"Os monges consideram não saber ler um sinal de santidade. Zurram os salmos nas igrejas como asnos. Não entendem uma só palavra do que dizem, mas imaginam ser o som agradável aos ouvidos do santos. Os frades mendicantes fingem assemelhar-se aos Apóstolos, mas não passam de vagabundos imundos, ignorantes e ousados."
Erasmo satiriza o esplendor e o mundanismo dos papas, cardeais e bispos, contratando-os com a simplicidade do Pescador da Galiléia. Considera ridículas e absurdas as loucuras das superstições e da adoração dos santos. "Mas, que direi", pergunta Erasmo, "das pessoas que, com tanta felicidade, se enganam com os perdões forjados de seus pecados? Esses tolos se convencem de que podem comprar todas as bênçãos e prazeres desta vida, com também o céu, depois da morte, e, por puro amor ao lucro imundo, os padres encorajam-nos em seus erros".
Os contemporâneos de Erasmo receberam o Elogio da Loucura com prazer e louvor, em alguns lugares, e com irados protestos, em outros. A publicação de 43 edições durante a vida do autor atesta, sem dúvida, a imensa popularidade da obra.
Inegavelmente, foi-lhe necessário um alto grau de coragem para expor a corrupção da Igreja de seu tempo, a mais forte e poderosa organização da época. Apesar de sutis e indiretos, seus ataques eram extremamente eficientes. Stephan Zweig, Poe exemplo, ressalta: "No Elogio da Loucura existia, debaixo de sua máscara carnavalesca, um dos livros mais perigosos de seu tempo, um daqueles que se nos apresentam como um inteligente fogo de artifício; e foi, na verdade, uma bomba cuja explosão abriu o caminho para a Reforma Alemã".
Veja outros trechos interessantes da obra:
"As pessoas admiram com prazer maior o que menos compreendem, pois a sua vaidade está nisso interessada. Assim riem, aplaudem, abanam as orelhas como burros, para mostrarem deste modo que compreenderam perfeitamente."
Os próprios estóicos amam o prazer. Bem o dissimulam, bem tentam difamar o prazer aos olhos do povo, mas apenas para afastar os outros, a fim de melhor e mais livremente poderem eles gozar."
"A amizade: o pai cujo filho tem os olhos vesgos e afirma que o filho possui um lindo olhar, não constituirá isto tudo a mais pura loucura?"
"Como veríamos realizarem-se tão poucos casamentos se o noivo se informasse das loucuras que a sua noiva, tão modesta e recatada, praticou antes do casamento! E, mais tarde, que a união se poderia manter, se a conduta de muitas mulheres não fosse ignorada pela negligência e estupidez dos maridos. Tudo isto se atribui à Loucura."
"Toda a gente vê no rei um homem opulento e poderoso. Porém, se não possuir nenhuma qualidade espiritual, nada lhe pertence, é mesmo infinitamente pobre, e, se está sujeito ao domínio dos vícios, é apenas o mais vil dos escravos. Se os atores estão em cena desempenhando o seu papel e um deles tenta arrancar as máscaras para mostrar ao público a sua verdadeira face, conseguirá apenas perturbar toda a representação e deveria ser expulso do teatro como louco. Pois a donzela da peça surgiria aos vossos olhos como um homem; o jovem transformar-se-ia num velho; o rei num escravo e o deus num miserável humano. Destruída toda a ilusão, a obra destrói-se. Era o travesti e o disfarce que atraíam o espectador. O mesmo acontece na vida, que não passa duma comédia, em que cada qual representa o seu papel, conforme a máscara que usa, até que o contra-regra o faz sair de cena. Este, de resto, confia ao mesmo ator papéis muito diversos, de modo que aquele que antes se revestia da púrpura de um rei reaparece agora sob os andrajos de um escravo. Por todo o lado só existe o disfarce, e a comédia da vida representa-se do mesmo modo."
"Velhas revelhas, cadáveres ambulantes, que parecem ter vindo do inferno, a repetir constantemente: A vida é bela! São mulheres quentes que farejam o bode, como dizem os gregos. Seduzem por algumas moedas um jovem qualquer, pintam-se incessantemente, estão sempre a olhar-se ao espelho, depilam-se nas partes mais secretas, estendem as mamas flácidas, solicitam o desejo dos seus amantes com gritinhos trêmulos, querem beber e dançar no meio das jovens e escrever cartas de amor. Todas as troçam e as chamam de arquiloucas. Entretanto, elas estão satisfeitas consigo próprias, nadam num mar de delícias, saboreiam todas as doçuras e são felizes. E só a Loucura permite isso."
"Haverá pelos deuses imortais, espécie mais feliz que os homens a quem o vulgo chama loucos, parvos, imbecis, cognomes belíssimos, na minha opinião? Esta afirmação poderá a princípio parecer insensata e absurda e no entanto, nada há de mais verdadeiro. Tais homens não receiam a morte e, por Júpiter! isso já não representa pequena vantagem! A sua consciência não os incomoda. As história de fantasmas não os aterrorizam, nem os afeta o medo das aparições e espectros, nem os males que os ameaçam ou a esperança dos bens que poderão vir a receber. Nada, em resumo, os atormenta, isentos dos mil cuidados de que a vida é feita. Ignoram a vergonha, o medo, a ambição, a inveja e chegam mesmo, se são suficientemente estúpidos, a gozar o privilégio, segundo os teólogos, de não cometerem pecados."
"Como são felizes os teólogos quando exercem sua atividade e quando descrevem com minúcia o inferno, como se aí tivessem passado anos."
"Haverá algum de vós tão louco que deixe na rua o ouro e as jóias? Ninguém, decerto. Encerrá-los-eis no canto mais secreto e retirado da casa e nos cofres mais bem fechados e guardados. O lixo, porém, é deitado para a via pública. Ora, se o que se tem de mais precioso é que se esconde e o que há de mais vil se expõe à luz do dia, a Sabedoria, que não se esconde, é mais vil do que a Loucura, que nos aconselham a esconder."

NO PAÍS DOS APAGÕES

:furious: O termo “apagão” entrou no cotidiano dos brasileiros no ano de 2001, quando a ausência de chuvas e a falta de previsão orçamentária e de planejamento obrigaram o governo de então a, digamos, contingenciar o uso de energia em todo o país. Foi a época tétrica daquelas lâmpadas que nada iluminam e dão um aspecto funéreo onde quer que estejam. Na verdade, não foi um apagão, pois o povo brasileiro, em um movimento cívico sem precedentes ficou de mãos dadas ao governo e os exageros domésticos acabaram. Não por outra razão, a época marcou o início do fim dos freezers, até então símbolo de status da classe média.
Mas o PT pespegou o termo no governo tucano e pegou. Só que o mundo gira e agora estamos à beira de um verdadeiro apagão, pois em quase cinco anos de discursos e promessas, o Brasil nada ou pouco investiu em linhas de transmissão, termelétricas ou, em perene discussão interna, não conseguiu autorizar o início de hidroelétricas absolutamente imprescindíveis, como as do Rio Madeira. E ainda teve que engolir as bravatas de Evo Morales, presidente daquela superpotência mundial, a Bolívia.
Eis que, portanto, temos aí que o horário de verão começa um mês antes do previsto, sem maiores explicações. O governo está em verdadeiro estado de pânico com as conseqüências políticas e econômicas de um apagão energético na ante-sala das eleições municipais, que pode brecar a única razão da popularidade do presidente, que é a economia e a ascensão social das classes menos favorecidas, os brasileiros que estão comprando máquinas de todos os tipos. De que adiantará a nova máquina de lavar se não há luz para tocá-la? Vai haver um PAC do querosene e da lamparina ou das pilhas?
Bom, este é um apagão real e que se delineia dentro do governo, onde ninguém se entende e as disputas são ferrenhas sobre quem manda em quem e onde.
Mas se somarmos esta verdadeira tragédia anunciada ao descrédito das instituições, como a do Senado do Boi Voador, pode-se prever que o governo Lula vai enfrentar tempos difíceis.
PS : Os lulistas já começam a espalhar que são os tucanos que estão espalhando a história do tal “mensalão mineiro” de 1998 para constranger Lula, já que um dos nomes de proa do esquema é o do ministro Walfrido dos Mares Guia. E, de quebra, o PSDB se livraria do senador Eduardo Azeredo. Não há lé com lé, nem cré com cré nesta teoria conspiratória, como na maioria das teorias dessa turma. Mesmo porquê, são duas coisas completamente diferentes, como até Gramsci saberia discernir. Mas como eles não vivem sem conspirações e apagões, vá lá. Divirtam-se.
December 2009
S M T W T F S
November 2009January 2010
1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31