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Blog do Robinson Damasceno

Idéias, Crônicas e Pensamentos para um País Eternamente em Crise

Escritor mata amante de mulher e conta detalhes em livro


Um escritor de livros policiais polonês foi condenado a 25 anos de prisão depois que as autoridades descobriram que ele cometeu um assassinato que foi descrito em um de seus romances, informaram autoridades nesta quarta-feira. Em seu livro de 2003 'Amok', Krystian Bala descreveu em detalhes o assassinato brutal de um empresário polonês.

A polícia descobriu que o crime fictício tem similaridades com um caso de 2000, quando um corpo foi retirado do rio Oder na cidade de Wroclaw, perto da fronteira com a Alemanha.

Promotores disseram que Bala humilhou, torturou, deixou sem comida e depois matou a vítima, que teve um caso com sua mulher.

'A corte sentenciou Krystian B. a 25 anos de prisão pelo assassinato do ex-amante de sua mulher', disse um porta-voz da corte de Wroclaw.

Bala contou às autoridades que ele pegou detalhes do caso de reportagens da imprensa e inventou outros aspectos da história.

Na foto- exclusiva- o criminoso conduz o cadáver de sua vítima à Editora para provar que, além de polonês, era realmente o autor do crime.:jester:

UM PAPA MUMIFICADO E FORA DO TEMPO

Quem acompanhou a trajetória eclesiástica de Joseph Ratzinger ao longo dos muitos anos em que ele fez parte da mais alta corte do Vaticano não se surpreende com suas atitudes, mas em um mundo ameaçado de todos os lados, seja pela ação do Homem, seja pela constante mutação do Universo chega a ser um acinte que um Papa defenda posições tão retrógradas e se cubra de tanta ostentação e luxo, no momento mesmo em que mais de um bilhão de seres humanos se vêem ameaçados pela fome e outros tantos por doenças como a AIDS.
Ratzinger parece não perceber que a Fé não se faz de palavras apenas, mas de gestos concretos. Quando era ainda o todo poderoso chefe do Santo Ofício, calou ou baniu as idéias progressistas de bispos e padres que não apenas conheciam a miséria mas que poderiam indicar caminhos para minorar o sofrimento nos países pobres e comunidades miseráveis em todos os continentes. Agora, Papa, quer a todo custo devolver à Igreja a pompa do século XIX, com idéias típicas de um Leão XIII ou, pior ainda, de um Pio XII, o famoso “Papa de Hitler”.
Impressionante que um reputado teólogo e filósofo lance no abismo das heresias todos os progressos feitos ao longo do século XX e nestes primeiros anos do XXI.
Na verdade, olhando retrospectivamente, vê-se que o último dos Papas a entender o que se passava no planeta foi um humilde arcebispo chamado João XXIII, eleito para durar uns seis meses, mas que, contrariando os prognósticos dos cardeais, foi papa por cinco anos e colocou a Igreja, através do “aggionarnamento” um pouco mais em dia com a mutante e implacável mudança dos tempos, com o Concílio Vaticano II. De lá para cá, só atrasos, perdas e decadência, inclusive durante o longo e carismático mandato de João Paulo II que, sob a aparência de bom pastor era na verdade um ditador em termos de fé, sempre acolitado de perto por Bento XVI.
A Igreja tem pompa, tem dinheiro, muito dinheiro, e tem poder, especialmente entre os mais pobres e ignorantes. Mas caminha, desta maneira, de forma inexorável, para ser apenas uma instituição bancária, dona de imenso patrimônio material e nenhuma influência espiritual.
:clown:

OS MIL PATETAS E A REESTATIZAÇÃO DA VALE

:yikes: E LÁ VÊM OS IDIOPATAS COM A ESTATIZAÇÃO DA VALE

Robinson Damasceno dos Reis


Já falamos disto aqui, quando parecia que até os anacrônicos membros do PSTU estavam apenas fazendo marola, buscando um discurso, por assim dizer. Mas agora, eles estão mesmo distribuindo panfletos, por eles denominados de “cédulas” exigindo a reestatização da Vale do Rio Doce, hoje a segunda mineradora do mundo e certamente o maior celeiro de talentos do Brasil.
Suponha (mas antes fume um baseado ou tome um chá de cogumelos) que o governo tope a parada e realmente compre a briga. Sabem o que aconteceria com a mera declaração de apoio do Planalto a esta insensatez?
O dólar provavelmente iria a U$ 5 em um dia. O risco país subiria a uns estratosféricos 30.000 pontos. As demais empresas brasileiras em bolsas no exterior perderiam entre 50 e 100% de seu valor. E os brasileiros, em poucos dias, sentiriam saudades da inflação de 89% do último mês do governo (?) Sarney.
Ora, antes que a Vale fosse privatizada troamos as trombetas, fizemos campanhas, nos mobilizamos. Estávamos todos tomados pelo espírito de Wenceslau Brás, aquele presidente que dizia que “minério não dá duas safras” e portanto deveria ficar eternamente sob o manto sagrado da terra. Ou de meu antepassado Clodomiro de Oliveira, secretário da Agricultura de Minas que expulsou Percival Farwckar do país, alegando que ele roubava nosso minério em troca de esmolas.
Entretanto, a Vale já nos primeiros três anos de privatização, em 2000 e presidida por Jório Dauster já ultrapassava a Embraer em volume de exportações. Os cabides foram aposentados e deram lugar a novas gerações forjadas para a gestão competente e não para o contracheque mensal.
Em minha terra, berço da Vale, clamava-se pelas ruas como se a ira de Javé estivesse se derramando sobre os pecados de todos. Temia-se o desemprego em massa, a transformação de Itabira em cidade fantasma, com cardos rolando pelas montanhas e janelas sem vidros batendo fantasmagoricamente.
Na Assembléia, o deputado Rogério Correia, felizmente não reeleito,bradava contra o que chamava de tenebrosas transações, os estudantes, sem bandeiras e hinos, ameaçavam pintar as caras para derrubar os vendilhões do templo saqrado do estatismo paquidérmico de eras getulianas.
Tudo isto passou. Lula, por mais defeitos que tenha (e como os tem!) não é nenhum Morales ou Chavez e sabe que com economia e mercado não se brincam.Podem até fazer passeatas, mas reestatizar a Vale. Palavra de Itabirano.

A VOLTA DE CHARLES BUCOVSKY( COM PORNOGRAFIA INCLUSA...)

Nos anos 80, a literatura de Henry Charles Bucowsky experimentou um fenômeno de vendas e crítica no Brasil, acompanhando, com o retardo normal o que acontecera nos Estados Unidos nas duas décadas precedentes. Os filmes “Crônica de Um Amor Louco”, de Marco Ferrari, que levou multidões aos cinemas, e “Barfly” , com Mickey Rourke e assessoria especial do próprio Bucowsky ajudaram toda uma geração a descobrir aquele escritor alucinado, alcoólatra assumido, mulherengo, brigão e sociopata que, descarado, assinava textos indisfarçavelmente autobiográficos que mostravam em detalhes grotescos toda a sua vida torpe e as mesquinharias do baixo-mundo de Los Angeles.
Bucowsky morreu no início da década de 90 e, de lá para cá, só mesmo os seus velhos leitores, hoje quarentões ou ainda mais velhos, ainda se lembravam do velho safado, que era como ele se descrevia sem a menor autopiedade. Seus livros, editados no Brasil pela LP &M continuam em catálogo, mas obviamente vendem bem menos que há vinte anos.
Mas agora surge uma biografia alentada e que se propõe, também sem nenhum pudor, a ser “a mais completa e definitiva” sobre o atormentado escritor. O livro, “Charles Bucowsky: Vida e Loucuras de um Velho Safado” (Howard Sounes, Editora Conrad Livros, R$ 34,00) desfila, ao longo de 341 páginas cenas surreais de loucura, embriaguez e puro talento daquele homem absolutamente horroroso , física e moralmente, mas que era, acima de tudo, um poeta extremado e um contista soberbo. Bucowsky não buscava atalhos adocicados para descrever as experiências alucinadas que tinha com o álcool, as prostitutas, as namoradas incrivelmente mais jovens, as brigas e noites em tarimbas de cadeia.
Ele começou mesmo a despontar como escritor, reconhecido pelo público mais exigente, já aos 49 anos de idade. Sua vida, até aquele ponto, tinha sido uma sucessão infinita de cadeia, desemprego, brigas de bar, porres doentios. Não que tenha mudado: até o final de sua vida, Bucowsky continuou a sua sina de perdedor, que é como os americanos médios rotulam todos aqueles que não se encaixam em sua filosofia imediatista e suburbana.
Há no livro a descrição de uma palestra proferida pelo escritor em uma universidade em 1972, quando ele tinha 52 anos e que, progressivamente, vai se transformando em um embate com a platéia e termina com autor e espectadores se agredindo, e atirando coisas. E, depois da leitura dramática- literalmente- Bucowsky vai até uma festa, na qual era convidado de honra e, bêbado como um gambá, provoca por ciúmes paranóicos um sururu de dimensões épicas, quebrando o apartamento inteiro.
Aparentemente, Bucowsky não guardava o menor remorso por suas atitudes amalucadas. Tome-se este mesmo exemplo: quando o dono do apartamento volta para ver como está o seu turbulento hóspede, encontra a sua casa em pandarecos e o escritor, marcado pelos socos e garrafadas, está calmamente deitado em um colchonete, cercado por cacos de vidro e tomando uma cerveja, a primeira das muitas do dia.
Já tive a oportunidade de contar aqui mesmo, em crônica publicada logo após a sua morte que, uma certa noite, quase manhã, eu e alguns amigos, impulsionados pela leitura de trechos de seus livros e, obviamente, bastante combustível etílico, resolvemos ligar para a casa dele na Califórnia. Miraculosamente, eu diria, conseguimos localizar o número de seu telefone e ele atendeu. E, assim como no exemplo da tal palestra citada no livro, também aquele estranhíssimo telefonema terminou entre xingamentos diversos e metafóricas garrafadas e cadeiradas.
Mas voltando ao livro, eis que ele vem, com certeza, para encontrar um público que tem enorme curiosidade em conhecer detalhes da improvável vida e carreira de um sujeito que, não fosse pelo talento descomunal, provavelmente sequer teria chegado aos primeiros trinta anos de vida, assassinável por natureza que era.
Em resumo, ler esta biografia, bem escrita e traduzida, é um prazer e redescobrir Charles “Hank” Bucowsky continua a ser uma aventura sem par. Só não se deve tentar seguir seus padrões vitais.É impossível para seres humanos medianos.

QUEBRANDO A ÚLTIMA REGRA(BASEADO EM UMA HISTÓRIA REAL)

Ele não se lembrava a hora exata em que havia chegado em casa, mas sabia que já devia ser alta madrugada, com as primeiras luzes do dia matizando as últimas sombras da noite. Sabia pouco mais: lembrava-se, com exatidão, de ter trazido da casa da mulher aonde passara a noite uma garrafa cheia pela metade e um pouco além até, de um whisky ordinário, aquele que costumava comprar quando estava duro.
Viera a pé, pois a tal moça, uma médica comunista, morava a poucos quarteirões, isto depois de terem passado a noite inteira num jogo de gato e rato, até que ele havia perdido a paciência e praticamente a estuprara no tapete duro e gasto com a cara de Che Guevara em tricô.
Mas o mais importante naquele momento e que viera imediatamente à sua cabeça enevoada é que, antes de chegar em casa, havia deixado a tal garrafa encostada a um poste na esquina. Levantou-se de um pulo e, indo até a janela, constatou que, miraculosamente a seu ver, lá estava a garrafa, brilhando sob a luz do sol nascente daquele domingo que prometia ser longo e nefasto.
Foi até o banheiro, jogou água no rosto sem contemplá-lo ao espelho, pois sabia que a visão seria das piores. Espalhou duas carreiras de cocaína sobre a pia, cheirando rápido com uma nota de dez reais.
Desceu pelo elevador, pouco se preocupando com o que o porteiro diria, mas este apenas deu um bom dia de praxe. Foi até a esquina mágica, colocou o Old Eight na sacola que levara e voltou para seu apartamento.
Sem saber o que fazer, escondeu a garrafa em um pequeno armário no banheiro comum,mas antes, virou uma bela talagada, só para espantar os tremores que ameaçavam vir.
Voltou para a sala e para a janela, onde ultimamente parecia passar a maior parte de seus dias. No prédio em frente, a vizinha que costumava dançar sozinha ao som de sambas-enredo, vestindo um nadinha de roupa ou muitas vezes nem isto, abriu a janela da varanda e, olhando diretamente para onde ele estava, acendeu um cigarro e, com um sinal de dedos e um sorriso infame, chamou-o para ir até lá.
Foi um momento, aquele: ela, provavelmente, tinha passado a noite em claro, provavelmente fazendo o mesmo que ele, enchendo a cara e o nariz. Obviamente, se ele fosse, sua vida, já caótica e em escombros, iria de fato por água abaixo, pois uma de suas praxes jamais quebradas, por mais louco estivesse, era nunca ter um caso com alguém que morasse tão perto, com apenas uma rua a separá-los. Mas ele fez que sim e apontou para o relógio, fazendo com a mão o sinal de cinco minutos.
Voltou ao banheiro e, afinal, se olhou. Viu um rosto perfeito, sem rugas, bons dentes, cabelos bem cortados, olhos limpos. Sentiu-se campeão, invencível.
Pegou a garrafa, tomou mais um gole, cheirou mais três carreiras e fez seu jogo: se ela ainda estivesse lá na janela, ele iria quebrar a última regra.
Mas quando chegou à janela, viu apenas o vulto dela, nua, que se afastava para dentro. Chegou a pensar em gritar, mas, sem nada dizer, engoliu em seco e deitou-se no sofá, na esperança de que sua mulher e os filhos aproveitassem bem o domingo para dormir e deixá-lo em paz com seus fantasmas e uma tesão que não o abandonava jamais.

COMO SE TORNAR INIMIGO DOS LULISTAS EM POUCAS LIÇÕES

Digamos, por hipótese, que você se chame Joaquim Tameirão e escreve uma coluna no famoso jornal Trombeta de Murici. Uma coluna social, com casamentos, batizados, quem é quem, festinhas de 15 anos, homenagens a Vovó Ponciana que completou 110 anos rodeada pela família.
Um belo dia, você acorda com azia, ressaca, brigou com a mulher, dormiu no sofá e foi trabalhar. No caminho, viu uma longa fila de maltrapilhos indo receber seus vales-esmola e, ao chegar ao jornal, escreve que o governo está cevando um rebanho nacional de votos cativos dos miseráveis, aqueles que votam em troca de comida.
Pronto, Tameirão. Sua matéria vai chegar à internet em uma das listas dos adoradores de Lula e, sem que você saiba, já estará na companhia de Arnaldo Jabor, Diego Mainardi, Ana Tahan, Hebe Camargo, Regina Duarte, Reinaldo Azevedo, Diogo Casagrande, de vez em quando Zuenir Ventura, Ricardo Noblat, Josias de Souza, Fernando Rodrigues, Denis Lerrenfeld, Ivete Sangalo, eu mesmo, modestamente e centenas de livre-pensadores que ousam chamar as coisas pelo que elas são.
Que tem o desplante de chamar demagogia de... demagogia.De Bolsa Esmola o que eles chamam de Bolsa Família. Que ousa chamar o governo de corrupto, ineficiente, indolente. Que chama o presidente de bêbado e preguiçoso. Enfim, dos que botam o dedão na ferida.
Você, Tameirão, rompeu com os paradigmas mais caros aos lulistas. Falou mal de Grande Líder, o cara que aceita chantagens da Bolívia (!), que se curva ante a sanha imperialista do distribuidor de atuns personalizados a vítimas de terremotos, enquanto compra submarinos nucleares e que entrega àquela múmia cubana dois pobres coitados que queriam ganhar dinheiro e ter LIBERDADE.
Seja bem vindo ao panteão dos malditos, dos reacionários, dos golpistas, dos que chamam mensalão pelo nome correto, dos que odeiam a presunção dos Delúbios, dos Dirceus, dos Gushikens e dos milhares de incompetentes agarrados como cracas nesta nau desgovernada.
Parabéns. E, desde já, procure outro emprego, por que a Trombeta vai perder anúncios e não vai poder te pagar seus quinhentinhos no final do mês.
:furious:

O HOSPÍCIO AVISA: RELAXAI E GOZAI, IMBECIS!

:jester: Andava um pouco distante das teclas. O desânimo em relação ao País é tamanho que nada me animaria a escrever sobre Mangabeira Unger, Navalhas, Vavás e cumpadrismos diversos. Nem tampouco sobre o enorme fiasco que foi a última viagem do presidente ao exterior, onde por pouco não passa desapercebido e teve sua orelhona puxada até por um repórter da BBC.
Mas eis que vem Dona Marta Suplicy de Favre, vulgo Belizário sei lá das quantas e, a propósito do sofrimento de milhões de brasileiros, turistas, executivos e empresários, manda todos plantarem bananeira e relaxarem e gozar.
Ora, muito mais que um acinte isto é de um escárnio tal que não há cartinhas envergonhadas e provavelmente assinadas a contragosto que desfaçam tamanha besteira.
Dona Marta, que os pet-paulistas do grupo de Zé Dirceu querem ver como sucessora de Lula, é aquela mulher que, segundo seu filho Supla nada seria na vida senão uma dondoca não fosse pelo seu pai, Eduardo, que ela chifrou em público em troca de um afamado cafajeste bem rodado e assim, oh, com o PT desde os tempos em que Lula precisava esconder sua filhota Lurian em Paris, onde morou às custas da herdeira da Andrade Gutierrez por anos, relaxando. Não sei se gozando, pois quem entende disto é dona Marta.
E Lula, intoxicado de ódio por causa de seu irmão mentecapto e bonzinho, descarrega sua fúria, com direito a efeitos especiais, como copos d água derrubados, sobre a imprensa que, certamente, é culpada pelo caos aeroportuário, pelas estradas carroçáveis, pelos ônibus inservíveis, pela falta geral de estrutura hoteleira para os mais pobres.
Portanto, meus caros e caras: sigamos as sábias palavras de Dona Marta Gucci Prada Smith Vasconcellos Suplicy Belizário e gozemos todos. Este governo tem chances zero de melhorar.
E preparem-se: vem aí o professor doutor Mangabeira Unger, doido de colocar Simão Bacamarte no hospício mais próximo. Este país, realmente, só com camisinha. Ou total abstinência.

O ESTRANHO SILÊNCIO DE MINAS

Consta que foi o ex-governador Magalhães Pinto o autor da frase-slogan “Minas trabalha em silêncio”. Tenha sido ele ou José Aparecido de Oliveira, grande frasista, o fato é que tal frase estigmatizou a nós, mineiros, como gente que conspira e toma decisões sem avisar os amigos e, muito menos, os inimigos.
É uma frase que também nos colocou a reboque, em definitivo, da gritaria dos paulistas, que não hesitam em bradar aos ventos suas realizações e conquistas- que são inúmeras- enquanto que nós passamos por jecas à beira do caminho em eterno matutar, sem ação e pecando por omissão contra nós mesmos.
O fato hoje é que Minas, talvez por opção de seus governantes, talvez pela inércia de um segundo mandato, vai deixando com que José Serra vá aplainando seu caminho para a disputa presidencial de 2010, talvez em conluio com o próprio presidente Lula, sabe-se lá. E em Minas estamos à espera de que o governador e seus comandados saiam deste silêncio perverso e mostrem ao Brasil e não apenas aos mineiros que não trabalhamos em silêncio e sim com sabedoria e planejamento.
Neste segundo mandato, que nada tem a ver com os primeiros quatro anos, o governador tem sido visto lá fora, em reuniões, em conselhos e em palestras, mas sua ausência do território mineiro mostra-se, de certa maneira, excessiva, pois há muito a fazer aqui, mesmo que o governo federal continue embromando com a DRU, a CIDE, os repasses da Lei Kandir e outras mumunhas mais, coisas que certamente o povo não entende. Minas hoje fala em tecnocatrês – que valha o neologismo- e se esquece que os brasileiros preferem a linguagem de salão de sinuca do presidente e seus erros e gafes sejam vistos com simpatia e cumplicidade.
O governador precisa aparecer mais nos grotões, governar fazendo campanha, mostrando asfalto, fábricas, o que quer que seja e que o povo entenda como ação de governo. Eis o enorme desafio dos tucanos daqui por diante: mostrar ao brasileiro real que a oposição tem rumo e perspectiva e não apenas belas palavras e ações financeiras e técnicas. Arroz e feijão estão levando o presidente às alturas, apesar da precariedade de sua formação educacional, de resto muito parecida com a da maioria dos brasileiros.
Minas precisa falar e com urgência. A ampulheta política não pára de escorrer sua areia.

NOS TEMPOS EM QUE TUDO ERA PRETO & BRANCO

Quando eu era um garoto da Rua Santanna, aquela famosa, calçada de hematita e não este leve aclive (para nós, para nós...), juro que eu via tudo em preto e branco. Os telefones, quando surgiram e nisto eu já morava no Pará eram de baquelite, pretos como as asas da graúna, pesados, o disco com os números levava uma eternidade para chegar até onde você precisava. Eram apenas três algarismos e, assim como Marcel Proust, há coisas que agarram na memória e não saem mais: o lá de casa era dois-meia-três. Ah, sim: e havia a operadora, que enfiava os cabos nos buracos das máquinas para completar a ligação. Neste caso, era Emília de Caux e fico a imaginar o quanto ela ouviu e quanto poder detinha com seu incomensurável “modus operandi” de espalhar aos quatro ventos o que bem entendia...
Já os carros, especialmente os de praça, velhos Chevrolets Fleetmaster, Buicks V8 e outros similares eram todos- todos os quinze, bem entendido- pretos e meio desbotados, com exceção de um Buick que era verde e destoava absurdamente do restante da frota.
Os caminhões fenemê da Vale eram verde escuro, talvez pela facilidade de repintá-los, já que, vira e mexe, desembestavam pelas ruas construídas para charretes e ficavam com as caras ainda mais chatas.
Os homens usavam ternos Ducal, obviamente pretos ou, no máximo cinzentos. As viúvas eram maioria e usavam roupas pretas até que chegasse a sua vez de irem para se encontrar com seus maridos lá no Cruzeiro. Nos velórios, todos de preto, é claro, aos cinzentos sussurros.
De branco, os médicos, enfermeiros e ambulâncias-ou assistências, como também eram chamadas.
Ah, a televisão... Esta tinha nuances: preto, negro, fantasmas e riscos. Em preto. O rádio, para variar um pouquinho, tinha um olho verde que ia se acendendo na medida em que as válvulas se aqueciam.
Depois, veio Brasília e, com ela, os carros nacionais, pintados de saia-e-blusa, coloridos. E os móveis pés de palito, em pau marfim. A vida começou a ficar mais colorida, mas ir ao cinema, em geral, era para assistir a filmes em preto e branco, com as exceções das superproduções americanas, tipo O Manto Sagrado (invariável nas semanas santas), Os Dez Mandamentos, com o chefão da Associação Nacional de Rifles, Charlton Heston, travestido de Moisés e abrindo o Mar Vermelho ou como Bem Hur, derrotando seu “amigo”, que hoje seria gay, o general Massada naquela célebre corrida de bigas. Ou bibas, sabe-se lá...
Hoje, as cores servem para poluir Itabira, com seus outdoors roxos, suas placas descolocadas e que servem apenas para mostrar algum serviço que um dia vai ser feito- aguardem!
Mas na entrada da cidade, jaz uma velha e combalida locomotiva da Vale, abandonada, vandalizada, mas gloriosamente, preta.

AS VELHAS BARRIGAS ITABIRANAS

Homer: Doh!


Iam e vinham, as velhas barrigas de Itabira. Nos meus dias de menino, eu pensava: como é possível que os adultos desenvolvam estômagos tão proeminentes, com tantos morros para subir e descer e já que quase todo mundo andava (e muito), já que havia poucos carros.
Mas hoje, velho menino itabirano, percebo que nem só de Itabira se fazem barrigas. Ainda outro dia, fui ver um show dos Mutantes, velha paixão nossa lá no Pará, na Conceição e nos bailecos domésticos e do Atlético, este Atlético azul e branco do mato dentro. Hoje, os Mutantes já não têem Rita Lee, mas os irmãos Sérgio e Arnaldo estão lá, com a fabulosa Zélia Duncan fazendo e muito bem o papel que um dia coube à velha ruiva sulista, a chatíssima Rita Lee Jones.
E reparei que na platéia, que reunia velhos mutantes, como eu, seus filhos, suas jovens namoradas e velhas senhôras (assim mesmo, com chapeuzinho) todos, sem exceção, ostentavam vastas proeminências abdominais.
É claro que, entre meus contemporâneos alguns, milagrosamente, fugiram do estigma, como o Tiusguinha, o Altamir, o Jânio. Mas outros estão inapelavelmente com uma cintura que raia o precipício da ignomínia, como eu mesmo.
Mas desencanei do tema. Não vou trocar meus livros, filmes, o carinho do Max, o aconchego de minha mulher, minha cerveja por malhações perigosas, corridas desembestadas ou aparelhos miraculosos e caríssimos, que, tenho certeza, se comprasse logo virariam cabides de mil dólares para meus moletons velhos de quinze anos e vinte quilos a menos.
Portanto, minhas jovens amigas, conformem-se. Sabem este gatinho de barriguinha de tanquinho com quem vocês vão se casar no final do ano?
Pois é o mesmo barrigudo que, daqui a alguns anos, estará escornado no sofá, tomando sua latinha. E não o obrigue a subir e descer as ruas de Itabira. A barriga, impávida e colossal há de vencer. Reze apenas para que ele tenha grana para pagar a sua academia. Os barrigudos de Itabira e do mundo inteiro amam uma mulherzinha com tudo em cima. É injusto, mas é assim que funciona.
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