Wednesday, 2. November 2005, 15:08:31
armas, armas de fogo, Brasil, governo
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Bom, depois de um mês falando no assunto, passou o referendo e nem comentei nada desde então... não deu tempo. Então vai agora mais de uma semana depois.
Veja, como aqui mesmo fiz campanha pelo NÃO é claro que o resultado me agradou. E ainda mais pra quem lá no começo de outubro achava difícil que o resultado fosse esse.
Muito se tem falado sobre que motivos levaram a virada de jogo que acabou com o favoritismo do SIM, cada um dá a sua opinião. A minha é simples, o SIM perdeu porque entrou com um discurso na propaganda gratuita de TV totalmente equivocada. Encheu a campanha de estrelas globais que repetiam estatísticas distorcidas, insistiu em fazer campanha contra a arma e não discutiu o Estatuto, usou um discurso vazio do tipo "seja pela paz", "armas não devem existir".
A campanha do NÃO na tevê, longe de ser maravilhosa, foi pé no chão. Embora tenha insistido muito naquele discurso de direito e liberdade, chegando inclusive a comparar com o movimento das Diretas Já, foi competente em mostrar pra população de que a idéia de desarmamento era equivocada. Era andar na rua pra ver gente repetindo a frase que ouviram da Carmen Cestari no programa: "Não vão fazer o desarmamento dos bandidos, só do cidadão de bem".
Na minha opinião, foi só isso. Não foi revolta popular contra o Governo, embora isso possa ter influído um pouco, não creio que isto tenha sido o ponto fundamental da derrota do SIM.
De qualquer forma percebi uma semana antes do referendo que a discussão era boba, mesmo agora com a vitória do NÃO o comércio legal de armas está praticamente proibido, as exigências legais para comprar uma arma dentro da lei são tão grandes que no ano passado o número de armas compradas assim não passou de 2.000.
Agora, a discussão deve ser fazer esta lei ser cumprida. Eu mesmo não acredito que as lojas de armas venderam tão poucas armas no ano passado, muito mais tem sido vendido por debaixo do pano, comprado ilegalmente tanto por bandidos como por "cidadãos de bem". Acho que seria a hora da população se mobilizar para cobrar das autoridades maior fiscalização, além de é claro exigir que o Governo (federal, estadual e municipal) tome providências para garantir a segurança da população.
Mas, uma semana e meia depois do referendo... a maior parte do povo já esqueceu. 
"E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Romanos 12:2)
Thursday, 20. October 2005, 11:22:11
munição, governo, Brasil, armas de fogo
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Texto de Olavo de Carvalho para o Jornal do Brasil.
A arte de mentir
No jornalismo há muitos tipos de fraude. O mais banal é ofuscar os leitores com um título, na esperança de que não leiam a matéria ou não percebam que ela o desmente.
''A maioria das armas do crime teve origem legal'', proclama O Globo de 4 de outubro. No cérebro do leitor, a conclusão é instantânea: o grosso da violência no Brasil não é causado pelos criminosos assíduos, mas por pessoas de bem que ''matam por motivos fúteis''. Urge portanto desarmá-las. Desarmar os bandidos é secundário.
No texto, a informação, baseada numa pesquisa da polícia carioca, não é bem essa: é que, ''de um total de 86 mil armas apreendidas de criminosos desde 1999, 33% eram do chamado estoque legal - com registro... Outras 39% eram do estoque informal - originalmente pertenciam a pessoas sem antecedentes criminais, mas nunca foram registradas. Apenas 28% tinham origem criminosa... Do total de armas registradas, cerca de dois terços pertenciam a pessoas físicas, um terço ao Estado (polícias, Forças Armadas etc.)''.
Basta você ler com atenção e a fraude embutida salta do pacote gritando: ''Surpresa!'', como aquelas garotas do bolo de aniversário nos filmes de máfia. Armas sem registro não provêem do comércio lícito. Estão fora da lei. Classificá-las eufemisticamente de ''informais'' não modifica em nada a sua condição. Portanto, 67% das armas apreendidas eram ilegais. Sessenta e sete? Nada disso. Dos 33% restantes, um terço pertencia ao Estado. Sobram 22% de armas lícitas roubadas. Setenta e oito por cento das armas usadas na prática de crimes ao longo de seis anos eram de origem ilegal. Exatamente o contrário do que diz o título.
O jornal ainda reforça a informação errônea explicitando a sua conclusão, para maior didatismo do engano: ''Para Rubem César Fernandes, do Viva Rio, a pesquisa é um argumento único a favor do desarmamento no Brasil.'' Único no sentido de ímpar, inigualado, lindão mesmo.
Aí o engodo aparentemente simples do título sobe às alturas de uma fraude lógica requintada. Pois aqueles 22% abrangem somente armas de origem legal que passaram às mãos de criminosos. Não incluem de maneira alguma as que permanecem em poder de seus donos legítimos - aqueles mesmos cidadãos de bem que matam por nada, por frescura, em transes repentinos e inexplicáveis. Se estes e não os bandidos, segundo o discurso desarmamentista, são os responsáveis pela maior quota de crimes com armas de fogo, então é óbvio que, quanto mais armas são roubadas dessas perigosas criaturas e postas a serviço da bandidagem, mais diminui o poder de fogo da parcela mais perigosa da sociedade. O roubo de armas, nessa perspectiva, é uma ajuda providencial que os delinqüentes dão à manutenção da ordem pública. A análise do discurso desarmamentista revela implacavelmente essa premissa maior oculta. O desarmamentista coerente, em busca de um ''argumento ímpar'' para a proibição do comércio de armas, o encontraria portanto num índice baixo, e não alto, de armas legais roubadas. O índice é realmente baixo, como o demonstra a pesquisa. Mas a premissa maior é imoral e absurda demais para ser declarada em voz alta. Para tornar o silogismo digerível é preciso então uma dupla camuflagem: inverter as proporções no título e em seguida convocar Rubem César para tirar delas uma conclusão também invertida. Tudo parece lógico e veraz, quando é completamente irracional e falso.
É que a inverdade, por si, às vezes não pega. Para aumentar sua aderência é preciso acrescentar-lhe uma dose de absurdo. Não basta mentir: é preciso estontear a vítima para que, mesmo percebendo vagamente a mentira, não consiga discerni-la da verdade.URL Original: [url]
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/opiniao/2005/10/05/joropi20051005002.htmlRogerio
"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (João 8:32)


Monday, 17. October 2005, 09:41:05
armas, armas de fogo, Brasil, governo
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Matéria da Folha de São Paulo de ontem (16/10/2005). Só lembrando que eu voto NÃO, e nem é por que eu moro em Ribeirão Pires e achei meio "sacana" o repórter achar que o pastor deveria defender "SIM"... rs
"Em Ribeirão Pires, sede de fábrica de munições, pastor defende o "não"
"Emprego motiva voto na terra da CBC"
"DA REPORTAGEM LOCAL"
"Na terra da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), o garoto-propaganda do "não", que aparece em outdoors espalhados pela cidade, é o próprio prefeito, filiado ao Partido Verde. Em Ribeirão Pires (Grande SP), até mesmo pastor evangélico é contra o fim da comercialização de armas de fogo e munição.
A possível contradição é explicada mais pelo fator econômico do que por temas que ocupam o debate nacional sobre o referendo. A pequena Ribeirão Pires, com 115.195 habitantes, tem na CBC a sua principal fonte de arrecadação em ICMS. São R$ 2,5 milhões por ano, 14,25% da arrecadação total com esse imposto, segundo a prefeitura. A maior parte dos 1.200 empregados da CBC também está na fábrica de Ribeirão Pires.
"Não há contradição. Eu não governo o PV, eu governo a cidade de Ribeirão Pires", disse o prefeito Clovis Volpi, filiado ao Partido Verde, que tem um revólver em casa. Segundo a assessoria do prefeito, a CBC bancou dez outdoors espalhados pela cidade com a foto de Volpi, que consentiu com a campanha.
De acordo com o prefeito, o "sim" significará 50 empregos a menos e queda anual de R$ 500 mil na arrecadação de ICMS. "Em uma cidade com orçamento de R$ 73 milhões, R$ 500 mil fazem muita falta."
O pastor evangélico José Olavo dos Santos Filho, 34, também não vê contradição em seu voto pelo "não". "Precisamos pensar nos empregos. E o fim da comercialização vai trazer uma paz aparente. Os bandidos vão continuar armados", afirmou Santos, em frente a um outdoor pela campanha do "não".
Próximo dali, a comerciante Ivete Plaza Tofic, 40, também é contrária à proibição do comércio de armas e munição. "Temos clientes que trabalham na CBC. Temos medo de que o desemprego prejudique a economia da cidade", disse ela, que critica a participação do prefeito. "Ele deveria ser imparcial."
Funcionários da CBC também fazem campanha na cidade. Com cartazes pelo "não", participam de vários debates sobre o referendo. "Estamos preocupados com nossos empregos. Mas também estamos brigando para que as pessoas entendam que ter arma é um direito", diz Clodoaldo Pacheco Coutinho, 28, que obteve vaga na CBC depois de dois anos desempregado.
A 200 metros da fábrica, o gerente de uma cooperativa de consumo, na qual muitos funcionários fazem compras, tem uma justificativa econômica, mas para votar pelo "sim". "O impacto na economia [com o "sim'] não vai ser sentido. Em vez de armas, as pessoas vão gastar em coisas melhores. Um DVD, por exemplo", disse".
(GILMAR PENTEADO)
Rogerio
“O conselho do Senhor é para aqueles que o temem, e ele lhes faz saber o seu pacto. Os meus olhos estão postos continuamente no Senhor, pois ele tirará do laço os meus pés.” (Salmos 25:14, 15)
Sunday, 2. October 2005, 04:43:13
munição, armas, armas de fogo, Brasil
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Esta noite (01/10/2005) descobri que meu pesadelo vai se tornar realidade. Dia 23 de outubro, no referendo que decide sobre a proibição de armas de fogo e munição no Brasil o "Sim" deverá ganhar de lavada.
Não só pela excelente campanha de marketing, ou pela quantidade de artistas (curioso, todos da Globo?) que participam da campanha, mas fruto principalmente, pela falta de informação da população.
Meu trabalho de formiguinha, é tentar mostrar para as poucas pessoas que aqui visitam, cidadãos de bem, que como eu: são da paz, nunca pegaram em arma na vida (e nem pretendem), que votar pelo "Sim" além de não resolver o problema da violência pode piorá-lo. A Revista Veja apresenta nesta semana uma excelente reportagem sobre isso, há um link no final deste post, mas é uma pena que a maioria vai atender aos apelos da Fernanda Montenegro.
A Veja dá 7 motivos para votar "Não". Eu também dou 7, mas são motivos meus, não necessariamente os que estão no artigo da revista.
1 - Não é desarmamento. O primeiro sintoma de desinformação é quando o sujeito pronuncia a frase "eu sou a favor do desarmamento", isto porque o que está sendo proposto não é desarmamento. A pergunta que estará na urna será a seguinte: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?" e como diz a reportagem da Veja deveria ser "O Estado brasileiro pode tirar das pessoas o direito de comprar uma arma de fogo?".
2 - Um argumento repetido a exaustão pelos partidários do "Sim" é que as armas de fogo matam milhões no Brasil. É verdade. O problema é que as armas que mais matam são armas ilegais, nas mãos de pessoas que não têm registro e nem preparo para possuí-las (a maioria, óbvio, criminosos). Boa parte destes mortos são bandidos que morrem em confrontos com outros bandidos. A aprovação ou não da lei não vai diminuir o número de armas ilegais (de fato a tendência é aumentar). E não vai melhorar as estatísticas.
3 - Outro argumento para desinformação, as mortes acidentais e por motivos banais como brigas no trânsito ou na rua. Na verdade é outro engodo. Desde 2003 o porte de arma está proibido no país, nenhuma pessoa pode andar armada por aí mesmo tendo arma registrada, exceto policiais e militares. O registro de arma é para o sujeito tê-la dentro da residência. Portanto, este argumento é mais um que não se sustenta.
4 - Não é fácil comprar uma arma, ter uma arma registrada. É preciso ter mais de 25 anos, fazer exame psicotécnico, ter residência comprovada, não ter antecedentes criminais, etc. Só se pode comprar munição para o tipo de arma que existe registro. E só pra lembrar, arma só na residência, ninguém pode andar armado por aí. E o registro pode ser cassado a qualquer tempo, se o cara for pego bêbado por aí, por exemplo, baubau.
Já os criminosos nunca compraram e nunca vão comprar armas legalmente.
5 - A alegação: "Pra que ter arma?". Alegação meio egoísta, eu não gosto de armas, portanto, ninguém deve ter. Mas vá lá... Bom, pra começar o Brasil é beeeem grande, as pessoas esquecem que no campo arma de fogo pode ser muito útil e necessário, ou alguém esqueceu que arma de caça também é arma de fogo? E que também vai ser proibida?
Eu também não gosto de armas e não quero ter uma. Mas há pessoas que desejam ter, e por motivos variados. E neste caso não importa a minha opinião ou a sua, algumas pessoas se impossibilitadas de adiquirirem uma arma de forma legal, vão buscar o comércio ilegal, e assim fortalecer ainda mais as redes de contrabando de armas. Em caso de vitória do "Sim" o comércio de armas vai continuar acontecendo... e clandestinamente e sem controle.
6 - "Legal ou ilegal, é uma arma a menos". Mero engano. Não existe garantias disto, aliás, a tendência é o aumento da quantidade de armas por aí, com um detalhe, todas ilegais e sem nenhum controle. E menos armas não quer dizer menos mortes, o problema é quem usa as armas.
7 - Há o argumento de que o "Não" atende as expectativas dos fabricantes e comerciantes de armas. Argumento tosco. É claro que atende. É óbvio que fabricantes e comerciantes não querem que seu negócio seja proibido. Mas daí querer votar "Sim" só pra sacanear a indústria de armas? E isto serve como argumento também pelo "Não", indústria e comércio empregam pessoas. Muitas pessoas ficarão desempregadas com o "Não" em nome de uma imaginária idéia de paz que, infelizmente, não irá se concretizar.
É por isso que eu voto "Não".
E mais, o referendo que está sendo proposto é uma maneira de enganar você. É o governo tentando dizer que está fazendo alguma coisa, colocando a culpa nas armas. Lanço mão de uma frase comum, mas verdadeira: "Armas não matam, pessoas matam".
O pior é que a proibição de armas, além de tirar um direito que o cidadão brasileiro tem, não vai produzir NENHUM efeito prático na redução da violência. Há o perigo até de piorar. Pense em tudo isso antes de apertar o confirma naquela urna.
Bom também dar uma olhada nos sites:
[url]http://www.votonao.com.br
[url]http://veja.abril.uol.com.br/051005/p_076.html
Rogério.
"Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu." (Eclesiastes 3:1)