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Blog do Rogério

Um blog útil... ou quase isso!

Posts tagged with "política"

Rir pra não chorar

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Você já deve ter ouvido falar que a CPMF foi criada para arrecadar dinheiro pra saúde, certo?!

Pois na semana passada somos informados de que, embora a CPMF arrecade horrores, definitivamente o dinheiro não vai pra saúde. Olha que exemplo incrível:

Por falta de equipamento, cirurgiões usam furadeiras elétricas em operações na cabeça.


Não por culpa dos médicos, mas por causa mais uma vez de nossos políticos. Isso lembrou um velho videoclipe. Rir pra não chorar.



"Porventura não está a tua confiança no teu temor de Deus, e a tua esperança na integridade dos teus caminhos?" (Jó 4:6)

Coisas que doem no coração de um homem cristão

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"Será que minha mulher acha que eu sou um cafajeste?!"

"Essa semana tive vergonha de sair de casa..."

"Pedi a Nossa Senhora força para enfrentar estas maldades... estas maldades que doem no coração de homem cristão".

As falas acima são de Joaquim Roriz. Ele disse tudo isso na tribuna do Senado na semana passada quando se pronunciou depois da divulgação de conversa telefônica onde ele aparecen tentando "meter a mão" em 2,2 milhões de reais.

No discurso ele chorou bastante, entregou papel em branco dizendo que abria sigilo bancário, e não convenceu. As notícias de hoje dizem que ele pretende renunciar e fazer seus suplentes renunciarem também, assim seria necessário uma nova eleição pro senado no Distrito Federal e ele poderia ser novamente eleito e até lá o caso seria esquecido.
Será que isso é conduta de político que tem vergonha de sair de casa porque foi pego com a mão na massa?

Aliás, será que a mulher dele acha que Roriz é mesmo um cafajeste? Não sabemos, o que sabemos é que ela deve ter um sorriso maravilhoso. Sim, porque o tratamento dentário da senhora Weslian Roriz custou R$12,2 mil reais, pagos com dinheiro público.

Ultimamente há o que falar do Senado. O presidente Renan Calheiros, apesar de tudo, não quer renunciar, de boa, ninguém está preocupado se a tal Mônica Veloso estava o subornando ou não, queremos saber que história é essa de empreiteira pagar pensão pra filho dele, porque empreiteira não faria esse favorzão de graça, deve ganhar muito com isso.

Pior ainda é toda a canalhice para impedir o processo de investigação do caso Renan. Há lá um tal de Conselho de Ética que tem um presidente que está sendo processado e acusado de vários crimes, como alguém assim pode presidir um órgão que supostamente primasse pela ética? Ontem este cara resolveu devolver o processo para a mesa diretora do Senado, presidida pelo próprio acusado. Eita! E a novela segue...

Esses e todos os escândalos do passado que já foram esquecidos é que entristecem qualquer o coração... um coração cristão inclusive.

"Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança, e não pende para os arrogantes, nem para os afeiçoados à mentira." (Salmos 40:4)

Revolta na TV

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Muita coisa que vemos hoje em dia nos noticiários na TV nos entristece e nos envergonha. Mas é muito bom quando, de vez em quando, alguém aparece na telinha e diz tudo o que está entalado na nossa garganta... e mais um pouco.

Com vocês, Alexandre Garcia, metendo o pau:




“Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido na fé e no amor que há em Cristo Jesus; guarda o bom depósito com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós.” (2 Timóteo 1:13-14)

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Movimento dos Sem-Noção

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Um grupo de mulheres do MST (Movimento dos Sem-Terra), no maior estilo Joselito-sem-noção, invadiram e destruíram um laboratório de pesquisas no Rio Grande do Sul.

O ato teve o apoio das lideranças do Movimento, um dos principais líderes, João Pedro Stédile, saiu-se assim:

"As companheiras mulheres estão de parabéns, porque elas tiveram coragem de fazer um ato para chamar a atenção da sociedade."
([url]http://oglobo.globo.com/online/pais/plantao/2006/03/09/192217147.asp)

Bom, chamar a atenção pra quê? Os líderes dos sem-terra entrevistados usam aquele discurso contra multinacionais, transgênicos, agronegócio e blablablá. Me lembra os atos terroristas no Oriente Médio, onde um sujeito explode um ônibus, mata umas cem pessoas, e os líderes explicam que tudo foi só um ato pra chamar a atenção. Ou seja, faz um bruta estrondo pra dizer algo que poderia ser dito de outra forma.

Só que dificilmente alguém vai levar a sério gente que "discute" nestes termos, você pode ir às ruas falar sobre isso, todo mundo vai falar da pesquisadora que aos prantos disse ter perdido 20 anos de trabalho, ninguém está preocupado com os argumentos paranóicos do MST.

Eles alegam estar defendendo com este ato até a soberania nacional. Aliás foi daí que saiu o argumento mais sem noção feito por um dirigente do MST até aqui. Ao ser perguntado sobre o que pensava da pesquisadora que perdeu anos de trabalho com o ato "terrorista", um outro líder do MST, Jaime Amorim, disse:

"Se ela fosse uma pesquisadora séria não teria se vendido às multinacionais."
([url]http://www.estadao.com.br/ultimas/nacional/noticias/2006/mar/09/220.htm)

Quer dizer que trabalhar para empresas multinacionais agora virou traição a pátria? Esse povo todo que trabalha pra Ford, Volkswagen, Telefonica, (entre tantas) não são pessoas sérias pois se venderam pros estrangeiros?

Alguém poderá argumentar (até com certa razão) de que a imprensa tem se aproveitado do caso para fazer uma campanha contra o MST. Bom, sim, eu até concordo em parte com isso. Mas eu pergunto, é sem motivo?

Uma vez que até os próprios dirigentes dizem não se preocupar com a imagem do movimento, mas sim com a repercussão, então não seria um problema esta campanha ruim feita por setores da imprensa.

E outra, o MST é auxiliado por grupos e entidades estrangeiras, e já que segundo os líderes do Movimento quem trabalha pra estrangeiro não pode ser levado a sério... então...

Rogério Silva

"Saberás, pois, que o Senhor teu Deus é que é Deus, o Deus fiel, que guarda o pacto e a misericórdia, até mil gerações, aos que o amam e guardam os seus mandamentos" (Deuteronômio 7:9)

Um olhar estrangeiro sobre Mensalão, Mensalinho e Máfia do apito

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O texto a seguir foi escrito pelo correspondente Jonathan Wheatley para o jornal inglês Financial Times.

"Corrupção no futebol reflete a política brasileira"
"Antes, o escândalo da compra de votos; agora, o suborno no esporte"


"Apesar de dizer que detesta a corrupção na vida pública, a maioria dos brasileiros comuns não considera que isso tenha um impacto direto em suas vidas. Mas outro escândalo causou ofensa pessoal a milhões de pessoas.

"Fiquei arrasada", diz Catarina Pedroso, uma estudante de psicologia de 18 anos e torcedora fiel do Palmeiras, um dos maiores times de São Paulo. "Nos jogos todo mundo grita 'juiz ladrão', mas você não acredita que seja realmente verdade."

Um motorista de táxi, que se identificou apenas como Lira, também ficou indignado. Enquanto esperava seu passageiro diante de uma delegacia, ao ver o árbitro ofensor, o taxista passou entre os inúmeros repórteres e deu um tapa na nuca do juiz. "Você roubou o Corinthians", ele gritou.

A autoridade que levou o tapa é Edilson Pereira de Carvalho, um dos dez árbitros brasileiros acreditados pela Fifa, o órgão mundial que organiza o futebol. Ele admitiu ter recebido entre R$ 10 mil e R$ 15 mil a cada tentativa de manipular jogos em benefício de apostadores que faziam apostas de até R$ 200 mil em sites ilegais na Internet.

A gravação de uma partida suspeita mostra Carvalho mandando seguir o jogo depois que um jogador é derrubado na área do pênalti, em um lado do campo; depois, no outro lado, aponta para o local quando um jogador do "seu" time cai sem ser empurrado. Em uma conversa por telefone com seus apoiadores, gravada pela polícia, ele diz ao chefe do bando para apostar tudo o que tem, porque dessa vez vai garantir o resultado, "nem que tenha de sair do estádio sob escolta policial".

Pelo menos um árbitro admitiu práticas semelhantes, mas outros deverão surgir. Onze jogos do Campeonato Brasileiro deverão ser refeitos. Mas para muitos o campeonato perdeu o interesse. Não há como saber quantos jogos foram limpos.

É triste e irônico que os brasileiros tenham sua fé na paixão nacional posta à prova neste momento, quatro meses após o início de um escândalo sobre compra de votos e financiamento ilegal de campanhas eleitorais envolvendo líderes do Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os paralelos não são muito evidentes. O PT costumava ser indicado como símbolo de probidade na paisagem política brasileira, notoriamente corrupta.

Sabe-se que a direção do futebol é podre há anos. Antigos apoiadores do PT, incluindo muitos membros do Congresso, choraram abertamente quando surgiu a notícia do escândalo político. Os torcedores de futebol pareciam, na maioria, apenas enojados.

Mas existem paralelos preocupantes na maneira como ambos os escândalos estão se desenrolando. Quando ficou claro que havia substância nas denúncias de corrupção política, Lula disse que o governo "cortaria na própria carne" para obter a verdade: os culpados seriam punidos, fossem quem fossem.

Mas depois de aconselhar as três comissões de inquérito do Congresso que examinam o caso a não fazer nada que pudesse prejudicar o crescimento econômico do Brasil (o qual, incrivelmente, parece não sofrer riscos), o presidente disse mais recentemente que os inquéritos pareciam incapazes de revelar provas. Ele comparou a situação atual com outras do passado, quando "as acusações aparecem mas não se concretizam".

O governo parece ter adotado uma estratégia pela qual vários legisladores serão expulsos do Congresso (dois já saíram, e outros 16, incluindo sete do PT, poderão segui-los) e o caso será encerrado em tempo para a campanha para as eleições presidenciais e legislativas, daqui a um ano.

As reações ao escândalo no futebol também parecem estar mudando. A revolta geral foi seguida por uma revolta seletiva dos times que agora enfrentarão novas partidas. Os que perderam na primeira vez estão contentes, os que ganharam não estão. O comentarista de futebol Juca Kfouri, indignado, escreveu: "No Brasil, o certo e o errado que se danem. ... Queremos levar vantagem em tudo o que pudermos, sem preocupação com a justiça ou injustiça, o ético ou o antiético, seja na política (preciso explicar?), no esporte ou na vida".

Talvez mais representativa da reação pública seja Catarina Pedroso, a torcedora de 18 anos. "Acho que podemos confiar nos juízes em geral", ela disse. "Bem, acho que podemos... Não sei. Essa é difícil."

Jonathan Wheatley


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
URLs originais:
[url]http://news.ft.com/cms/s/e72223c4-39f3-11da-806e-00000e2511c8.html
[url]http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2005/10/11/ult579u1680.jhtm

"Por toda a terra estende-se a sua linha, e as suas palavras até os consfins do mundo. Neles pôs uma tenda para o sol." (Salmos 19:4)

oPTar ou Malufar?

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Texto do Sergio Dávilla da Revista da Folha, de novo. Fazer o quê? Segundo domingo seguido que o cara literalmente "matou a pau".

Lula lá, Maluf lá, e a sensação de vazio
por Sérgio Dávila, Revista da Folha 18/09/2005

"Peço licença ao eventual leitor para voltar ao tema "Década Perdida", os anos 80.

Há dez anos, no dia 9 de outubro, data da morte do ex-presidente brasileiro Emílio Garrastazu Médici (1902-1985), o CACS, o Centro Acadêmico das Ciências Sociais da PUC de São Paulo, deu uma festa. Eles eram explicitamente de esquerda, não anarconiilistas como nós, do Benevides Paixão, e a morte do mais linha-dura dos generais-presidentes da ditadura brasileira merecia comemoração. Mau gosto? Provavelmente.

Mas, como dizem os repórteres televisivos que cobrem o Carnaval, a festa foi animada e não tinha hora para acabar. Ou melhor, tinha, na manhã seguinte, quando os vizinhos dos prédios ao lado ameaçaram chamar a polícia -PM e PUC eram siglas que não cabiam na mesma frase, já que a faculdade fora invadida em 1977 pelos soldados do coronel Erasmo Dias, então secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

Em 1985, ao entrar no campus principal da PUC ou na "Ferradura", como era e é conhecido o campus secundário da universidade, onde fica o curso de jornalismo, você tinha a impressão de que "todo o mundo" era petista -no mínimo, petista. Era, se a memória ajuda, a época dos adesivos "oPTei" e da militância voluntária, sem ônibus pagos ou dinheiro vindos dos partidos de esquerda.

Um amigo chegou ao cúmulo de comprar seu Fiat 147 na cor vermelho-revolução e colocar uma máscara no "breaklight" do vidro traseiro, que, a cada vez que o pedal era pressionado, destacava as palavras "Lula Lá", recortadas numa cartolina preta.

Nessa época, ainda, ganhou as ruas o verbo "malufar", no sentido de "roubar", ou, no mínimo, versar mal o dinheiro público. Quem entrasse na Ferradura nessa época, também, pensaria que todos os alunos queriam o ex-prefeito paulistano na cadeia. O best-seller das classes era o livro "A Má Lufada que Abalou São Paulo", do então deputado estadual José Yunes, que elencava os supostos desmandos do ex-governador paulista, especialmente nascimento e morte da estatal Paulipetro.

(Sobre a última, aliás, brincávamos que, depois de mudar o nome da Light para Eletropaulo e criar a Paulipetro, o governador rebatizaria a Vasp de "Malufthansa"...)

"Lula lá", ou seja, o ex-metalúrgico eleito presidente da República, e "Maluf na cadeia" poderiam ser o lema da geração da "Década Perdida", se é que a minha geração tinha algum lema.

Corta para setembro de 2005.

Lula está lá -é presidente há mais de dois anos, ou pelo menos é o que informa o site oficial do governo brasileiro, já que ele continua em pleno comício e ignorando o mar de lama que lhe chega aos joelhos. Seu ex-primeiro-ministro, José Dirceu, foi brilhantemente batizado por Clóvis Rossi aqui nesta Folha de "Paulo Maluf da esquerda".

Já o verdadeiro Maluf também está lá -foi preso no final de semana passado com o filho Flávio, acusados de formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Até o jornal conservador francês "Le Monde" explicou aos seus leitores na edição de terça-feira o significado do verbo "malufar" -"roubar os cofres do Estado", segundo o diário.

A pergunta que eu faço aos meus contemporâneos é: "E aí, realizados?"

Eu não."


Rogério

“ Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem. ” (Efésios 4:29)
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