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Partituras de compositores brasileiros e portugueses

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José Garcia de Christo

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José Garcia de Christo (1867-1919), pianista e compositor que atuou nos salões cariocas como pianeiro. Compôs valsas, polcas e schottischs publicadas por diversas casas editoras cariocas. Sua obra parece que foi editada quase que exclusivamente para piano-solo, ou piano e canto. Em um artigo publicado na Revista Musical Brasileira N. 5, no capítulo "O piano e os pianeiros", de autoria do Prof. Aloisio de Alencar Pinto, cujo trecho é reproduzido abaixo, há uma referência ao compositor em apreço:

"Brasílio Itiberê, na sua famosa conferência Ernesto Nazareth na Música Brasileira, descreve com uma verve extraordinária o que era a figurinha desses músicos populares, e esclarece: "Esse pianeiro carioca teve um relevo e uma função social muito importante nesse velho e ditoso 1900. Ele era o pivot de todas as cerimônias sociais: bailes, batizados, aniversários e casamentos. Esse pianeiro, dengoso e macio, por quem as meninas se apaixonavam e que tocava a Dalila, é uma tradição que desapareceu. A técnica brutal de percussão do piano de jazz deturpou e matou o último pianeiro carioca." E conclui: "Só quem ouviu tocar um Aurélio Cavalcanti, o Porfírio da Alfândega, o Chirol, o Garcia Cristo, ou o Xandico, — pode ter uma idéia bem nítida de que foram esses beneméritos e analisar a importância de sua função social."

A polca denominada Girondinos, de autoria de Christo, faz parte do bailado Sarau de Sinhá, em um arranjo para piano a 4 mãos. O Sarau de Sinha é uma suite, um conjunto de danças arranjadas para 2 pianos pelo Prof. Aloysio de Alencar Pinto. É um pequeno balé, um balé em uma parte, uma espécie de divertimento coreográfico sobre cenas de uma festa no Rio de Janeiro antigo. Nesse balé, estão algumas danças do séc. XIX, danças européias aclimatadas no Brasil, como a Polca, a Schottisch, a Contra-dança, a Valsa. Esta polca foi dedicada ao clube carnavalesco Girondinos. Sobre essa agremiação esclarece o historiador Nelsinho Crecibeni, autor do livro "Convocação geral: a folia está nas ruas":

"Nessa época não se usava música nacional, utilizava-se a polca, a quadrilha, os xotes, músicas de origem européia. Isso nos salões, porque praticamente não havia manifestações na rua. Os grupos que saíam à rua iam na intenção de, logo na seqüência, dirigirem-se a um salão, onde aconteciam as grandes manifestações carnavalescas na cidade", explicou Crecibeni, lembrando de grupos da época, como Tenentes do Diabo, Tenentes de Plutão, Fenianos e Argonautas. Eram sociedades que existiam em São Paulo e, simultaneamente, no Rio de Janeiro", acrescentou. Já o Girondinos reunia, na mesma época, a elite intelectual paulistana. Formado por jornalistas, estudantes e pessoas ligadas à política, o grupo tirou seu nome de um café famoso na época, que ficava na junção da Praça da Sé com a rua XV de Novembro, onde se localizavam as redações dos grandes jornais e ocorriam as maiores manifestações políticas".

Algumas edições em notação moderna estão nos endereços abaixo:

01.Girondinos (polca)
02.Idyllios D'Amor (valsa)
03.Pense á Moi (valsa)
04.Sorrisos de Anjo (valsa)

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José Mauricio Nunes Garcia

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JOSÉ MAURICIO NUNES GARCIA

PRIMEIRA PARTE

I

José Mauricio Nunes Garcia e Marcos Portugal. Triumpho notavel do compositor brasileiro[/ALIGN]

Quando a família real de Bragança aportou em começos do anno de 1808 á capital da grande colonia portugueza tinha o padre José Mauricio Nunes Garcia de idade 41
anos (1) e muito embora paupérrimo e em extremo modesto, além de homem de côr, gosava já no Rio de Janeiro de extensa e lisonjeira nomeada como musico de larga esphera e eximio improvisador no orgão, piano, cravo e viola de cordas mettalicas.
Mestre de capella da Sé antiga desde 1798 (2) e senão mais notavel dos discipulos do Conservatorio dos Negros, primitivamente fundado na fazenda deSanta Cruz pelos jesuitas para a educação musical dos pretos e mulatos (3), como quer o Sr. Joaquim de Vasconcellos, pelo menos filho aproveitadissimo das tradições daquella util instituição que devera ter cessado com a expulsão dos seus organizadores, desen-


(1) Nascêra a 22 de setembro de 1767 - Revista do Instituto Histórico, tomo 19, pag. 355.
(2) Idem.
(3) Os musicos portuguezes, tomo I, pag. 114.



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volvêra sempre José Mauricio tantos esforços, tão conscienciosa actividade e tão grande somma de talento no desempenho cabal do seu emprego, que, desde os primeiros dias de chegada da corte portugueza a esta capital, mereceu do principe regente D. João attenções especiaes e a mais formal protecção.
D'ahi, ciumes e sérias queixas, além de muitas intrigas,. na colonia dos artistas trazidos de Portugal; d'ahi, o verdadeiro alvoroço de triumpho com que os gratuitos inimigos de José Mauricio, os invejosos da sua capacidade e até virtudes, acolheram a noticia de que fôra chamado de Lisboa o celebre Marcos Portugal para vir dirigir e, com importante reforço de cantores e instrumentistas, dar maior realce ás já pomposas festas de igreja, no palacio de S. Christovão e na fazenda de Santa Cruz.
Competencias de nacionalidade que iam surgindo e, mais que isto, preconceitos de côr a se accentuarem, apezar da serena igualdade com que o regente e os membros da real familia a todos acolhiam, já haviam suscitado vehementes crises, que o genio calmo de José Mauricio, sua indole meiga e superior, sua assiduidade no trabalho e os seus desejos de agradar não podiam, já não dizemos vencer e derrocar, mas pelo menos attenuar (1).
Foi em 1811 e não em 1813, (2), que desembarcou no Rio de Janeiro o famigerado Marcos Portugal, cujo nome, conseguindo transpor as raias da patria, era com applauso repetido em toda a Italia e repercutira até na longinqua Russia, onde foram, de 1793 a 1796, representadas, depois de traduzidos os librettos, 3 das suas 40 operas.


(1) O Snr. Joaquim de Vasconcellos, referindo-se ás lutas a que esteve sujeito José Mauricio, faz justiça ao seu elevado caracter, tomo II, pag. 65.
(2) Revista do Instituto, tomo 19, pag. 359.



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Apenas de chegada, correu Marcos Portugal á quinta da Boa Vista a beijar as mão da augusta familia e della teve tal recebimento de agrados e amabilidade, que aos desaffectos de José Mauricio pareceu irremediavel a sua desgraça, como então se chamava o retrahimento do favor dos principes.

- Ha aqui um homem de côr, disse a princeza D. Carlota para o famoso maestro, que é notavel na musica.
- Já ouvi contar, respondeu Marcos Portugal.
- Mas quero o seu juizo...
- Obedecerei a Vossa Alteza Real... Creio que domingo...
- Não esperarei por domingo. Venha cá amanhan, que mandarei chamar o José Mauricio. Traga algum trecho novo para piano. Veja bem que o Principe costuma chamal-o o novo Marcos.
Empallideceu de despeito o autor do Demofoonte, inclinou-se e despediu-se (1).
No dia seguinte, com effeito, encontraram-se á tarde em São Cristovão, os dois artistas, um todo cheio de seus triumphos e glorias, naturalmente arrogante, cercado do immenso prestigio que lhe haviam dado as ovações das platéas de todo o mundo civilizado, possuido do seu papel de autoridade incontrastavel e arbitro supremo; outro, José Mauricio, mulato, pobre, timido, personalidade totalmente desconhecida fóra de limitado circulo, alheio á influição dos grandes centro da Europa, desajudado do exemplo e da audição dos mestres, sem nunca ter saido da colonia e até da cidade natal, entregue ás suas proprias inspirações e havendo ganho o pouco que era a poder de muita vocação natural, aturado estudo e penosas elocubrações, dispondo só de apoucados re-


(1) Foi-nos, em 1870, contado esse episodio em todos os seus pontos por pessoa contemporanea, digna de todo o conceito.


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cursos em todos os sentido a bem da expansão da sua indole artistica.
Dirigiram-se aos aposentos particulares da princeza D. Carlota; Marcos Portugal adiante com a compostura de sobranceiro juiz "tão, grande a sua impostura , escrevia pouco tempo depois Santos Marrocos em carta para Lisboa (1) que os mesmos que o obsequiaram contra elle se levantam, natural a sua circumspecção, olhos carregados, cortejos de superioridade, emfim apparencias ridiculas e de charlatão".
Atraz seguia José Mauricio, todo perturbado, fulo de commoção e tão inquieto do que lhe ia succeder, que as mão lhe tremiam, muito embora todo o esforço por se dominar.
Já estavam os principes sentados numa sala em que se ostentava, não um modesto cravo, mas soberbo piano (2) de fabricação ingleza, rodeado de pessoas da côrte especialmente convidadas para aquella inesperada exhibição dos meritos do organista da Sé antiga, com exercicio tambem na capella real.
Depois de obtida venia, desenrolou Marcos Portugal com calculada solemnidade uma peça de musica que trazia e passou-a a José Maurcio, perguntando-lhe se já ouvira falar naquelle autor.
Era uma das mais difficies sonata da Francisco José Haydn.
Com voz sumida e a gaguejar, respondeu o padre que, desde muito, conhecia grande parte do repertorio do eximio mestre (3) a quem dedicava culto especial. E,


(1) Joaquim de Vascocellos, Os Musicos Portuguezes, Tomo II, pag. 63.
(2) Naturalmente da fabrica de Broadwood de Londres, a qual succedera á de Zumpe creada em 1769 e cujos instrumentos conservaram merecida reputação até nossos dias. No paço de S. cristovão ainda havia desses pianos até 1889.
(3) "José Maurico, diz Joaquim Vasconcellos, possuia a collecção mais completa de musica que havia no Brasil e mandava vir constantemente as melhores composições que appareciam na Allemanha, Italia, França e Inglaterra". Musicos Portugueses, tomo I, pag. 114.


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com effeito, José Mauricio, nas suas palestras sobre arte, collocava Haydn acima de Haendel, a par de Mozart e só abaixo de Beethoven, que costumava de nominar divino.
Mostrou-se Marcos Portugal não pouco admirado.
- Então por cá já sabem disso? exclamou com enfado. Na Italia é nome quasi desconhecido.
- Pois, sr. José Mauricio, ordenou a princesa D. Carlota, faça-nos ouvir tão grande novidade.
- Nunca toquei esta sonata, objectou o padre, e Vossa Alteza...
- Mas dizem que Você tira musica, como quem lê letra redonda... Sente-se, sente-se ao piano.
Não havia recuar.
Obedeceu o artista, e, aos primeiros acórdes, fez-se completo silencio.
Começou a sonata.
A principio, José Mauricio se não claudicou, pelo menos mostrou tibieza na execução.
A pouco e pouco, porém, foi-lhe voltando a salvadora calma. Concentrou-se, chamou a si toda a sua energia e, reagindo contra o abalo que lhe escurecia a vista e lhe prendia as mãos, foi levando de vencida todas as difficuldades da primorosa obra, já esquecido do local em que se achava e de corpo e alma entregue ás maravilhosas deducções harmonicas do insigne allemão, cujas paginas interpretava com expressão e facilidade cada vez mais accentuadas.
D'ahi a instantes tambem pertencia elle exclusivamente á grandeza da concepção que ia vivificando por modo todo seu, fazendo, dos seus dedos já firmes e de novo escravos submissos da intelligencia e do sentimento, jorrar bellezas sem conta, que em todos os ouvintes infudiam pasmo e indizivel enleio.
Muitos, voltados para Marcos Portugal, liam na

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physionomia do orgulhoso mestre a successão das impressões que gradualmente o estavam avassalando, physionomia no começo fria, desdenhosa, ironica, logo depois, attenta, surpresa, e por fim cheia desse enthusiasmo expansivo, que a alma verdadeiramente artistica não póde reprimir, nem occultar e irrompe com força incoercivel na lealdade do seu arrebatamento.
José Mauricio, porém, nada via; estava todo com Haydn.
No andante deu tal melancolia ao thema dominante, fez por tal força realçar a frase melodica, que nas composições de Haydn perpassa insistente, como indecisa chamma por sobre torrentes de harmonias encadeadas, arrancou do piano taes vozes, tão plangentes e novas - as lagrimas, de que fala Mozart (1) - que por toda a sala e contra as regras da etiqueta circulou um sentido bravo.
Continha-se, porém, o arbitro de quem tudo dependia; mas quando José Mauricio atacou o presto final e, sem discrepancia de uma nota, com a nitidez de magistral interpretação, destrinçou os motivos que, aos quatro e cinco intimamente se travam naquelle estylo fugado de pasmosa riqueza e exuberancia, Marcos Portugal não teve mais mão em si, poz-se, talvez mau grado seu, de pé e ao morrerem os ultimos e vigorosos sons da sonata, precipitou-se para aquelle que de repente se constituira seu igual e, no meio dos calorosos applausos dos principes e da côrte, apertou-o nos braços com immensa effusão.
- Bellissimo, bradou elle, bellisssimo! E's meu irmão na arte; com certeza para mim será um amigo!


(1) "Ninguem, disse Mozart, tem mais delicadeza no gracejo nem mais lagrimas na emoção do que José Haydn. Só elle é quem tem o segredo de me fazer sorrir e me levar a impressão ao intimo da alma".

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Voto sincero, partido do fundo do coração, mas que se não realizou senão muitos annos depois, separados aquelles dois robustos talentos, dignos da estima e do respeito reciprocos por baixas intrigas e violentos odios, de que foi victima nobre e resignadamente o glorioso compositor brasileiro.

***

Fonte: Uma Grande Gloria Brasileira, José Mauricio Nunes Garcia. Edição commemorativa do primeiro centenario do passamento do grande compositor. Ed. Comp. Melhoramentos de S. Paulo. 1930.

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01. Beijo a Mão que Me Condena

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Esther Pedreira de Cerqueira

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Canções infantis tradicionais da Bahia recolhidas pela folclorista Esther Pedreira de Cerqueira. Aqui elas foram arranjadas para voz (ou flauta) e piano.

01. Ciranda Cirandinha
02. Caranguejo não é Peixe
03. Canção de Ninar Nº 1
04. Canção de Ninar Nº 4
05. No Caminho da Roça

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Alexandre G. de Almeida (Xandico)

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Alexandre G. de Almeida (1860-1920), também conhecido como Xandico, célebre compositor e pianista brasileiro. Em um artigo publicado na Revista Musical Brasileira N. 5, no capítulo "O piano e os pianeiros", cujo trecho é reproduzido abaixo, o Prof. Aloisio de Alencar Pinto faz referência ao célebre pianista Xandico, apelido do compositor Alexandre G. de Almeida:

"Brasílio Itiberê, na sua famosa conferência Ernesto Nazareth na Música Brasileira, descreve com uma verve extraordinária o que era a figurinha desses músicos populares, e esclarece:

Esse pianeiro carioca teve um relevo e uma função social muito importante nesse velho e ditoso 1900. Ele era o pivot de todas as cerimônias sociais: bailes, batizados, aniversários casamentos. Esse pianeiro, dengoso e macio, por quem as meninas se apaixonavam e que tocava a Dalila, é uma tradição que desapareceu. A técnica brutal de percussão do piano de jazz deturpou e matou o último pianeiro carioca." E conclui: "Só quem ouviu tocar um Aurélio Cavalcanti, o Porfírio da Alfândega, o Chirol, o Garcia Cristo, ou o Xandico, — pode ter uma idéia bem nítida de que foram esses beneméritos e analisar a importância de sua função social."

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01. Chile - Brazil
02. Carinhosa
03. Pretenciosa

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