Thursday, 3. September 2009, 01:34:09
Já não me lembro de ti
Já não vivo mais para ti
Ao escrever isto concentro-me em algo que sei que existiu, mas não me lembro mais quem foi
Já não passo tardes a procurara-te e noites a idolatrar-te
Ocupar um tempo que passa depressa, sempre pouco e sempre intenso
Nem sei se de momentos bons era feito
Tenho uma ideia indefinida que não consigo materializar
Num passado sem data e sem registo
Uma certa angústia de mim, leva-me a procurar a razão
A razão que eras , deverias ser tu... agora totalmente indefinido,
sem rosto,
sem voz,
sem sexo,
sem vida,
sem morte.
No lugar onde deverias estar, não está nada.
Não há vazio algum... simplesmente eu quero que haja, para justificar um nada absoluto
Não há sequer um buraco, um espaço vazio, um lugar por ocupar...
Procuro saber que sensações vivi e sinto-me ridiculamente estúpido
Queria sentir coisas diferentes, talvez dolorosas, mas seria, sempre novas para o momento.
Tenho na memória várias passagens, vários episódios, milhares de lugares e muita gente
conhecida, dos anos que fui acumulando em vivências múltiplas.
De ti um indecifrável vulto que me aflige e me perturba.
Sem identidade
Sem nome
Sem olhos
Sem luz
Sem cor
Lembro-me de tanta coisa bela, simples, verdadeira, intensa, que acabo por ficar triste, agora ao relembrá-las
Depois lembro-me de algumas coisas que daria muito para não ter vivido e que me sinto aliviado, por estar longe delas
Mas tu! Sim... tu!
Posso apontar o dedo ao acaso, que nada se manisfestará.
Terás sido um fantasma que cá se deixou ficar, arrependido de não-se- o-quê?...
Assim que partiste deixaste uma sibilina volúvel , saída da alma, como selo, como profecia...
E, eu, aqui, à procura de respostas impossíveis:
Que posso eu aprender contigo?
Que caixa de pandora trazes nesse teu enigma?
Quem realmente foste, diabo, inimigo, ninguém, gente, pessoa próxima, amor interrompido Anjo, Querubim, Arcanjo ou Serafim?
Que frio sentiste?
Que calor sofreste?
Que amor viveste?
Que sorte tiveste?
Eu não tive nada haver contigo e agora muito menos. Eu quero admitir que não te conheço, mas estás lá num rasto de flamejante negro indecifrável.
Como tu me lês e sugas as memórias. Apaguei involuntariamente o teu registo e agora procuro-te em nenhures.
Nem de bom ou de mal, tenho de fundamento e procuro saber onde te posso cristalizar.
Dar-te um nome
Dar-te forma
Dar-te terra
Dar-te vida
Dar-te voz
Dar-te luz
Dar-te olhos
Dar-te sons
Dar-te ouvidos
Dar-te casa
Dar-te guarida
Dar-te de comer
Depois, sim! Imagino parar contigo no tempo a saborear lentamente um Porto secular, só pela razão de te ter encontrado.
Para o mal ou para o bem, acabamos, tantas vezes, de encontrar gente apagada, já sem vida ou que nunca nasceu ...
Uma impressão estética casual de sinestesia para descobrir a essência da vida e revelar-se imensa. Um manancial de pura sensação... quando te descobrir estarei lá a aguentar as emoções provocadas
Saturday, 25. April 2009, 02:12:38
«No Carmo, ao chegar houve desde senhoras a abrir portas e janelas para colocar os homens nas posições dominantes sobre o Quartel, até ao simples espectador que enrouquecia a cantar o Hino Nacional. O ambiente que lá se viveu não tem descrição, pois foi de tal maneira belo que depois dele nada de mais digno pode acontecer na vida de uma pessoa».
Friday, 24. April 2009, 15:56:56
SE TODO VINHO PUDESSE SERIA CHAMADO DE VINHO DO PORTO
Ex-cantor
Friday, 20. February 2009, 23:34:24
Uso e costume trazido pelos Portugueses da China no Séc. XV.
Os chineses ao Brindarem dizia Tché Tché, como forma de agradecimento e os Portugueses julgarem estarem a brindar de uma forma completamente nova, em vez de "À saúde!", chegamos assim ao significado que os nossos antepassados lhe deram - Os cinco sentidos da Prova de um Vinho:
1º Seguramos e levantamos os copos - TACTO
2º Vemos a cor dos vinhos -VISÃO
3º Cheiramos os aromas dos vinhos - OLFACTO
4º Sentimos o seu paladar na boca - SABOR
5º Finalmente, tocamos com os copos uns nos outros para podermos ouvir - AUDIÇÃO
Thursday, 5. February 2009, 01:25:01
“Um fogo potável nos espíritos, uma pólvora incendiada no queimar, uma tinta de escrever na cor, um Brasil na doçura, uma Índia no aromático…”
Monday, 29. December 2008, 22:49:41
*ARDE VENIENTIBUS OSSA
(Aos que chegam tarde, os ossos)
A cozinha medieval
A cozinha era muitas vezes construída no pátio em edifício separado, como precaução contra os incêndios. O equipamento de cozinha dessa época incluía o almofariz, panelas de bronze, cobre ou estanho com asa de ferro forjado para serem colocadas em suporte, que se encontrava debaixo do fogo e frigideiras de cabo comprido. A maior parte dos pratos eram confeccionados directamente numa grelha de ferro forjado, quer dizer que as comidas medievais, sobretudo nos banquetes, eram grelhados. Os guizados eram preparados, também, em grandes panelas de ferro. O caldeirão de 3 pernas podia ser colocado sobre o fogo ou suspenso por um gancho, num triângulo sobre a fogueira.
Os materiais de mesa eram escudelas, púcaros e as facas pessoais. As colheres eram colocadas dentro dos recipientes com que cada um comia
Os cozinheiros tinham de ter talento para disfarçar o sabor de alguns alimentos. Por isso, a cozinha medieval usava e abusava de ervas aromáticas como os coentros, o rosmaninho, o alecrim, a salsa e a hortelã para condimentar os pratos. Cultivava-se o tomilho, o alho, a mostarda e o açafrão e utilizava-se também o sal e ainda pimenta, que era paga ao peso do ouro, porque vinha do Oriente.
A carne, guardada em despensas, nem sempre se mantinha fresca. Para sua conservação utilizava-se a secagem da carne, a salga ou o fumado. O peixe cozinhado com salsa e funcho era um prato popular. A Igreja ordenava que às quartas, sextas e sábados não se comesse carne. A sardinha (nossa amiga e conhecida!), o arenque salgado ou as enguias, além de uma grande variedade de peixes do mar e rio, eram consumidos com frequência. Legumes como as cebolas, couves e alho-francês eram utilizados para engrossar as sopas e estufados, mas não eram especialmente apreciados, pelo menos entre as classes superiores. O regime alimentar variava de acordo com as posses de cada um. Enquanto os nobres abastados e os mercadores podiam ter uma vasta gama de alimentos à mesa, o regime alimentar das pessoas comuns era bem mais restrito. Comiam pão de centeio ou trigo, alguns legumes e os porcos da sua criação, ou ainda peixe salgado e lácteos compostos a partir de leite de vaca, cabra ou ovelha. Nas refeições comuns, o prato diário era um espesso caldo de legumes e, por vezes, alguma carne.
Na Idade Média as sopas foram muito populares: de favas, abóbora, ervilhas, couves, rábanos, toucinho... condimentadas com canela e gengibre e mais tarde com açúcar. Para tornar mais atractivo, era também costume colorir as sopas: açafrão para ficarem amarelas, leite de amêndoas
Em Portugal temos a canja, conhecido como Caldo de Retempero (segundo alguns especialistas, terá vindo da Índia), o caldo verde (indispensável por altura dos santos populares), a sopa do cozido, as sopas de peixe (nas zonas costeiras e hoje em dia tão populares nos Açores e no Alentejo), as sopas de feijão e hortaliça e tantas outras.
Na mesa do banquete a cadeira do Senhor era a mais elevada, todos os outros normalmente sentavam em banquinhos, e os menos importantes, no final da mesa em bancos corridos.
Nas casas mais abastadas, os dias de comemoração, de armazenamento e os preparativos festivos, eram longos e feitas de forma desproporcional. Nesta ocasiões especiais utilizavam-se escudelas, bacias e bandejas de prata e taças de ouro. Os menos afortunados usavam o estanho, o cobre e, por vezes o bronze. Tudo para receber na melhor forma os convidados, onde poderiam desfrutar de Sopas espessas de carne, caldos de retempero, omeletes de centenas de ovos, coelhos, rolas, perdizes, galinholas bravas, javalis, carneiros, veados, vacas, lebres, porcos inteiros assados, jarras enormes de vinho e fruteiras cheias de ameixas, cerejas, pêssegos, figos, nozes, pêras, maças, melões e melancias. Quantias enormes de pães e vinho em abundância
Os senhores medievais começavam a caçar alguns dias ( até semanas ) antes de um grande banquete.
Charcutaria e enchidos vários, como chouriços e linguiça.No caso de alguma especifica festa religiosa o consumo era ritual: bacalhau no dia de Natal, farro no Carnaval, cordeiro na Páscoa, ovos e queijos na Ascensão, ganso em Todos os Santos.
Nos legumes temos: Couves, abóboras, cebolas, espinafres, para sopas e acompanhamentos com grão-de-bico, favas e lentilhas couves e feijões.
As ervas aromáticas, já bastante conhecidas, como o tomilho, o alecrim e o manjericão, juntamente com um pouco de azeite (verdadeiramente da oliveira)
Da fruta fresca se passava à fruta seca e às conservas e doces de fruta. Fabricavam-se conservas e doces de cidra, pêssego, limão, pera, abóbara e marmelo. ªDe laranja se fazia a famosa flor de laranja, simultaneamente tempero e perfume, e mel, muito mel numa cozinha conhecida hoje como DIETA MEDITERRÂNEA
Em plena Idade Media apareceu uma esquisita ferramenta chamada na altura de bidente (inicialmente feito de ouro), que demorou alguns séculos até generalizar-se o seu uso, e que hoje é conhecido simplesmente como garfo. Em Portugal o uso regular do garfo deu-se na segunda metade do Séc.XIX, até lá era considerado como indigno e malvado furar a carne. Como o nome indica, o bidente tinha apenas duas pontas, mas era inicialmente destinado apenas ás mulheres, porque para os homens o uso de tão "inútil" utensílio era considerado como um sinal de fraqueza. Na verdade, era normal comer com as mãos, e pontualmente recorrendo ao auxílio de uma colher e de uma faca (normalmente a do próprio). Depois das refeições, os comensais limpavam-se numa tina cheia de água de rosas (nas casa mais abastadas) ou numa tina cheia de água e com rodelas de limão. Limpavam-se todos a um pano especial colocado junto à tina, embora também o pudessem fazer na própria roupa, ou até limpando no pelo ou dando a lamber as mãos aos inúmeros cães que rodavam as mesas, nestes eventos. Como curiosidade, não deixa de ser interessante falar acerca das regras de boas maneiras e bom comportamento á mesa.
No fim do banquete enrolava-se a massa de pão, que serviu de prato e com todos os restos da comida e entregavam-se aos pobres que, pacientemente, aguardavam fora da residência.
A natureza hierárquica da sociedade era reforçada pela etiqueta, segundo a qual o inferior deveria ajudar o superior, o mais novo auxiliaria o mais velho, e o homem isentar a mulher do risco de manchar roupas e reputação por ter de manusear alimentos de modo indigno para a mulher. Compartilhar os vasilhames de beber era comum para todos até mesmo em banquetes superabundantes, excepto para aqueles que se sentavam no estrado, assim como era o padrão da etiqueta partir o pão e trinchar a carne para os companheiros de refeição.
Na mesa os convidados reuniam-se para partilhar os seus prazeres, sendo, assim, um veículo de agregação e unidade social; mas podiam também encorajar distinções sociais, separando as pessoas em categorias pela colocação dos lugares, ou, pior ainda, pela exclusão.”
O peixe era comida às sexta-feira, por questões religiosas. Era uma autêntica festa, para os mais pobres, porque a Lei de Deus defende, que todo o peixe que sobrasse seria entregue graciosamente aos pobres. Como o peixe era o mais abundante e acessível e para evitar que o peixe fresco apodrecesse, as famílias nobres ofereciam o peixe, em condições duvidosas, à população.
- A diferença entre os dias normais e os festivos eram muito grandes, do ponto de vista alimentar, especialmente para os mais desfavorecidos .
Deixo algumas sugestões para uma DIETA MEDITERRÂNEA(actual), deixada pelos nossos antepassados:
CALDO DE RETEMPERO
SALADA DE FEIJÃO-FRADE COM ABÓBORA E OVO
NABADA
MIGAS DE TRIGO
PEIXE COM FRUTOS SECOS
BACALHAU ENSOPADO
Os materiais para uso diário eram:ESCUDELAS; TERRINAS; PÚCAROS E VASOS
DIETA MEDITERRÂNEA
Monday, 29. December 2008, 14:11:14
De civilitate morum puerilium (A civilidade faz-se em criança)
CÓDIGO DE COMPORTAMENTO À MESA
“Quando sentares à mesa não afrouxes o cinto, para não passares por selvagem.
Manda a cortesia que as pessoas servem-se dos alimentos com a ajuda de uma faca
É regra comeres com a mão. Tendo lavado as mãos para comer, não toques em nada que não seja comida, até que tenhas terminado.
Se te esqueceres de lavar as mãos, antes de comeres, é muito mau sinal para ti, podes ficar com os dedos paralíticos.
Como homem educado, não faças barulho de sucção ao comer com a colher. Daria impressão de mau comportamento.
Não comas pão entre um prato e outro, para que não sejas considerado impaciente.
Ao comeres usa um pouco de pão para aconchegar a carne.
Depois de mordido o pão, não o mergulhes na travessa, esses são hábitos das pessoas rudes.
Não bufes como uma foca e não estales os beiços quando comeres, porque esses são os modos dos camponeses
Não palites os dentes com a faca, é considerado ofensivo, fá-lo com o alfinete.
Não tomes bocado tão grande de pão, que as migalhas caiam por aqui e por ali e sejas considerado glutão.
Não engulas o bocado, até que esteja bem mastigado em tua boca, para não engasgares.
Não tomes o cálice de boca vazia, para que não pensem que tens sofreguidão pelo vinho.
Sempre que fores beber o vinho eleva um pouco o cálice, agradece ao anfitrião e dá graças a Deus.
Não babes enquanto bebes, porque isso é uma forma vergonhosa de matar a sede.
Não fales enquanto tens algo na boca; assim, evitarás que algo vá da garganta aos pulmões, o que seria fatal para ti.
Se vês algo que te agrada num prato que está diante de outro comensal, não o tomes, para que não sejas considerado grosseiro.
Não cuspas na mesa, nem na bacia, quando não conseguires engolir o que tens na boca, atira-a ao chão.
Não devolvas à travessa a carne que não comeres, pertence às criaturas de Deus que estão nesse momento a servir-te. Além do mais faz parte da caridade distribuir os restos
Após a refeição, lava as mãos, porque é higiénico e elegante: são muitos os que sofrem moléstias dos olhos por tocá-los sem ter lavado as mãos depois das refeições.
Se alguma coisa cai no chão enquanto comes, deves imediatamente afastá-lo com o pé. O que cai no chão pertence a Deus e Ele designará quem o irá comer.
Se começares a fungar, levanta-te discretamente para o não fazeres para os pratos. Daria a impressão de um suíno que pertence à classe dos animais.
As três coisas indecorosas são: bufar como salmão; comer voraz como o texugo; e comer ruidosamente como o suíno.
Assoar o nariz no chapéu ou na roupa é grosseiro, e fazê-lo com o braço ou cotovelo é coisa de mercador. Tampouco é educado usar a toalha. Limpa, imediatamente, o muco na manda solta da mão, porque é muito mais reprovável assoar o nariz à toalha.
Quando terminares a refeição e precisares de limpar as mãos, pede o alguidar ou limpa no pêlo do cão mais próximo.
Nunca, mas nunca te queixes enquanto comes.
Estar sentado à mesa é tido como “Comungar com o Senhor” pára de cuspir, bocejar, soltar gases, quando estás à mesa.”
Homem honrado e nobre não enfia os dedos nas orelhas ou nos olhos, nem, nunca, introduzi-los no nariz, quando estás a comer, como faz a gentalha. Estes hábitos são feios e considerados hereges.
ARDE VENIENTIBUS OSSA
(Aos que chegam tarde, os ossos)
Monday, 29. December 2008, 04:15:46
*ARDE VENIENTIBUS OSSA
(Aos que chegam tarde, os ossos)
A cozinha medieval
A cozinha era muitas vezes construída no pátio em edifício separado, como precaução contra os incêndios. O equipamento de cozinha dessa época incluía o almofariz, panelas e frigideiras de cabo comprido. A maior parte dos pratos eram confeccionados em grandes panelas de ferro. O caldeirão de 3 pernas podia ser colocado sobre o fogo ou suspenso por um gancho.
Os cozinheiros tinham de ter talento para disfarçar o sabor de alguns alimentos. Por isso, a cozinha medieval usava e abusava de ervas aromáticas como os coentros, a salsa e a hortelã para condimentar os pratos. Cultivava-se o tomilho, o alho, a mostarda e o açafrão e utilizava-se também o sal e ainda pimenta vinda do Oriente.
A carne, guardada em despensas, nem sempre se mantinha fresca. O peixe cozinhado com salsa e funcho era um prato popular. A Igreja ordenava que às quartas, sextas e sábados não se comesse carne. O arenque salgado ou as enguias, além de uma grande variedade de peixes do mar e rio, eram consumidos com frequência. Legumes como as cebolas, couves e alho-francês eram utilizados para engrossar as sopas e estufados, mas não eram especialmente apreciados, pelo menos entre as classes superiores. O regime alimentar variava de acordo com as posses de cada um. Enquanto os nobres abastados e os mercadores podiam ter uma vasta gama de alimentos à mesa, o regime alimentar das pessoas comuns era bem mais restrito. Comiam pão de centeio ou trigo, alguns legumes e os porcos da sua criação, ou ainda peixe salgado e lácteos compostos a partir de leite de vaca, cabra ou ovelha. Nas refeições comuns, o prato diário era um espesso caldo de legumes e muita carne.
Na Idade Média as sopas foram muito populares: de favas, abóbora, ervilhas, couves, rábanos, toucinho... condimentadas com bastante canela e gengibre e mais tarde com açúcar. Era também costume colorir as sopas: açafrão para ficarem amarelas, leite de amêndoas
Em Portugal temos a canja (que, segundo alguns especialistas, terá vindo da Índia), o caldo verde (indispensável por altura dos santos populares), a sopa do cozido, as sopas de peixe (tão populares nos Açores e no Alentejo), as sopas de feijão e hortaliça e tantas outras.
Na mesa do banquete a cadeira do Senhor era a mais elevada, todos os outros normalmente sentavam em banquinhos.
Utilizavam-se bandejas de prata e taças de ouro, isso para receber na melhor forma possível inteiros javalis assados, omeletes de centenas de ovos, jarras enormes de vinho e fruteiras cheias de ameixas, cerejas, pêssegos, figos, nozes, pêras, maças, melões e melancias.
Em plena Idade Media apareçeu uma esquisita ferramenta chamada na altura de bidente (inicialmente feito de ouro), que demorou alguns séculos até generalizar-se o seu uso, e que hoje é conhecido simplesmente como garfo.Como o nome indica, o bidente tinha apenas duas pontas, mas era inicialmente destinado apenas ás mulheres, porque para os homens o uso de tão "inútil" utensílio era considerado como um sinal de fraqueza. Na verdade, era normal comer com as mãos, e pontualmente recorrendo ao auxílio de uma colher e de uma faca (normalmente a do próprio). Depois das refeições, os comensais limpavam-se numa tina cheia de água de rosas (nas casa mais abastadas) ou numa tina cheia de água e com rodelas de limão. Limpavam-se todos a um pano especIal colocado junto à tina, embora também o pudessem fazer na própria roupa, ou até limpando no pelo ou dando a lamber as mãos aos inúmeros cães que rodavam as mesas, nestes eventos.Como curiosidade, não deixa de ser interessante falar acerca das regras de boas maneiras e bom comportamento á mesa. Cito como exemplo:- Não cuspir na mesa- Manter as unhas cortadas e limpas- Após assoar o nariz, os dedos deveriam ser limpos não na toalha da mesa, mas na própria roupa!
No fim do banquete se enrolava esta enorme massa com todos os restos da comida e entregavam-se aos pobres que, pacientemente, aguardavam fora da residência.
A natureza hierárquica da sociedade era reforçada pela etiqueta, segundo a qual o inferior deveria ajudar o superior, o mais novo auxiliaria o mais velho, e o homem isentar a mulher do risco de manchar roupas e reputação por ter de manusear alimentos de modo indigno para a mulher. Compartilhar os vasilhames de beber era comum para todos até mesmo em banquetes superabundantes, excepto para aqueles que se sentavam no estrado, assim como era o padrão da etiqueta partir o pão e trinchar a carne para os companheiros de refeição.
A mesa e os convidados que se reuniam em torno dela para partilhar seus prazeres podiam ser um veículo de agregação e unidade social; mas podiam também encorajar distinções sociais, separando as pessoas em categorias pela colocação dos lugares, ou, pior ainda, pela exclusão.”
De civilitate morum puerilium (A civilidade faz-se em criança)
“Tendo lavado as mãos para comer, não toques em nada que
não seja comida, até que tenhas terminado. Não comas pão
entre um prato e outro, para que não sejas considerado
impaciente. Não tomes bocado tão grande, que as migalhas
caiam por aqui e por ali e sejas considerado glutão. Não
engulas o bocado, até que esteja bem mastigado em tua boca,
para não engasgares. Não tomes o cálice de boca vazia, para
que não pensem que tens sofreguidão pelo vinho. Não fales
enquanto tens algo na boca; assim, evitarás que algo vá da
garganta aos pulmões, o que seria fatal para ti. Se vês algo que
te agrada num prato que está diante de outro comensal, não o
tomes, para que não sejas considerado grosseiro. Após a
refeição, lava as mãos, porque é higiénico e elegante: são
muitos os que sofrem moléstias dos olhos por tocá-los
sem ter lavado as mãos depois das refeições.
Se alguma coisa cai no chão enquanto assoas o nariz, deves imediatamente pisá-la com o pé. Assoar o nariz no chapéu ou na roupa é grosseiro, e fazê-lo com o braço ou cotovelo é coisa de mercador. Tampouco é educado usar a toalha. Limpa, imediatamente, o muco na manda solta da mão, porque é muito mais reprovável assoar o nariz à toalha. Não cuspas na mesa, nem na bacia, quando não conseguires engolir o que tens na boca, atira-a ao chão.
O corpo humano é tido como “Templo do Senhor” para de cuspir, bocejar, soltar gases, quando estás à mesa.”
O peixe era comida às sexta-feira, por questões religiosas. Era uma autêntica festa, para os mais pobres, porque a Lei de Deus defende, que todo o peixe que sobrasse seria entregue graciosamente aos pobres. Como o peixe era o mais abundante e acessível e para evitar que o peixe fresco apodrecesse, as famílias nobres ofereciam o peixe, em condições duvidosas, à população.
- A diferença entre os dias normais e os festivos eram muito grandes, do ponto de vista alimentar, especialmente para os mais desfavorecidos .
Nas casas dos ricos os dias de comemoração, o armazenamento e os preparativos eram longos e feitas de forma desproporcional: muita e variada carne de caça: gamo; Veados, javalis, cervo, corça; lebre; abetarda; perdiz; grou; pato bravo; garça; galinhola, etc. Carne de criação: carneiros, vacas, porcos, cabritos, patos, galinhas, borrachos para caldos, coelhos, rolas, etc. Quantias enormes de pães, vinho e fruta da época em abundância.
Os senhores medievais começavam a caçar alguns dias ( até semanas ) antes do banquete.
Charcutaria e enchidos vários, como chouriços e linguiça.No caso de alguma especifica festa religiosa o consumo era ritual: bacalhau no dia de Natal, farro no Carnaval, cordeiro na Páscoa, ovos e queijos na Ascensão, ganso em Todos os Santos.
Nos legumes temos: Couves, abóboras, cebolas, espinafres, para sopas e acompanhamentos com grão-de-bico, favas e lentilhas couves e feijões.
As ervas aromáticas, já bastante conhecidas, como o tomilho, o alecrim e o manjericão, junto ao pouco azeite de oliveira
Da fruta fresca se passava à fruta seca e às conservas e doces de fruta. Fabricavam-se conservas e doces de cidra, pêssego, limão, pera, abóbara e marmelo. ªDe laranja se fazia a famosa flor de laranja, simultaneamente tempero e perfume
CALDO DE RETEMPERO
SALADA DE FEIJÃO-FRADE COM ABÓBORA E OVO
NABADA
MIGAS DE TRIGO
PEIXE COM FRUTOS SECOS
BACALHAU ENSOPADO
Os materiais para uso diário eram:ESCUDELAS; TERRINAS; PÚCAROS E VASOS
Sunday, 21. December 2008, 03:30:13
– Contribuição na divulgação do Património Mitológico Popular Português e Etnográfico
Um exemplo disso são as lendas de mouras encantadas que têm as suas raízes na cultura tradicional portuguesa, tendo origem em mitos que nos chegaram através dos povos indo-europeus – Celtas, Lusitanos, etc – foram modificadas até se colarem à memória da presença árabe.
Histórias enrodilhadas em mistério, pontos por esclarecer, insinuações pouco claras, recantos mal iluminados. Acções cruéis do mal sobre o bem, com final feliz, mas sempre dramático. Paisagens recônditas ou pelas formas sinistras que os ramos das árvores assumem ao anoitecer.
Lendas passadas de boca em boca à luz da candeia ou da lamparina de azeite, na solidão da noite invernal e do aconchego familiar. Aquelas personagens míticas ganhavam vida nos serões gélidos, passados em redor da lareira e, enquanto se ouvia o gemido do vento sobre a chaminé, aquele isolamento opressivo tomavam vida na voz de quem as contava e no espírito de quem as ouvia. Muitas destas histórias perderam-se ao desaparecerem. As últimas pessoas que as albergam na memória, são aquelas que, numa pequena minoria, recordam a expressividade dos entes queridos, já desaparecidos, a narrarem com um misticismo que sobreviveu e chegou aos nossos dias graças ao registo verbal e ao medo que sentiram quando as ouviam, gravando desta forma na memória.
A crença em bruxas existia em todas as regiões do país, com pequenas diferenças nas características que lhes eram atribuídas. Acreditava-se que estas mulheres tinham um pacto com o diabo, de quem recebiam os poderes malévolos que possuíam e reuniam-se, à noite, nas encruzilhadas para fazer os seus feitiços.
Em muitos relatos é referido que estas mulheres deslocavam-se voando e chupavam o sangue das crianças. Outra crença associada às bruxas dizia que na sua presença qualquer animal se recusava a andar.
A maior parte das lendas portuguesas que falam de lobisomens, embora utilizem esta última palavra, descrevem criaturas que são metade homem e metade cavalo. Tratava-se de homens de cor pálida e mãos anormalmente calejadas que, durante o dia, tinham uma vida normal, mas em determinadas noites da semana, ao chegar a meia-noite, se transformavam num misto de homem e de cavalo, correndo furiosamente até de madrugada e atacando tudo o que lhes surgisse no caminho. De manhã regressavam a casa, exaustos, já sob forma humana. Tendo em conta esta característica tão peculiar dos lobisomens da traição portuguesa. Teófilo Braga refere-se a estes lobisomens como “asinomens”, termo que parece adequar-se plenamente a estas criaturas
É tradição aí que foi uma Moura Encantada que veio pelo Oceano com as pedras à cabeça e a fiar. Quando chegou a terra, acrescenta a lenda, pôs os penedos na posição em que ainda hoje se achas e sumiu-se por baixo deles. Também se conta que na construção do convento da Vila da Feira, foram vistas Mouras Encantadas a acarretarem pedras à cabeça, e a fiarem ao mesmo tempo Conta-se, acerca de muitos locais de Portugal, que existem duas arcas – ou duas portas para salas diferentes – e uma delas encerra um enorme tesouro. Como as duas arcas são exactamente iguais só ao abri-las será possível descobrir qual das duas contém o tesouro, mas ninguém se atreve a fazê-lo porque a outra encerra a peste que, se for libertada, causará uma epidemia devastadora.
Os tesouros fabulosos guardados pelas mouras encantadas; o romantismo e melancolia que estão presentes em quase todas estas lendas – na maior parte dos casos as mouras foram encantadas por motivos trágicos –; figos que se transformam em ouro; o cântico triste que as mouras entoam enquanto penteiam o cabelo ao luar; bem como a beleza que lhes é atribuída e os magníficos palácios – muitos deles subterrâneos – onde vivem, são, entre outros, elementos que se repetem frequentemente nas lendas de mouras encantadas.
ADIVINHA
Entre trinta e duas pedras brancas
Está uma moira encantada;
Quer chova, quer faça sol
Sempre está a moira molhada. = língua.
Mas muitas outras entidades, umas benévolas, outras aterradoras, povoam o imaginário do nosso país, como é o caso das Almajonas. Leite de Vasconcelos refere a existência destas entidades maléficas em lendas do Minho e da Beira Alta, a quem também chamavam Armajonas ou Almazonas. Eram almas penadas que apareciam sob a forma de mulheres muito altas e magras, inspirando um terror irracional a quem com elas se cruzasse.
Merece especial atenção a parte referente às Maias, que no sul do País são celebrações realizadas em Maio e terão eventualmente origem no culto da antiga Deusa Maia, que, segundo os irmãos Ferreira do Amaral, poderá derivar da arcaica Deusa-Mãe Cujo culto foi trazido para o Ocidente por povos indo-europeus vindos pela via mediterrânica, na movimentação dos chamados Povos do Mar, ocorridas no fim do segundo milénio a.c..
Tal como as Moiras da tradição portuguesa se encontram nas imediações de poços e/ou fontes, também as três Nornas germânicas, equivalentes às três Moiras helénicas, se reuniam em torno dum poço.
Wednesday, 17. December 2008, 12:13:12
Terra Lusitana
In hoc signo vinces, (com este sinal vencerás).
A Língua é a minha Pátria.
Sempre que alguém desaparece, morre expressões únicas das vivências dos seus antepassados.
Por cada palavra que não foi escrita e ninguém mais a usa, perde-se uma herança imaterial de toda a humanidade. É como um pássaro que morre, levando com ele um tom de assobio que nunca mais irá ser ouvido.
Os sentimentos que as palavras carregam, são como as nuances das cores numa tela famosa. Por vezes suaves, quase imperceptíveis, mas indispensáveis para demonstrar a essência do conjunto.
Para que as palavras não caiam num surdo trepidar de memórias enterradas…
Para que não hajam mais lamentos das palavras esquecidas
Criei o DICIONÁRIO REGIONAL DE SANTA MARIA DE LHAMAS
Para não falarmos todos monotonamente iguais, baseados numa globalização muito em voga, que ajusta o mundo actual a uma grafia e oralidade anglo-saxónica, transformando o ideal em instrumento utilitário e objecto económico momentâneo. Esquecemos muitas vezes a origem caseira das nossas palavras. Os ditos e desditos dos nossos antepassados são relegados para o esquecimento total, como se tratasse de inútil e ultrapassado.
Porque há nesta matéria um apelo à imaterialidade de um património associado ao cultural e social, julguei útil e pertinente, neste dicionário de termos específicos da região, como forma de recuperar para TODOS OS LAMACENCES o linguarejar que herdamos. Dando a conhecer as divergências na forma de sintaxe, na morfologia e na ortografia, que enriquece a Língua portuguesa.
Procurei adicionar ao trabalho o maior número de palavras possíveis e com a máxima abrangência, consultando o maior número de pessoas idosas nativas, para recolher da oralidade o seu potencial criativo, recuperando, assim algumas palavras e as suas variantes existentes.
A riqueza da Língua portuguesa não vem só com os escritores e poetas do Brasil, Angola, Moçambique e Cabo-Verde, dando-nos um colorido cultural «bilingue» que dialogam por um passado que não se esqueceu, adoptando com especial afeição este instrumento de comunicação que é a Língua Mãe, o qual leva intrínseco culturas que nos mimoseiam desde há séculos.
Quando lemos livros desses países, precisamos dum extenso glossário para «traduzir», com o objectivo de conseguirmos perceber algumas frases e os seus respectivos contextos. Com uma diversidade poética extraordinária. Ficamos espantados com a maleabilidade deste nosso idioma, e quão belo se pode tornar na mão dos artistas da linguagem.
Mas a riqueza que pretendo protelar, está mesmo no universo mais íntimo de cada ser humano e na forma interpretativa de ele ver o mundo na sua medida simples e prática da região que provém.
A urtugrafia nã subestitui a límgua pur mais errus ke dêz, intendesse senpre, pressiza é de mais atemssãu
1.Abafar - Roubar
2.Abancar – Levanta-te (Tás sempre a abancarte)
3.Abécula - cretino; imbecil; burro; besta; calhau; cavalgadura; estafermo
4.Abispa-te – Põem-te esperto. Tem cuidado.
5.Adregues – Atrevimento (Não te adregues pois levas!)
6.Aéreos – Euros
7.Afiambrar - Roubar
8.Afinfa-lhe - Atira-te (à comida; à rapariga...)
9.Afinar – Ficar chateado (estás a afinar)
10.Agorim – Fruto parecido com uma ameixa e damasco.
11.Aí Jesua! – Aí Jesus!
12.Alhada – Sarilhos. Confusão.
13.Alheta – Pôr-se a milhas! Desaparecer.
14.Alapar – Sentar.
15.Alanca – Saí daí, levanta-te
16.Alcofa – Escova, delator; recipiente para transportar rolhas
17.Aldrabona – Mentirosa
18.Alumia – Ilumina
19.Alumiar – Dar luz (direccionar o feixe de luz para o ponto desejado)
20.Aluquete – Fecho, cadeado
21.Andar no Loró – Só querer passear.
22.Ao dependuro – Trazer a amostra. Desajeitado
23.Aquilho – Aquilo
24.À pala – De borla.
25.Araças – Árvore que dá uma flor bonita, parecido com uma japoneira e um fruto parecido com uma romã pequena
26.Aramenha – Armadilha para pássaros.
27.Arreganhado – Com os dentes de fora. Pronto a atacar. Escarnecer e troçar (Taxa arreganhada)
28.Arriar – Deixar. Não ter força.
29.Arisca – Endiabrada. Irrequieta.
30.Assanhada – Difícil de convencer. Zangada.
31.Assapar – Em grande velocidade
32.Assapaste – levar tareia (já assapaste)
33.Assapo-te – Dou-te tareia
34.Assua-te - Limpa-te
35.Assurrear – Provocar. Incentivar à luta. Desinquietar.
36.Avó torta – Não me chateies (vai para a tua avó torta)
37.Atafegado – Sufocado
38.Azeiteiro – parolo. Parvo. Desactualizado. Chunga.
39.Azucrinar – Aborrecer
40.Babeiro – Babete
41.Badalhoco – Porco. Sujo. Asneirento.
42.Badum – Bedume. Gordura
43.Bai-me à loja - Não me chateies. Vai-te embora. Desaparece
44.Bambarqueiro – Jogo do Eixo.
45.Bandalheira – Confusão. Desorganização.
46.Bandalho – Pessoa descuidada. Malfeitor.
47.Bandulho - Estômago (referindo-se ao comer demasiado. Encher o bandulho)
48.Banzado – Admirado. Surpreendido.
49.Baleia – Gorda (expressão usada como depreciativa).
50.Barbeiro – (Está um barbeiro!) Está muito frio.
51.Barregos – Berros, gritos
52.Basculho – Investigar ou metediço “Meter o nariz onde não é chamado”
53.Batoque – Gordo.
54.Bazar – ir embora. Dar de frosques.
55.Bedelho – (Meter o Bedelho) . Meter o nariz onde não é chamado.
56.Beita – Vagina.
57.Bentas – Cara (dou-te nas Bentas – Bato-te na cara) (Estás com umas bentas – fazer má cara)
58.Berdina – Malandreco.
59.Betum – Betume
60.Bilharacos – Filhoses. Filhós. Bolinhos de Abóbora-menina
61.Bilharda – Virilha. (coçar a bilharda – não fazer nada)
62.Biqueiro – Pontapé
63.Bilhontra- Velhaco, intrujão, estúpido
64.Bisca – (És uma bisca). Tens a mania que és esperto!
65.Bixigueiro – Pessoa engraçada.
66.Bisca – Jogo de “sueca”.
67.Bolina – Correr desenfreado. Correria louca. Abóbora-menina
68.Bolir – mexer
69.Bregalho – Pénis.
70.Briol – Frio
71.Bronco – Pessoa estúpida. Ignorante.
72.Buba – Bebedeira.
73.Brugesso - Burro, estúpido
74.Burro – Faca de quadrar cortiça
75.Butes – Ir a butes (ir a pé)
76.Cabaça - Abóbora
77.Cabaço - (Dar cabo do cabaço) Insistir no mesmo assunto sem importância. (Rebentar com o cabaço – Desflorar)
78.Cachimónia – Cabeça. Levar tareia (levas na cachimónia)
79.Cachopa – Garota. Miúda
80.Cadulhos – Grumos
81.Chafarrica - Coisa de pouco valor
82.Chanatas – tamancos. Sapatos grandes
83.Caga-tacos – Insignificante. Pequeno. Malandreco
84.Caibro – Barrote .
85.Caixão – Água fétida
86.Calaceiro – Malandrão
87.Calhardo – Pessoa que não presta, bandido
88.Calhau – Pedregulho. (És um calhau com dois olhos – estúpido)
89.Cambalhota – Cometer adultério.
90.Canastro – Espigueiro, levar tareia (levas no canastro)
91.Caniças – Armação em vime que faz parte do carro de bois.
92.Caniço – Canastro
93.Caramelo – Uma pessoa estúpida mas inofensiva.
94.Cardina - bebedeira
95.Carcanhol - Dinheiro
96.Carago - Chatisse. Expressão de incómodo. Caramba Bolas.
97.Caraigo – o mesmo que carago
98.Carga de lenha – Grande tareia
99.Carreiro – Viela. Caminho estreito
100.Carrispana – bebedeira
101.Caroca – Tampa, cabeça.
102.Carucho - (o que dizes já tem carucho) Não cumprir com uma promessa. Repetir a mesma coisa.
103.Caxé – Café.
104.Cavalgadura – Estúpido. Besta. burro
105.Cerzina – Pequena ave que habita junto a riachos.
106.Chacha – Conversa da treta ( conversa de chacha).
107.Cheta – Dinheiro (sem cheta)
108.Chiça – Caramba. Bolas.
109.Chicha – Carne
110.Chisco – Muito pouco (“Um pouco de nada”)
111.Chivo – Aquele que acusa outro, delator, pequeno carneiro
112.Chiqueiro – Sujo
113.Chimpaste – Já levaste. Levar castigo. Jà pagaste
114.Chofres – Fugiu (deu de chofres)
115.Cinisga – Vagina. Cernaita.
116.Cramalheira – Comer desalmadamente (pareces uma cramalheira)
CRENCO - MURRO
117.Crica – Vagina.
118.Crivos – Vícios. Com vontade de …
CRONHO - OTÁRO
119.Coca – Atento (“Põem-te à coca” Fica à espreita)
120.Coirão – Levar na cabeça ou no corpo.
121.Copo-de-três – Medida de vinho servido num copo específico
122.Concharra – Carica, cápsula.
123.Corpansil - Ter bom físico
124.Cusca – Metediço. Curioso.
125.Deitar Estrelas – Lançar papagaios
126.Desfaçada – Descarada
127.Desenganada - Desflorada. Pessoa com doença grave
128.Despor – Plantar em linha recta
129.Égua – Estás com uma égua – estás bêbado.
130.Elhástico – Elástico
EMBURRICAR - BEBER DEMASIADO
131.Emborcar – Beber em demasia.
132.Empanzinado – Farto
133.Empecilho – Empedimento. Pessoa que estorva
134.Encanar – Beber sem moderação
135.Enchinho – Ancinho
136.Engalhado - Pegar à bulha
137.Enxugalhar – Enxugar.
138.Esbaforida – À pressa. Sem fôlego.
139.Esborrachado - Magoado.
140.Escadias – Escadas
141.Escangalhar – Destruir
142.Escravelho – Motorizada.
143.Escumalha – Mau carácter. Pessoa sem valor.
144.Escupir – Cuspir.
145.Esgadanhado – Arranhado.
146.Esganifado – Magricela.
147.Esparramado. Estendido
148.Estás fino? – Estás bem? ; Estás melhor?
149.Estepurado – Malandreco. Estupor.
150.Estrafegar- esfolar, matar
151.Estrilho – Confusão.
152.Estroina – Gastador
153.Estropício – Irrequieto, malandreco
154.Estadulho - Pau que segura a sebe (ou caniço) no carro de bois. (Levar com um estadulho) é levar com um pau
155.Esticar o pernil – Morrer.
156.Estruvilho – Estorvo. Pessoa que só aborrece os outros.
157.Excrementa – Experiência (que te sirva de exemplo ou lição); não excrementes (não tentes)
158.Fagulha – Faúlha
159.Faniqueira – Fio para puxar o peão.
160.Fanico - Morreu.
161.Farpa – Flatulência.
162.Farrobodó - desordem, desorganização
163.Ferrar – Morder.
164.Flausino – Desajeitado. Feio.
165.Filhetes – Filetes
166.Fleca – Neve
167.Fessureira – Lésbica.
168.Folgo - (Sem folgo)sem ar. Sem espaço. (é só um folgo) réstia de vida
169.Fonhasse! – Quando se magoa ou está a fazer uma tarefa e acontece uma coisa imprevista. Quando está aborrecido com alguém ou porque foi incomodado (Pára!)
170.Fogueiro – Pau do carro de bois. Estadulho.
171.Fox – Lanterna
172.Fraudiqueiro - Ter atitudes infantis. Criancices. Desmazelado
173.Frincha – Espaço entre tábuas. Pequeno buraco na parede. Mirone. Gosta de espiar casais de namorados.
174.Fronha – Cara
175.Frosques - Fugir. Ir embora
176.Fulheta – latão
177.Fura-olhos – Libelinha
178.Fuscasse – o mesmo que Fonhasse
179.Gaipo – Cacho de uvas
180.Gadanho – Pequena foice
181.Gadelhudo – Desgrenhado. Desalinhado. Cabelo sujo e comprido.
182.Gandulho – Pessoa de má fé. Mafioso.
183.Gaifinar – Roubar.
184.Galiqueiro(a) – Doença das galinhas. Também designa alguém que é pelintra ou palerma.
185.Gapeira - Entupido das narinas ou costipado
186.Gamar – Roubar.
187.Gambuzinos – Seres imaginados. Sair de noite e não saber o que fazer (andar aos gambuzinos)
188.Ganapo – Miúdo
189.Gancheta – Roda de Bicicleta sem raios nem pneu empurrada por um ferro em forma de u
190.Ganapada - Fazer coisas de miúdos, só faz asneiras. Infantilidades
191.Garina – Namorada. Rapariga.
192.Gáspea – Rapidez.
193.Gato pingado – Pessoa que se faz passar por rico. Sem cheta.
194.Gazeira – Endiabrada.
195.Gingeira – Pessoa manhosa. Conhecer bem a pessoa. "Conheço-te de gingeira" = (Conheço-te há muito tempo para agora me queres enganar)
196.Gigo – Cesto em vime
197.Ginga – Meneia as nádegas (se for mulher). Abana ou faz barulho (este banco ginga).
198.Giro – Dar uma volta. É giro – é bonito.
199.Graxa – Dar graxa – dar elogios despropositados.
200.Grela – Chato. (tu és uma grela!)
201.Guaripa – Guarita
202.Guizos – Testículos
203.Hortilanas – Comida Gourmet imaginária.
204.Imbigo – Umbigo.
205.Indrominar – Envenenar. Falar mal de alguém sem razão.
206.Injuriado – Envergonhado
207.Ispiche – alcatrão líquido
208.Jarrafão – Garrafão
209.Jacobino – Aldrabão
210.Jogo do Pica – Derrubar um pau do adversário espetado no chão e atirá-lo para longe, fazendo um “cerco” à volta do “castelo dele”, enquanto ele não chega.
211.Lábia – Muita conversa. Gabarola.
212.Lhá – Lá
213.Lambe-botas – Pessoa que tenta agradar exageradamente a um superior (Escova. Graxa. Alcofa)
214.Lambão – Comilhão
215.Lampeiro – Tomou o lugar. Malandro.
216.Lamiré – Falar o que não devia (dar ao lamiré)
217.Landorca – Baleia. Gorda.
218.Larica - Fome
219.Lavadura – Lavagem. Restos de comida que se guarda para o porco.
220.Lhamas – Lamas
221.Lharosa – Lourosa
222.Lambisgóia – Descuidada. Má fama
223.Larilas – Homossexual.
224.Laroca – Patanisca.
225.Lavagem – O mesmo que Lavadura
226.Lavajona – Porca. Suja. Desajeitada.
227.Lele – Homossexual. Maricas.
228.Levandisca – Lavandisca ou Alvéola-branca (Motacilla alba). Pássaro cinzento de cauda sempre a mexer.
229.Lerpar – Perder.
230.Línguas-de-gato – Doce espalmado seco.
231.Liveiro – leve
232.Lonas – Sem dinheiro.
233.Lorpa – Palerma.
234.Macambúzio – Palerma
235.Malapeiro – Parolo
236.Magnório – Nêspera
237.Malhada – Tareia. Manchada.
238.Maneia-te! - Mexe-te! Corre!
239.Maricas – Homossexual
240.Marosca – Cilada
241.Matraca – Fecha a matraca – cala-te.
242.Megalheiro – Mealheiro
243.Meia-leca – Pequeno.
244.Melga – Pessoa que aborrece. Insistente. Chato.
245.Meneino – Menino
246.Mijinhas – Andas a fazer isso às mijinhas (nunca mais acabas o que andas a fazer)
247.Mocho – Banco pequeno de três pés.
248.Moflaites – Comida imaginária.
249.Moina – Manhoso
250.Molengona – Preguiçosa
251.Molete - Pão de trigo. Carcaça. Papo-seco. Bijú
252.Moliço – Caruma. Agulheta.
253.Moncar – Fazer troça de alguém.
254.Morcona. Estúpida. Parva.
255.Morrinha – Chuva miudinha. Preguiçoso (Hoje estás com a morrinha)
256.Mociço – Maciço
257.Morcão (Morcón) - Palerma
258.Morfes - Comida
259.Morfar - Ir comer
260.Morrosól - Palerma, lento
261.Mula-russa – Manhoso.
MULANQUEIRO - Malandro, canalha
262.Murraça – Vinho fraco. Vinho feito a “martelo”.
263.Nervento – Nervoso
264.Népia – Nada.
265.Nique –Raios te nique (raios te partam). Que se nique (não quero saber)
266.Niques – Não me niques (não me chateies)
267.Niquesse (Niquex) - Que se dane. Expressão usada para quando a pessoa se magoa.
268.Otário – Estúpido
269.Ourado . Mal disposto.
270.Ouros – Euros
271.Paciências – Doce seco pequeno e redondo
272.Pacote – Rabo de mulher.
273.Pachacha – Vagina.
274.Padamão – Palerma. Estúpido.
275.Paleio – Conversa se interesse.
276.Pascácio – Palerma
277.Parreca – Vagina.
278.Planteado – Plantar
279.Pantufada – Pontapé.
280.Paspalho - Mentiroso e aldrabão
281.Paspalhão –Parvalhão
282.Pataganhar – Pisar. Sujar.
283.Paralelo – Copo de vinho branco com águas com gás e açúcar amarelo.
284.Penalty – Beber de emborque. Beber rápido e tudo.
285.Pecante _ "És um pecante!" (pessoa sem “cabeça”, juízo ou infeliz)
286.Penantes - Ir pelo próprio pé
287.Peneiras – Vaidade saloia (aquela tem cá umas peneiras!)
288.Perdeirinho – Pássaro pequeno que faz ninho nas paredes das casas abandonadas.
289.Peta – Mentira.
290.Peto – Pessoa que não sabe fazer nada.
291.Piasca – Pequeno pião. Bebedeira.
292.Píbia – Masturbação.
293.Piço – Sorte.
294.Piçudo – Alguém com sorte.
295.Piela – Bebedeira
296.Pieiro – Sem força nas mãos. Deixa cair tudo.
297.Pilhau – Pénis de criança
298.Pingarelho – Torcida. Pessoa pouco importante que se faz passar pelo contrário. Convencido.
299.Pinha – Maluco, atrevido (não ser bom da pinha)
300.Piau – Apoio da lareira
301.Picar – Incentivar a uma briga
302.Pífo – Bebedeira.
303.Pilhancra – Velhaco.
304.Pipi – vagina de menina.
305.Pinhanha - Mexer a perna (dar à pinhanha)
306.Pinchar – Saltar
307.Pívedas – Pevides
308.Pirolito – Bebida refrescante. Laranjada
309.Põem-te em Termos – Porta-te bem
310.Poio – Fezes.
311.“Pois canté” – Quem dera.
312.Polho – Deixar ao abandono.
313.Pombinha – Referente à vagina de uma menina
314.Pontas de Paris – Tachas pequenas
315.Poxa – Bolas. Caramba.
316.Pregadeiras – Molas da roupa
317.Presumar – Aprumar. Pôr bonito.
318.Puxar a culatra – preparar-se para dar uma bofetada.
319.Jarda – (Está com uma jarda!). Estás Bêbado!
320.Quilhapos – Testículos
321.Quilhar – Tramar.
322.Quilhómetros – Quilómetros
323.Quilhos – Quilos
324.Quiza – Chato. Insistente.
325.Rabanada – Rajada de vento.
326.Ramada - Bebedeira
327.Rapanar – Roubar
328.Rapa-colheres – Girinos
329.Rapinanço – Roubo
330.Rapinar – Roubar.
331.Rateira – Ratoeira.
332.Receita – Bebida refrescante (cerveja; vinho branco; açúcar e gasosa)
333.Refilho – Refi-lo.
334.Rego – Rasgo no terreno
335.Reca – Motorizada
336.Refugo – Fraco. De pouca qualidade. Lixo
337.Regueifa – Pão típico de Gongomar que aqui representa o traseiro de uma mulher.
338.Rela - Motorizada. (És uma rela – estás sempre a dizer a mesma coisa)
339.Reles - Não me chateies. (não me reles a cabeça). Pessoa difícil e de má índole (tu és mesmo reles)
340.Remoalho – Borra do café.
341.Renssóis – Rissóis
342.Resonguda - Pessoa áspera.
343.Rijões - Rojões
344.Ronha – Manha. Enganador.
345.Rosca – Estar embriagado e tentar disfarçar
346.Rufia - Ser do contra
347.Samarra – Sobretudo de Inverno
348.Selo – Bofetada. “Levas um selo” – levas uma bofetada. Sujar as cuecas.
349.Semelada – Triste. Apagada.
350.Sirigaita – Irrequieta. Criançola.
351.Sol-e-sombra – Copo de vinho branco misturado com tinto
352.Sólheiro – Pessoa que gosta de falar da vida alheia. Pessoa sem crédito.
353.Songa – Falso, velhaco, desleal, enganador, fraudulento, garoto, maroto, patife, pérfido, traiçoeiro, sonso
354.Songa-monga – O mesmo que songa
355.Sopapo – Bofetada, Queda
356.Sote – Sotão
357.Sulipa . Bisca. 7 de um naipe e a 2ª mais importante que vale 10 pontos.
358.Surraipa – Zurrapa
359.Surrasco – Churrasco
360.Tara- Maluco
361.Tartulho – Tipo de cogumelo que nasce espontaneamente nos montes.
362.Testo – Tampa da panela
363.Trambolho – Pessoa sem valor ou coisa que se guarda mas que é lixo.
364.Trapaceira – Pessoa manhosa, enganadora.
365.Tratante - o mesmo que songa
366.Traulitada – Pancada. Relação sexual.
367.Tresorelho – Papeira
368.Trengo – Burro. Estúpido. Falta de jeito.
369.Tringalha – Forma carinhosa de referir o pénis de uma criança
370.Tocar-ao-bicho – Masturbação.
371.Tora – juízo
372.Tosga – Bebedeira
373.Trinca-espinhas – Magro.
374.Trombada - Cunilingus
375.Troxa-mocha – De qualquer maneira
376.Trumba!... – Expressão que significa queda
377.Trupar – Bater à porta de alguém
378.Truses – Cuecas de homem
379.Turra – Combatente africano na Guerra do Ultramar. Dar uma cabeçada (dar uma turra)
380.Tusto – Sem dinheiro (sem tusto)
381.Ventas – Levar nas ventas - apanhar uma bofetada na cara. Estás com umas ventas (de mau humor)
382.Verga - Pau de marmeleiro (para bater em alguém).
383.Vígaro – Mentiroso. Aldrabão.
384.Xoné - Pessoa que não regula bem da cabeça. Maluco.
385.Zoar ao ouvido – Estás-me a zoar ao ouvido - Discutir sem assunto. Lançar um boato (Zou-lhe ao ouvido - constou-se que…)
386.Zonzo – Mal disposto. Ourado.
387.Zumba – Expressão que significa a acção. Cair no momento ou atirar algo a alguém.
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