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Delegados de Propaganda Médica - Um Imposto* que todos pagamos!

Ora bem, de volta a temas sobre o Mundo Farmacêutico, e quanto a este tema não consigo ficar indiferente...

Desde que cá cheguei que fiquei absolutamente pasmado com o preço dos medicamentos genéricos que aqui se praticam. Os preços dos medicamentos genéricos no Reino Unido são incrivelmente mais baratos que em Portugal, de uma forma que não pensava ser possível! Isto deixou-me completamente perplexo e com um sentimento de perfeita indignação!

Pois bem, e qual a razão para esta situação? As patentes das várias substâncias activas têm dimensão mundial (e portanto caducam simultâneamente, ficando os genéricos simultâneamente disponíveis); O mercado é tão vasto no UK como em Portugal a nível de oferta de "marcas" de genéricos; além disso os medicamentos que aqui estão disponíveis são produzidos em indústrias farmacêuticas baseadas no UK, com mão de obra britânica (portanto com maiores custos de produção) e mesmo assim praticam preços incrivelmente mais baratos!

Haverá então algum imposto extra que se paga em Portugal, para explicar esta diferença de preços? SIM, e chama-se IDPM - Imposto Delegado de Propaganda Médica*


Um exemplo com valores actualizados:

O medicamento que provavelmente mais expressão tem à escala mundial: Sinvastatina

Portugal: (Talão de uma farmácia Portuguesa, Agosto 09)

Sinvastatina 20 mg - 60 comprimidos = €27,66 (e estou a usar um genérico baratíssimo, pois o preço de referência para o Sócrates é €39,53!!!!)

Reino Unido: (Preços segundo o Drug Tariff Outubro 2009):

Sinvastatina 20mg - 28 comprimidos = £1,02 (Isto dá um preço de £2,21 = €2,44 por 60 comprimidos)

Agora tentando perceber o que acontece nos 2 casos.
Portugal: Uma senhora reformada paga por 2 meses de medicação 17,43€!. O estado neste caso paga 10,23€ ao comparticipar parte do preço. A farmácia Obviamente compra este medicamento a um preço mais barato que 27,66€ e obtém o seu lucro na diferença entre compra e "venda".
Reino Unido: Um qualquer utente com mais de 60 anos não paga absolutamente nada pela medicação (tal como a quase totalidade da população). O estado tem como despesa os €2,44 + 1,00€ (pago à farmácia pela dispensa de um qualquer medicamento) = €3,44. A Farmácia ganha 1,00€ (dispensing fee) com a dispensa deste medicamento, uma vez que paga €2,44 pelo medicamento, que é exactamente o valor que o estado reembolsa a farmácia.

Isto só tem interesse para gente da área, mas cá vai a explicação de como funciona o estabelecimento dos preços e financiamento da farmácia no UK:

O estado estabelece mensalmente o preço que é justo pagar por determinado medicamento. (£1,02 pela Sinvastatina 20mg - 28 comp). Esse é o preço que a farmácia paga por este medicamento, independentemente do distribuidor a quem compre e do laboratório (marca do genérico) que produz o medicamento. Assim a farmácia não faz nenhum lucro na compra e "dispensa" do medicamento, pois o estado reembolsa a farmácia exactamente pela despesa que teve na aquisição do medicamento. Para financiar a farmácia, o estado paga uma taxa fixa de aproximadamente €1,00 por cada item dispensado (quer seja uma Aspirina, quer seja uma Gabapentina). Mesmo com estes preços super baixos, as farmácias ainda conseguem dos distribuidores um desconto na conta final a pagar, o que também no final ajuda no financiamento das farmácias.

Alguns preços de genéricos no UK:
Tamsulosin 400microgram modified-release capsules 30 - £4,58
Omeprazole 20mg gastro-resistant capsules 28 - £1,77
Ramipril 10mg capsules 28 - £1,46
Amlodipine 10mg tablets 28 - £1,26


Incrível??
Talvez! E qual a grande diferença? A ausência de delegados de propaganda médica* (e tudo o que este conceito engloba)! Aliás, na farmácia aqui andamos sempre às cabeçadas à procura de canetas! É que nem canetas de propaganda médica!

Mas para que servem os Delegados de PROPAGANDA médica? (e não de informação médica como eles aspiram a ser tratados)
A dúvida que sempre surge é se será obrigação profissional e deontológica de um profissional qualificado na área da saúde (Médico/Farmacêutico/Dentista/Enfermeiro etc) de procurar uma actualização permanente dos seus conhecimentos através de fontes imparciais e fidedignas conhecendo as mais recentes "guide-lines" e estudos científicos sobre as suas áreas de actuação, ou se por outro lado será aceitável que obtenham toda essa actualização de conhecimentos através de um individuo(a) com o 9º ano mal acabado e que tenha sido metido à pressão dentro de um fato e adornado com uma gravata ao pescoço e que apresenta como características gerais um paleio digno de um político, uma generosidade digna de um Pai Natal e um sex-appeal capaz de fazer subir a pressão arterial de um morto! Penso que a resposta será diferente caso falemos de um país do primeiro mundo ou de um país de terceiro mundo.



Alguns factos curiosos acerca dos delegados de propaganda médica:

- Aqui (UK) os poucos que existem são farmacêuticos e têm reuniões com os PCTs (ARS - Administração Regional de Saúde). A maior parte estão proibidos de entrar nos centros de saúde.

- Lembra-me que em Portugal um médico recebia €5 por cada Tamsulosina de uma certa marca que prescrevia (os famosos genéricos de marca!) - Aqui não dava por o mesmo medicamento custa cerca de €5! (claro que ao custar praí 30€ dá para desviar 5€ do bolso do utente para convencer o médico a prescrever o tal genérico de marca)

- Em Portugal os DPM são autênticos vendedores ambulantes. Vendem directamente às farmácias com bónus de compras até 300%!! Ou seja, a farmácia paga 100 e recebe 300 caixas! (Como é que o estado pode estabelecer preços de referência tão altos! Pelos vistos a indústria farmacêutica portuguesa consegue custos de produção muito mais baixos!)

- Em Portugal estes individuos andam com as malas cheias de brindes para agradar a médicos e às farmácias, enquanto que aqui nem canetas dão!

- Uma "informação" médica totalmente parcial. Uma vez um tentava-me convencer que não fazia sentido usar Losartam (medicamento para a hipertensão) quando existe a associação Losartam + Hidroclorotazida que controla muito melhor a pressão arterial! Mas então a medicação não é ajustada em função dos resultados (não existem guide-lines?)? Vai um palerma destes tentar convencer um médico a prescrever a associação só porque a associação Losartam+Hidroclorotiazida tem uma patente mais prolongada mesmo quando o paciente tem a Tensão arterial controlada com a substância inicial?? Quem sofre no meio disto? É o "ignorante" do paciente, que sem saber porquê vive com a inconveniência de tomar um diurético, que sofre efeitos secundários de uma substância extra (cãibras, desiquilibrio electrolitico, Hipotensão portural, Hipocalemia etc)...

Em forma de conclusão podemos afirmar que afinal não é pelo facto de o UK ser um país muito mais rico que consegue oferecer um sistema de saúde de alta qualidade, gratuito a TODA a sua população! Portugal gasta MUITO MAIS e ainda faz um pobre reformado pagar 17,43€ por 2 meses de tratamento com sinvastatina! Bem, parece que agora os reformados com menos rendimentos também recebem a medicação de forma gratuita o que é um presente envenenado para a população, uma vez que neste caso seria o estado a pagar os 27,66€ (em vez dos 3,44€ que gastaria o governo Britânico!).. Afinal de contas o estado somos todos nós!

* Imposto Delegados de Propaganda Médica:

- Salários de uma inteira classe trabalhadora desnecessária (que constitui uma fatia enorme dos recursos humanos da Indústria Farmacêutica.)
- Bónus na venda a farmácias. (chegam a 300%!)
- Todo o tipo de brindes a farmácias, mas sobretudo à classe médica. (De Portáteis a viagens!)
- Congressos de PUBLICIDADE médica, nos melhores hotéis e com jantares com muita classe.
- Lampreia...

Vendo bem estas despesas,sobretudo sabendo o preço da dose de lampreia, se calhar os preços dos medicamentos em Portugal até são bem baratos!!


(Já agora que falo sobre a farmácia, aproveito mencionar a vitória do Prof Mauricio Barbosa nas eleições prá Ordem dos Farmacêuticos! A ver se isto melhora)



Dúvida: Como é que se faz para juntar dinheiro? Politics by Boris...

Comments

Anonymous 23. October 2009, 19:25

André Lage writes:

Eugénio, este post é fantástico. Vou fazê-lo chegar a tanta gente quanto possível.
O que relatas é a mais pura realidade e é, no mínimo, um nojo. Hoje estava a ler o Drug Tariff e a pensar como seria possível que em Portugal (um dos países mais pobres da Europa)os medicamentos fossem tão caros. Chego a casa e apanho a Vanessa a ler este post...

Como escreveu o Jorge palma: "Ai Portugal, Portugal... De que é que estás à espera?"

Anonymous 24. October 2009, 11:33

José Rui Peixoto writes:

Optimo post!
Não fazia ideia da tamanha disparidade de preços...

O engraçado é que os Delegados de Propaganda Médica (embora tentem retirar o "propaganda", que dizem que dá ideia de regime...) são a arma de marketing mais poderosa de todo o mercado! Não há qualquer outra actividade de marketing com resultados semelhantes... e vocês dizem "ok, não admira, ao dinheiro que gastam até um cego convenciam a ver...", mas a verdade é que mostra o colaboracionismo e conivência da classe médica.

excelente post!

Anonymous 24. October 2009, 11:35

José Rui Peixoto writes:

Só para assinar o comentário de cima.

José Rui Peixoto

Anonymous 24. October 2009, 19:30

J. Rodrigues writes:

Excelente post.

Anonymous 25. October 2009, 21:12

up_north writes:

A única coisa que me ocorre, principalmente nestes dias de altíssimos deficits orçamentais, é quanto é que o 'Estado' não pouparia se adoptasse o modelo britânico...

Só uma ideia.

Sérgio

Anonymous 25. October 2009, 23:25

luis sousa writes:

Vários erros grosseiros no post que está cheio de ressabiamento.

Em primeiro, a maioria do Delegados de Informação Médica são licenciados.

Em segundo, é uma obrigação dos empregadores garantirem formação aos seus trabalhadores. O Estado não garante formação aos médicos, enfermeiros e farmaceuticos que trabalham no SNS.

Em terceiro, os reformados portugueses com baixos rendimentos têm os medicamentos gratuitos tal como no UK.

Em quarto, a comparação com o UK é estupida porque há países muito melhor governados que mantêm os DIM. O problema do nossos sistema de saúde não são os DIM.

Post míseravel e cheio de mentiras.

Anonymous 25. October 2009, 23:56

Anonymous writes:

É repugnante que num centro de saúde se possam ver quase tantos "DIM" quanto doentes, quais abutres.
Quanto a mim, dispenso a "informação" destes "delegados"...

yevgeny 26. October 2009, 00:27


Originally posted by anonymous:

Em primeiro, a maioria do Delegados de Informação Médica são licenciados.



Peço desculpa pelo erro e fico muito contente que muita coisa tenha mudado em 2 anos apenas!

Originally posted by anonymous:

Em segundo, é uma obrigação dos empregadores garantirem formação aos seus trabalhadores. O Estado não garante formação aos médicos, enfermeiros e farmaceuticos que trabalham no SNS.



E se calhar deveriam fazer mesmo exames para ter a certeza que os profissionais, pessoas adultas, andam mesmo a estudar!

Originally posted by anonymous:

Em terceiro, os reformados portugueses com baixos rendimentos têm os medicamentos gratuitos tal como no UK.



Foi exactamente isso que eu referi no post! Mas como é o estado a pagar a totalidade dos medicamentos não há problema... não temos nada a ver com o estado Português... certo?

Enquanto os Portugueses virem o estado como inimigo e não como sendo fazendo parte dele isto não vai prá frente!


Originally posted by anonymous:

Post míseravel e cheio de mentiras.


Peço imensa desculpa se este post lhe assentou que nem uma luva

Anonymous 26. October 2009, 01:39

NA writes:

Vim cá ter via www.peliteiro.com
Gostei muito do post! Fá-lo-ei chegar a tanta gente qt possível.
Vou responder ao ressabiado anónimo:

Em primeiro, a maioria do Delegados de Informação Médica são licenciados. -- Em psicologia e cursos afins que não lhes confere capacidade técnica na área farmacoterapêutica, mas sim em fz "brainwash".

Em segundo, é uma obrigação dos empregadores garantirem formação aos seus trabalhadores. O Estado não garante formação aos médicos, enfermeiros e farmaceuticos que trabalham no SNS. -- Vejamos, se ng qualificado me ensinar a construir pontes, eu não quero que seja, por exemplo, um pasteleiro a vir ensinar-me. Não havendo formação, a má "formação", ou seja, as vendas, não compensam a falta de formação que grassa.

Em terceiro, os reformados portugueses com baixos rendimentos têm os medicamentos gratuitos tal como no UK. -- Olhe q a maior parte não tem. Pagam menos, mas pagam!

Em quarto, a comparação com o UK é estupida porque há países muito melhor governados que mantêm os DIM. O problema do nossos sistema de saúde não são os DIM. -- O problema não são SÓ os DIMs, mas são uma grande grande parte dos problemas.

Post míseravel e cheio de mentiras. -- Ser DIM por não ter emprego na área de formação deve ser tramado.

Anonymous 26. October 2009, 02:23

Anonymous writes:

Corrupção, só corrupção. A partir do momento em que condenados pela justiça são eleitos como presidentes da camara, já nada tenho a dizer sobre o país que temos. Estes governantes são o reflexo do povo.

O SNS inglês é completamente distinto a sua mimetização no sul da europa impraticavel.
Estes hospitais monstruosos, autenticas aberrações, como este que vai ser construído ali no parque das nações, pertencem a um modelo completamente ultrapassado dos anos 60. No norte da Europa dão-se mais importância aos cuidados primários. Aqui ninguém com uma dor de barriga pensa ir ao centro de saúde ou à farmácia, vai logo mas é a correr para as urgências.

Somos corruptos, estupidos e atrasados, não há nada a fazer. É deste sol todo, só pode.

Anonymous 26. October 2009, 09:49

R. writes:

"Somos corruptos, estupidos e atrasados, não há nada a fazer. É deste sol todo, só pode."

É o que eu digo... O sol e o calor fazem mal!

Anonymous 26. October 2009, 19:08

Anonymous writes:

Yev,

Como se diz por cá...

You touched a nerve!

lol

Sérgio

Anonymous 26. October 2009, 23:10

Marshmallow writes:

Excelente post!
E como este, tantos outros exemplos nas mais diversas áreas poderiam ser dados!!!

Marshmallow

Anonymous 27. October 2009, 00:43

Sevivas writes:

Excelente post eugenio.
E as fantásticas ofertas de viagens às farmácias em que estas só têm de comprar 10000 caixas, ou entao no centro de saúde onde os médicos só têm de gastar tinta. É tudo a tentar roubar o mais que pode.
No outro dia tive de ir ao centro de saúde e era só DIM a entrar pelos consultórios a dentro com ou sem doentes lá dentro, como se aquilo fosse tudo deles... à patrão.
Abraço, diz algo quando estiveres por braga

Anonymous 28. October 2009, 12:45

Bruno Fonseca writes:

Olá Eugénio,

O post está excelente. É o nosso Portugal pequenino a que já estamos habituados.
Só recentemente descobri o teu blog mas passarei a ser um leitor assíduo.

Grande abraço e felicidades

Anonymous 29. October 2009, 00:10

Jorge Rodrigues writes:

Olá Eugénio!

Sigo o teu blogue já algum tempo! Pode parecer estupido, mas antes deste teu post, bastava colocar a combinação "eugenio + chapter" no google que o teu bloge aparecia logo na primeira opção! Depois deste post, pude constatar com surpresa que qualquer combinação não apresenta resultados! Não quero estar aqui a tecer a teoria da conspiração...mas que é estranho é!!!

Anonymous 29. October 2009, 00:11

Jorge Rodrigues writes:

Estava so a brincar!

yevgeny 29. October 2009, 16:29

Como disse antes num post qualquer adoro teorias da conspiração!! Mas infelizmente esta não se verifica...lol

Os tentáculos do polvo ainda não condicionam à Google..lol

geovannacunha 2. November 2009, 02:18

Olá Eugênio!

Também sou leitora assídua do seu blog!!!

Sou brasileira e aqui em meu país também existem destes "profissionais", aqui chamados de REPRESENTANTES DE MEDICAMENTOS. Agora temos uma lei que proíbe que estes representantes deêm aos médicos, farmacêuticos e outros profissionais que trabalham na área da saúde seus brindes. Espero que esta lei melhore a qualidade das prescrições em meu país.

:smile:

Geovanna Cunha.

schlaefer 6. November 2009, 18:28

excelente post!

Anonymous 9. November 2009, 12:48

Tasha writes:

Muito bom!! Eu sei de que falas, mas de uma outra prespectiva. Trabalhei 10 anos em agencias de viagems e o prato do dia eram as viagens que os laboratórios ofereciam aos médicos. Os congressos de fachada em locais paradisiacos. Um escandalo!! Eram milhares de euros por ano em viagens para cada médico.
E o consumidor e o Estado a pagar!!
Vergonha!
Quanto aos DIM licenciados, garanto que nem todos sao. Eu conheci, pelo menos 2 com o nono ano.... e muita lábia....(2 casos de pessoas que se encontraram desempregadas e arranjaram maneira simples de fazer dinheiro. Uma delas era vendedora de automóveis....).
Parabéns Eugénio!!

Anonymous 18. November 2009, 23:53

João writes:

A minha experiência como médico diz-me que: as poucas vezes que soube a área de formação ou o nível académico de um DIM, este ou tinha o 12º ano, ou era formado, por exemplo, em Engenharia Florestal, o que para mim, em termos de conhecimentos farmacológicos, é igual a nada. Não basta ser "doutor" para perceber de um assunto. A afirmação de que a maioria dos DIM's é licenciada, sem sequer ter a amabilidade de nos informar qual é a licenciatura que os DIM's obtiveram, é cómica. Equivale a dizer que eu tenho a carta de condução logo tenho toda a legitimidade para usar armas de fogo.

Também existem alguns médicos que são contratados por empresas farmacêuticas, calculo que por somas generosas, que, na melhor das hipóteses, tentam palestrar sobre um tema de forma o mais isenta possível, fazendo por referir lá no meio, à laia de compromisso comercial, o nome do medicamento em causa. No extremo oposto do espectro, existem médicos que basicamente caem no ridículo, tentando convencer os seus pares de que o medicamento que promovem é uma panaceia quase universal, servindo-se do seu posto académico/especialidade prestigiada para tentar calar qualquer voz crítica.

Estas palestras são aquilo que mais se aproxima do termo "formação" que o anónimo acima tentou colar às acções de propaganda comercial da indústria farmacêutica.

Quanto ao resto, TODA a gente sabe do desperdício, do atentado ecológico, do "lambe-botismo", da simbiose, das jantaradas, das viagens, dos "congressos", ou deverei dizer mega sessões de marketing, que caracterizam a relação promíscua entre a indústria farmacêutica e os médicos, da qual os DIM's são meros intermediários.

Só não se faz nada e continua a acontecer porque:

1. A indústria farmacêutica tem MUITO dinheiro, o que em Portugal equivale a poder para influenciar qualquer legislação ou regulação do sector. A este propósito, verifica-se perfeitamente o ditado de que "dinheiro gera dinheiro", quanto mais poderosa é determinada empresa, mais peso tem no lobby junto do governo, o que vai fazer com que passe a ter ainda mais poder e assim por diante;

2. O povo, 35 anos do 25 de Abril, ainda conserva o reflexo condicionado de baixar as orelhas sempre que a selecção ganha um jogo, iludindo-se de que é muito contestatário sempre que brada contra o que está mal ao fim de uns copinhos de tinto.
Na hora de agir, protestar, escrever, reclamar, manifestar, votar, mudar, escolher, não dá porque "não se chateia o senhor doutor", "dá muito trabalho", "tenho um emprego a conservar", "ainda não estamos assim tão mal" ou o já clássico "tá um belo dia de praia hoje". Raios, estamos para aqui a falar do preço dos genéricos quando muitos pacientes portugueses continuam a fazer a associação "caro=bom", e recusam-nos. Faz-me lembrar a esquizofrenia de um país que passa quatro anos a protestar contra um governo para no fim o eleger de novo, calculo que para poder continuar a ter o seu ódio de estimação privado, para continuar a insultar por mais outros quatro anos...

Só mais duas ou três coisas:
Há rios de dinheiro que vão dos bolsos de todos nós para alimentar esta relação entre médicos e farmacêuticas. Ponto.

A afirmação de que os reformados com baixos rendimentos não pagam os medicamentos é uma TRETA. A menos que se entenda por baixos rendimentos "miséria sub-humana", claro. A reforma média em Portugal mal dá para uma pessoa saudável se sustentar um mês, quanto mais para comprar os múltiplos medicamentos de que muitas vezes necessitam os reformados.

Um abraço, Eugénio

yevgeny 19. November 2009, 16:42

Olá João (não sei quem és mas também não interessa),

Um médico que fala assim, mostra desde logo uma muito saudável "convivência" com o seu próprio ego... Egos empolados pelo poder financeiro facilmente cedem a esta promiscuidade entre classe médica e indústria farmacêutica e rapidamente condenam uma, até então, promissora carreira médica...
Acredito que logo após as primeiras cedências e "parcerias" com a indústria farmacêutica nunca mais os médicos voltam a ser completamente livres de pensamento, entrando num interminável e vergonhoso ciclo de negociatas....

Alguém uma vez disse: "Todos temos um preço, a única diferença é que os honestos são mais caros"... É capaz de ser verdade!


Desta forma, bem hajam os médicos "livres de pensamento"..

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